POV Bella 03/05/2014

_Manhê – O grito de Anja soou nos meus ouvidos. Vajam bem, gritos nessa casa eram rotina, mas não quando vinham de Anja.

Apesar de ser toda agitada, Anja odiava barulho e quando um grito vinha dela é porque algo estava errado. Sai em disparada do escritório, onde eu tinha trago coisas do escritório para casa, em direção a sala para ver o que acontecia a minha caçula e quando cheguei, vi que Anja estava deitada no sofá, onde tirava seu cochilo depois da aula, toda encolhida e chorando.

_Ei bebê, o que aconteceu? Por que minha boneca ta chorando? – Perguntei acariciando suas costas enquanto a puxava para meu colo. Anja enfiou a cabeça no vão do meu pescoço. Um costume antigo, que ela tinha desde que tinha poucos meses de vida.

_Eu tive um sonho luim mamãe. Muito luim – Falou chorosa enquanto mexia na minha orelha, fungando em meu pescoço.

_Você quer contar seu sonho para a mamãe? – Perguntei carinhosamente, sem pressiona- La.

_Foi um sonho feio mamãe, eu sonhei que você e o papai não me amavam mais e iam embola e não levavam eu, aí eu acoldei e vocês não tava aqui. – Falou fungando enquanto apertava minha blusa com força em um claro sinal de nervosismo.

_Por que achou que te abandonaríamos filha? Eu e o papai te amamos e nunca vamos te abandonar.

_Porque lá na minha ecola me disseram que vocês não são meus papais de verdade e que um dia vocês iam me deixar.

_Que absurdo Anja. Nunca mais pense ou repita isso entendeu? Você é Anja Elizabeth Swan- Cullen e você é minha filha, minha bebê entendeu? Já conversamos sobre isso filha, desde quando estava na barriga da mamãe Katrina você já era minha filha, minha e do papai.

_E do Tony também mamãe! – Eu sorri ao constatar que ela já tinha mudado o assunto, me senti mais aliviada em sair desse assunto que eu não gostava muito de falar. E sorri também com a menção de Anja da sua pessoa favorita do mundo todo, como ela mesma dizia.

_E do Tony também filha. Agora diz para a mamãe, quem foi que falou aquelas coisas para você na escola?- Perguntei olhando em seus olhos, fazendo com que ela soubesse que eu não aceitaria mentira.

_Mamãe... – Minha pequena até tentou se livrar de responder fazendo a típica carinha que sempre fazia com que Edward fizesse tudo que ela queria, mas que não funcionava comigo.

_Nada de mamãe Anja Elizabeth, quero saber quem foi que te falou essas coisas agora.

_Ela vai bligar comigo mamãe, não posso falar. – Olhei feio em sua direção- Ok, ok. Que coisa mamãe, foi a plofessola Maloly, plonto falei. — Se a situação não fosse tão seria eu acharia uma graça seu jeito errado e emburrado de falar.

Anja era nossa filha adotiva. Quando Edward e eu estávamos passando por uma crise em nosso relacionamento de 17 anos na época, surgiu um verdadeiro anjo em nossas vidas para colocar a mesma nos eixo novamente.

Minha melhor amiga de faculdade e sócia em meu escritório de arquitetura, Katrina, estava grávida de sua primeira filha. Ela e seu marido, Victor, estavam eufóricos com a novidade de serem pais. Quando descobriram que iam ter um bebê, Katrina e Victor nos nomearam padrinhos da criança. Eu e Edward ficamos lisonjeados e muito felizes, já que eles eram padrinhos do nosso caçula, Tomas. Até que em um dia qualquer eu recebi a ligação que mudaria minha vida.

Katrina e Victor Adams haviam sofrido um grave acidente de carro onde a vida dos dois tinham sido tirada. Katrina estava em seu sétimo mês de gestação quando a tragédia aconteceu e como um verdadeiro milagre a criança foi tirada com vida. Katrina e Victor tinham deixado registrado em cartório que caso alguma coisa acontecesse com eles a guarda do bebê seria nossa e que toda a herança do casal deveria ser guardada para que quando a criança tivesse 21 anos pudesse usufruir.

Victor era filho de Alemães extremamente rígidos e que não admitiram que seu único filho se casasse com uma mulher negra, sendo assim Victor largou toda sua vida na Europa e virou definitivamente um cidadão americano, se casando com Katrina e seguindo com a vida mesmo que seus pais insistissem em procurar por ele. Para ele qualquer pessoa que não pudesse aceitar sua mulher não era digna de sua atenção.

Katrina perdeu o pai enquanto estava na faculdade, foi muito amada e motivo de muito orgulho do pai que era sua única família desde que sua mãe morrera no seu parto.

No começo de toda a historia eu simplesmente estava apavorada com tudo isso. Era mãe já de três crianças, com a minha carreira no auge e tempo nulo para cuidar de uma criança pequena, ainda mais uma criança prematura que precisava de cuidados em dobro. Mas tudo isso mudou em dois momentos, no momento em que eu a vi pela primeira vez. Uma das coisas mais linda que eu já tinha visto, toda enrugadinha, com uma pelugem preta igual à noite na cabeça, mas os olhos verdes iguais à vida. Um verde que te fazia ter vontade de ficar olhando para eles o resto da vida. E o outro momento foi quando eu vi Edward com ela pela primeira vez, foi do mesmo jeito de quando ele pegou nossos outros filhos nos braços. Olhos marejados, respiração entrecortada, bochechas vermelhas por prender o choro e olhos atentos em cada parte do bebê. A partir desse momento eu e Edward deixamos toda e qualquer desavença que tínhamos em uma conversa franca que tivemos e partimos para pegar nossa mais nova cria. O dia 06/11/2011 foi marcado como o dia do nascimento do nosso anjo particular.

Anja Elizabeth Swan- Cullen, minha pequena guerreira que a plenos pulmões veio ao mundo ganhou esse nome pelo simples fato de que ela era um anjo, tanto para mim quanto para Edward e também para seus pais onde quer que eles estejam. Anja foi uma homenagem ao carinhoso apelido de anjo que ela ganhou quando nasceu e Elizabeth era uma homenagem a avó de Edward que desde quando contamos a família sobre a historia foi a que mais ficou encantada e eufórica com a historia. Elizabeth se apaixonou pela minha pequena desde o momento em que ela colocou os olhos nela, o que não foi surpresa nenhuma o fato de Anja querer virar uma bailarina igual a bisa Eliza tinha sido.

Anja hoje com seus 4 anos era a criança mais esperta da sua turma do colégio e o fato de ser adotada nunca tinha sido um problema, até agora.

_Pode ficar tranquila que ninguém vai brigar com o bebe da mamãe. Agora o que o acha de da minha bailarina ir tomar um banho para ir para o balé com bisa Eliza? – Por fora eu estava aparentemente calma para que Anja não ficasse nervosa, mas por dentro eu queria era quebrar a cara daquela mulherzinha que se diz educadora infantil.

_Eba! Mas tem que tomar banho mesmo? – Minha pequena porquinha era anti banho assumida e a única pessoa que conseguia com que ela tomasse banho sem reclamar era Edward, que no momento não estava em casa.

_Se a senhorita não quiser ir fedendo para o balé, precisa sim!

_Mas eu não ligo não mamãe.

_Já para o banho porquinha, anda!

Todo dia era o mesmo dilema, Anja não quer tomar banho, eu fico quase uma hora para fazer ela entrar no banho e quase uma hora para fazer ela sair, mas fazer o que se eu sou uma mãe babona que não consegue brigar com minhas crias?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.