Oh, vã cobiça!
5 Capítulo 5

– Não será assim que você conseguirá tirar esse tesouro das mãos da Rainha Má.
Smila volta-se para encarar a mulher ruiva que estava muito próxima à ela.
– Quem é a senhora? E o que está insinuando?
– Eu sou a porta que será aberta para sua nova vida. Sou eu quem irá proporcionar sua aproximação a este homem, levando-o para seus braços e para sua cama. Eu sou Zelena, a irmã da sua querida prefeita Regina.
Smila olha a mulher com curiosidade e súbito encantamento.
– Sei que tem de trabalhar, por isso estarei esperando você no bosque ao entardecer. Estarei ao lado do poço, lá no bosque.
– O que a senhora quer comigo?
– Quero a sua ajuda para tirar aquele sorriso arrogante do rosto de minha querida irmã. Penso que ela tem demais e que deveria dividir com quem tem menos. – Zelena sorri e depois de ajeitar a gola do casaco, afasta-se da professora.
Aquele dia havia sido o dia mais longo da vida de Smila. A curiosidade em conversar com a irmã da Rainha Louca lateja em seu coração, juntamente com a pulsação. Queria saber o motivo que levara Zelena a vir apresentar-se e pedir ajuda a uma jovem professora, sem experiência no mundo dos truques mágicos.
Passava alguns minutos depois das cinco horas da tarde, quando Smila dá uma olhada dentro do velho poço e não sente o mínimo interesse em continuar observando aquela escuridão.
– Este poço é uma passagem que pode servir de entrada para outro reino.
Smila quase salta de sua pele. Vira-se e encontra Zelena bem próxima a ela.
– Caso tenhamos todos os ingredientes, poderemos sair daqui para um lugar melhor e...
– E?
– E levando quem amamos. — Zelena sorri.
– Por que está me dizendo isso?
– Porque senti a força em seu coração, menina. Senti o poder do sentimento que você tem em relação a minha irmã e o que sente pelo belo homem de olhos cor do céu. Você já viu algo mais lindo do que ele?
Smila se sente envergonhada. Seus desejos estavam tão nítidos, assim?
– Ele é um homem casado e proibido!
– Vasco não é proibido, menina. Ele não pode ser casado, porque não existe. Minha irmã o retirou de um distante conto de fadas e o fez vir para esta cidade, apenas para ocupar o lado vazio da cama dela. Foi uma trapaça!
Smila acha graça, mas logo desfaz o sorriso ao ver que Zelena não ria.
– Vasco já existia em um determinado conto de heróis. Deduzo que minha irmã o roubou de alguém. Portanto...
– Ladrão que rouba ladrão... – Smila começa a rir e desta vez, Zelena ri junto dela. – Está dizendo que tenho tanto direito a ele quanto...
Zelena apoia as mãos no muro circular do poço.
– Os mesmo direitos? Eu não diria isso, porque ele criou um vínculo com minha irmã. Acabando com os elos do vinculo...
– Está sugerindo que me livre das meninas? Isso seria monstruoso!
Um movimento negativo é a resposta de Zelena.
– Por que vai ajudar-me a ter o que quero? – Smila não contém a ansiedade.
– Porque não penso ser justa a felicidade de alguém que usou o coração do próprio pai, para criar uma maldição de poder. Por que Regina deve ser a mais poderosa, mais linda e mais rica? Por que deve possuir duas filhas com habilidades natas e por que ela pode possuir o melhor homem da cidade?
O rosto de Smila sofre várias mudanças.
– Sabe o que vislumbro? Vejo você num belíssimo vestido preto e prata, usando um colar de brilhantes grandes e com os cabelos presos num elegante coque. Ao seu lado, vejo Vasco num traje escuro e não preciso ser redundante quanto à beleza dele.
– Você me vê numa festa? – Smila sorri debochando.
– Não. Vejo você na prefeitura, tomando posse de um mandato. – Zelena sorri e estende a mão para tocar no ombro da moça. – De simples e anônima camponesa da Floresta Encantada, para a liderança da cidade.
– Você vê as meninas?
– Não vejo, porque as garotas estarão aos cuidados da irmã da falecida Rainha Louca.
– Está sugerindo que eu mate Regina? — uma expressão de horror surge no rosto de Smila.
– De forma alguma! Mas por que não deixar as pessoas pensarem que ela está morta? Ajude-me a bloquear os poderes dela, prendê-la dentro deste poço e todo o caminho estará livre. Tudo o que lhe peço é que siga as minhas orientações e nosso primeiro passo será tirar Vasco daquela casa. Mas ele deve sair espontaneamente.
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