Odiado Diário.
2 Meu odiado diário
Notas iniciais
Querido diário.
Você é completamente inútil. Nem sei por que meu pai deu você a mim. Você é só um caderno enfeitado disfarçado pra ser um diário. Eu não tenho problemas pra que vou querer você? Seu imprestável! Mas como eu estou no tédio, sem computador e sem TV por ter sido suspensa da escola por ter jogado Tânia da escada, eu preciso fazer alguma coisa antes que eu me mate. Hum... A opção de me matar é bem mais atraente.
Tá, sobre o que falar. Ta bom vou falar uma verdade.
EU ODEIO MEU PSICOLOGO!
Bufei e joguei meu diário vermelho no chão. Odiava aquele caderno, odiava meu psicólogo/diretor por ter me dado este diário. Odiava meu nome. Odiava cada célula do meu corpo!
Nossa, pra que tanto ódio?
Odeio essa voz em minha cabeça que, carinhosamente, chamei de “Ted”, uma abreviação para “Tédio”. — Que é quando ela surge, no tédio.
Hahahaha faça-me rir.
E ele me odeia. Quem não me odeia?
Não te odeio flor do meu jardim.
E sabe ser irônico igual a Rose!
Para de me comparar vadia!
E me xinga também, como a Rose.
Eu vou te afogar na privada.
Não torra.
Vamos comer torrada?
Finalmente! Uma ideia legal.
Sai de minha cama, pisando no caderninho maldito no chão e levando o maior tombo da minha vida. Ok, não foi o maior, foi até pequeno comparado ao tanto que eu já cai na minha vida inteira.
Peguei o caderno com raiva e olhei bem pra ele, me lembrando de quando o velho louco do meu psicólogo que se chama Carlisle me recomendou um diário idiota.
–-bom... Charlie. Tenho uma triste notícia pro senhor.—disse Carlisle olhando pros papeis a sua frente. Atrás daquela mesa onde eu apoiava meus lindos pés com um all star mais sujo que roupa de mendigo.
–-qual é a triste notícia doutor?—perguntou meu pai, batendo em minha perna, mas continuei com os pes na mesa.
–-sua filha caiu muito quando era pequena?— Seu olhar agora era sério, formal e um tanto preocupado.
– Um Pouco...
–-bateu a cabeça?
–-varias vezes.— Admitiu meu pai, segurando o riso no fundo da garganta.
–-então isso comprova que ela tem parafuso solto. Sua filha não é normal.— Declarou, enfim, meu médico.
–-isso eu já sabia. Porque você acha que eu a trouxe aqui?—perguntou irônico.
–-depois reclama da minha ironia.—murmurei. Ele me ignorou completamente.
–-sua filha tem sérios problemas mentais. Sugiro que você a deixe de castigo, por ter feito o que fez na escola, e que de um diário a ela pra ela poder se.... poder desabafar.
–-castigo?—perguntei assustada.
–-pode ser um diário simples, até mesmo um caderno. Mas que viva sempre com ela pra caso ela esteja triste, feliz, com raiva... talvez ela desconte a raiva em escrever, e não em socar os outros.
–-castigo?—repeti.
–-claro, comprarei um.—meu pai disse. Suspirei aliviada. Desistiu do castigo.
–-e de castigo, tire o que ela mais gosta.— retornou o maldito Doutor Delícia.
–-ela não gosta de quase nada! Só de computador, dormir, comer e TV.— Meu pai numero nos dedos.
–-tire isso dela.
–-O QUE?—gritei.
–-obrigada doutor.—meu pai agradeceu ficando de pé, fiquei de pé também.
–-NÃO!—gritei.
–-vou indo.—meu pai disse, me puxando. Antes de sair olhei pro psicologo, com raiva. Semicerrei os olhos, o encarando bem. Fiquei parada, olhando bem pra ele.
–-observe... eu te odiar.—falei.—estou de olho em você Carlisle!—coloquei dois dedos na frente dos meus olhos, depois apontando pra ele, e depois fingindo cortar meu pescoço. E meu pai me puxou pra fora do consultório.
Fui toda feliz e contente pra cozinha, mas... o armário tinha trancas, a geladeira tinha trancas, a dispensa tinha trancas. Tudo tinha trancas!
–-é.. o meu fim.—sussurrei pra mim mesma.
Vamos morrer de fome! Ted gritou em minha mente.
–-AAHHH.—gritei. E fingi desmaiar. Meu irmão idiota, Emmett, apareceu na cozinha.
–Bells? o que houve?—perguntou.
–-fome... fome... fome..—comecei a falar. Ele revirou os olhos, bufou e ficou de pé.eu continuei sozinha deitada no chão.-fome... fome... fome...
Era culpa de Damon. Tudo culpa de Damon Salvatore. Mesmo longe de mim ele causava problemas. Eu odeio Damon Salvatore!
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