Off To The Races
4 Capítulo 4.
Notas iniciais
Eram cinco horas da tarde e Emma estava na delegacia entediada, contando os minutos para que as horas passassem logo. Seu turno acabava as seis, mas parecia que o relógio não ia muito com a cara dela. Seu celular vibrou e ela sorriu ao ver o nome "Regina" piscando na tela.
"Ansiosa para ser minha esta noite, Miss Swan?"
"Mas que possessiva, prefeita."
"Palavras suas!"
"Eu sei muito bem o que eu digo, Regina. Estou brincando com você."
A morena sorriu em seu escritório. Havia ficado em casa hoje.
"Gosta de brincar, Swan?"
"É uma pergunta retórica?"
"Vamos fazer um jogo então. Você me diz no que estava pensando antes de eu mandar a mensagem e eu penso se uso ou não jeans hoje a noite."
"Porquê está tão interessada nos meus pensamentos?" Regina gargalhou.
"Eu faço as perguntas por aqui, Miss Swan. Pensei que já tivesse entendido."
"Em você."
"O quê?"
"Estava pensando em você." A prefeita tinha um sorriso enorme no rosto.
"Em que, mais precisamente?"
"Pra eu te contar vai depender do tipo de jeans que você vai usar."
"Ousada você, senhorita Swan."
"Você não viu nada."
Emma sorriu esperando pela resposta da rainha, que demorou mais do que o esperado para chegar.
"Te espero às 19h. Não se atrase. E traga seu pijama, vai ficar tarde pra você voltar pra casa. Até daqui a pouco."
Mais alguns minutos que pareceram anos se passaram e o expediente da loira finalmente chegou ao fim. Tomou um banho demorado, vestiu um jeans justo e uma regata branca. Deixou os longos cabelos loiros soltos e jogou a famosa jaqueta vermelha. Nos pés, as típicas botas sem salto. Abriu o armário e pegou a camiseta velha e o short surrado que usava como pijama e colocou dentro de uma mochila. Escova de dente, pente e suas pantufas também estavam lá. Emma estava pronta pra guerra. Uma guerra linda, espetacular e extraordinária. Uma guerra magnífica e dona dos olhos castanhos mais bonitos que já vira. Chegou na mansão exatamente as 19h. Foi Henry quem abriu a porta.
"Mãe!"
"Oi, kid. Como passou a tarde?"
"Joguei alguns video games e estava tentando decidir qual filme vamos assistir."
"Chegou a alguma conclusão?"
"Bom... Eu queria terror mas a minha outra mãe não gosta. E eu estava contando com você pra convencê-la."
"Não vou prometer nada, mas posso tentar." Olhou em volta. "Falando nisso, onde ela está?"
"Da última vez que vi estava terminando de se arrumar. Quase fez um buraco no chão de tanto que andava de um lado para o outro." O garoto fez uma cara engraçada.
"Espero que não esteja falando de mim, Henry." Regina sorriu no topo da escada e Emma escancarou a boca.
"Claro que não, mãe. Aliás, vou ali na cozinha ver o que vamos comer." O menino saiu, deixando as duas sozinhas.
A loira ainda estava embasbacada com a prefeita, que usava uma calça jeans tão justa que quase se fundia com sua pele e uma camisa xadrez com um nó na barriga. Nos pés, os indispensáveis saltos. No entanto, vermelhos.
"Perdeu a fala, Swan?" Perguntou, ao descer para se aproximar.
"Você com certeza merece saber o que eu estava pensando sobre você. Com todo e cada detalhe."
"Gostou tanto assim da calça?" Arqueou uma sobrancelha.
"Da camisa também. Você fica bem de xadrez."
"Ah, foi um presente do Henry algum tempo atrás. Nunca tinha usado. Sabe, não é muito a minha cara andar por ai com a cintura aparecendo."
"Mas não tem nada a mostra ai."
Regina levantou os braços, o que fez com que sua barriga aparecesse.
"Ah." A xerife soltou, sem conseguir desviar o olhar da pele lisa da morena.
"Meus olhos estão aqui em cima, Swan." Provocou.
"Hm..." Coçou a garganta. "Henry me disse que quer assistir um filme de terror."
"Sem chance."
"Qual é, Regina? Não acha que é injusto com o garoto? Ele teve essa ideia toda de cinema e nem ao menos vai poder escolher o filme?"
