Odeio minha Prima
2 Algo em Comum
Notas iniciais
POV Alaska
Acordei e olhei para o lado, não havia ninguém na cama de cima, olhei para meu relógio.
—Bosta!!- eu estava muito atrasada, muito mesmo.
A porta abriu, B entrou no quarto e disse:
—Bom dia- ela respondeu triste.- Sua mãe me disse para te trazer isso e também para te dizer que vamos sair em três minutos- ela me jogou uma maçã.
Levantei correndo enquanto ela saia do quarto.
POV B
—A escola é algumas quadras daqui. Dá para ir a pé, mas como é seu primeiro dia, te levarei de carro, ok?- perguntou minha tia.
—Sim- respondi.
—--------------------------------------Na escola------------------------------------------------------------------
Atravessei a porta da frente. A escola era pequena e interessante, seu nome era Beacon Hills Primary /Secundary School. Logo na entrada haviam armários enfileirados e depois duas escadarias, uma para cima e uma para baixo.
—A para baixo leva para o primário, a para cima para as salas de aula do sexto, sétimo, oitavo e nono ano- disse uma voz atrás de mim.- Qual seu ano?
—Nono -respondi, me virando, e encontrando uma garota de óculos escuros.
—Que bom! Eu também, pode me ajudar a chegar lá?
—Olha eu adoraria, mas eu tenho que...- pensei, “PORQUE ELA NÃO SOBE SOZINHA? ”, as aí eu entendi- você é cega?
Ela riu, tirou os óculos e eu observei seus olhos vidrados no nada. Por educação, dei a ela meu braço.
—Não!- ela disse tirando o braço do meu. – Você me oferece o braço.
Ofereci meu braço, ela pegou nele e concluiu:
—Obrigada, você pode me levar para sala de aula E-35?
—Huum, está bem, pode ser- “Mas eu irei para a sala do diretor, conhecer a escola...”- Bem...
—Só preciso que me acompanhe, depois pode me deixar para terminar de cumprir suas tarefas.
—Ok, eu só ia perguntar seu nome- menti por vergonha.
—Desculpe- me, meu nome é Edith.
Peguei no braço dela e a guiei, só acho que não foi para onde ela queria. Subi as escadas e virei a direita, andamos, andamos e andamos, mas eu nunca chegava na sala E-35.
—Você é nova? Não sabe onde fica a sala, não é?
—Sou nova aqui, sim.
Ela riu, como se fosse a maior piada do século, e então disse:
—Volte para a escadaria e depois vire à esquerda, a esquerda e a quarta direita.
Fiz o que ela mandou e finalmente cheguei na porta da sala de aula e a abri, ajudei-a a se sentar e observei os alunos. Para minha surpresa Alaska estava entre eles.
—Ei Edith, sabe a Alaska?- perguntei.
—Sei.
—Por que ela está sozinha?
Enquanto todos estavam conversando, ela estava lendo um livro.
—Olha, nós não somos muito chegadas, mas acho que é por causa das brigas.
—Que?
—É. Ela tem umas amigas, mas brigam muito, devem estar brigadas. De novo.
Olhei para baixo pensando.
—Edith!!!!- ouço um grito em coral de trás de mim.
Olho para cima assustada e reparo nas amigas (creio eu) da Edith. Foi aí que reparei na aproximação delas e achei melhor cair fora.
Saí da sala de aula e me dirigi para a do diretor pensando “Como alguém briga com as amigas no primeiro dia de aula?”.
POV Alaska
Estava lendo meu livro antes da aula começar.
Sei que era o primeiro dia e aula e tudo mais, mas não tinha nenhuma amiga na primeira aula.
E além disso, eu estava lendo sobre Belzebu.
—Oi povo carente!- gritou Roger, o professor de geografia.
Guardei o livro e me juntei à sala nos estudos. Que tipo de professor dá aula no primeiro dia.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>ao meio dia>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
(Graças a Deus) já era hora do almoço, então fui ao refeitório.
Minha escola era do infantil ao nono ano, mas do infantil ao quinto as aulas começam depois do almoço, e do sexto ao nono é de manhã e você não escolhe as matérias e tudo mais (=C).
Me dirigi para o lugar de pegar comida ( que eu não lembro o nome) e disse “oi” para Jasmine (tia da cantina, se pronuncia DIÉSMINE, por mais que a chamem de Jasmin), pedi uma salada de frutas, um ice tea de pêssego e uma fatia de pizza. Não sabia onde sentar, até ouvir um grito:
—Alaska!!!- era Adore, uma das minhas amigas.
Saí correndo na direção dela e gritando. Achei muito legal ela gritar. Geralmente eu era a louca dos gritos e elas as descoladas com vergonha.
—Meu Deus!- essa fui eu.
Adore tinha viajado nas férias, então não pudermos nos ver e eu também fui para Seattle para... para o velório dos meus tios.
—Que saudade!!- disse para Adore.
—“Miga sua loka”- Dani zoou,- Fugiu de nós? Onde você foi nessas férias?
—Foram só três meses! Fui para Seattle- fiz uma pausa.- Meus... meus tios faleceram.
