Of Back to the Past !

5 Capítulo O1 - Aviões


Notas iniciais
Yoo, Minna!
, Como prometido, editei o capítulo Um, e estou o postando no prazo!
os liks estão nas considerações finais!
Espero que gostem, e leiam as considerações finais. ;D

“Nossas vidas são definidas por momentos. Principalmente aqueles que nos pegam de surpresa.”

Bob Marley


Janeiro de 2011, Canadá. Aeroporto de Toronto.

00h21min


Podia ver através das grandes portas de vidro do aeródromo os flocos de neve caindo levemente no solo, o vento parecia está afável. O inverno canadense, apesar de forte, me agradava, até mesmo nos dias em que a temperatura chegava a 40º graus negativos.

Iria completar o meu sexto ano aqui em Toronto, se por ventura continuasse aqui. Uma cidade bem estruturada e bonita.

Lembro-me que assim que cheguei fiquei um tanto impressionado com a beleza, as árvores congeladas em todo redor das cataratas, as gotículas que sobem das quedas d'agua aderem aos troncos, galhos e folhas, congelando-os e vai formando verdadeiros "picolés" de árvores, de gramas ou de troncos. Tudo o que é derramado sobre o chão, esfria em pouquíssimo tempo, e até a simples tarefa de caminhar exige cuidado, pois o gelo é verdadeiramente escorregadio. Chegava a se assemelhar com o inverno de Tóquio, minha cidade natal, particularmente gostava mais de onde eu nascera, obvio até.

Dei uma ultima olhada como se fosse uma espécie de despedida. Apesar de tudo, foi deleitoso o tempo que passei aqui.

Virei-me rumo aos portões de embarque. Iria entrar a bordo em poucos minutos em um voo com o destino em Tóquio, inclusive lá também estava no inverno.

Observava o ambiente ouvindo ao mesmo tempo as ultimas instruções de Kakashi, meu mentor.

– Entendo Kakashi. Em breve estarei ai. Agora tenho que desligar. Meu voo já vai sair. Até. – Desliguei meu celular guardando-o em minha bagagem de mão enquanto me direcionava para os portões de embarque. Dei um longo suspiro antes de começar a subir as escadas que me davam acesso à aeronave. Voltar ao Japão depois de tanto tempo, a princípio, era de certa forma... Inquietante.

Terminei minha pequena subida e adentrei o ressinto. Como de costume, primeira classe.

– Sejam bem vindos a bordo. Observe o número de seu assento no cartão de embarque. Por medidas de segurança, acomodem as bagagens de mão nos compartimentos acima de seus assentos e as que não couberem, abaixo da poltrona a sua frente. – Era exatamente isso que estava fazendo, procurando meu lugar. Preferi não ficar na janela, queria adiar um pouco as lembranças, ver as nuvens me fazia recordar dois de meus melhores amigos. Permite-me soltar outro suspiro pesado. Por mais que eu tentasse mais cedo ou mais tarde a nostalgia viria à tona.

– O comandante Akasuna no Sasori e sua tripulação apresentam-lhes as boas vindas a bordo do Boeing 737-200. Este é o voo 56 com destino a Tóquio. – Ouvi a voz forte da comissária de bordo enquanto me acomodava melhor em minha poltrona, para logo em seguida encará-la.

– Pedimos a sua atenção para demonstração do nosso equipamento de emergência. – A mulher prosseguiu falando – Em caso de despressurização, máscaras individuais cairão automaticamente dos painéis acima de seus lugares. Neste momento, puxe a máscara mais próxima para liberar o oxigênio, aplique-a sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico à volta da cabeça e respire normalmente. Passageiros viajando com crianças ou alguém que necessite de ajuda, lembramos que deverão colocar primeiro suas máscaras para em seguida auxiliá-los. –Era uma senhora, devia está na faixa dos 30 a 35 anos, pele muito branca, olhos puxados, chegava a aparentar com um ser desprezível do qual fui intimado a conviver. Ignorei-a e me obriguei a escutar aquele velho discurso tremendamente cansativo percebendo uma gota se formar em minha cabeça, era tudo tão repetitivo que dava até agonia.