"Eu odeio quando você tem razão." Fez um biquinho fofo. "Mas, Emma... Não gosto de filmes de terror."
"Medo?" Arqueou uma sobrancelha.
"Não, é claro que não." Abaixou a cabeça.
"Fala pra mim." A loira se aproximou.
"Eu não tenho medo de nada, Swan."
"Ei... Está tudo bem se você tiver. Vamos fazer isso por ele? Eu protejo você." Emma acariciou os braços da prefeita. "Dessas coisas que não gosta, não que você tenha medo ou algo do tipo." A rainha revirou os olhos.
"Tudo bem. Por ele." A morena mordeu os lábios, fazendo a loira abrir um sorriso maldoso.
"O que eu disse sobre morder os lábios?"
"Acontece Miss Swan, que como você me perguntou hoje cedo, eu também já li Fifty Shades Of Grey." Provocou.
"Mas olha que devassa essa prefeita." Regina gargalhou gostosamente. "Então você sabe exatamente o perigo que corre ao morder os lábios desse jeito, não sabe?" A xerife se aproximou, colando seu corpo ao da morena. Mills arfou com a proximidade, mas não deixaria a provocação barato.
"Acontece também Miss Swan, que você não teria a coragem do Christian pra me dizer aquilo que ele disse à Ana." Mordeu novamente os lábios, dessa vez, da maneira mais lenta que conseguiu. Emma tentou se segurar, realmente tentou. Mas seu corpo não lhe obedecia e ela não conseguia resistir a tentação. E nem queria. Puxou a prefeita pelo braço, encostando-a na parede mais próxima.
"Faça de novo."
"O quê?" A morena fez-se de desentendida.
"Ouse morder os lábios mais uma vez."
Os olhos da prefeita estreitaram e ela encarou a loira a sua frente.
"É melhor irmos ver o que o Henry está aprontando."
Emma estava frustrada. Mas ela podia ver no olhar da rainha que ela queria aquilo tanto quanto ela. Mas porque fugir, então?Já Regina, tentava decifrar o turbilhão dentro de sua mente. O que era tudo isso que ela estava sentindo? O que eram esses sentimentos? Esses arrepios todas as vezes que a salvadora se aproximava? E porque ela gostava tanto disso?
A rainha puxou a outra até a cozinha e sorriu ao ver o filho com dois baldes de pipoca e latas de refrigerante.
"Como foi que não sentimos o cheiro disso?"
"Acho que estávamos distraídas." Regina corou, sorrindo discretamente.
"Henry, coloque seu filme de terror. Eu não me importo."
"Sério, mãe? Emma, o que você fez com ela?"
"Ela só precisava de um tratamento especial, kid." E lá estava Regina, corando mais uma vez.
O filme escolhido foi Sobrenatural. Henry deitou-se no sofá de três lugares, forçando suas mães a dividirem o de dois. Regina na esquerda, Emma na direita. O garoto apoderou-se de um dos baldes de pipoca, entregou o outro as mulheres e deu play no filme. Algum tempo depois, a morena tapava a boca com as mãos, na tentativa de não gritar. Deu um pulo em determinada cena e fechou os olhos. Emma puxou seu braço levemente e a envolveu em um abraço. A prefeita a encarou.
"O que foi? Eu disse que cuidaria de você." A rainha nada falou, simplesmente deitou a cabeça no ombro da loira.
A salvadora acariciava o ombro da outra, que a cada susto se aconchegava mais a ela. Em certo momento, Henry avisou que precisava ir ao banheiro. Deixando-as mais uma vez sozinhas. Regina moveu a cabeça lentamente para encarar a xerife, que olhou para a morena no mesmo instante. Sorriram.
"Viu? O filme não é tão ruim."
"Não é tão ruim? É horrível, Emma. Parece que vou infartar a cada momento." Falou, tapando os ouvidos devido ao alto ruído da cena.
"Exagerada." Mostrou a língua, apertando a prefeita ainda mais.
"Você não tem medo mesmo?"
"Não. Existem coisas bem mais assustadoras do que filmes de terror, Regina."
"O quê, por exemplo?" Virou-se de frente para a loira.
"Sentimentos." Emma a encarou.
