Odd angel
1 odd angel
O velho ancião sentou no tronco mofado que estava perto da fogueira.
—Entendo, — ele disse — você veio para ouvir uma de minhas história, — o velho sorriu com o canto da boca – devo admitir, eu adoro contar essas histórias!
Então me diga, forasteiro, que história eu devo contar a você? Certamente você já ouviu tantas! – o velho ergue seu rosto, apontando seu longo nariz para o céu – uma noite linda — ele diz – olhar para cima sempre me acalmou!
O velho volta sua atenção a você.
Já sei – ele diz sorrindo – tenho a história perfeita!
O ancião pega um pequeno diário –Durante a infância eu ouvia muitas histórias sobre os demônios, mas nunca vi um sequer! Quer saber o porquê?
O velho espera por sua resposta.
—Essa é uma antiga lenda! – ele continua — Milhões de anos atrás, no lugar que nos conhecemos como céu, um pequeno anjo treinava.
Tal anjo tinha a aparência de um anjo comum, alto, forte e bonito, e nunca passou disso, um anjo comum! O pobre anjo não era o mais esperto, nem o mais bonito, nem o mais forte, nem o mais rápido, nem o mais popular, de fato ele não se destacava em nada. Não que ele fosse ruim, mas ele simplesmente não era bom, estava apenas no meio termo, só isso.
Um certo dia, um dos anjos profetas previu uma terrível guerra, uma guerra onde todos os demônios se juntariam para atacar os portões do céu.
O profeta então disse ter a solução para o temível destino, ele convocou a presença do anjo meio termo, o profeta justificou que o anjo seria capaz de aguentar a verdade, uma verdade que nenhum outro poderia aguentar. De fato tal notícia não causa reação. O pobre anjo era tão desconhecido que ninguém se importou que ele fosse o escolhido para ouvir a verdade. Pois bem, o anjo morno foi levado para uma sala escura e fechada. Ninguém sabe o que o anjo viu ou ouviu, o que se sabe é que por três dias e três noite o pobre anjo chorou sucessivamente. Ele não conseguia falar, andar ou dormir. Por três dias o anjo ficou jogado no chão chorando sem parar.
No começo do quarto dia os grandes portões do céu foram atacados, nenhum anjo se moveu para protegê-los, com exceção do anjo morno.
Quando o anjo apareceu pela primeira vez, ele já não era mais o mesmo. Seu jeito de andar, seu jeito de lutar, seu sorriso eram diferente de antes, mas o que mais causou estranheza foram as asas do anjo, que não eram mais brancas como todas as outras, elas eram cinzas.
Ao contrário do que era antes, o anjo estranho era excepcional, nenhum demônio era pareô para ele. Um a um ele destruía seus inimigos de uma maneira bruta, o anjo cinza não tinha dó ao quebrar as mandíbulas e vertebras dos inimigos.
Mas a guerra deixou cicatrizes, o anjo estranho quebrou sua auréola a batendo contra o rosto de um demônio. E quando as asas cinzas do anjo começaram a pesar com o sangue que ficava entre suas penas, o mesmo as arrancou fora, sem pensar duas vezes.
Quando o ultimo demônio caiu, o anjo estranho estava com uma aparecia horrível, ensanguentado e cansado o anjo parecia estar derretendo.
O velho da um curta pausa na história.
Depois de ter defendido os portões do céu, o anjo cinza deu as costas para nós, mas diferente dos demônios que foram expulsos do paraíso, ele foi embora porque quis.
Depois daquele dia ninguém nunca mais viu um anjo ou demônio se quer.
E enquanto ao anjo sem nome? Não existe relatos dele. É como se ele nunca tivesse existido.
Se ele virou um demônio, você me pergunta? Eu te responde com outra pergunta, qual a diferença de um Anjo e um demônio? Eles não são da mesma espécie?
O velho se levanta do tronco.
É uma pena! – Ele diz voltando a olha pro céu estrelado – Talvez o anjo que chora esteja por ai, vagando, sem suas asas, sem sua auréola, sem seu nome e sem seu sorriso. Talvez ele exista, mesmo que tudo e todos digam o contrário.
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