Off To The Races
1 Capítulo 1.
Notas iniciais
Regina já estava acostumada com os pesadelos que a perseguiam todas as noites. A prefeita sempre colocava o celular para despertar as 3h da manhã, para que acordasse de qualquer sonho ruim que pudesse ter.
E mais uma vez, ela estava no mesmo cenário de sempre. Rumpelstiltskin a encarava, aqueles olhos capazes de amedrontá-la mais do que qualquer coisa.
"Você me transformou num monstro. Ele nunca vai me amar se souber tudo o que já fiz."
"Henry já te ama, queridinha. Mas isso vai mudar. Até o amor mais puro, de filho para mãe, pode sumir. E eu duvido que ele consiga sequer te olhar se souber as atrocidades que você já foi capaz de fazer."
"Não! Por favor... Eu o amo."
"Amor é uma fraqueza, Regina." O homem segurou a própria adaga em direção a rainha e essa, não pensou duas vezes. Simplesmente correu em direção a ele, pegando-lhe a adaga e acertando-lhe o coração. A criatura tombou ao chão e sorriu diabolicamente em direção a rainha.
"Obrigado por livrar-me deste fardo, darling."
Ela soltou-o bruscamente e tremeu, a tempo de ver a adaga do homem cair ao chão com seu nome, "Regina Mills".
Acordou sobressaltada e levou uma das mãos a testa, que suava. Procurou pelo celular e não o encontrou. Lembrou-se de Henry o ter pedido emprestado antes que fossem dormir e pensou que talvez ainda estivesse com o garoto. Acontece que agora, seu sono não era mais seguro. Ela precisava do despertador, era sua válvula de escape dos pesadelos. Se ela pregasse os olhos agora, provavelmente acordaria gritando como tantas vezes já havia acontecido. E ela não queria fazer Henry passar por isso de novo, ele era apenas uma criança. Deitou-se novamente e fechou os olhos, na tentativa de tentar ao menos descansar. Acabou adormecendo.
Henry acordou com os gritos da mãe. Não era a primeira vez que ela tinha sonhos ruins, mas dessa vez... Parecia 10 vezes pior, pensava o garoto. Correu até o quarto da prefeita e pôs-se a chacoalhá-la. Regina não abria os olhos. Ao contrário, quanto mais o menino gritava seu nome, mais distante de acordar ela parecia estar.
"Mãe, acorda! Por favor, mãe. Volta." Nada.
Henry estava assustado, era a primeira vez que não conseguia fazer sua mãe abrir os olhos. Correu até o seu quarto e pegou o celular da rainha que ainda estava lá. Procurou na lista de contatos o número de Robin.
"Regina? O que você quer? Já viu que horas são?" O homem atendeu mal humorado.
"Robin, é o Henry. Você pode me ajudar? Minha mãe está em uma espécie de pesadelo e não consigo acordá-la."
"Ora garoto, pesadelos são comuns. Deixe-a quieta por alguns segundos e vai ver que ela já acorda."
"Mas Robin..."
"Boa noite, Henry."
Mas o menino não desistiria tão rápido. Discou o número de sua outra mãe, que já havia decorado.
"Madame prefeita, a que devo a honra de sua ligação às 4h da manhã?" Atendeu irônica.
"Mãe, é o Henry. Preciso da sua ajuda."
"O que aconteceu? Está tudo bem?"
"Estou bem. É a minha mãe."
"Regina?" A salvadora levantou da cama num pulo, já calçando as botas. "Aconteceu alguma coisa com ela?"
"Eu não consigo acordá-la. E ela está gritando, parece estar tendo um sonho do tipo muito ruim."
"Eu já estou chegando."
A loira levou menos de cinco minutos para entrar no fusca e praticamente voar até a mansão da prefeita. Abriu a porta com a chave que sabia que seu filho escondia debaixo do tapete e correu até o quarto da morena.
"Henry."
"Mãe!" Ele correu até a xerife. "Acorda ela, mãe. Por favor. Eu não aguento mais vê-la assim."
Emma olhou em direção a cama e viu uma Regina completamente diferente da que ela estava acostumada. A prefeita estava coberta apenas por uma camisola preta e tremia tanto que chegou a assustar Swan.
"Kid, vá pro seu quarto. Eu dou um jeito aqui." O garoto assentiu e correu para o quarto.
"Regina!" Exclamou acariciando o ombro da outra. "Vamos lá, Regina. Acorde." Sentou na beirada da cama. "Eu não sei o que está acontecendo nessa sua cabecinha, mas asseguro, você é mais forte do que isso." A prefeita continuava tremendo e agora havia agarrado a mão da loira e apertava-a com força . "Volta, Regina." Emma puxou a rainha para seu colo e iniciou uma espécie de cafuné nos cabelos mais compridos que o habitual da prefeita. O corpo da morena ainda tremia e a salvadora o apertava contra si o mais forte que conseguia. "Vamos lá, Regina. Volta pra mim." Os olhos da prefeita se arregalaram e a primeira coisa que ela viu foram as madeixas loiras.
"Swan?" Perguntou. Sua voz não passava de um sussurro.
"Está tudo bem?"
"O que aconteceu?"
"Você teve um pesadelo. Dos feios por sinal, Henry não conseguiu te acordar e me ligou."
Regina se mexeu no colo da loira, apenas para se acomodar melhor. Por instinto, Swan enlaçou sua cintura protetoramente.
"Saiu da sua casa de madrugada só pra me ajudar?"
"De pijamas e tudo." A morena olhou o corpo da loira e prendeu um sorriso ao perceber o short surrado e a camiseta folgada que Emma usava, em contraste com as botas que a salvadora devia ter calçado as pressas.
"Obrigada." Sussurrou.
"Eu faria de novo se precisasse." As bochechas da prefeita coraram levemente e a loira sorriu.
"Não precisa ficar envergonhada."
"Eu não estou."
"Claro que não." Revirou os olhos.
"Deixe-me sair do seu colo. Já incomodei demais."
"Nem se você tentasse me incomodaria, Regina."
"Não fale o que não sabe, Swan." Falou se soltando dos braços fortes da loira.
"É verdade, você pode ser bem insuportável quando quer."
"Obrigada." Sorriu.
"Não quis ofender." A loira sorriu e Regina retribuiu. A prefeita caminhou em direção ao banheiro e encarou seu reflexo no espelho.
"Meu Deus, estou um caco."
"Pelo amor, você acabou de acordar." Emma parou atrás da rainha. "Aliás, deixa eu arrumar isso aqui." Ajeitou a alça da camisola da morena, que estava caindo.
Regina não pode deixar de corar e se afastou num pulo, saindo do banheiro e sentando-se na cama novamente.
"Bom, se já está melhor... Vou indo. Até amanhã, prefeita."
"Swan, espera. Você... Você pode ficar?"
"Ficar?"
"Digo... Esquece. Foi uma ideia estúpida, você deve ter coisas mais importantes pra fazer."
"Não." Falou rápido demais. "Eu fico." Tirou as botas e deitou-se do lado direito da cama da morena.
"Nunca pensei que diria isso, mas eu me sinto segura com você perto de mim." Disse e Emma sorriu. "Eu posso...?" Regina apontou para o corpo da loira, encabulada.
"Sempre que quiser." Emma sorriu mais uma vez e a prefeita deitou-se sobre seu peito, enlaçando sua barriga definida com uma das mãos.
"Boa noite. E obrigada mais uma vez, Miss Swan." Sussurrou.
"Boa noite, madame prefeita."
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