—Minha Nossa, menina! Senta aqui e conta tudo.
Sentei-me com elas e comecei a contar como haviam sido minhas férias de três meses.
—Alaska! Meus sentimentos- disse Ellie
—Mas mudando de assunto, e a sua prima?- perguntou Adore.
—Continua chata como sempre... chegou ontem em casa.
—Já causou?- Dani já estava com raiva alheia.
—Não! Mas só para ver como ela é, na noite em que ela chegou um monte de baratas caiu em cima de mim.
—Nossa!- exclamaram todas rindo da minha cara.
—---------------------------Em casa--------------------------------------------------------------------------------
Estava em casa lendo meu livro e ouvindo Be ok da April Ivy no meu fone, quando senti sede (sempre na melhor parte essas coisas acontecem! Eu estava lendo sobre a deusa celta Morriga!), claro que eu não parei de ler, li descendo do sofá, li andando, li até quando eu estava subindo os degraus e quando cheguei na cozinha, adivinha quem ainda estava lendo? Sim, eu.
A música mudou (Don’t let me down, The Chainsmokers) e eu trombei em alguma coisa, meu livro caiu no chão, a página que abriu falava sobre kanimas.
Pisquei rápido, levantei o rosto e vi B (aí eu assustei... com a cara dela). Ela se ajoelhou para pegar algo no chão, a acompanhei com os olhos e lá estava um tablet (como eu não tinha, não era meu), aberto em uma página sobre vampiros. Por algum motivo nunca imaginaria que minha prima gostasse disso.
POV B
Estava com medo de ter quebrado meu tablete. Me abaixei para pega-lo e olhei para o livro de Alaska.
-Você está lendo sobre kanimas?- indaguei.
E por algum motivo a resposta me surpreendeu, o que não deveria acontecer, já que eu sei que nós não nos batemos.
—Desculpa, mas me recuso a conversar sobre isso com pessoas que tem um entendimento inferior ao meu- respondeu ela, com ar superior e irritante.
Olhei- a com vontade de matar.
—Olha, sou nova nessa casa,- comecei- mas acho que o milho para galinha fica no terceiro armário.
Ela olhou para cima e inspirou profundamente. Depois foi até um dos armários, pegou milho de pipoca e jogou para mim.
—A harpia aqui é você- claro que ela enfatizou harpia, as “mulheres galinhas” da mitologia grega.
Ignorei o insulto dela, sem resposta. Ás vezes ela me vencia.
Peguei um iogurte na geladeira e fui para o “meu” quarto, deitei-me na cama e fechei a página sobre vampiros no tablete, para abrir outra. Queria saber como mostrar à Alaska que eu sabia mais que ela.
POV Alaska
Voltei para sala e para meu livro. Depois de algum tempo minha mãe voltou do trabalho na loja e como era de costume, íamos comer no restaurante do papai, porém minha mãe disse:
-Não hoje! Hoje eu peço uma pizza e a gente espera o dedetizador para limpar seu quarto.
E esperamos. A B no quarto, eu na sala lendo e minha mãe comigo vendo uma reprise de Dirty Dance. Quando estava tocando a última música do filme (e não vou mentir, eu estava cantando os versos de I Had the Time of My Life e trocando a parte em que era “because” por “Beatles”) meu pai chegou e apenas quando o relógio bateu 9h e 16min da noite, tanto o dedetizador quanto a pizza chegaram.
O dedetizador (um cara bem legal chamado Steve), ainda não havia jantado, e minha mãe fez questão de ele comer conosco:
-Você vai comer sim!
-Eu não, senhora, obrigado!- respondeu ele.
-Você já jantou?
-Não, mas não tem problema.
-Tem sim! Você come uma pizza conosco e depois limpa o quarto.
-Uhmmm... ok, mas só uma.
-Claro!- mentiu minha mãe, que fez ele comer mais e mais.
Todos sentamos à mesa e começamos a comer, mas não estávamos quietos, estávamos rindo e brincando, contando piadas. Até mesmo eu e Barbara estávamos rindo uma da outra, mesmo com as piadas sendo tipo:
-Agora uma bem engraçada!
—Manda bala!
—Bala não! Eu quero chiclete!
—Eu aceito tortinha doce.
Aí todos riam. Mas depois continuavam:
—Qual é piada?
—A muito, muito, muitíssimo engraçada?
—É!
—Piu!
E depois de todo mundo rir, um outro vinha contar um negócio assim:
—Uma professora mandou lição de casa para todas as crianças da sala. No outro dia apenas Mary não havia feito a lição e a professora perguntou assim: “Mary, por que você não fez a lição de casa?” “É que eu moro em apartamento!”
E continuamos a rir.
Não entendi direito a diferença daquele jantar para com os outros. Acho que foi o Steve, ele deve ter feito a primeira piada.
Depois do jantar todos sentamos na sala, menos o Steve, que foi limpar meu quarto, eu dormi no sofá e só acordei depois, quando minha mãe me chacoalhou feito louca.
Na noite seguinte eu dormiria no meu quarto (EEEEEEEEBBBBBAAAAAAAAAA).
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