– Esta aeronave possui seis saídas de emergência, observe a indicação dos comissários e identifiquem a saída mais próxima de seu assento. Os cintos deverão estar afivelados sempre que o sinal estiver aceso ou enquanto permanecerem sentados. Recomendamos a leitura das instruções de segurança que se encontram a frente de seus lugares. Observem os avisos luminosos de apertar cintos. Mantenham os encostos das poltronas na posição vertical e suas mesas fechadas e travadas. Lembramos ainda que os assentos de suas poltronas são flutuantes. A VASP agradece a preferência e desejam a todos uma boa viagem. – A consorte tagarela terminou de falar e meu interior agradeceu a Kami-Sama por isso. Políticas de empresas eram realmente chatas, irritantes e entediantes.

O avião não tinha nem levantado voo e eu já estava me sentindo totalmente exausto. Vasculhei minha bagagem em busca do meu notebook e meus fones. Música pra mim era extremamente importante, as melodias me faziam ficar mais tranquilo e até mesmo me tiravam do profundo fastio.

– Informamos que por determinação do Departamento de Aviação Civil — DAC é proibida a utilização a bordo de qualquer aparelho eletrônico emissor de energia eletromagnética, principalmente telefones celulares que deverão permanecer desligados. – Ouvi aquele pronunciamento franzindo minha testa em sinal de desgosto.

Odeio de verdade o ser que falou mais uma dessas baboseiras formais que devem ser ditas. Não faço ideia de quem tenha sido, mas já formei uma antipatia em relação a este individuo.

Droga, tinha me esquecido completamente desse fato, isso só me deixa ainda mais entediado.

A voz parecia ser de outra mulher, e novamente elevei meu olhar, em um segundo, a irritação e o tédio se foram e deram espaço para a curiosidade. Ela possuía cabelos tão negros quanto os meus, estavam presos num coque que dava um belo contraste a pele alva, vestida com seu tradicional uniforme, composto por uma saia preta e uma blusa social branca seguida de um pequeno lenço negro que enlaçava seu pescoço. Mas uma coisa me intrigara de verdade. Seus olhos me pareciam muito familiar, devo acrescentar. Só coincidência, talvez.

