Oh, My Sweet Amazon...
14 Arranca rabo celestial...
Notas iniciais
Naquela noite, no Olimpo...
[Sheily POV]
Como o combinado, fomos almoçar no templo de Dionísio. Assim que chegamos ao local, encontramos o anfitrião nos esperando na porta. O Deus usava uma elegante túnica branca que destacava bem o seu corpo e sua beleza.
Deba não conteve o sorrisinho e me cutucou.
“Ah, se ele soubesse que você se amarra num indiano...”
“Pare com isso, Deba!!” retruquei, fazendo o brasileiro rir.
“Torça pro Shaka não ficar sabendo...” comentou, sério.
“Eu não pretendo contar e você?” indaguei, curiosa.
“Nem queira ver o buda com ciúmes...”
Fiquei imersa em pensamentos, enquanto o taurino passou a frente, se juntando à Deusa Gaia. Dionísio aproveitou o momento para se aproximar.
“Boa noite, Sheily.” Pegou minha mão e a beijou.
“Olá, Dionísio.” Dei um meio sorriso, tentando ser educada.
“Está muito bonita neste vestido.” Secou-me da cabeça aos pés.
“Obrigada.” Disse seca, tentando não fechar a cara.
“Uma bela dama como você, se passar muito tempo no Olimpo causaria muita discórdia entre as Deusas.” Segurou minha cintura, tentando me conduzir para a sala de jantar. Esquivei-me de seus braços.
“Como?” De que raios aquele tarado estava falando, pensei.
“Eu quis dizer que você causaria inveja. Nenhuma Deusa gosta de ter sua beleza rebaixada, se quiser estourar uma guerra chame uma delas de feia.” Explicou-me, divertido.
“Experiência própria?” alfinetei, me interessando no assunto.
“Digamos que sim...” desconversou.
Tentei continuar o assunto, mas o moreno rapidamente se esquivou, voltando a me bajular. Procurei me afastar e na primeira oportunidade, corri para perto de Aldebaran e Gaia. Fiquei feliz em saber que tem um assunto que incomoda Dionísio, desse jeito tenho um álibi para escapar dele.
O resto da noite fiquei grudada em Aldebaran, e ele, entendendo minha situação, atrapalhou as investidas do nosso anfitrião. Gaia por outro lado, ficou muito entretida perguntando sobre Ártemis, o que de certa forma também atrapalhou os planos do moreno.
[Sheily POV off]
Naquela manhã, nos Elíseos...
Os primeiros raios de sol ainda não haviam despertado no horizonte, quando uma figura de cabelos negros e vestido da mesma cor atravessou os Elíseos. Perséfone caminhava alegremente pelos jardins floridos, imaginando o que encontraria nos templos. Estava extremamente curiosa e não podia negar que se interessou muito pelo casal arranjado pelos deuses, gostava principalmente da personalidade forte da garota chamada Rose.
Entrou no templo sorrateiramente, escutando uns barulhos estranhos e logo sorriu.
“Parece que os pombinhos ainda estão se estranhando.” Riu internamente, caminhando em direção aos ruídos.
Parou em frente a porta de um cômodo, estava escuro, mas sabia que estava diante de um dos quartos do templo. Aproximou o ouvido da porta, apoiando-se cuidadosamente nela.
“Nã-não posso acreditar!” sussurrou, corando violentamente.
Balançou a cabeça, tentando controlar as emoções. Ela precisava ver para acreditar! Com a mesma destreza, deu a volta no templo sem emitir um barulho se quer que denunciasse sua presença. Seu objetivo era alcançar as janelas do quarto e bisbilhotar o quanto pudesse.
Quando chegou nas janelas, respirou fundo, controlando a ansiedade que lhe dominava. Aproximou o rosto, constatando que as cortinas estavam semi abertas e agradecendo mentalmente a sorte que dera. Ao pousar o olhar no que ocorria dentro do recinto, seu rosto empalideceu e seus olhos se arregalaram.
