Oe Satsuki, te amo
3 Então me lembrei daquele promessa...
Notas iniciais
O caminho de volta para casa foi tortuoso, Aomine estava com os pensamentos todos misturados, a conversa com Imayoshi havia arrancado o que parecia ser um selo, liberando sentimentos que o moreno nunca antes tinha percebido. Ele xingava todos os tipos de palavras de baixo calão, ficar pensando naquelas coisas o deixavam irritado, era incômodo, um pouco sem sentido, mas ele não conseguia evitar que alguma coisa estava mudando nele.
Quando ela contou que estava apaixonada por Tetsu, ele riu, zombou da cara da rosada e ganhou muitos tapas no peito, sua baixinha estava entrando em uma zona que ele nunca havia pensando em estar, e nem podia, era tudo perda de tempo e o que importava mesmo era jogar basquete e acumular mais vitórias, era aquilo que ele desejava e nada mais. Era um saco ser arrastado por Kise sempre que Satsuki e Tetsu ficavam sozinhos, o loiro era um tagarela intrometido, o que fez Aomine perder muitos treinos quando era obrigado a seguir os dois baixinhos.
Tetsu era um cara bem na dele e sem muitas preocupações, era calado e tranquilo, Momoi era agitada e ficava feliz igual pinto no lixo quando encontrava alguma pobre alma para escutar seus assuntos intermináveis e claro, pagar um picolé para ela, de tutti-fruti, o favorito dela. Nunca achou que fossem combinar em algo, foi a escolha dela e ele não podia fazer nada, pelo menos foi assim que pensou até o dia em que sentiu Satsuki se afastar, não era mais o Dai-chan, era o Aomine-kun, por mais que ele fosse desligado destas coisas, era estranho ter que se acostumar depois de tantos anos a ser chamado pelo sobrenome, principalmente por ela.
– Merda, comecei a pensar demais e agora estou muito irritado! Vou ligar para a Satsuki e reclamar que... – Ele chegou a pegar o telefone, mas não efetuou nenhuma chamada, as palavras dela vieram em sua mente “eu te odeio”, juntamente com as de Imayoshi.
– Porra! – Ele soca o muro da própria casa, ficou tão absolvido em seus pensamentos que nem percebeu que já havia chegado, tirou as chaves do bolso do casaco da escola e entrou, o pai assistia televisão na sala e a mãe conversava animadamente ao telefone, ele cumprimenta os pais e sobre direto para o quarto, não iria jantar, estava sem fome.
O quarto de Aomine era espaçoso, havendo uma cama grande, um pequeno sofá de dois lugares, uma mesinha de madeira no centro, uma escrivaninha e embutido na parede dois armários, mas o que chamava a atenção era a quantidade de posters de famosos jogadores de basquete, além de um quadro com distintivos policiais, um de cada país, coleção que foi feita com a ajuda de seu pai, o ojisan e por Satsuki. Ainda no quarto de Aomine, em um porta-retrato bem discreto sobre o criado mudo, ao lado do despertador e do abajur, havia uma foto dele com Satsuki assim que entraram para o fundamental na Teiko.

Lembrou-se do momento em que a foto foi tirada pela mãe que ficou responsável de levá-los até a escola, e que ela perguntou “qual será a primeira atitude do Dai-chan agora que já é um rapazinho?” e ele assim respondeu “garantir que a Satsu seja sempre feliz!” e a rosada sorrindo retrucou que “onde o Dai-chan for, irei sempre estar o lado dele!”. O moreno que até então apenas ficou fitando aquela antiga foto pegou o porta-retrato e tocou na imagem de Satsuki.
– Ela nunca deixou de estar comigo... – Ele disse franzido o cenho. – Quando percebi, eu que me afastei dela...
Concluiu devolvendo o porta-retrato para cima do criado-mudo e em seguida sentando-se em sua cama. Levou uma das mãos ao rosto e começou a se xingar, foi tomado por sentimentalismo e amaldiçoou Imayoshi por ter dito tantas coisas que o deixaram com a cabeça cheia de questionamentos e pela primeira vez em tantos anos suas preocupações não eram relacionadas ao basquete.
