Odeio Amar Você!
4 Jogos
Notas iniciais
desculpa a demora mais ta aqui mais um cap :3
- Já disse que não tenho nada para falar com você!
Eu estava alterada. A sua ironia me deixava raivosa e o poder de controle dele fazia-me mais frágil e delicada do que eu realmente era. O seu olhar estava em mim, eu podia sentir os seus olhos de fogo queimando minha alma e analisando. O odiava com todas as minhas forças, mas tal sentimento para com ele só fazia aumentar a obsessão e a vontade de estar perto de mim; era incrivelmente medonho, mas muito divertido se brincar com o desconhecido.
— Coração — respirou fundo e vagarosamente — Não quero perder meu precioso tempo, e acho que você também não – ele olhou ao redor em direção as paredes do quarto com nojo – apesar de eu achar... Que não tem mais nada interessante para fazer nesse lugar... Vamos parar com esse lengalenga. E também vamos pular as apresentações, pois nós dois sabemos que você me conhece muito bem.
— Preferia não o ter conhecido — revirei os olhos, me sentando na cama e cruzando meus braços, pronta para ouvir, mesmo essa não sendo a minha vontade – Então, o que você tem para me dizer?
— Você me trata com tanto desprezo... — falava enquanto colocava sua mão sobre a minha, e que eu logo tratei de afastar – Algum dia eu posso me irritar com suas atitudes, mas eu sei que é só uma questão de tempo até eu conquistar o seu coraçãozinho. Olhe só para isso, eu que disse que não ia me demorar a falar o motivo de minha vinda, estou aqui, falando de coisas de amor – riu-se, um riso sórdido e gelado — Prometo que não vou mais demorar-me tanto da próxima vez.
— Se Deus existe não haverá uma próxima vez. Agora sem mais rodeios, me fale o que você quer de mim.
— É muito simples, eu quero estar mais próximo de você, ser sua sombra, o controlador dos seus atos.
Sua face havia se tornado novamente sombrio, seus olhos gélidos, e seu corpo sem expressão. Na verdade como sempre tinha sido uma estatua de pedra que não se podia quebrar e um coração de gelo que pessoa nenhuma podia derreter.
Por mais que você possa estar pensando que ele é apaixonado por mim ou que tem algum sentimento semelhante não se engane, porque sei que naquele homem nenhum sentimento bom, puro ou verdadeiro pode viver. Por favor, acredite em mim e não se deixe enganar pelo seu cavalheirismo, eu me deixei enganar, deixei-me cair na armadilha, e agora estou prisioneira em uma cadeia de atos involuntários sem fim.
— E por qual motivo, razão ou circunstância você acha que isso séria interessante para mim? Ter minha vida vigiada por você outra vez... Só para você saber, eu gosto muito de ser livre.
Não me surpreendi com a proposta dele de me monitorar vinte e quatro horas por dia simplesmente, porque ele já o havia feito uma vez, e eu sabia que quando tudo aquilo começou há alguns anos atrás isso não teria fim, que eu só seria mais um pião no seu jogo, e ele estaria pronto a qualquer momento para me sacrificar em nome do rei. E se eu ainda quisesse alguma chance de vencer o jogo teria que cumprir todas as suas ordens.
— Por que isso seria interessante? Até parece que você não me conhece, minha rainha. Eu sempre tenho alguma coisa para te dar em troca, não tenho? Mas dessa vez você só saberá no final, isso dá mais suspense, e você sabe como eu amo fazer surpresas para você, não sabe?
— Então vamos supor que eu aceitasse – falei tranquilamente, me mostrar nervosa agora só iria demonstrar mais fraqueza – O que eu teria que fazer?
— Como sempre muito ansiosa... Você saberá no tempo certo. Até lá não tente me encontrar.
Ele andou em direção a porta. Estava aliviada, ele iria embora, mesmo que só por um tempo, já era o suficiente para me sentir livre. Liberdade. Uma sensação que eu senti poucas vezes em todos esses anos, uma sensação que eu sentia somente quando ele não estava por perto. Porém para minha própria tristeza e desespero ele se virou para mim e disse:
— Lembre-se das regras, nada de falar de mim para ninguém. Eu entrarei em contado com você, agora só fique tranqüila... Você sairá daqui em breve.
“Você sairá daqui em breve” foram as melhores palavras que eu ouvi naquele dia, e pelo jeito que as coisas andavam, seria melhor frase que eu ouviria em meses.
Voltei para o colégio alguns dias depois que o médico me deu alta, confesso que aquele foi um dos momentos mais felizes da minha vida, sair daquele quarto e ver a luz do sol novamente sem ser por uma janela era reconfortante. Ver rostos conhecidos, os rostos dos meus amigos felizes em me ver novamente. Cada um com um sorriso no rosto esperando ansiosamente a minha chegada. Eu me aproximava deles cada vez mais, estava a poucos metros, quando senti alguém me puxar bruscamente em direção às árvores do pátio.