“Hera precisa saber disso!” sussurrou convicta, saindo dali o mais rápido possível.
Uma hora depois, cavaleiros e deuses despertavam. Thanatos foi o primeiro a acordar e já encontrava-se mal humorado. Sabendo que o irmão também acordava cedo, partiu para o quarto do gêmeo, indo reclamar seus direitos.
Entrou no quarto do irmão sem a mínima cerimônia, abrindo a porta com brutalidade.
“Hypnos! Você precisa ouvir umas verdades!” disparou, irritado.
“Bom dia para você também.” Disse, calmamente, enquanto terminava de calçar a sandália de tiras.
“Eu quero saber aonde estão as ninfas? Quem deu ordens para elas se retirarem?” bradou.
“Já disse, estão recebendo os hóspedes. E você, deixe de ser tão ranzinza, nós temos visitas!” pediu, em leve tom de ordem.
“E eu já disse que aqui não é hotel de beira de estrada! Quero esse povo bem longe daqui ainda hoje, está me ouvindo?” grunhiu.
“A presença da garota te incomoda tanto assim?” zombou, intrigado.
Thanatos fuzilou o irmão com os olhos por uns breves segundos antes de retrucar:
“Não diga besteiras! Quero minhas ninfas de volta! E trate de botar esse povo na rua! Bando de desocupados, estão perturbando a paz deste lugar. Se Hades ficar sabendo é capaz de estourar outra guerra.” Ameaçou.
“Você não contaria ao imperador...” deu corda, imaginando aonde o irmão queria chegar. Pena que o outro não fazia ideia de que Hades concordava com tudo.
“Experimenta me contrariar. Mande eles embora hoje mesmo, se não...”
“Se não eu espalho pro Olimpo inteiro que você é um fofoqueiro.” Interrompeu, destilando seu veneno no gêmeo raivoso.
Thanatos ficou roxo de raiva e bradou inúmeros palavrões enquanto saia do cômodo batendo as portas e derrubando alguns vasos. Hypnos olhava a cena, pensativo.
“Então meu irmãozinho sente falta das ninfas...” pensou alto, deixando um sorriso maléfico escapar.
Não muito longe dali, os guerreiros de Athena acordavam...
[Rose POV]
Acordei morrendo de preguiça. Aturar o gêmeo mal humorado estava sendo bem desgastante, mas não era por isso que a cama me parecia mais confortável. Eu estava sonhando com meu carneirinho, e isso era motivo de sobra para querer passar o dia todo hibernando.
“Espera aí! Já se foi um dia!!” pulei da cama animada. Um dia a menos ao lado do Sr. Ranzinza era muita coisa. Era digno de dar uma festa.
Nos embalos do meu breve momento de felicidade, me arrumei e parti para o quarto de Afrodite. A companhia do peixinho certamente me deixaria mais animada!
Dite, parecendo adivinhar meus pensamentos, abriu a porta assim que parei em frente ao seu quarto.
“Bom dia!” dei o meu melhor sorriso.
“Bom dia, preguiça! O que te fez acordar cedo e de bom humor hoje?” riu, divertido.
“Aah, Dite, eu tenho um bom motivo para estar radiante.”
“Congelou o Thanatos?” arqueou a sobrancelha, desconfiado.
“Melhor que isso!!”
“Congelou o Camus?” rimos descontrolados.
“Não... Se bem que, né... O francês congelado daria um ótimo enfeite pra sala de Aquário.”
“Deixa o Camus ouvir isso.” Provocou.
“Eu nego até a morte... Mas agora é sério, Dite. Eu tô feliz porque já se passou um dia de convivência. É só eu ser um pouco mais paciente e em breve a semana acaba.” Sorri.
“Gostei do seu otimismo, baixinha. Faz bem para a pele começar o dia assim.” Sorriu.
“Então, vamos tomar café?”
“Vamos. Athena já deve estar acordada.” Disse, fechando a porta do quarto.
