Oitavo Andar
1 Oitavo Andar
Notas iniciais
Espero que gostem pois foi feita com muito carinho.
Queria agradecer a uma pessoinha muito especial : Minha Violeta, por ter sido a primeira a ler e opinar sobre essa história! Te adoro, coisinha linda
Queria agradecer a uma pessoinha muito especial : Minha Violeta, por ter sido a primeira a ler e opinar sobre essa história! Te adoro, coisinha linda
— Estamos terminando. Olhe, não é você Alice. Sou eu.
Se existe frase pior para um termino que essa eu desconheço. Por um instante pensei que ele reconsideraria novamente, afinal isso era recorrente entre nós e estávamos juntos desde o colegial. Havíamos feito uma vida inteira juntos e até trabalhávamos para a mesma empresa. Ele era meu namoradinho desde os doze anos. O primeiro rapaz por quem me apaixonei, saímos de casa juntos aos eu aos 16 e ele com 18, fomos de um estado para o outro sonhando em realizar todos os nossos sonhos, sempre juntos. Minha família apoiava, achava que era o melhor para mim estar com ele. O casal perfeito. Moramos por um tempo com os tios dele, procuramos empregos enquanto cursávamos o ensino médio. Ele se formou e um ano depois já estava na faculdade. Eu fiz o mesmo pouco anos depois dele. E montei também minha banda com meus novos amigos. Adam não gostava muito deles.Terminamos muitas vezes mas sempre voltávamos praticamente no mesmo dia, ou dias depois. No termino mais demorado – um ano e meio atrás- eu havia me mudado para cá, e mesmo quando voltamos ele achou por melhor que continuássemos a morar separados. Eu não discuti sobre. Gosto daqui. Nós sempre trilhamos caminhos semelhantes, todos diziam que estávamos destinados ao sucesso juntos. Teríamos uma bela casa na zona sul, um ou dois filhos –Enzo e Rafael ou Helena e Sophia, escolhemos os nomes na primeira vez que ele falou sobre casar. –, talvez um cachorro para as crianças... eu seria música e advogada, ele pretendia parar de advogar em breve para tentar medicina. Havia um juntado uma boa quantia para isso. Trabalharia como advogado apenas até formar-se em medicina. E tinha meu total apoio nisso. Mas as coisas vinham desandando desde o meu último surto. A doença voltara. Ela sempre levava a culpa dos términos, de suas constantes tentativas de desistir do nosso futuro juntos. Era algo além disso e eu sabia, muito antes da briga começar, meses antes. Fingir-me de sonsa parecia melhor do que apressar o fim. Mas então nós brigamos. Muito feio dessa vez, e ele finalmente soltou a bomba: Iria mudar-se não de cidade ou estado, mas de país. E estava cansado demais de mim. De nós. O fim definitivo. Compreendi sentindo um peso enorme sob meu corpo, apertando meu coração, prendendo meu ar. Meus olhos ardiam e lagrimas pesadas ameaçavam cair dos mesmo.Nem tive tempo de responder ou argumentar qualquer coisa. Ele saiu porta a fora fechando-a com força.Suas palavras –cada uma delas, desde o começo da briga- ecoavam fundo em minha mente tão pesadas, frias e afiadas...Me dilacerando por dentro. Corri para fora do apartamento a tempo de vê-lo começando a descida longa pela escadaria do sétimo andar até o térreo. Seu medo de elevadores finalmente viera a calhar. Parei em frente as portas frias e metálicas chamando o elevador. As portas abriram-se rapidamente e apertei o número oito. Um andar acima.Meu coração correndo como louco, apertado, desesperado. "Vou fazer isso" pensei “e ele será eternamente meu" Não havia nada a perder, não sem ele. Adam tornara-se meu mundo. Éramos uma inseparável desde que eu conseguia lembrar-me. Finalmente sai da pequena caixa metálica, tremula e com certa dificuldade em respirar, não que eu tenha algum problema respiratório, mas em meio as crises respirar é algo muito difícil. Fui a porta do 666 e bati. Dona Maria mora ali, ela me adora, praticamente me adotou como uma neta. Conhece minha história, como eu e ele viemos de uma cidadezinha pequena, com pouco mais que alguns sonhos e trocados no bolso buscando sucesso e felicidade, ela sabia de minha depressão, das ambições dele que eram diferentes as minhas, de como eu estava sempre pronta a segui-lo sem olhar para trás...Adam era minha bússola. Meu destino. Meu tudo. Uma senhorinha atendeu, seus cabelos tingidos de verde estavam soltos e ela parecia irradiar felicidade, não era Dona Maria mas sim sua esposa, Vanessa. —Está tudo bem, Alice querida? -Seu tom era repleto de afeto e preocupação — Você me parece um tanto quanto Atordoada. —Posso entrar? —Claro que sim, meu doce. Entre e se sente no sofá, vou chamar Maria. Ela está no quarto de hóspedes com nossa netinha. Entrei. O apartamento era talvez o maior de todo o prédio, afinal se tratava da cobertura. As paredes tingidas de rosa com pequenas estrelas douradas pareciam tão acolhedoras como de costume. Enquanto Dona Vanessa saia da salinha subindo uma pequena escada para chamar Dona Maria eu caminhei até a janela com vista para a saída do prédio, uma sacadinha adorável da qual eu podia facilmente pular. Adam passaria por ali em poucos minutos, seus hábitos não me eram estranhos, fazia a mesma coisa todos os dias quando descíamos juntos: Ele pararia frente ao espelho do ‘’ T’’ ajeitando os cabelos vermelhos, sua vaidade facilmente lhe serviria de ruina, afinal. Então cumprimentaria o porteiro e lhe perguntaria da família para só depois sair e ir embora. Para sempre dessa vez. Coloquei-me sentada sob a muradinha, pronta para pular, imagine só, nunca mais um sem o outro. De verdade dessa vez. Então todas as promessas que ele fez a mim seriam cumpridas e não mais penas palavras vazias.