— Ai! O que você tá fazendo?
— Falando com você. Eu disse que ia falar com você. Por que ficou tão assustada?
— Ah, eu tinha me esquecido. Doeu, viu? Então o que eu tenho que fazer?
— Está tudo aqui, nessa carta.
— Carta? Sabia que você podia ter me enviado um email?
— Não é seguro, qualquer um pode ver. E eu prefiro o método antigo.
— Agora você vai querer me fazer engolir isso aqui. Só que eu já vou avisando que eu não quero voltar para...
— EU NÃO VOU FAZER VOCÊ ENGOLIR. Você fala demais sabia?
— Não grita. O que você quer que eu faça então com isso?
— Queime. Queime depois de ler.
— E aonde eu vou arrumar um isqueiro?
— Sei lá garota. Se vira.
Enquanto eu olhava para o papel amarelado em minhas mãos, ele desaparecia novamente sem deixar rastros. Muitas dúvidas flutuavam na minha cabeça: “O que tem aqui dentro?”, "Quando abrir, será que eu devo fazer o que está aqui?", "Quem será a vítima”, "Tudo isso vale a pena”.
Há muito tempo eu já havia feito minha escolha, uma escolha sem voltas, que não aceita falhas e deslizes. Agora eu teria que entrar no jogo mais uma vez, para que no final, se eu saísse vencedora, ter uma chance de viver, num mundo onde só os mais fortes prevalecem. O sinal bateu, era hora de entrar para a sala. Tirei minha mochila das costas, abri o zíper da parte superior e coloquei-a no meio dos meus livros, ali ela estaria protegida até a hora de ser aberta e corri contra o tempo para não me atrasar. Por pura sorte consegui chegar antes de a aula ter inicio; visualizei meus amigos no fundo da sala, desviei o olhar quando vi que eles haviam percebido que eu estava ali, e me sentei em uma das primeiras carteiras da classe. Antes de eu saber o que realmente teria que fazer era melhor me manter distante de todos... Mas isso não foi possível.
— Oi. E aí, tá melhor?
Jinxx. Por que ele sempre insistia em ficar perto quando eu queria me afastar? Mas ele não era culpado de nada que estava acontecendo, ele merecia uma resposta. Me virei em sua direção e formei um sorriso forçado em meus lábios, respirei fundo e respondi com a naturalidade que me era permitida ter naquele momento.
— Olá Jinxx. Muito melhor, obrigada por perguntar. Novidades por aqui?
— Que bom, fiquei preocupado. Só aquele menino ali, eu não fui com a cara dele.
— Qual menino?
— Aquele ali de cabelo ruivo sentado na carteira da frente.
Era Oliver, eu tinha certeza. Será que nem durante as minhas aulas ele podia me dar um pouco de paz e sossego? Teria que agüentá-lo diariamente agora, o que tornava os meus dias escolares mais penosos do que já eram.
— Eu também não... Eu também não.
— Você o conhece?
Bem, eu poderia responder para ele “É. Eu o conheço sim, enquanto eu estava na enfermaria ele me contou que sabe de tudo, que sabe que eu amo você, que sabe porque o motivo de eu engolir o papel, de tudo. E foi por isso que eu desmaiei. Pode ter certeza que eu também não gosto dele, muito mais que você.” Mas não foi isso que fiz, eu não fiz nada .Quando começava a articular minha resposta, fui salva, salva pelo Ash.
— Por que você não foi se sentar com a gente lá no fundo, uh?
— Eu não queria atrapalhar vocês.
— Você sabe que não atrapalha a gente. Do que vocês estavam falando?
Antes de Jinxx abrir a boca, respondi por nos dois.
— Sobre aquele menino novo. Mas é um assunto muito desinteressante.
— Hum... Sabe, as suas amigas ali me obrigaram a vir aqui, e eu to dizendo que me obrigaram de verdade a te perguntar uma coisa.
— O quê?
Ele tirou um pedaço de papel no bolso, e depois leu:
— Sammi, quem é aquele pedaço de mau ca... Olha. Ta aqui Sammi, se você quiser ler você, eu não vou ler o que essas garotas escreveram... Até parece que eu vou ficar falando de homem.
Ash saiu furioso, e eu não podia evitar deixar escapar alguns risinhos, nos quais Jinxx também me acompanhou.
— Então o que elas perguntaram?
— Nada de importante.
— Sei... Eu posso fazer uma pergunta então?
— Depende.
— Posso ou não posso?
— Tá bom, pode.
— Quem era aquele homem com quem você conversou hoje?
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