E em fim o som de turbinas sendo ligadas adentrou meus ouvidos.


~~~~~~x~~~~~~


01h45min


Tive que esperar até que o avião atingisse o nivelamento, para que pudesse ligar meu notebook.

Abri meus documentos e coloquei minha lista de reprodução predileta para tocar, pus meus fones de ouvido e comecei a escutar as primeiras notas daquela melodia já conhecida.

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wish right now

(agora, um desejo agora)

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wish right now

(agora, um desejo agora)

Fechando meus olhos e repetindo a letra da canção mentalmente, pude sentir novamente todas as sensações que ela me proporcionava. Sentia-me como se estivesse de braços erguidos e uma leve brisa gelada se chocasse com minha pele.

As lembranças fazendo piruetas na minha cabeça!

I could use a dream or a genie or a wish

(Eu poderia usar um sonho ou um gênio ou um desejo)

To go back to a place much simpler than this

(Para voltar a um lugar muito mais simples do que isso)

'Cause after all the partyin' and smashin' and crashin'

(Porque depois de todo festejar e embebedar e Zonear)

And all the glitz and glam and the fashion

(E todo o brilho e glamour e moda)

And all the pandemonium and all the madness

(E todo pandemônio e toda loucura)

There comes a time when you fade to the blackness

(Chega um momento em que você se enfraquece para a escuridão)

And when you're starin at the phone in your lap

(E quando você está encarando o telefone em seu colo)

And you hopin' but them people never call you back

(E você espera, mas aquelas pessoas nunca te ligam de volta)

But that's just how the story unfolds

(Mas isso é apenas como à história se desenrola)

You get another hand soon after you fold

(Você consegue uma mão logo depois que você recua)

And when your plans unravel in the sand

(E quando seus planos se desfazem na areia)

What would you wish for if you had one chance?

(O que você desejaria se você tivesse uma chance?)

So airplane airplane sorry I'm late

(Então avião, avião, desculpe estou atrasado)

I'm on my way so don't close that gate

(Estou no meu caminho não feche essa porta)

If I don't make that then I'll switch my flight and

(Se eu não conseguir, vou mudar meu vôo e)

I'll be right back at it by the end of the night

(E estarei de volta no fim da noite)

Novamente em uma viagem a trabalho, mas dessa vez para minha cidade natal, numa investigação que tinha mais significado do que aparentava, em minha opinião. Talvez seja por isso que os fantasmas estão me atormentando, afinal sai de lá com 16 anos e hoje me encontro no auge de meus 21.

Foi o que pensei, não conseguiria segurar por muito tempo. O aperto no peito começou e eu me sentia imensamente nostalgiado. Saudades dos meus amigos, saudades da minha rotina, saudades da minha família que já não possuía. Saudades dela.

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wish right now

(agora, um desejo agora)

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wish right now

(agora, um desejo agora)

Parecia até uma dessas ironias que o destino prega nas pessoas, abordo de um avião que vai me levar de volta para o passado em 11 horas, quem sabe para o lugar que sempre quis está durante esses cinco anos.

Depois da tragédia que aconteceu na minha vida e na dos meus amigos me vi na obrigação de sair em busca de força. Forças pra proteger quem eu amo, forças pra encontrar o responsável por todo nosso sofrimento, por mais que eles não saibam disso.

Sou um cara tremendamente orgulhoso, não sei como estou nesse exato momento admitindo isso pra mim mesmo, talvez eu realmente pensasse na possibilidade de ter ficado lá e ter tentado superar tudo junto a eles. Não que me arrependesse, Orochimaru foi de grande ajuda, contudo até mesmo uma pessoa como eu me pego pensando se teria sido diferente, se poderia ter trilhado outro caminho.

Yeah somebody take me back to the days

(Sim, sim Alguém me levará de volta para os dias)

Before this was a job before I got paid

(Antes de isso ser um emprego, antes de eu receber)

Before it ever mattered what I had in my bank

(Antes de importar o que tinha no meu banco)

Yeah back when I was trying to get into the subway

(Sim, voltar para quando eu estava tentando entrar no metrô)

And back when I was rappin for the hell of it

(E voltarpara quando eu estava fazendo rap por fazer)

But nowadays we rappin' to stay relevant

(Mas hoje nós estamos fazendo rap para ficar importante)

I'm guessing that if we could make some wishes out or airplanes

(Acho que se pudéssemos fazer alguns desejos ou usar aviões)

Then maybe oh maybe I'd go back to the days

(E aí talvez, talvez eu voltaria para os dias)

Before the politics that we call the rap game

(Antes da política, que chamamos de o jogo do rap)

And back when ain'tnobody listened to my mix tape

(E voltar para quando ninguém tinha escutado minhas músicas)

And back before when I tried to cover up my slang

(E voltar para antes de quando eu tentei esconder minha gíria)

But this is for the Decatur what's up Bobby Ray

(Mas isso é para o Decatur, e aí Bobby Ray?)

So can I get a wish to end the politics

(Então eu posso fazer um desejo de acabar com a política)

And get back to the music that started this shit

(E voltar para a música que começou essa merda toda)

So here I stand and then again I say

(Pois aqui estou e de novo eu digo)

I'm hopin we can make some wishes outa airplanes

(Espero que possamos fazer alguns pedidos do avião)

Acordei de meus devaneios ao sentir uma delicada e gelada mão repousar sobre meu ombro, um ato tão simples, mas que fez de repente lembranças de minha infância passar como um filme em minha mente. Tais recordações que há tempos tentava afoga-las no mar do esquecimento, entretanto sempre conseguiam emergir das águas dando origem a uma onda enorme de nostalgia.

Sasuke-kun... Não, aquela voz de novo não.

Abri meus olhos rapidamente numa tentativa meio que desesperada de limpar o consciente. Levantei meu rosto em direção ao ser que me chamava. Nossos olhares se encontraram. Seus olhos. Extremamente familiares. Verdes. Verdes, cor de Esmeralda. Arqueei uma de minhas sobrancelhas, franzi levemente minha testa em sinal de frustação. A nostalgia aumentou juntamente com os flashes de memória. E por um momento pensei que era ela.

Kami! Parecia uma espécie de complô. Quanto mais tentava afastar os pensamentos antigos, as coisas ao meu redor me faziam lembrar mais e mais, e olha que ainda estava a bordo do aeroplano.

Vi sua expressão de surpresa desaparecer e dar lugar para outra que indicava constrangimento. Só então me lembrei de apertar pause e tirar meus fones.

– Go-Gomenasai... – Indagou tirando ligeiramente a mão de meu ombro – Não foi minha intenção assustar ou irritá-lo. Só ia perguntar se o Senhor está precisando de algo. – Era a mesma comissária de bordo que me irritou logo de cara falando sobre não poder ligar meu notebook até o maldito avião alcançar o nivelamento. E devo acrescentar que ela ainda continua me irritando, fazendo-me lembrar de coisas que queria esquecer a todo custo, só por enquanto!

– Hn. – Soltei meio ríspido.

Irritante.

A viagem mal começou e já estou com os nervos à flor da pele. Se meu amigo preguiçoso estivesse aqui ele denominaria essa situação como “problemática”, e eu nem ousaria discordar.

Droga de novo! Malditas recordações! Não acredito. Lembranças do colegial, dos meus amigos, ela, ela de novo não! –

– Só um travesseiro. – Balancei a cabeça mais uma vez.

– Certo. Mais uma vez, gomenasai Senhor! – A observei se retirar, analisando cada detalhe dela e repassando mentalmente todo o ocorrido e as ultimas coisas que vivenciei antes de pegar esse voo, e como um soco não esperado, uma epifania atingiu meu ser.

Repassei as instruções de Kakashi, lembrando-me da que mais me intrigou. Seria ela, a pessoa que o Hatake havia mencionado? Agora aquele riso abafado e baixo devido a máscara fazia sentido.

Permiti-me dar um leve sorriso de canto, quando a imagem da jovem não estava mais em meu alcance.

Sensei safado. Aquele livro pervertido o estava fazendo mais mal do que pensava!

Coloquei novamente os fones de ouvido e clicando no play pude ouvir os últimos versos da música.

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wish right now

(agora, um desejo agora)

Can we pretend that airplanes in the night sky are

(Podemos fingir que os aviões no céu à noite são)

like shooting stars

(como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now, a wish right

(Eu poderia realmente usar um desejo agora, um desejo certo)

now, a wishrightnow

(agora, um desejo agora)

Mais tarde irei descobrir. É como diz o ditado “a noite é uma criança”.

Mudando de assunto, lá vem meu travesseiro.

I couldreally use a wishrightnow

(Eu poderia realmente usar um desejo agora)

I could really use a wish right now

(Eu poderia realmente usar um desejo agora)

Like, like, like shooting stars

(Como, como, como estrelas cadentes)

I could really use a wish right now

(Eu poderia realmente usar um desejo agora)

A wish a wish right now

(Um desejo, um desejo agora)


