Oh, you.
2 Brother.
Notas iniciais
Se Hanako não estivesse tão submersa em seus próprios pensamentos, seria capaz de reagir direito ao ouvir última frase do irmão no exato minuto que ele pronunciara a última sílaba, que passaria bem longe de ser com um sorriso de orelha a orelha e milhares de abraços apertados — isso ela faria apenas com Osana — ao invés de simplesmente abrir a boca de surpresa e permanecer assim enquanto os observava se ajoelhar perante a mesa, estranhou mais ainda por não receber nenhuma piada por aquela reação.
Não era novidade pra ninguém que a Yamada era extremamente sentimental, e que só era preciso fazer UMA coisa que fosse considerada rude por ela para fazê-la lacrimejar, sempre fora assim, desde seus primeiros anos de vida até os dezesseis, e Taro, que era — ou deveria ser — aquele que mais a entendia, ignorou COMPLETAMENTE ao trazer aquela garota pra casa.
Desde que entrara no ensino médio, fora constantemente interrogado sobre o assunto "namorada" pela menor, e não foi apenas uma vez que ele ouviu o quanto ela ficaria triste se ele arranjasse uma garota melhor que ela, e Taro, desesperado como sempre, se preocupava todo ao ver aquela carinha triste — que era puro fingimento só pra ganhar mais mimos — e lhe abraçava forte, lhe garantindo com todas as letras que ninguém jamais seria mais importante que ela.
Pra no final ele chegar em casa as nove da noite com uma garota que nunca havia ouvido falar na vida dizendo que ela era sua namorada.
Que ótimo irmão.
Abria e fechava a boca diversas vezes para falar algo, brigar com ele, chorar, mas nada saia de sua garganta, como se as palavras se recusassem a sair e formar uma frase com sentido, como se não soubessem o que fazer.
— Taro... — começou, sem saber ao certo oque dizer — o que vo--
— Poxa, amor, Hanako não fez um prato pra você. — Ele a interrompera, como se nem tivesse percebido que ela estava falando e como se a mesma tivesse uma bola de cristal pra saber que Ayano também viria — Espere, vou pegar um prato.
Ele tentou se levantar, mas Ayano dera um puxão em seu braço para vir mais perto, o olhando nos olhos possessivamente, como se fosse morrer se se afastasse, ele sorrira mais ainda — se fosse possível -, e lentamente tirou as mãos dela de sua camisa. Ayano não desgrudou os olhos dele até perde-lo de vista no outro cômodo, e durante todo esse tempo manteu uma expressão estranha, medonha.
Por mais que fosse estupidamente desconfortável ficar no mesmo ambiente que ela, Hanako não pode deixar de notar o quanto ela era bonita, os cabelos bem negros faziam constraste com sua pele pálida, e a encaixavam perfeitamente no padrão de beleza japonês. Lábios finos, cílios longos e olhos grandes e fundos, sem brilho, que lhe causaram um imenso calafrio ao virarem subitamente para si, com uma expressão tão calma e suave que seria impossível acreditar que ela era a mesma pessoa de alguns segundos atrás.
— Então, você é a Hanako — ela dissera, simpática, fazendo com que Hanako ficasse ainda mais nervosa — Taro falou muito de você.
— E-Ele falou? — perguntou, sendo pega de surpresa, já que ele parecia ter esquecido que tinha uma irmã.
— Sim — ela dera um risinho de canto que lhe dera a leve impressão de que estava debochando — você gosta de livros de poesias e bichinhos de pelúcia, não é?
— A-ah... bem — fora pega de surpresa, e por mais que não parecesse, não era por vergonha que Hanako gaguejava e soava feito uma louca. Algo estava errado, muito errado, e não saber o que a deixava assustada.
Ouviu uma risada, tão forçada que nem precisou se esforçar para notar, e após isso um silêncio torturante inundou a sala. Ayano a encarava, profundamente, e Hanako se sentiu sufocada. Era como se ela estivesse adorando observar a outra tremer de medo e movesse apenas um dedo para piorar a situação. Desviou o olhar para a comida que já estava começando a atrair moscas, ainda sentindo os olhos da outra pesarem sobre si. O suor pingava de sua testa insistentemente, as mãos agarravam com força a calça que usava como pijama, droga, por que ele demorava tanto?
— Ele também me disse que você tem medo de aranhas — cortara o silêncio, mas Hanako preferia que não tivesse.
— Por quê?
— Eu não sei — ela passou o indicador por uma pequena rachadura na mesa — mas eu entendo, não deve ser muito legal ter um bicho daqueles andando em cima de você... principalmente quando você não sabe.
— Você não tem? — perguntara outra vez, tentando esconder o quanto aquilo havia a aterrorizado.
— Não muito — ela demorara um tempo pra responder. — só de noite, quando estou deitada e não posso me livrar delas, vai estar escuro e eu vou estar dormindo, não vou poder me defender caso elas me ataquem... na verdade, isso nem é tão aterrorizante!
— Sim... é bobagem. — mentiu, tentando parecer forte.
— Bobagem, claro, claro — ela sorrira.
Engolira seco, nunca havia ficado tão tensa como agora, e o barulho incessante do relógio piorava tudo, Ayano estava a provocando, e se não estivesse funcionando, teria a expulsado desde o início daquela casa e se Taro ousasse reclamar, lhe daria uma bela surra — mesmo que fosse mais provável ELE lhe bater, mas ele nuncafaria isso.
até que Taro surgiu pela porta ao lado e as batidas de seu coração de acalmaram, finalmente.
— Pronto — ele colocara o prato na frente dela, recebendo um sorriso em resposta — Vamos comer!
Pegou um dos sushis o abocanhou com vontade, Taro parecia que não comia a dias e nem terminava de mastigar para colocar outro na boca, iria rir e pedir para o garoto comer mais devagar, mas estava ocupada observando a comida já podre que ele ingeria sem sequer se importar.
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