Atravessamos o corredor conversando e, devido a distração, não reparamos na presença de Hypnos. O gêmeo simpático parou o que estava fazendo e veio nos cumprimentar.
“Bom dia, meus convidados!”
“Bom dia Hypnos” Afrodite respondeu primeiro.
“Bom dia!” sorri.
“Você acorda sempre de bom humor, Rose?” perguntou, interessado.
“Na maioria das vezes sim.”
“Ótimo! Era com você mesmo que eu queria falar...” virou-se para pegar uma bandeja.
Afrodite estava tão curioso quanto eu, nos entreolhamos brevemente antes de voltar a atenção para Hypnos.
“Como sabem, eu dispensei as ninfas...” começou, fazendo uma cara de preocupado. “E agora não tenho ninguém para levar esta bandeja para o meu irmão... Você se importaria de fazer isso?” pediu.
Afrodite conteve o riso, Hypnos foi muito bem articulado e do jeito que ele me pediu, não tinha como recusar.
“Por mim, tudo bem. É só entregar?” perguntei, já tramando alguma peripécia na minha mente capciosa.
“Só isso.” Sorriu.
“Então volto já...”
Saí da sala, carregando a bandeja. Ela estava muito bem arrumada e repleta de coisas gostosas, como pães, geleias, frutas e outros. Eu fiquei com dó de desarrumar, então resolvi ser séria e apenas cumprir o pedido de Hypnos.
Thanatos estava tocando lira no seu lugar de costume, estava de olhos fechados e observando de longe, arrisco dizer que ele estava calmo. Tranquilizada pela aparente serenidade do moreno, me aproximei, depositando a bandeja ao seu lado. Ao escutar o leve barulho do metal encostando na mesinha, ele apenas virou o rosto em direção ao ruído e sorriu.
“Estava demorando para Hypnos liberar vocês.” Disse, com a voz aveludada e contente.
Thanatos abriu os olhos devagar, dando de cara comigo. Eu tentei não esboçar nenhuma reação, mas depois da atitude extremamente estranha dele, arqueei a sobrancelha, curiosa.
“Mas o que?! O que está fazendo aqui?” levantou, furioso.
“Entregando a bandeja.” Disse, como se fosse óbvio.
“Pode levar embora, não vou comer isso.” Virou-se, revoltado.
“Foi o Hypnos que mandou.”
“Quem me garante que você não botou nenhum veneno aí?” aproximou-se, me encarando.
Pisquei algumas vezes. Tinha uma pergunta entalada na minha garganta e mesmo arriscando tomar uns foras daquela jaguatirica do brejo, minha curiosidade estava me matando.
“Então as ninfas são mesmo suas concubinas? Você só confia em quem abre as pernas pra você?” disparei.
Precisei de um esforço sobre humano para prender o riso, pois a cara de indignado dele foi épica. Eu devia ter tirado uma selfie para a posteridade.
“Como ousa dizer tamanha besteira!” grunhiu, trincando os dentes.
“Foi só uma pergunta. Que eu saiba, perguntar não ofende, e você já está bem grandinho pra bancar o mocinho virgem e desentendido.” Alfinetei, adorando.
“A minha vida pessoal não é da sua conta!” deu as costas, apoiando a mão na testa. Reconheço: ele estava se esforçando para não me esganar.
“Que seja... Tô saindo.” Dei de ombros e sai de perto.
Quando cheguei no corredor, aonde me senti mais segura sabendo que ele não podia mais me ver, desatei a rir.
“Solteirão e pagando de virgem. Por Athena, é cada bomba que me aparece!”
Respirei fundo e me recompus. Depois do café eu conversaria com Afrodite sobre essa minha hipótese.
[Narrador POV]
Pouco depois da aquariana se juntar à mesa, Deuses e cavaleiros sustentavam uma agravável conversa. Por meia hora, a sala ficou imersa neste clima leve e descontraído, quando de súbito, a porta é arrombada por um cosmo hostil.
“Hera, vai com calma...”