– Satsuki... – Ele chamou por ela, olhando pela janela que dava de frente para a do quarto dela, o que separavam os dois era o muro das casas e uma frondosa árvore que tinha a copa bem dividida entre as casas, ele percebeu que a luz do quarto dela estava acessa, mas as cortinas bancas estavam bem fechadas. – Que merda, ela nunca fecha as cortinas do quarto, o que é isso agora?
Irritado, se aproximou da janela e ficou tentando ver a sombra da baixinha, mas não conseguia perceber nada, ele não notou, mas quando se deu conta já estava atravessando os galhos da árvore e alcançando a janela dela que estava aberta por sorte. Ele nunca tinha feito aquilo antes, se alguém que passasse na rua visse, acharia que era um ladrão, então ele decidiu entrar pela janela.
– ...Eh? – Aomine fica surpreso ao entrar no quarto de Satsuki e perceber a enorme bagunça que lá estava, sendo que a garota sempre foi bem asseada com suas coisas, no chão estava peças de roupas, toalhas, embalagens de doces, papéis, canetas e até roupas íntimas.
Como as casas eram germinadas, o espaço do quarto da garota era similar ao dele, mas era o típico quarto de uma jovem com bichos de pelúcia e todo tipo de enfeite, o local tinha um doce aroma de pêssego e estava sempre muito bem arrumado, diferente do agora.
– Isso aqui tá quase um chiqueiro. – Ele bufou irritado e começou a catar as embalagens de doces pelo chão do quarto, certificou de jogá-las na lixeira que ficava debaixo da escrivaninha do quarto, pensava em pegar as peças de roupas mas não sabia quais estavam limpas e quais estavam sujas. – Puta merda Satsuki, virei seu faxineiro!
Enquanto tentava deixar o lugar pelo menos com espaço para se locomover, não percebeu que alguém entrava no quarto, só notou quem era quando escutou o barulho de algo pesado cair no chão, pego de surpresa ficou um pouco assustado e ao olhar para trás viu Satsuki paralisada, usando apenas uma toalha de banho, ela tinha deixado o secador de cabelo cair no chão e antes mesmo de poder abrir a boca, Aomine voou para cima dela e levou uma das mãos impedindo que ela gritasse.
– Oe, não vai fazer escândalo! – Ele disse em tom ameaçador e ela começou a protestar para que ele tirasse a mão da boca dela.
– Ahomine! O que você está fazendo aqui, e como invadiu meu quarto?
– Cala a boca, eu sempre entro no seu quarto e você nem dá importância.
– Eu pensei em ter dito que não queria ver ninguém! E isto inclui você, Ahomine! – A garota estava com as bochechas infladas em sinal de raiva, mas a ação de Daiki a deixou totalmente desarmada.
– Eu vim aqui garantir que a Satsu seja sempre feliz. – Ele disse após abraça-la, fazendo-a apoiar a cabeça em seu peito.
– D-Dai-chan... – A menina aperta as mãos por sobre a camisa do moreno e começa a chorar compulsivamente, tudo que ela mais precisava era de sentir-se protegida naquela hora.
– Foi mal, Satsuki...eu não quis magoar você no vestiário. – Ele cessa o abraço para poder encará-la, enquanto usava os polegares das mãos para enxugar as lágrimas dos olhos dela. – Porra, você disse que me odeia, foi difícil ouvi isso, sabia?
– Dai-chan, você é um idiota! Demorou muito para vir aqui...E eu não te odeio, você sabe, não é? – Ela tomou a palavra e começou a dar pequenos tapas no peitoral bem trabalhado do moreno.
– Oe, você está toda molhada... – Ele segura as mãos dela e continuava encarando-a, mas ele não pode escapar da tentação que lhe era exposto, a toalha de banha estava bem colada ao corpo da rosada, alguns fios de cabelo repousavam sobre aqueles enormes e delicados seios, Aomine sentiu um súbito calor invadir seu corpo e uma estranha sensação entre as pernas. Como ele não percebeu que o atributo favorito dele em uma mulher Satsuki tinha de sobra?
– Ahomine, espere então que eu vou me trocar e... – Satsuki foi surpreendida novamente pelo moreno que tirava a camisa de Touou e a entregava.
– Vista isso, não tem condição de você usar alguma roupa que está nesta bagunça aqui. – Ele vira o rosto para o lado, desviando o olhar dela. – Eu vou ajudar a arrumar seu quarto, porquinha.
