Ohji
1 Capítulo 1
Ohji
Aoi dormia pacificamente em seu futon, deitado desleixadamente sobre revistas, partituras e lençóis de cetim. O relógio marcava três da manhã quando o irritante som da campainha o acordou.
-quem é? – ele falou sonolento através do interfone
-sou eu! Abre a porta, Aoi. Eu preciso da sua ajuda, Aoi, abre.
Ele suspirou
-Uruha, você sabe que horas são?
-ok, eu sei, é tarde. Mas abre logo a droga da porta!
-abusado – ele falou, mas abriu a porta. – mas que diabos aconteceu com você?!
A sua frente, Uruha se encontrava com a blusa rasgada, a calça caída, o olho esquerdo roxo e a boca com um corte, que ainda sangrava. Uruha abaixou a cabeça, envergonhado, e não precisou dizer mais nada para que seu melhor amigo o entendesse.
-você se meteu em briga de boteco de novo, não foi? – Aoi se encostou à porta, decepcionado.
-eu tive meus motivos. – Uruha falou, indiferente
-desde quando cachaça é motivo? Você bebeu de novo e brigou com algum cara duas mil vezes mais forte do que você, não foi isso?!
-Eu não bebi! – o loiro gritou, ficando a centímetros do moreno – pode ver! – ele deu uma baforada na cara do amigo, que de princípio se afastou, mas depois se aproximou
-você não bebeu mesmo... – seus olhos negros brilhavam contra a escuridão da noite e as luzes da cidade
-ta frio aqui fora, vai me deixar entrar ou vai ficar fazendo essa cara de palerma?
-eu já falei o quão abusado você é?
Uruha passou por Aoi rindo.
-AI, droga, o que foi isso?!
-o que aconteceu? – Aoi se virou para trás e viu Uruha estatelado no chão, e um barulho de vidro quebrado ainda ecoava pela casa.
-sabe, contratar uma empregada não faz mal não, Aoi-kun. Aliás, no que foi que eu tropecei? – o menor se levantou com a ajuda do moreno – ora, ora, o que temos aqui – ele riu ao ver que tinha tropeçado numa garrafa de vodka – eu achei que só eu era o pinguço da banda...
-eu nunca falei que eu não bebia – ele deu ombros em resposta – você devia cuidar desse machucado, Uruha-kun – o moreno se aproximou do pequeno, tocando-lhe os lábios com os dedos – pode ficar sério.
O loiro pegou a mão de Aoi, segurando-a no lugar. Seu coração batia como o de um passarinho, e o rubor lhe tomou o rosto.
-o que...
Não houve tempo para que a pergunta fosse formulada, nem sequer na mente de Aoi. Seus grossos lábios foram selados com os de Uruha. O gosto de sangue se misturava na boca dos dois enquanto as línguas se tocavam intensamente. Poderiam ficar daquela forma pra sempre: as mãos dadas no ar enquanto se beijavam ternamente, mas de uma forma que ao mesmo tempo era urgente. A outra mão de Uruha tocou o peito de Aoi, e a outra mão deste foi para a cintura do loirinho.
Um vento frio entrou pela janela e separou os dois.
-eu acho melhor... – Aoi tentava pensar, mordendo o lábio inferior fortemente. Não sabia o que estava acontecendo com ele, não sabia de mais nada. – você sabe onde fica tudo, lave o rosto, coloque um pijama e vá dormir, ok?
Sem dizer nem uma palavra sequer, o menor seguiu as ordens do outro, tentando repassar em sua mente o que havia acontecido com ele. Não havia bebido, então não podia usar a desculpa de ‘não me lembro de nada’. O homem que o xingou o atrapalhara e a briga veio antes da primeira dose de sake. Estava enrolando no banheiro pra não ter que olhar pra ele de novo. Suspirou e pegou um pijama vermelho com listras vinho.
O barulho da TV no outro cômodo o chamou a atenção. Foi até lá e se deparou com Aoi sentado no sofá, com o controle remoto na mão, olhando para o aparelho com cara de tédio.
-ué, ficou sem sono?
-nem pense em reclamar do volume da TV, você que me acordou – os fartos lábios de Aoi se puxaram num sorriso que não era desconfortável e nem forçado.
-essa possibilidade nem me passou pela cabeça – Uruha pulou no sofá, ao lado de Aoi – então, o que você está vendo?
-um filme... Parece ser ruim e chato, mas eu quero descobrir quem matou a menininha.
-o culpado é o mordomo.
Os dois riram e se viraram pra frente para ver o filme, mas ele era tão monótono e chato que Uruha se encostou ao ombro de Aoi e dormiu.
-Ohji...
-como? – Aoi tinha parado de prestar atenção no comercial de sabão em pó para se virar para seu companheiro, que dormia pesadamente.
-Ohji... Meu Ohji.
O moreno sentiu uma pontada no peito, uma vontade súbita de chorar lhe tomou o coração. Queria sumir. Uruha se encolheu, tremendo por causa do seu sonho, sua expressão era de dor.
-Ohji!
-eu me pergunto quem é esse que assombra seus sonhos, Uruha-kun...
Aoi acariciou o rosto do amigo, então lhe empurrou.
-hey, vá dormir na cama!
-como? O que? Aonde? Quem?
-com os seus pés, dormir, na cama e você.
-você pareceu o Mestre Yoda agora.
-to só respondendo as suas perguntas, ora essa.
Os dois riram.
-eu não gosto de dormir sozinho, Aoi-kun... Vem dormir comigo?
-só se você me responder uma pergunta antes...
-qual? – Uruha já tinha besteiras planejadas em sua mente, então a pergunta vinda de seu amado ‘amigo’ o surpreendeu:
-quem é esse Ohji?
-c... Como você sabe dessa historia?!
-você ficou chamando por ele a noite inteira.
-que besteira a minha... – seu rosto enrubesceu – chamar por quem estava ali do meu lado...
Os olhos de Aoi saltaram das órbitas. Ele preferiu por não pensar em nada. Foi até Uruha e lhe tirou a camisa, beijando seu pescoço.
O caminho até o quarto foi curto, porém longo o suficiente para deixar ambos impacientes.
Uruha tirou as calças de Aoi, notando que ele estava sem cueca, e este o beijou com mais fervor e devoção, jogando-lhe em cima da cama bagunçada. Rapidamente estavam despidos e suados, deitados no futon, agarrados um ao outro, sem querer se largar. Aoi beijava a nuca e as costas de Uruha enquanto o acariciava.
-eu te amo, Uruha. Eu te amo.
-meu príncipe – Uruha não tinha fôlego, mas tentava respondê-lo – Aoi. Você é meu príncipe.
Fale com o autor