~~~~~~x~~~~~~

04h00min


Remexi-me um pouco na poltrona, piscando algumas vezes antes de conseguir abrir os olhos completamente, esfreguei os mesmos num sinal um pouco infantil até. Não era dia, pelo contrário estava à noite, o lugar só era iluminado por uma luz fraca.

Perfeito.

Parecia que todos os outros passageiros, que por sinal não eram muitos, estavam dormindo.

Discretamente vasculhei com os olhos o final do corredor a procura das comissárias de bordo. Vi ao fundo uma moça com o uniforme tradicional, tinha cabelos pretos azulados, quase cochilando em pé. O turno dela provavelmente já deveria está acabando, e logo outra estaria em seu lugar.

Lembro-me de ter contado três mulheres. A senhora mais velha, com olhar desprezível; a que servia o lanche, de cabelos estranhamente cinzas; e a irritante. Agora, contando com a dorminhoca, quatro.

Calculei o tempo que havia dormido. De acordo com minhas deduções, a que viria seria a ultima. Restava saber se era a que me interessava.

Bingo.

Estava certo, lá vinha à substituta, e sendo sorte ou não, era quem eu esperava.

Sorrateiramente, encaminhei-me até o banheiro, que se localizava ao final do corredor paralelo ao que se encontrava a comissária dorminhoca e sua colega de trabalho.

Antes de entrar na cabine pude vê-las se cumprimentarem educadamente. A jovem cansada sorriu em forma de agradecimento e a outra lhe retribuir com mais intensidade.

Após ter saído de seu campo de visão, a substituta pôs-se a caminhar elegantemente em minha direção, só então adentrei completamente ao toalhete. Era agora que descobriria.

Escutei os passos se aproximando cada vez mais e quando pareciam que finalmente estavam perto suficientes de mim, eles pararam. Não se ouvia mais nada a não ser o som irritante das turbinas.

Escondi-me atrás da porta e logo em seguida o som do choque de seus saltos com o piso da aeronave começou a se distanciar.

Intrigante.