"Sério? A filha da Branca de Neve e do Príncipe Encantado, fruto do amor verdadeiro tem medo de encarar os sentimentos? Meio irônico, não acha?" Sorriu torto.
"Quase tão irônico quanto a Rainha Má ter medo de filmes de terror."
"Justo." A prefeita mordeu o lábio inferior.
"Regina..."
"Hm?" Encarou-a.
"Não. Morda. Os. Lábios." Falou lentamente.
"Ou o quê?"
A salvadora se aproximou mais, se é que isso era possível. Levou o indicador até o lábio inchado da morena a sua frente. E então, disse a famosa frase de Christian Grey.
"Eu queria morder esses lábios." Regina corou. "Você falou que eu não teria coragem de dizer e eu te provei que estava errada. Agora, resta saber se você terá coragem de continuar o diálogo." A rainha balançou a cabeça negativamente, ainda vermelha.
"Eu não sou nem um pouco parecida com Anastasia Steele, Miss Swan."
"E como Regina Mills me responderia?"
A morena colou suas testas, fazendo-as estarem tão próximas que suas respirações se mesclavam.
"Bom, se você me dissesse que quer morder meus lábios eu lhe diria que não lhe impediria." A salvadora sorriu.
"Posso te beijar?" Sussurrou.
"Desde quando você pede minha permissão pra alguma coisa?"
A loira levou uma mão a nuca da prefeita, que arfou. Emma colou seus lábios em um selinho demorado. Regina fechou os olhos. Aos poucos, a xerife aprofundou o beijo, fazendo com que suas língua travassem uma guerra que nenhuma das duas fazia questão de vencer. A prefeita sorriu em meio ao beijo e esse foi o estímulo que Emma precisava. Arranhou levemente a nuca da morena e pôde senti-la arrepiar-se. O ar se fez necessário e elas se separaram. O sorriso presente em ambos os rostos.
"Isso foi tão bom. Posso fazer de novo?" A loira perguntou.
"Boba." Regina riu.
"Posso ou não posso?" Arqueou uma sobrancelha.
"Deve, Swan."
Emma já estava prestes a puxar a outra para si mais uma vez, quando ouviu os passos de Henry descendo a escada. Se afastou discretamente, ainda sorrindo e mantendo a prefeita colada em seu corpo.
"O que aconteceu no filme enquanto estive fora, mãe?"
"Eles estão no submundo atrás da alma do menino." A loira agradeceu aos céus por já ter assistido o filme.
Não demorou muito até que o filme estivesse em sua cena final, quando Emma sussurrou no ouvido da morena.
"Sugiro que feche os olhos. Essa é a pior cena do filme."
"Não."
"Não?"
"Você tinha razão, Swan. Sentimentos são mais assustadores." A rainha sorriu e aproveitou a distração do filho, para colar seus lábios rapidamente mais uma vez.
O filme acabou e Regina nem viu a tal cena que Emma julgou como a mais assustadora. Henry juntou as latas de refrigerante e os baldes de pipoca e levou tudo para a pia.
"Boa noite, mães. Obrigado por isso tudo hoje."
"Boa noite, kid. Não se preocupe, virei mais vezes." Sorriu para a morena, que revirou os olhos.
"Boa noite, querido."
O menino foi para o quarto e pela terceira vez aquela noite, elas estavam sozinhas.
"Quer dormir comigo de novo?"
"Outra pergunta retórica?" Riram.
Regina foi ao banheiro da suíte enquanto a loira trocava de roupa. Quando a rainha saiu, Emma se jogou na cama, enncarando-a incrédula.
"Isso não é justo!"
"O que não é justo?"
"Você. Vem vestida nesse babydoll toda bonitona, sexy pra cassete, me desculpe o vacabulário e eu aqui com essa camiseta surrada." Regina gargalhou, deitando ao lado da salvadora.
"Tem um lado bom nisso tudo." Colou os lábios no ouvido da xerife. "Você nem precisa usar um babydoll para ser sexy."
"Para com isso." Fez um bico e a morena riu, novamente.
"Boa noite, Miss Swan."
Emma puxou Regina para um novo beijo, dessa vez lento e calmo. A rainha enlaçou os dedos nos cachos loiros da salvadora enquanto esta, brincava com a alça de seu babydoll inocentemente.
"Boa noite, Madam Mayor."
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