“NÃO ME SEGURA, PERSÉFONE! AQUELE FILHO DE UMA RAPARIGA ME PAGA!” Hera entrou na sala possessa, seguida de Perséfone.
Todos se levantaram, assustados. Hera avançou em Zeus, dando-lhe uns tapas. Seu cosmo estava perigosamente alterado.
“O que é isso?” perguntou Hypnos.
“Hera, por favor, se acalme.” Interveio Athena.
“ESSE SAFADO ESTAVA ME TRAINDO COM AS NINFAS!” segurou o marido pela túnica. “QUER DIZER QUE ENQUANTO EU FICO LÁ, ATURANDO TUAS CRIAS, VOCÊ FICA AQUI SE ESFREGANDO NESSAS QUENGAS!”
“Epa, mais respeito, que a minha casa não é nenhum bordel!” ofendeu-se Hypnos.
“Querida, isso não passa de um mal entendido...” Zeus tentou se explicar, enquanto se esquivava dos golpes.
“MAL ENTENDIDO É ESSA SUA CARA DE PAU! EU DEVIA ARRANCAR O SEU PINTO E JOGAR NO MAR COMO OFERENDA A POSEIDON!”
“Essa é das suas...” sussurrou Dite para a aquariana.
“Tiro o chapéu...” concordou.
“Hera, pare com isso! Gritar não vai resolver...” interveio Eros.
“E você fique na sua, seu ruivo pervertido. Aposto que você é cumplice dessa sem-vergonhice...” avançou em Eros.
“MAS QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO AQUI?” Thanatos bradou, da porta. “Quem fez isso?” olhou dos destroços direto para a aquariana, estreitando os olhos.
“Fui eu, algum problema?” retrucou Hera, chamando-lhe a atenção. “E não me interrompa, seu encalhado, estou me resolvendo com este traste.” Empurrou Zeus.
“Encalhado? Pelo menos eu não tomei um chifre!” alfinetou
“Não piora, Thanatos!” repreendeu o irmão.
“Zeus me defenda!” murmurou Eros.
“Não tô em condições, Ruivo...” respondeu o grego, tirando o seu da reta. Já estava encrencado o suficiente por hoje.
“O que disse? Ora, seu... Isso é tudo culpa das suas raparigas!” Hera bufou.
“Mais respeito com as minhas ninfas!” alterou-se.
“Vai se ofender é? Passa o dia inteiro cercado de mulheres, pagando de cafetão e ninguém pode falar nada. Santinho você...” Ironizou.
“Toma, distraído!” alfinetou a aquariana, segurando o riso.
Athena lançou um olhar reprovador para a amazona. Afrodite segurava-se para manter a postura séria, mas por dentro queria rir da cara de ódio que Thanatos fez diante do comentário.
“A gente se acerta depois, garota.” Rosnou para a morena.
“Melhor sairmos daqui...” sugeriu o pisciano.
“Que nada! Agora que está ficando bom?” sussurrou entusiasmada.
“Vamos Rose! Deixe de ser barraqueira” Dite a empurrou gentilmente até o corredor.
Enquanto os dois saiam da cena, Athena, Perséfone e Hypnos tentavam apartar a confusão que se instalou na sala, a qual só estava piorando devido aos comentários de Thanatos. Eros preferiu se calar, ficando atrás de Athena para não apanhar novamente de Hera.
O arranca rabo piorou, tomando um segundo round. Thanatos precisou ser chutado do templo por Athena, dando tempo a Perséfone de apartar o conflito e de Hypnos propor uma solução. Zeus foi arrastado até o quarto, aonde começou a arrumar suas coisas sob a supervisão acirrada de sua esposa.
Eros permaneceu na sala, não quis se meter. Pouco depois, Athena aparece no recinto.
“Eles se acertaram?” indagou, preocupada.
“Aqui, por enquanto sim, as coisas acalmaram. Agora no Olimpo, não posso dizer...” respondeu o Ruivo.
“O que decidiram?”
“Zeus vai voltar pro Olimpo hoje mesmo.”