– Dai-chan! – Ela começa a socá-lo no braço e ele sorri com o canto dos lábios, aquela era sua baixinha voltando a ser como era.
Depois de ter vestido-se com a blusa de Aomine, que ficou como uma camisola nela, os dois arrumaram o quarto da rosada e por fim deitaram-se exaustos na cama dela, ficaram deitados de frente ao outro e Satsuki se aproximou mais do rapaz, tocando-lhe levemente o peitoral definido e largo, aquilo causou um arrepio no moreno.
– Obrigada Dai-chan, eu estava um pouco perdida. – Enquanto ela falava, ele abraçou o corpo dela, deixando-o ainda mais próximo do seu.
– Seu sumiço deixou o clube uma bagunça, Katsunori não é nada sem você.
– Eu fui imatura e não soube lidar com a rejeição do Tetsu-kun, mas agora estou melhor...Dai-chan está aqui!
– Baixinha... – Ele sussurra beijando a testa dela.
– Sim, Dai-chan? – Ela o olha curiosa, ele estava bem diferente do habitual, como se quisesse dizer algo e não conseguisse.
Foi neste momento que um flash rápido passou pela mente do ás de Touou, ele sentiu uma pressão horrível na cabeça e sentiu o peito queimar, parecendo incendiá-lo de dentro para fora, era como se uma explosão de sentimentos se transformassem em palavras e ele pode entender que sentimentos até então adormecidos não podiam mais continuar sem se manifestarem, foi tudo tão rápido que Satsuki não pode reagir ao que aconteceu ali e agora: Aomine se inclinou, abaixando-se um pouco os lábios dela com os seus, em um beijo terno e doce. Ao se afastar, encarou uma garota extremamente surpresa e com as cútis rubras.
– Oe Satsuki, te amo.
Foi direto, sem rodeios, aquela pequena frase atingiu a garota como uma pancada, sentiu o coração pulsar, que até então, desde a rejeição de Tetsu, parecia ter esquecido de funcionar, não sabia como reagir ou o que responder, apenas levantou o pescoço e tocou nos lábios dele com os seus.
– Dai. – Ela disse após cessar o beijo, que também o surpreendeu. – Era tudo que eu precisava ouvir para me libertar...
– Eh? – O moreno não compreendia as palavras da rosada.
– Nestes dias de isolamento eu percebi que as palavras que o Tetsu-kun me disse naquela noite faziam algum sentido, mas só pude ter certeza agora.
A garota fecha os olhos e se lembra da cena que vivenciou, escutando a rejeição gentil, pelo menos suave, do rapaz de cabelos espetados que ao final lhe disse “vai chegar o dia em que você vai perceber que esse amo sempre foi para outro, você temeu e se escondeu na minha sombra, por que a luz dele era ofuscante demais”.
– Eu tinha medo de te amar e você apenas me ver como sua amiga de infância, uma espécie de irmã. Eu te amei desde que você veio pegar aquela bola de basquete no jardim da minha casa, na primeira vez que te vi, Daiki...
Aquela confissão deixou o ás de Touou por alguns instantes sem reação, até que ele sentou-se na cama e começou a rir, fazendo-a se sentar também e fita-lo de maneira aborrecida, o que deu nele para rir numa situação daquelas?
– Algo bem na nossa cara e anos depois para a gente entender, somos idiotas, Satsu.
– Dai... – Ela sorri e o abraça. – E agora, o que faremos?
– Oe, algo que já devia ter sido feito a anos atrás... – Ele inclina o corpo sobre o dela, fazendo-a deitar novamente, ele estava em cima dela e aproxima o rosto ao dela, sussurrando em seguida “tornar evidente o que já era meu, você Satsuki”.
Eles se beijaram, se amaram ali mesmo, sem qualquer dúvidas ou questionamentos, finalmente aquele início teve o verdadeiro fim, começaram juntos e mesmo que ao longo do caminho tenham tomado estradas diferentes, elas voltaram a se encontrar no final, era o destino, era imutável, um era do outro e nada mais importava. Ele a partir daquele instante, ela para sempre o escutaria dizer: “Oe Satsuki, eu amo você.”
Fale com o autor