O par perfeito. ‘’ Ele não vai nem perceber o que o atingiu, mas nunca mais vamos nos separar...’’ Pensei mordendo meu lábio inferior. Conhecia bem os procedimentos que seriam feitos, Abby, minha melhor amiga, trabalhava na polícia. Primeiro iriam riscar nosso contorno no chão, meu corpo juntinho do dele deitado ali, precisariam decidir se foi um acidente, se eu cai, fui empurrada, todas essas palhaçadas que Abby sempre me explica. Então depois de algum tempinho ali iriam mandar nossos corpos pro Necrotério. Sorri com a ideia. Lembrando-me dos filmes e series que víamos na adolescência, como NCIS, eles mostravam o que acontecia com as pessoas quando se matavam ou eram brutalmente assassinadas. O necrotério sempre me parecera um local frio e aterrorizante, com corpos duros e inchados, perdendo a coloração normal e tornando-se meio roxos –ou seria melhor dizer azulados? — feito picolés. Um lugar amaldiçoado e triste, repleto de almas amarguradas presas na morte esperando algum desavisado para assustarem ou possuírem –então talvez eu tenha visto filmes de terror demais mas necrotérios são ótimos lugares para coisas ruins acontecerem. Agora o tal lugar parecia-me um paraíso. Nós dois, ali, sozinhos, sem mais separações. Brincaríamos de sério, o jogo favorito dele, deitadinhos no bem bom sem nunca mais preocupação alguma...etiquetas iguaizinhas em nossos pés com nossos nomes apenas à espera do veredito final quando finalmente buscariam nossos parentes. Nossas famílias ficariam confusas. Tentando entender o porquê de tal final tão inesperado. Mas certamente seriamos enterrados juntos. E todos saberiam como eu só morri por ele, por nós, por amor. ‘’ Isso parece loucura’’ pensei tentando respirar fundo, ainda muito impelida em me jogar, mas levantei-me com cuidado ficando de pé bem na hora que Dona Maria e sua esposa, juntamente com uma jovem que eu nunca havia visto antes adentravam a salinha.—Você está bem, querida? Por um instante quando te vi sentada ali achei que iria se jogar. Dona Maria falava em tom doce, preocupado, seus olhos brilhantes da cor do céu quando não tem estrelas encaravam-me. —Apenas admirando a vista! Menti. Mas não adiantaria muito. A mulher me conhecia como a própria alma. —Tudo bem então, precisa de mim Para algo querida? Aliás, Evelyn diga oi para a Alice! Esses não são os modos que sua mãe lhe deu menina!Ralhou em tom brincalhão com a outra jovem, que só agora eu conseguia observar melhor: Os cabelos eram louros num tom médio e estavam soltos indo até pouco abaixo dos ombros, tinha a pele clarinha como porcelana com apenas uma única pinta escura em seu pescoço que ficava bem visível pelo contraste, as roupas eram bem sociais e serias: uma calça jeans preta, uma blusa de manga verde claro no estilo social e sapatilhas da mesma coloração que a calça. Usava óculos de grau e por trás dele estavam escondidos olhos mistos entre verde e azul. Ela era uma perdição.—Olá, Alice. Eu sou Evelyn Blake. Neta mais velha. Informou sorrindo. —O-oi! E-eu...hum...Sou Alice, Alice Avanzo. E....eu só queria companhia, dona Maria, o Adam terminou comigo ...—De novo? Ele vive fazendo isso querida, aquele brutamontes não merece você! Venha, esqueça-o! Vamos jantar? Eu fiz torta de amora, é sua preferida não é?Questionou, sorrindo-me compreensiva. Olhei as três mulheres paradas a minha frente. Parecia o certo me jogar e ficar eternamente com Adam, mesmo que na morte. Mas agora...—Claro, vai ser um prazer.Respondi sorrindo enquanto acompanhava-as para a cozinha e Dona Maria me contava sobre Evelyn e seu brilhante trabalho.
Notas finais
Obrigada por ler e por favor não se esqueça de comentar!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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