Okairi

16 O passado de Cheshire


Notas iniciais
Voltei pra postar o resto do outro capitulo (que tive que dividir em dois já que ficou enorme ¬¬).

O garoto pareceu não compreender direito o que o velhote... Quero dizer Mestre estava dizendo, mas aos poucos sua cara passou de confusão para incredulidade, típico de humanos, não sabem lidar com as coisas direito.

*Flashback, pov’s cheshire*

-Mas... Isso é impossível! O garoto disse.

-Se fosse eu não estaria aqui. Respondi com toda rudeza que consegui.

Trocamos olhares raivosos, até o Mestre se pronunciar novamente.

-Bom, Acho que você não conseguiu entender direito Vincent... -Ele dizia, mas foi interrompido pelo garoto, cujo nome era Vincent (eu acho).

-Não Oto-sama, eu entendi o que eu não entendi é por que eu precisarei fazer isso com esse gato estúpido; já disse que prefiro um fiel cão de guarda alemão.

Senti-me imensamente ofendido, afinal quem era aquele pirralho para ficar me julgando? Só porque iria assumir a responsabilidade não significa que ele pode simplesmente sair me enxotando, meu dever tem sido ajudar os mestres Phantomhive a cuidar “daquele submundo” a gerações.

-Seu filho é muito educado, Mestre. -Eu falei-

-Olha quem fala senhor educado. -Ele ironizou-

Novamente trocamos olhares furiosos, não iria aturar aquele garoto nem se eu quisesse, mas o velhote quer dizer mestre fez questão de deixar bem claro que nós iríamos fazer isso antes de sair da sala, era a ultima vez que o veria, porem em vez de ficar triste foi como um peso tirado das costas, nunca liguei muito para meus mestres.

-Afinal o que você é? -Vincent me perguntou-

-Uma quimera*, e precisarei te treinar para não ser um fardo para mim. -Respondi bufando; ele se mostrou incrédulo, estou vendo que esse vai ser um caso difícil-

-Como assim fardo? Para sua informação sou muito bem treinado em esgrima e... -Ele disse, mas o interrompi avançando rapidamente e o esganando, cheguei perto de sua orelha direita e sussurrei-

-Por causa disso, outros tipos de “criaturas” são tão rápidas quanto eu, se não conseguir cuidar da sua pele como eu conseguirei fazer meu trabalho direito? Alem disso você não é uma donzela indefesa para ficar dependendo de mim, mas se fosse por mim você já estaria morto garoto idiota.

Soltei seu pescoço, ele me olhou como se estivesse pronto para me assasinar, mas acentiu positivamente com a cabeça.

-Já que está de acordo volte aqui amanhã às sete da manhã.

- Não posso, irei me encontrar com minha noiva...

Olhei-o incrédulo, ele ainda não entendeu que isso era para seu próprio bem? Nunca pensei que seria possível achar alguém mais besta do que meu ultimo ex-mestre, mas esse pirralh... Quer dizer novo mestre ganha de lavada.

-Caso o senhor não tenha percebido isso é para seu próprio bem, duvido que você queira acabar morto. -Falei em alto e bom tom-

Ele me olhou já pela terceira ou quarta vez como se fosse me matar dolorosamente, mas novamente acentiu com a cabeça. Passamos dias e dias treinando depois disso, pra falar a verdade o garoto não parecia tão mimado ou irritante quanto parecia, ele era até que interessante; logo nos tornamos grandes amigos ele se tornara um ótimo mestre, conseguimos de algum modo manter a paz, mas tudo que é bom dura pouco...

O dia que “aquilo” aconteceu tinha um céu azul límpido e uma atmosfera acolhedora, Vincent estava vendo alguns documentos na câmara secreta* enquanto eu tirava um cochilo na forma de gato. Fui acordado por seus passos, fiquei na minha forma “humana” e disse:

-Vincent pra aonde você vai?

-Vou para o outro escritório; Cheshire quero te pedir um favor -Ele me respondeu-

-Claro que sim, afinal você é meu mestre -Falei-

-Por favor, cuide dessa mansão; hoje à noite se eu estiver certo “coisas” irão acontecer. Quero que saiba que você realmente foi importante pra mim, sem você provavelmente não seria quem sou hoje.

Eu só acenti com a cabeça, não entendi muito bem o significado da frase; depois de ter meu consentimento ele saiu do cômodo. O resto do dia passou absolutamente normal se me lembro bem era aniversario do filho de Vincent me perguntei como seria o menino deveria ser parecido com meu Mestre, pensando nisso já fazia tanto tempo que não saia da câmara, minha pele estava ficando mais branca do que já era, sai do cômodo na minha forma de gato e segui até o jardim. Entrei no labirinto de rosas até chegar à parte mais isolada voltando a minha forma humana, deitei no próprio chão com o sol batendo em minha pele e adormeci.

Só acordei a noite, foi quando vi o fogo escarlate corromper a estrutura da mansão. Voltei a minha forma de gato e corri para lá; “seu idiota porque não me explicou direito!?” eu pensava, mas sabia que Vincent sempre foi assim: nunca gostou de revelar suas preocupações, porem eu achei que deixei bem claro que podia falar para mim, pois se fosse algo dessa magnitude eu daria um jeito de cuidar, é isso que dá ser o Sr. Guardador de Preocupações.

Passei pelos cômodos procurando ele, sua mulher e seu filho até chegar no seu escritório e ver aquela cena: ele e a mulher costurados como um só. Atrás “deles” havia um anjo. Nunca senti tanta repulsa de um, geralmente eram gentis (porem esse parecia muito orgulhoso); Avancei em sua direção, mas antes que conseguisse acerta-lo ele abriu suas asas e saiu de lá com o “casal”.

*Flaskback off*

-Só naquele momento percebi o quanto Vincent era importante pra mim, cai de joelhos no chão do quarto que ainda estava em chamas e chorei, chorei até as chamas se dissiparem. Depois disso voltei para cômodo onde fiquei até você me achar. -Terminei.

Havia lagrimas escorrendo pela minha face tentava segura-las, mas eu não conseguia conte-las como tivessem vontade própria. Nem o pirralho ou seu mordomo demonstravam alguma emoção.

O pirralho chegou mais perto de mim e me deu um forte abraço e sussurrou: “Eu sei como é difícil ter que lidar com essa sensação de que nada mais importa; você o amava não?”; eu respondi somente acenando com a cabeça. Ele olhou pra mim, não como normalmente arrogante e orgulhoso, mas com certa dó (particularmente achava isso impossível, porem parece que até essas criaturas conseguem demonstrar sentimentos).

-Cuide bem de seu mordomo; Só se percebe o quanto uma coisa é importante quando ela se perde. Disse enquanto as lagrimas ainda teimavam em sair.

-Hai. Ele me respondeu tentando me reconfortar.

Notas finais
*Quimera: um animal com partes de várias animais (no caso de cheshire metade humano metade gato).

*Não estou fazendo referencia a câmara de Harry Potter, a nome-ei assim para não precisar ficar colocando "aquele comodo" toda hora

Bom o próximo capitulo deve sair sexta; depois de re-ler esse capitulo senti uma dor no peito...