Ok, Mostre-me
26 Caminho Reto - Parte II
Notas iniciais
Annabeth
Sabe, existem pessoa boas no mundo, pessoa com quem podemos não só confiar nossas alegrias, mas também nossas tristezas, pessoa que nesse mundo, também carregam tipo de dores, dores pesadas, dores que batucam no peito a todo momento, dizendo que você deve ser consumido pelo sofrimento, são as pessoas que escolhem se querem ser consumidas por essa vasta escuridão, e eu, neste momento, não necessito de nada disso, afinal, eu tenho pessoas que, apesar de carregarem suas próprias dores e estarem sempre na ponta do abismo para o sofrimento, te levantam e te ajudam a continuar.
Annabeth Chase, para ela mesma no futuro.
Jason
Existe um caminho reto que só nós decidimos se vamos por ele, esse caminho se chama vida, mas quando se é meio humano meio deus, não se tem muita escolha. Sua vida nunca é completamente normal, entenda, semideuses tem que enfrentar coisas que em um caminho reto não seria possível. Travamos batalhas, corremos, buscamos por abrigo e comida, saímos dias a fio sem saber se vamos voltar, mas quando achamos um amigo, ou amigos, nossa vida fica bem mais fácil, melhor ainda se seus amigos forem como você, correrem o mesmo risco todos os dias.
Acho que ninguém entenderia que um meio-sangue usa atalhos e mais atalhos, um caminho cheio de pedras, curvas e buracos, mas com amigos, meu caro, sua vida fica até mais fácil do que um caminho reto, por que se pensar bem, nossos amigos influenciam na nossa caminhada, mas quando eles não só influenciam, mas querem ajudar mais do que a eles próprios, pode ter certeza de um coisa, você não está em um caminho reto, sabe por quê? A vida com coisas iguais, caminhos iguais é chata, seus amigos te mostram isso quando querem fazer um caminho diferente. Mas meio-sangues, fazem caminhos diferentes quando nascem. E nossos amigos é o que fazem a diferença, não precisamos de um caminho reto pra ter uma vida comum, isso é o que nos faz feliz, não ser comum.
Leo
—Sabe, pode até ser errado de minha parte, mas eu senti saudades.- Disse Hazel se sentando na cama.
Leo fechou a porta e se virou com um grande sorriso;
— Que errado o quê! Foi bom demais você ter vindo para cá!- Leo se aproximou de Hazel, colando sua testa junto a dela.
—Leo....Você está....?
—Ahn, estou, desculpe.- disse ele se afastando.- desde que te vi hoje de manhã.
Hazel corou suas bochechas;
—Não acho muito adequado falar disso, se você não quer...
—Não quero..
—Ok.
—Ok
Eles ficaram em silêncio por um tempo e começaram a rir, até que a filha de Plutão pergunta:
—Conseguiu?
—Não, nem me mexi.
—Que droga, como fazemos agora?
—Não pode me beijar mesmo assim?-indaga Leo rindo.
—Não.- menciona rapidamente como quem está com vergonha.
—Ah, tudo bem, venha cá Hazel.- resmunga Leo a abraçando.
Ela se afasta rapidamente e ele cabisbaixo diz;
—Pode ir, vou tentar mudar isso, desculpe.
—Desculpe eu Leo, eu ainda...- Hazel estava muito vermelha de vergonha, a menina estava com tanta vergonha que saiu correndo.
Leo começou a pensar em tudo, para se distrair, para pensar na vida, foi até Festus que naquele momento, estava em opção hibernar.
Leo tentou o ativar para fazer carinho, quando ele ligou seus olhos piscavam as luzes e Leo correu até ele, preocupado:
—Festus, o que foi? Precisa carregar a bateria?
Festus balançou a cabeça, indicando que não, colocou a ponta de seu nariz de ouro fumegante no rosto de Leo, o nariz que antes era quente, agora estava gélido como todas as coisas geladas do planeta juntas;
—Festus?- indagou Valdez.
Ele colocou a ponta gélida no rosto de Leo e logo seus olhos se apagaram.
—Não...Não....Não, não, não, não!- gritava Leo.- Não! Não vai embora....Eu já perdi gente demais! Não! Por favor, volta, volta, volta, por favor! Não vai, você era meu porto seguro Festus, tinha todo o amor que eu precisava quando me sentia só- dizia baixinho na orelha de Festus com esperança e em prantos.- Volta! Não me deixa sozinho! Por favor....Por favor....
Todos saíram para o convés, se dirigiram a lá para ver uma cena que ninguém esperava naqueles dias, uma cena triste, como as outras foram...Leo chorava, caía em prantos desesperado querendo ajuda, mesmo pegando todas as baterias, tentaram de tudo, Festus não voltava.
Quando Leo aceitou a morte, o fim dele se retirou e os outros decidiram jogar as peças no mar e deixar a cabeça para Leo jogar.
Quando Hazel pegou o centro do peito de Festus todos a olharam, inclusive quando algo caiu do chão.
Um papel meio queimado, meio velho, Hazel o pegou na mão e olhando, começou a chorar, antes de todos se aproximarem, ouviram uma voz:
—Eu me apeguei a ele por isso, todo o amor que eu tinha pela minha mãe, todo o amor que ela tinha por mim...- disse Leo de braços cruzados se mantendo sério.- Ela me dizia que chorar era importante, mas que devemos tomar cuidado para não chorar demais e cultivar toda essa dor, ou simplesmente perder ela. O íncrivel é que eu fui superando toda a falta que eu sentia, mas ele- disse o garoto apontando pro resto de engrenagem.- uma máquina, me deu o amor que eu mais precisava, que eu mais queria... O amor de uma mãe. Ele foi tão importante pra mim quanto ela, e quando vi ele morrendo tudo voltou nos meus olhos, eu não queria viver isso de novo, mas fui eu quem decidi ter esse gostinho denovo, esse amor, então tinha que aceitar uma hora, perder a única lembrança que ainda me restava.
Todos continuaram quietos, o olhando e ele terminou:
—Isso é meu, mas podem fazer o que quiser com ele, sabe, ver vocês jogarem tudo isso, me faz lembrar...-Leo tentou esconder o choro,- Me faz querer voltar, milhões e milhões de vezes se possível, por que....Só queria aquele amor novamente.... O Festus me deu isso, e agora que ele morreu, sinto como se tivesse perdido minha mãe novamente, a mãe que disse que nunca ia me abandonar. Eu me culpo demais, me fizeram acreditar que fui eu que a matei, mas não foi. O único erro que eu cometi com ela, foi ter nascido. Por que se isso não tivesse acontecido, ela poderia estar viva.
—E aí do que adiantaria a vida dela? O amor mais precioso da vida dela não ia existir, o que ela ia fazer.- Disse Hazel.
—Ia...fazer....-Leo começou a chorar novamente.- Só queria...O amor dela...Ela....Novamente, Eu a amava, ainda amo, queria ter tido tempo o suficiente para falar isso, se ela estivesse viva hoje, meu deus, tudo seria muito diferente, mas agora, olhando de outra forma, gosto da minha vida, gosto de como ela flui, só sinto falta dela, muita falta, daquelas de preencher um espaço todo no meu peito, só tenho...amor.
Hazel andou até Leo com o pequeno papel, e olhando uma última vez, ele sorriu:

''Morremos um pouco cada vez que perdemos um ente querido.''
Públio Siro
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