Droga! Ela está aprontando algo...

Foi então, que algumas de minhas suspeitas se confirmaram.

Analisando a situação como um todo, pude chegar a uma conclusão óbvia. Ela suspeitava de mim. Provavelmente achava que eu não era um passageiro comum, e devia está querendo tirar a dúvida se seria um inimigo ou um aliado.

Garota esperta, cada vez mais parecida com ela...

Repassei rapidamente uma estratégia em minha mente, que por sinal foi o único fato que me foi permitido, pois os movimentos que se seguiram ocorreram como num piscar de olhos, puro reflexo de ambas as partes.

A porta havia sido aberta de supetão. Apressei-me para segura-la, assim, nenhum barulho foi auditivo para os demais.

O ataque tinha sido deferido por ela. Astutamente puxei aquela mulher, segurando-a pela cintura fazendo com que nossos corpos se chocassem. Arrastei-a junto a mim para fechar e trancar a única coisa que dava acesso tanto para entrar, como para sair dali. Suspirei.

Seu cheiro... Igualmente familiar!

Guardei as chaves em meu bolso. Estávamos definitivamente presos ali. Ela não me escaparia.

Abaixei meu olhar a tempo de perceber o que ela pretendia fazer. Sua mão deslizava pela coxa esquerda, levantando levemente o tecido de sua saia. Não deixei de perceber o quão macio e atraente aquela região me parecia.

Hormônios idiotas! Atrapalhando-me em uma hora tão crítica como essa!

E então o suporte para armas pontiagudas alcançou meu campo de visão.

– Nem pense nisso, mocinha. – Balbuciei enquanto fitava seus orbes pela segunda vez naquele dia. Agarrei-a pelo pulso com minha mão que estava livre, sua expressão indicando irritação.

– Quem você pensa que é pra me dá ordens e o que faz aqui? – Rangeu entredentes com uma voz que eu desconhecia.

Shit! Será que me equivoquei? Isso nunca aconteceu antes. E agora?!

Inconscientemente eu afrouxei o aperto em seu pulso e cintura, enquanto me afundava em um mar de perguntas.

Nem havia me dado conta do desleixo que tinha cometido. Abertura suficiente para um contra ataque de sua parte.

Se aproveitando do meu estado, ela se libertou dos meus braços, virando-se de costa e proferindo em mim logo em seguida duas cotoveladas no estomago.

Muito habilidosa para uma simples aeromoça. Talvez não tenha me confundido, afinal!

Bati com força na parede, segurei meu abdômen instantaneamente. Ela pegou seu punhal e veio em minha direção.

– É melhor me dizer o que faz aqui. – E mais uma vez a voz que eu esperava não veio.

Estreitei meus olhos, me permiti observa-la novamente. Orbes iguais, face e corpo, embora mais maduros e extremamente atraentes, ainda, de certa forma, pareciam os mesmos. Entretanto, cabelo e voz diferentes.

Complicado. Forcei mais uma vez minha mente.

Opa, e aquele lenço? Achei minhas respostas.

Só para confirmar, resolvi iniciar um pequeno jogo.

– Não sei do que está falando. – Retruquei fingindo que o golpe tinha me atingido mais do que o esperado.

– Não se faça de desentendido. – Seu tom agora indicava um quase inexpressivo fio de preocupação.

Ela se aproximara.

Devido o compartimento não ser lá essas coisas, os passos que a mesma deu foi suficiente.

Era minha deixa.

Ergui meu corpo agilmente percebendo seu sobressalto, mas era tarde, eu já tinha capturado suas mãos novamente.

Girei-a, fazendo com que nós trocássemos de posição.

Apesar do susto, ela possuía ótimos reflexos, e devido a isso, nos encontrávamos numa situação perigosa.

Ela encostada à parede, sua mão esquerda com a arma, que se encontrava perto ao meu pescoço. Minha mão direita segurando firmemente seu pulso, evitando que o metal afiado entrasse em contato com minha pele.

Automaticamente minha mão livre foi de encontro com o seu pescoço, apertei-o levemente, e sua mão direita logo agarrou meu pulso.

Mais uma vez me peguei sorrindo de canto. Por dois motivos, primeiro, pelas circunstâncias que nos encontrávamos e segundo, por ter confirmado minhas suspeitas.

– Do que está rindo? – Perguntou-me irrequieta.

