Okashinafutari
2 Capítulo 2 - Doença Pré-Feriado
A aula começou, e ninguém se dispôs a sentar comigo. Já estava ficando depressiva, pensando no quanto eu devo ser desagradável, quando um garoto de cabelos castanhos olhou para o canto vazio, e sentou lá, calmamente. Então me cumprimentou gentilmente. Eu me senti tão não depressiva que abracei o garoto. Ele fez uma cara confusa, então me voltei para meu caderno, alegre. Hm... Quem devo desenhar? Já sei! Estou com mania de exorcista hoje, então farei um desenho de Okumura Rin. Comecei a rabiscar o desenho, e o garoto de cabelo castanho ficou apenas olhando.
— Akira Yubi! — Chamou a professora Sidara, uma das minhas preferidas. — O que diabos está fazendo?
— Desenhando Okumura Rin.
— Okumura Rin por acaso vai lhe ensinar a fazer frações? — ''Resmungritou'' ela.
— Hm... Não.
— Então que tal prestar atenção na aula?
— Não vai dar professora. Estou começando a sentir os sintomas da minha doença Pré-Feriado.
— Doença Pré-Feriado?
— Sim, a doença Pré-Feriado é uma terrível doença que me faz ter uma preguiça implacável, um sono formidável e uma vontade absurda de ver animes. — Respondi, usando as melhores palavras de meu vocabulário.
— Em Redação você já passo, mas em matemática suas notas apenas são o ''suficiente'' para passar.
— Mas isso é bom, não é? — Perguntei. Já fazia um tempo que todos da sala estavam dando uns risinhos, mas a maioria agora já explodira em gargalhadas.
— Você só tira o ''suficiente'' a quase 3 anos, Akira. — E com aquela observação, todos caíram na risada, até mesmo o garoto de cabelo castanho sentado ao meu lado riu um pouco. Eu também riria, se não fosse comigo. Eu a professora passamos a aula inteira discutindo, e no final da aula, uma coisa bem surpreendente aconteceu.
— Meu nome é Keichi, e o seu? — Perguntou o garoto de cabelo castanho.
— Akira Yubi. — Respondi, guardando minhas coisas.
— Hm... Akira... — Ele falou meu nome pensativo.
Hã? O que esse garoto tem? Que esquisitão. A aula a seguir será... Uh... Que sono. Será que eu não posso ir logo para causa? Ninguém parece acreditar na minha Doença Pré-Feriado, então talvez eu deva inventar algo, dizer que estou com um resfriado, por exemplo. Não funcionaria... Não nesse calor. Já sei! Posso dizer que estou com dor de cabeça. Depois de guardar todos meus pertences na mochila, me levantei e como tinha várias pessoas ocupando a sala, fui por cima das cadeiras mesmo. Fui até a enfermaria, onde a enfermeira, Betty, sempre escuta os sintomas dos alunos, e os da autorização para ir embora. Vou descrever direito a enfermaria, pode ser importante depois. Ela tem 2 janelas, e fica no segundo andar. A primeira janela dá direto para o chão, dois andares abaixo, uma queda de cerca de 3 a 5 metros. A outra dá para o corredor. Ao contrário do que eu queria, Betty estava no espirito de enfermeira hoje, e me mandou deitar na maca e tomar um chá. Será que devo quebrar um dedo só para não ir para a aula de ciências? Não... Sem um dedo eu não poderia digitar nem jogar. Principalmente porque eu acabei de baixar aquele jogo, SlendyTubbies... Deitei-me na maca, e fitei o teto da enfermaria. Tem alguma coisa ali... Uma mancha preta? Será um inseto? Desde quando minha visão é tão ruim assim? Fiquei de pé na maca, para observar melhor e...
— Uma barata! — Gritei. Assim que eu gritei, a barata começou a voar. Meu desespero foi tanto, que me joguei pela primeira janela que vi.
Adivinha qual era?
Eu caí de pé, na queda de 4 metros. Meus pés fizeram um barulho estranho quando bateram a mil por hora no chão. A dor foi tanta que minha visão ficou turva por alguns segundos. Mas consegui me recuperar, bem a tempo de bater o nariz no chão.
— Meu deus, Akira-chan! Você caiu dessa queda de 4 metros? — Perguntou a enfermeira. Admito, eu tive uma vontade louca de jogar uma pedra nela.
— Na verdade... Eu me joguei... — Murmurei, ainda tonta.
— Alguém ajude ela, por favor! — Gritou a enfermeira. — Socorro!
Ouvi ela conversando com alguém, e então uma figura de cabelos castanhos apareceu na janela, pulando por ela e pousando do mesmo jeito que eu. Ah, Keichi. Espera, como ele conseguiu aguentar a queda de 4 me... Keichi caiu de cara no chão, assim como eu.
— Não se pode contar com ninguém nesse mundo! — Resmungou a imensa e fortona Betty, se jogando pela janela também. Ela pousou no mesmo jeito que nós dois, só que conseguiu se manter de pé, e ainda pegou-me pelos pés, e colocou Keichi no ombro, e saiu em disparada para a enfermaria. Porque eu estou sendo arrastada pelo chão? Vai ser terrível quando ela subir as escadas. Justamente como eu temia, acho que eu corri sérios riscos de quebrar o nariz umas 20 vezes enquanto Betty subia as escadas. Ela nós jogou na única maca vaga, e como Betty é cuidadosa, me jogou debaixo de Keichi. E depois jogou ele em cima de mim, como um saco de batatas.
— Os dois ainda estão vivos? — Perguntou ela.
— Claro, tirando o fato de que essa maca vai quebrar em 3...2...1... — E como se tivesse uma força invisível me ajudando, a maca quebrou mesmo. E Betty cuidou de nós no chão mesmo.
— Vocês dois arrebentaram os pés... Acho melhor eu levar vocês para casa. Nenhum dos dois está em condição de andar agora.
Ih... Segundo os meus cálculos, isso vai dar merda.
Fale com o autor