“Você vai com ele?” pediu.
“Estou só esperando eles saírem do quarto para arrumar minhas coisas, vou um pouco depois.” Disse pensativo.
“Certo... Vou procurar meus cavaleiros, com licença.”
No quarto da aquariana, os guerreiros estavam boquiabertos. Afrodite deu um puxão de orelha em Rose por botar mais lenha na fogueira. Fora isso, mal tiveram tempo de conversar, pois os barulhos tomaram conta do corredor e ambos escolheram prestar atenção na briga. Hera estava impaciente, apressando e xingando Zeus.
Athena entrou no quarto, encontrando Afrodite sentado numa poltrona e Rose acomodada na cama. Os dourados encararam a Deusa, apreensivos.
“Está tudo bem, Athena?” o sueco quebrou o silêncio.
“Bem não está, mas por hora o problema está resolvido... Decidiram que Zeus voltará para o Olimpo hoje e Eros vai com ele.” Explicou.
“Isso vai afetar a missão?”
“Não muito... É até bom, com menos gente vocês poderão ter mais contato.”
“Meio difícil.” Reclamou a morena, fazendo bico.
“Não seja pessimista.” Athena riu.
“A missão continua normalmente?” Dite questionou.
“Sim, continua. Mas agora, eu acho melhor passar no Santuário para informar como anda a missão. Rose, você vai ter que ficar aqui sozinha. Nada de alfinetar o Thanatos, o clima já está bem pesado.” Ordenou.
“Não se preocupe, Athena, darei o melhor de mim nessa missão.” Respondeu, séria.
“Afrodite, vamos sair daqui a pouco. Pretendo voltar ainda hoje...” sorriu, tentando reconfortar a morena.
“Como quiser, Athena.” Reverenciaram.
Antes da Deusa sair, Hypnos entra no cômodo.
“Estou atrapalhando?”
“Não, eu já estava de saída.” Explicou.
“Gostaria de falar com a Rose...”
“Eu também estou de saída.” Afrodite levantou, acompanhando a Deusa.
“Não se incomodem, é rápido. Rose, pode me fazer outro favor?” pediu.
“Claro, Hypnos. Pode pedir.” Respondeu, curiosa.
“Athena trancou meu irmão do lado de fora do templo, ele deve estar bravo. Eu preparei um suco calmante, está lá na mesa da cozinha, você pode ir levar para ele?”
“Posso sim...” a morena levantou, pedindo licença ao sair do quarto.
Enquanto isso, no Olimpo...
[Sheily POV]
Acordamos cedo, como de costume. Gaia pediu aos servos para preparar um delicioso café da manhã, uma mesa cheia, com bolos, frutas, pães, geleia, suco e outras gostosuras.
Eu fiquei maravilhada com tamanha fartura, enquanto Aldebaran não perdeu tempo em atacar a comida. Gaia sorriu, satisfeita. A Deusa sem dúvida era uma ótima anfitriã, muito receptiva e gentil.
Pouco depois de servirem o café, um servo veio avisar que a Deusa tinha visitas. Eu sabia que ela não recusaria recebê-los, seja lá quem fosse, Gaia adora receber visitas e conversar.
“Bom dia a todos!” cumprimentou animada, uma jovem dos longos cabelos ondulados. Seus olhos eram cor de mel, igual ao cabelo, e trajava uma túnica bege simples, cheia de adereços.
“Bom dia, Ártemis! Que surpresa mais agradável”
Atrás da Deusa, Afrodite e Dionísio surgiram, cumprimentando a todos e recebendo um abraço caloroso de Gaia.
“Por Athena, hoje eu vou sofrer logo cedo...” resmunguei.
Aldebaran riu.
“Não seja pessimista, Sheily.” Repreendeu, divertido.
“Fácil falar, quero ver aturar a criatura...”
“Ainda bem que não sou você.” Riu.
