Oh, vã cobiça!
21 Capítulo 21

A noite iria cair em breve, quando Nicolas aponta a direção onde ficava o Castelo das Esmeraldas. O grupo tinha seguido suas coordenadas por um atalho que diminuiria o trajeto.
– Lá está! Caso descansemos hoje pela noite e recomecemos logo pela manhã, estaremos lá depois do meio dia.
Yasemine para em pé ao lado cigano e toca seu ombro.
– Quando roubarmos as riquezas deste castelo, você terá a sua parte.
– Vai ser bom, porém, eu vim para ficar um tempo ao seu lado, menina feroz. Com sua mãe aqui, você irá embora e não a verei mais.
– Meu pai está morto e nada me liga ao mundo de minha mãe. Ela tem minha irmã e sei que as duas serão felizes.
Nicolas se volta para a garota. Sorri amável.
– Eu fui deixado com os ciganos, depois que minha mãe faleceu. Garanto que crescer sem mãe é dolorido demais. Por que não aproveita enquanto a sua mãe ainda esta viva? Não deixe que ela perceba que pode viver sem você.
O rosto de Yasemine transforma-se numa carranca. Ela se afasta do cigano e continua caminhando na direção do vale onde ficava o castelo.
– Deixe a garota em paz. Não a pressione com suas filosofias tiradas de rótulos de garrafas de rum. – Cesar passa e bate com o ombro no ombro do cigano.
Smila passa pelo cigano e não diz nada. Era uma estátua de pedra, com seu rosto inerte. Em seguida, surge Regina. Ela para e sorri.
– Obrigada por tentar.
– Ao seu dispor, Rainha Má! – ele a reverencia e segue o grupo.
Mais algum tempo gasto na caminhada, o grupo acampa junto à margem de um rio. Tentaria relaxar um pouco, antes da invasão ao castelo e confronto certo com os macacos de Zelena.
Entretanto, antes que pudessem se acomodar, o som de asas gigantes anuncia o novo ataque: os macacos voadores os estavam esperando. Rápidos, os viajantes armam-se para sua defesa e a defesa de seus companheiros. Regina e Yasemine enchem suas mãos com as conhecidas esferas de fogo; Smila empunha suas duas adagas, enquanto que Cesar iria usar seu arco e flechas pela primeira vez. Nicolas retira um perigoso azorrague que estava preso em seu cinto.
– Eu mato uma metade e você mata a outra! – diz Regina ficando lado a lado à filha.
A garota olha a mãe como se outra cabeça estivesse nascendo em seu pescoço.
– Acertem nas pernas ou nas asas! – grita Yasemine ainda olhando incrédula para a mãe. – Não quero macaco morto! São pessoas transformadas em macacos! E cuidado com as garras deles!
A luta começa e embora em menor número, o grupo de Regina se mostra valente e ágil demais. Havia sincronia, embora não tivessem estratégia alguma, preparada. Sob hipótese alguma, Regina iria permitir que sua boneca com rosto de porcelana fosse ferida ou mesmo capturada pelos oponentes.
Lá pelas tantas, Yasemine não consegue manter-se na luta e desaba no chão. Nicolas corre até ela e ataca os macacos que direcionavam seus ataques à menina. Os outros macacos se aproveitam da queda da garota e avançam contra o cigano. Cesar, Smila e Regina fazem uma barreira em torno da jovem desfalecida.
– Não vamos aguentar muito tempo, Rainha Má! – grita Nicolas buscando forças em seus braços enfraquecidos.
Regina desiste de agir normalmente. Gesticula e cria uma bolha como redoma em torno de seu grupo, mas dois macacos voadores são rápidos e ficam no interior da proteção. Smila também é rápida e golpeia a lateral do corpo de um dos servos voadores de Zelena, voltando-se imediatamente para o outro macaco e cravando uma adaga na barriga do bicho.
Os bichos guincham e começam a transformar-se em cinza vegetal, como se várias folhas tivessem sido queimadas.
– Quando os macacos voadores eram feridos, eles se transformavam em cinza de carne. – Regina se ajoelha perto da filha. Olha para cima e vê os macacos atacando a bolha, tentando furá-la. – Esses daqui viraram cinza de folhas.
– O que isso quer dizer? – pergunta Cesar.
– Penso que Zelena não usou apenas humanos para criar servos. Ela usou plantas para ter maior quantidade de escravos.
– E como saberemos quem é quem? – pergunta Nicolas, largando-se no chão.
– Não saberemos. – Regina toca o rosto da filha e a vê começar a recuperar-se e ficar sentadinha. – Como se sente?
– Muito cansada...vocês mataram macacos?
Regina não responde e envolve a filha junto ao peito. Abraça-a como se ainda fosse aquela menina pequena com quatro anos.
Lá fora, os macacos voadores estavam furiosos e batiam com mais violência contra a redoma, tentando invadir o esconderijo. Subitamente, o ataque acaba e os macacos voadores saem em direção à floresta.
Um jovem magro e com aspecto pálido espalma as mãos contra a parede invisível da bolha, pelo lado de fora. Ele sorri para as pessoas que estavam lá dentro e naquele momento, Regina reconhece o sorriso de Robin naquele rapaz.
Fale com o autor