Odish

1 Capítulo 1


No dia anterior, eu cai no vidro de uma janela e fiz um pequeno corte no braço esquerdo, mesmo tendo sido um corte muito pequeno, eu senti a energia maligna do demônio que vive em meu braço se liberar espantosamente.

Depois de usar magia e mais selos de خ (rró) para cobrir o corte eu não achei que haveria qualquer outro problema.

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Estávamos na sala de reuniões, Fernando disse que tínhamos feito um ótimo trabalho, as coisas estavam dando certo com frequência naqueles dias por isso ele parecia bem feliz e tranquilo, eu gosto especialmente quando ele sorri de lado e desvia olhar pra tentar esconder que estar feliz e parecer mais maturo.

A Yuna e a Aghata estavam vendo um documento com uma missão de expurgação em um parque onde havia aparecido anomalias com forma de abelha.

Kamila chegou, ela costuma chegar bem atrasada para coisas que não lhe interessam, eu não gosto dela, inicialmente pensei que era porque ela namora Fernando, mais conforme passamos mais tempo juntas acho que tem algo realmente de errado com ela.

Foi no momento em que ela estava para fechar a porta que “خ’s” que eu havia porto no meu braço se rasgaram. Eu sempre sinto uma dor incrível quando isso acontece, as pessoas ao meu redor não podem sentir a dor, mas elas sentem um medo impressionante. Aghata segurou a mão de Yuna e a puxou consigo para o canto oposto da sala onde Fernando estava, Aghata era a filha do chefe de Fernando e ele entrou na sua frente, e segurou Yuna perto de si porque eles haviam crescidos juntos e ela era uma irmã mais nova para ele. Kamila se saiu da sala, mas não se afastou muito, ficou em uma distância mais segura e em um ângulo que ela podia ver eu me contorcendo.

Fiquei olhando calada para meu braço que eu pressionava e para os lados. Na minha bolsa tinha uma poção de expurgação, se eu conseguisse alcança-la eu podia suprir o miasma temporariamente. Eu não podia me mover e não conseguia falar, todos continuavam assustados no canto da sala.

Eu puxei o ar por entre os dentes serrados e olhei para o cabide de bolsas, tão perto mais tão longe.

Yuna deve ter percebido que eu precisava pegar minha bolsa, mesmo com muito medo ela se desvencilhou lentamente de Fernando, andou até o cabide de chão, abriu minha bolsa e a estendeu até perto de mim. Eu pequei a poção e quebrei ela no meu braço.

O alívio que se sente quando se faz isso dá quase a mesma sensação de usar morfina, eu treino meu autocontrole todos os dias da minha vida e evito usar poções sempre que posso.

— “Eu vou indo pra casa por hoje” – foi o que eu disse antes de ver o rosto assustado de todos, sair da sala e passar pela Kamila.

***

Hoje é sábado, eu sempre saio cedo para correr nos sábados. Eu não sei no que costumo pensar, mas agora eu só fico pensando que nunca mais vou poder ver o Fernando de novo.

As pessoas tem um sexto sentido, uma coisa que avisa que algo é ruim, depois que esse demônio possuiu meu braço, o sexto sentido das pessoas não deixam elas se aproximarem de mim. Meus pais e meus amigos me abandonaram e meu namorado tentou me matar, eu tive que fugir da Rússia, depois da Arábia Saudita.

Eu tinha me conformado com a ideia de não me sentir confortável em nenhum lugar no mundo, de que não existia lugar pra mim. Mas quando eu conheci o Fernando, eu percebi que ele não me evitava como as outras pessoas, algumas pessoas tem o sexto sentido mais ou menos fraco, o Fernando simplesmente não tem.

Eu fiquei tão feliz, de pensar que eu poderia ter uma vida normal, mas como eu poderia? Meu coração ficou tão duro depois de tantos anos de medo e solidão, eu realmente não sou mais a pessoa agradável de antes.

Mas um dia, na faculdade eu percebi que embora eu precisasse do Fernando, ele precisava mais de mim, ele não sabia diferenciar o bem do mal e estava passando por coisas muito difíceis, talvez seja mesquinho da minha parte ter minha vida em função do sofrimento de outra pessoa, mas eu não conseguia simplesmente deixa-lo.

-“ Quando eu voltar pro trabalho na segunda, ele vai me olhar como me olhou ontem!!! ” – pensou Ania com os olhos mareados “ ele vai me olhar como todo mundo me olha”

De repente Ania sentiu um empurrão cobriram sua cabeça com um saco e a empurrarão para dentro de uma ã branca.