Como esperado, Dionísio logo veio sentar ao meu lado e puxar assunto. Para a minha falta de sorte, Deba engatou numa conversa com Afrodite e me deixou a ver navios. Gaia então, nem se fala, estava distraidíssima conversando com Ártemis.
Passado o café, os visitantes continuaram no templo. Gaia não os mandaria embora, então preferi arrumar uma desculpa para sair da mesa. Deba foi mais rápido que eu, e motivado pela oferta de bolo de chocolate, seguiu Afrodite até a cozinha. Aproveitando a deixa, pedi licença e sai do recinto, fazendo o caminho mais longo até o meu quarto, para despistar o Deus chiclete.
Quando cheguei no corredor, olhei para os dois lados e suspirei aliviada. Não tinha ninguém me seguindo. Caminhei despreocupada até o meu quarto e entrei nele.
“O que está fazendo aqui?!” dei um pulo, espantada, ao ver Dionísio observando meu quarto.
“Vim ver o seu quarto. É bonito, você tem bom gosto.” Comentou.
“Gaia quem decorou, eu só estou dormindo aqui...” rebati.
“Entendo.” Deu alguns passos em minha direção.
“Se não for muito incômodo, poderia se retirar? Estou meio indisposta, gostaria de descansar...”
“Sério? Não parece cansada.” Sorriu, misterioso.
“Pois estou.” Encarei-o.
“Fique calma, minha dama, eu só quero conversar...” chegou mais perto, tocando meus braços.
“Pode falar, estou ouvindo.” Afastei-me.
“Está com medo de mim?” riu, divertido.
“Por que teria?”
“Estamos sozinhos...” disse rouco, deixando a frase no ar.
“Sou uma amazona de Athena, não tenho medo.” Desafiei, mas por dentro, estava muito nervosa.
Os olhos do moreno ficaram nublados, um sorriso sedutor tomou conta do seu rosto e ele chegou mais perto. Fiquei estática, se ele ousasse continuar com aquilo, eu lhe daria um belo chute no meio das pernas.
“Minha dama...” segurou meu queixo. “Será que é muito te pedir um beijo?” Encarou meus lábios.
“É.” Afirmei, ríspida.
“Mas você nem provou para saber se gosta.” Murmurou, meio ofendido.
“Não precisa, eu não quero.”
“Eu insisto.”
Com movimentos rápidos, ele tentou segurar meu queixo e me puxar, mas eu desviei. Tentei me desvencilhar de seus braços e não tive muito sucesso, pois ele conseguiu me segurar pelo pulso. Senti uma leve queimação e uma sensação estranha percorreu minha espinha, acabei me arrepiando. A primeira coisa que me veio à mente foi Saga. Olhei para o pulso.
Tudo aconteceu em questão de segundos, não tive tempo de reagir. No meio daquela situação, o pingente acabou sendo ativado. Dionísio foi atingido, as paredes e o chão foram cobertos por imagens de buda e dois cosmos familiares surgiram no quarto.
“Seu imundo! Como ousa botar as mãos nela!” Shaka berrou, irritado.
“Quem são vocês?” o moreno indagou confuso, se levantando.
“Shaka, menos. Ele é um Deus.” Disse Saga, com a expressão séria e tomando a dianteira.
“Não se intrometa nisso, Saga. Vou retirar alguns sentidos deste bastardo.” Afirmou, segurando seu rosário em posição de ataque.
“Tudo bem... Mas não fique com a diversão só para você, eu também quero descontar minha raiva.” Deu aquela risada maléfica.
“Não! Por favor, não briguem!” entrei no meio da discussão, apavorada.
“Tarde demais para pedir isso, Sheily...” comentou o Saga, reparando na expressão irritadiça do buda.
“TESOURO DO CÉU” o loiro adiantou-se.
Olhei para mestre Saga, suplicante. Por mais irritado que estivesse, ele sabia tão bem quanto eu que aquele embate traria sérios problemas. Meio contrariado e sem muita escolha, o geminiano se pôs entre mim e o virginiano, lançando seu golpe.
“OUTRA DIMENSÃO!”
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