– O Vasco é seu sócio? Bem apropriada essa denominação!

– A senhora está bêbada! Confiei minha casa a uma bêbada? – Regina irrita-se. Ia avançar, mas Killian a detém. – O que pensa que está fazendo, bebendo durante o serviço? Onde está Vasco que não viu isso?

A mulher mais velha gargalha.

– Isso o chocaria muito menos do que ele viu.

Killian e Regina entreolham-se.

– Vou deixar você resolver seus problemas domésticos, Majestade. Virei conversar com Vasco em outra hora...

– Deveria ficar, queridinho! O quarto ainda está desarrumado! Não tive estômago para limpar a sujeira do “outro sócio” do senhor Vasco!

Killian revira os olhos de forma desdenhosa e decide não sair dali. Não deixaria Regina à mercê daquela bêbada ridícula.

Controlando-se, Regina apoia uma das mãos na cintura e a outra sobre o balcão. Olha a mulher oferecendo informações sobre seu estado de humor.

– Subam! Faça a mesma bagunça que fez com o ladrão!

– Do que esta mulher está falando? – Killian começa a irritar-se.

Regina sabia que havia dado sua palavra ao marido sobre o uso de suas habilidades dentro de casa, mas aquela cena estava tola demais. Dá a volta no balcão e rapidamente segura a cabeça da mulher mais velha entre suas mãos. Iria descobrir o que ela tinha visto ou sobre o que estava falando.

Naquele mesmo momento, num outro ponto da cidade, Robin despertava sobre sua cama. Sente-se enjoado e zonzo, como se estivesse embriagado. Tudo girava em seu quarto e seu corpo estava cansado e dolorido. Sem conseguir manter-se desperto, cai sobre o colchão e apaga novamente.

Quando Mary chega à casa de Regina, acompanhada por David, encontra Regina andando de um lado a outro, Killian encostado numa das paredes e Vargas bêbada, chorando inconsolável.

– Viemos assim que conseguimos! O que houve?

– Estou sendo atacada, Mary!

– Outra maldição? – pergunta David.

– Alguém usou a imagem de Regina e fez uma festa nada convencional aqui dentro. E Robin está envolvido. – Killian fala suavemente.

– E quem poderia ter envolvido Robin nisso? Com que interesse?

– Isso não é importante neste momento, Mary! – Regina se mostra aflita. – A pessoa se passou por mim, usou a minha cama para transar com Robin e fez tudo calculado para que Vasco flagrasse a cena! A Sra. Vargas me disse que Yasemine também viu a suposta mãe, na cama com outro homem! Onde eles estão é que me importa!

Mary e David entreolham-se apreensivos.

– Isso é um ataque vil!

– Sim, senhora. Mas o que deve ser focado agora é a localização de Vasco e das meninas. – Killian mostra-se tranquilo.

Mary caminha até Regina e segura seus ombros.

– Poderemos usar aquela poção de localização, feita pelas fadas. Devemos ir agora ao convento...

Regina espalma as mãos e pede para Mary parar de falar.

– Eu posso preparar a poção. Apenas preciso de ajuda...

– No convento terá toda a ajuda possível, Majestade. Sugiro que vá para onde a princesa citou. – Killian empertiga-se a caminha para a porta. – Eu usarei meus contatos para conseguir alguma pista sobre seu homem e suas meninas. Todos aqui sabem quem eles são e não será fácil ficarem escondidos.

– Eu vou com você, Killian! – David beija os lábios de Mary. – Vá com ela ao convento e mantenham contato conosco.

– Vou aproveitar o trajeto e procurar Robin. Precisamos saber a versão dele. Será que era ele mesmo?

Todos olham para o pirata e reconhecem que ele tem razão. Não haviam pensado nessa possibilidade. Caso não fosse Robin, a busca pela verdade seria ainda mais difícil.

Mary havia retornado para sua casa, pouco depois da meia noite a pedido de Regina. A prefeita continuava com seu trabalho infrutífero com as fadas do convento. Nenhuma das fórmulas queria dar certo ou o nervosismo de Regina impedia que a racionalidade imperasse na mistura dos elementos químicos.

Frustrada, Regina desiste e sai do convento em busca de ar puro, além de respostas. Não havia pistas, nenhum vestígio que indicasse qual caminho seguir. Cinco anos em uma vida tranquila e serena, adormeceram qualquer sensação de desconfiança ou vigilância. Quem estaria por trás daquele ataque? Poderia enumerar pessoas que eram seus desafetos, mas naquele momento deveria ser alguém que conhecia seus horários e a rotina de sua família. Mulheres apaixonadas por Vasco? Isso existia aos montes naquela cidade, porém nenhuma com força o suficiente para usar a ilusão de ótica para criar duas pessoas. Na certa, sua inimiga oculta era uma pessoa com habilidades bem desenvolvidas. Quem? Malévola? Úrsula? Zelena? Rainha do Gelo retornando?