Ela gritou e centenas de pensamentos correram por sua mente.

Ninguém nunca teria conseguido surpreende-la daquele jeito se fosse uma situação normal, mas ela estava com a mente muito instável.

Ela começou a se debater, mas injetaram alguma coisa que a deixou tonta e fraca.

Depois ela sentiu as costas de sua blusa se rasgarem junto com seu sutiã. Ela se debateu mais um pouco, e percebeu que seu braço esquerdo estava preso de um jeito que ela não pudesse mexer. Se houvessem cortes em seu braço provavelmente haveria muitas mortes, e, seja lá que estivesse reptando-a sabia disso.

Ela sentiu mais e mais lâminas passando por suas costas. Em meio a fadiga ela ouviu barulho de sirenes de polícia.

— Mais 3 minutos, motorista! – uma das pessoas que agarrava Ania gritou.

A vã ficou sacudindo mais e mais.

Quando Ania sentiu que ia perder a consciência ela sentiu uma dor nas suas costas que a acordou. Ela se contorceu para trás, depois se levantou e bateu em uma das paredes.

— Ela não serve – a mesma voz disse.

Abriram a porta da vã e diminuíram levemente a velocidade, Ania sentiu que ia ser empurrada, pela pessoa que a segurava por trás e se jogou contra ela, os dois bateram na parede da vã. Ania sentiu que o saco da sua cabeça havia ficado preso em alguma coisa e se mexeu de forma que ele saísse, ele havia se prendido no chifre de quem a estava segurando.

Ela andou em direção a porta e se jogou, a polícia tinha previsto que provavelmente soltariam o refém para tentar escapar e haviam tomado uma distância preventiva, sem perigo de ser atropelada Ania só tentou proteger a cabeça.

É incrível como tudo parece perigoso sem o dom da visão, uma tarefa muito simples como andar em linha reta se torna difícil e extremamente longa. Enquanto Ania rolava pelo asfalto ela teve a sensação de que a qualquer momento um objeto afiado passaria pelo seu coração, ou que a polícia iria atropela-la, ou ainda, que ela rolaria para perto de um poste e ia bater a cabeça causando sua morte. Mesmo com esses pensamentos que não passavam de extinto de sobrevivência, Ania não gritou nem franziu a testa ou apertou os dentes.

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Ania Estava sentada na ambulância com as portas abertas, tinham entregado um coberto para diminuir o trauma, mas ele também era muito útil por causa da camisa rasgada nas costas. Ela ficava pensando quem podia ter feito aquilo, com certeza havia sido planejado, mas diferente dos outros ataques que ela havia sofrido não tentaram mata-la. Isso dava um pouco de med— De repente uma pessoa interrompeu seus pensamentos.

— Ania?! Você está bem?! – Fernando disse se aproximando dela.

— Fernando? Por que está aqui – Seu rosto não tinha expressão na maior parte do tempo, mas quem observasse bem notaria um ar de surpresa.

— Eu vi na tv, quando você caiu – Ele respondeu muito preocupado se aproximando mais.

Ele sentou ao lado de Ania, olhou-a mais alguns segundos: seus ferimentos leves e profundos, seu cabelo meio bagunçado e seu olhar preocupado. Então ele a abraçou.

— Eles... Me drogaram – ela disse quando sentiu seu corpo ficar mais pesado – Meu corpo está pesado.

— Pode se apoiar em mim – ele respondeu sem larga-la.

Com uma expressão meio triste que era na verdade de alívio por saber que seu melhor amigo não pretendia se afastar dela ela desmaiou.

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Quando Ania acordou no hospital Yuna e Fernando estavam sentados perto da sua cama.

Yuna era muito cabeça dura e orgulhosa e mesmo que estivesse morrendo de medo de Ania ela faria de tudo para esconder (embora, francamente, ela não fosse muito boa nisso a maior parte do tempo).

— Então é assim que é acordar com um monte de gente te olhando? – Ania perguntou para Yuna.

— é um saco não, é?

— mas também é meio bom – Ela pensou olhando para Fernando.

— Que bom que você acordou – Ele disse.

“Não importa quantas pessoas querem me matar, enquanto você estiver querendo que eu viva”

Notas finais
Se possível me digam o que acharam dos personagens.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!