Puxei o lenço preto que enlaçava seu pescoço, que mostrou o que eu suspeitava que existisse.

Dispositivo com modulador de voz, muito esperta.

Com aquilo ela podia até se fingir de homem que ninguém perceberia.

Muito discreta, uma fina corrente preta de um plástico endurecido, com uma tranca logo atrás pequenininha, só pessoas que trabalhavam com o que nós dois lidávamos que saberiam abrir aquilo.

Sua mão direita pendeu pro lado do corpo.

Destravei a tranca do aparelho com uma só mão, largando ele em seguida por cima da pia.

– Como você sabia? – Ela me questionou, olhos meio que arregalados, tremula.

E pela primeira vez, depois de cinco anos, ouvi sua voz. A voz que eu esperava escutar desde quando me enfiei ali dentro. Melodiosa da mesma forma, entretanto mais adulta e charmosa.

Continuando com gládio no encalço de meu pescoço, segurei mais firme ainda seu pulso, guiando-o seu outro braço para o lado esquerdo de seu corpo.

Olhos? Confere!

Rosto? Confere!

Corpo? Mais do que conferido, (aprovado) admiti sorrindo de canto.

Cheiro? Confere!

Personalidade? Confere!

Voz? Acaba de ser conferida.

Estiquei-me até chegar bem próximo ao seu ouvido, e então com uma voz roca sussurrei:

– Creio que pelo fato de conhecer-me há bastante tempo, e eu saber quem você é, da para notar que sou seu aliado e não um inimigo. E mais do que um simples aliado, sou também seu reforço. – Uma pausa! Notei que seus poros estavam ouriçados, irresistível. – Respondi as suas perguntas, agente 3.4, Konohana Sakuya? Ou você prefere... – Me aproximei ainda mais de sua orelha – Haruno Sakura?! – Seu corpo enrijeceu, senti-a ficando tensa.

Para fechar com chave de ouro e terminar com aquela charada, puxei os fios negros. Eles logo foram ao chão, dando abertura para madeixas novas, mas muito conhecidas por mim. Róseos. Longos fios róseos!

Ela abaixou a guarda.

O ruído de metal se chocando com o solo chegou aos meus ouvidos, seu punhal.

Cabelos? Confere.

Inclinei-me em direção ao seu pescoço, experimentando o aroma natural de cereja que exalava dela. Sem dúvida nenhuma, eu havia sentindo falta, e ainda sentia.

Agora que ela não tinha mais nada em suas palmas, eu podia soltar o aperto em seu pulso, e num ato insano de minha parte, levei minhas duas mãos para seu pescoço e guiei meus lábios para encontrar os seus, beijando-a.

Era mais do que saudade, chegava a ser necessidade, porque mesmo que todas as mulheres deste mundo caíssem aos meus pés, para mim... Só existiria ela. Haruno Sakura.

Ah...

Beijo? Confere.


“Sinto saudades de quem não me despedi direito, das coisas que deixei passar, de quem não tive, mas quis muito ter.”

Clarice Lispector


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Notas finais
Hello para você que leu minha fic. Esta é uma longfic, estou tentando caprichar no enredo da história, me desculpem qualquer erro de ortografia ou concordância, como disse no meu primeiro DRABBLE, sou uma leitora veterana, mas uma escritora aprendiz.
O link da música é: http://www.youtube.com/watch?v=kn6-c223DUU
E o link do Uniforme de aeromoça: http://images.orkut.com/orkut/photos/RAAAAL6N_EG4TSviVRH2jlCw82sLL
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Sou muito faladeira, por isso tudo indica que a cada cap. Vou piorar! kkkkk Muito obrigada quem leu e plis deixem reviews, elas estimulam qualquer pessoa, e eu particularmente sou movida através delas, não custa nada, vou responder a todos. ; ]
Como eu havia falado a fic será narrada em primeira pessoa, apenas o capitulo 0 (coisa da minha cabeça, maluca) foi em terceira!
Eu gostaria de saber a opnião de vocês, porque as vezes tenho uma vontade danada de apagar a fic! kkk
Mas, em fim, faz muiito tempo que o capitulo ta pronto.
Um beijo pra minha beta linda, a Mary, que me apoia muito. ;D
Eu tinha inventado um top, sobre curiosidades da fic, se quiserem, que eu fale sobre as mesma, avisem nos review's.
Biejão e Abraços. ^^