Olá, eu sou a dor.

4 O tal primeiro dia de aula - 2


Meus pais chegam e eu já estou em prantos, a diretora e a professora estão sem entender. Meus pais pedem que eu saia da sala.

Fico sentada em um banco do lado de fora, como a professora está na sala da diretora, os alunos da minha sala estão todos do lado de fora. Todos me olham com desprezo, exceto Samanta, ela me olha como se me entendesse. E Nicolas, que logo vem até mim.

– Tudo bem?
– Eu pareço bem? – respondo.

– Não, desculpe. Só achei que quisesse conversar.

– Não, não quero. E acho que nem você deveria querer.

Ele fica sem entender. Eu levanto e vou ao banheiro.

Não sei o que meus pais falaram pra diretora e pra professora, acho que devem ter falado do meu problema em controlar meu humor – ou algo mais – porque quando voltei do banheiro a professora me olhava igual todo mundo olha.

Eu odeio essa droga de vida, essas pessoas...

Levei uma suspensão de 2 dias, mas pude assistir as aulas do dia. Todo mundo passou o dia me olhando torto.

As aulas passavam, eu só copiava, me distraía as vezes, não tinha cabeça pra nada. Sempre que eu perco a cabeça lembro-me do que fiz com meu irmão, e a dor vem.

Bate o recreio e eu pego meu remédio pra tomar. Acalmo-me mais.

Vou à cantina e pego um lanche, mas acabo por vomitar tudo... Minha raiva, meu descontrole e ansiedade faz com que eu não consiga comer, por isso sou magra e por vezes vou ao hospital tomar soro; Vivo com raiva e isso faz com que eu sempre vomite tudo que como.

Samanta me vê vomitando e vai até mim.

– Ei, ei... calma. Deixa eu te ajudar

– Não preciso de ajuda, me deixa.

– Mas você está vomitando tudo.

– É normal, eu estou bem. Por favor saia.

– Não......

– Sai – eu grito a interrompendo.

Ela sai.

Eu me limpo, e volto à sala. Ela me olha um pouco triste durante a aula, mas eu ignoro. Ninguém nunca se importou comigo, porque agora alguém iria se importar? Ela não sabe é quem eu sou.

Por fim tudo acaba, mais um dia chato já acabou. Pego minha mochila e vou embora. Na saída, minha mãe estava lá pra me pegar. Entro no carro e vamos.

O trajeto foi todo em silêncio.

Ao chegar em casa pego umas torradas e um copo de suco, subo para o meu quarto, e minha mãe vai atrás.

– Filha, tente se controlar. Já não basta a dor que nos causou com o acidente com o seu irmão, você continua a fazer o mesmo com as outras pessoas.

– Pra você é fácil falar, não é você que sente o que eu sinto. A minha cabeça ferve, minha cabeça parece quase explodir, as mãos tremerem, eu começo a suar. Você quer que eu faça o que? Eu enlouqueço se não colocar a raiva pra fora. Eu não consigo me segurar. Você não entende? É claro que não entende. Ninguém entende.

– Filha, eu sei....

– VOCÊ NÃO SABE DE NADA, SAI DAQUI! – Eu grito, e ela sai.

Deito-me um pouco enquanto como as torradas.

Ao descer para deixar o copo do suco e tomar um copo de água, escuto meus pais conversando, então sento no canto da escada, escondida e tento ouvi-los.

– Não sei mais o que fazer, Arod só nos causa dor. – Minha mãe falava.

– Precisamos ter calma, sabemos do problema dela.

– Mas eu não aguento mais, todo dia a mesma coisa... confusão, confusão e confusão.

Não aguento mais ouvir e subo.

Corro pro meu quarto e me jogo na cama. Quem não aguenta mais sou eu!!

A raiva é tamanha que eu quebro o copo que eu estava na segurando na mão, minha mão corta por inteiro e começa a sangrar muito. Eu nada faço. Observo o sangue descer, até perder a consciência...