Ohana
4 CinemaScope
Notas iniciais
Luz, movimento, som.
Luz, câmera, ação! A expressão é essa, certo?
CinemaScope. A tecnologia inovadora da Twentieth Century Fox, no ano de 1953, claro. Hoje em dia, é apenas uma impertinência na vida de Tenten McClatchey, a adolescente que contribui para que as salas do cinema Greta Garbo, a Divina, continuem funcionado, ou melhor, continuavam...
Com os olhos brilhantes por lágrimas recém-derramadas , Tenten amarrotou o comunicado sobre o fechamento do seu cinema. Não foi semana passada que Elouisie estava aqui, com uma carranca sem tamanho, acompanhada do monstrinho Sarutobi e sua gangue em uma exibição de Frozen, o mais recente filme rodado em CinemaScope? E agora não haverá mais nada aqui, nem Blockbusters, nem filmes noir, alternativos, ou clássicos. Nada. Porque Hyuugas são muito bons em varrer coisas do mapa à toa, eu suponho.
O projeto do conglomerado de hotelaria hyuuga apresentava um hotel mais acessível, em contraponto aos palácios litorâneos que eram de posse da poderosa família. O homem por trás do projeto se chamava Neji Hyuuga, pelo que Tenten soube. Já o odiava, odiava sim! Primeiro porque alguns meses antes a mesma já havia enviado uma carta sugerindo a construção de moradas populares, projeto que foi ignorado com louvor pelos magnatas do turismo. Segundo que o tal Neji tirou-lhe algo que era simplesmente essencial em sua vida; o cinema.
Porque se Elouisie era a garota talentosa que fazia milagres com sua determinação, Hinata era dona de uma gentileza e de uma inteligência sem igual — embora carregasse o maldito sobrenome Hyuuga -, Ino era uma espécie de fada criativa que fazia mágicas com pequenas ideias, Karin dominava as palavras de uma forma que ninguém poderia fazê-lo melhor, Tenten era uma espectadora da vida, apreciava pessoas e suas particularidades; o cinema foi uma consequência feliz de tudo isso. E isso, foi tomado com violência. Desolador, realmente desolador.
Sabia que Hinata não daria-lhe as respostas que desejava, mas a sua melhor amiga espevitada e cor de rosa poderia. Discou os números para contatar Elouisie. Aguardou apreensiva entre um estalar de dedos e soluços. Ouviu um resmungo, e depois a voz da outra menina soou, mais rouca que o normal:
–Tenten?
–Oi... Acordei você?... — a voz entrecortada, angustiada.
–Criaturas da noite não dormem. O que há com você?
–Eu preciso de sua ajuda, Saku... Elouisie. — passou a mão pelos cabelos extremamente curtos, sentia-se um tanto alienígena sendo a única a não possuir melenas compridas como as outras. — O cinema, vai ser fechado. A área foi comprada pela hotelaria Hyuuga, eu o perdi...
–Oh, Tenten! Eu poederia dizer que sinto muito, mas não é algo que você queira ouvir. Então irei me informar sobre o tal projeto. Aguarde um instante.
–Eu não queria incomodar, mahalo.
–Stalkear Hyuugas é um prazer, acredite! E depois preciso tirar da minha cabeça o dia ruim que eu tive e pensar com clareza sobre algo que irei fazer amanhã. Mas não se preocupe, Tenten! Não é nada que envolva contravenções, eu juro!
–Tudo bem, Elouisie! — A morena riu pela primeira vez em um intervalo de nove horas. Passou alguns minutos em silêncio até ouvir a voz da outra garota acima da estática do telefone:
–Presta atenção. O projeto do hotel acessível é a forma que Neji encontrou de mostrar ao velho louco do Hiashi que ele é capaz de ser um sócio Júnior. A área do cinema, é barata o suficiente para que o projeto ganhe a licitação. Então, voilá! O cinema é derrubado, o hotel é contruído, Neji é promovido e nada para a Tenten... Mas eu suponho que você andou comigo e assistiu o Exterminador do Futuro vezes o suficiente para saber que está na hora da rebelião das máquinas. Certo?
–Certo!
Elouisie tinha razão, não deixaria Neji Hyuuga levar nada do que é seu, lutaria com todas as forças e ficaria com o Greta Garbo nem que para isso tivesse que passar a vida exibindo filmes no irritante CinemaScope.
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