Ocultos

18 Meio Irmãos


Após toda a aventura da noite, o grupo se separaria, Calisto e sua alcateia iam para toca enquanto Dave e Sabs iam para casa. Durante o percurso nenhuma palavra foi dita. Sabs estava espantada com Dave que teria usado magia negra inconscientemente enquanto Dave tentava entender em sua cabeça o que foi o que havia acontecido, mas a única coisa que ele se lembrava era do ódio que sentia, o ódio que havia tomado conta do seu corpo e te dado uma força sobrenatural que o fez quase indestrutível.

– Vamos ficar quietos? Fingir que nada aconteceu? – Sabs cortava o a barreira de silêncio da dupla. – Eu entendo que foi sem querer, mas Dave, o que você fez nenhuma outra pessoa no mundo fez, você nunca teve algo com o lado negro da magia pelo que sabemos e...

– Sabrine, eu entendo sua preocupação, mas agora estou com dor de cabeça e não estou afim de falar sobre isso, sério. – Dave Soltava uma resposta meio rude contra a mestiça que logo se fechou.

– Okay, não quer falar né? Mas chegando na casa da sua família, você tem que ir direto pro seu quarto e dormir e principalmente não olhe diretamente para alguém, seus olhos ainda estão perturbados e alguém vai sacar... — Chegando a frente do casarão antigo Dave olhava Sabs entrando em casa, preste a abrir a porta de entrada o garoto era surpreendido por uma voz, ao virar avistava um garoto de tênis all-star preto da cor da calça e com uma camiseta com um desenho de lobo, depois da observação Dave se tocou quem era o garoto.

– Martin? O que faz aqui? – O jovem feiticeiro solta se espantava com a figura do garoto que dilacerara minha perna com suas grandes presas feéricas há algumas noites atrás.

– Bem, Dave e-eu tenho que lhe pedir desculpas pelo que fiz, você tem um tempo para conversar? Bem, se puder é claro, porque fiquei sabendo que quase derrotou uma amazona e tal. – O garoto coçava seus cabelos negros com um certa vergonha em seu olhar mas logo mudava de expressão para um olhar esperando a resposta.

– Se dessa vez você não tentar me matar eu topo, e já estou cansado de luta, e mesmo assim não estou afim de ver minha família antes de dormir e também acho que temos alguns problemas a resolver.

Na calada da noite, Dave e Martin andavam um ao lado do outro enquanto direcionavam-se para o centro da cidade...

Dave morava num lugar mais afastado do centro, ele nunca passou diretamente pelo centro, onde havia um parque, lojas, bares e prédios, bastante prédios.

– Então, Martin... com quem e onde você mora? Você é sempre misterioso e enigmático, as vezes dá até medo só de pensar que somos...

– Meio irmãos ? – Martin interrompia Dave dando um leve sorriso mostrando seu canino. – Bem, eu moro com minha avó na floresta, minha mãe me deixou com ela e raramente me visita, já meu... — O rapaz fez uma breve pausa e por fim prosseguiu. — Nosso pai sumiu sem deixar a mínima pista... tenho certo receio em confiar em outras pessoas.

– Hum, tenho que concordar com você, a confiança é difícil de se ter em algumas pessoas, eu tenho medo de errar e você sabe... me ferrar. – Dave terminava a frase passando a mão pelo seu braço, a noite não estava fria, era fim de verão e estava um clima agradável. – A lua está linda essa noite, espero que você não perca o controle e me ataque. – O garoto soltava uma pequena piada mas logo a sua pergunta foi respondida.

– Hoje é lua crescente, Dave — Disse ele sorrindo. — E eu sou um ômega experiente já, nos início eu não me controlava, mas ao longo do tempo fui me acostumando e podendo me controlar nas luas cheias. – O jovem licantropo respondia olhando o céu límpido com a lua brilhante e as estrelas que pareciam pedras de brilhantes colocadas perfeitamente no céu. — Ah... isso explica muitas coisas, tipo a sua aura ser tão brilhante, você parece meio durão mas no fundo eu sei que não é tão assim. – Era estranho para Dave criar uma intimidade com o rapaz. Podiam ser irmãos mas já estavam no auge de seus 16 anos de idade e haviam acabado de se conhecer. Dave parava de falar ao ouvir um barulho estranho e logo se preparava pra alguma surpresa mas Martin logo o acalma –Opa calma aí... foi só meu estômago — Afirmou sorrindo. — Minha avó me pediu para não comer os coelhos da colina pelo fato da época de acasalamento deles. Por isso essa "barulheira" toda ultimamente. — O jovem se explicava com um tom de humor.

– Tem um lanchonete 24 horas aqui! Topa de ir lá comigo? Aproveitar a noite como irmãos... — Apontou Dave para o fim da rua.

– Calma lá... somos meio irmãos, perfeito. Mas descobrimos há pouquíssimo tempo, Dave. É melhor irmos devagar nesse lance de "aproximação".

–Beleza então... – O feiticeiro receberia uma mensagem de texto de seu primo John ao ganhar a resposta de Martin.

– Tem que ir nessa ? – Martin perguntaria ao perceber a expressão no rosto de Dave.

– É, acho que você não vai se livrar de mim essa noite, meu primo disse que mentiu dizendo que eu cheguei em casa e já fui dormir.

– Que ótimo, espero que esteja com fome. — Falou o ômega. — Ta, vamos pra essa lanchonete... mas sem perguntas familiares!

Ambos estavam se aproximando de uma lanchonete de estilo retro que havia um letreiro de luz grande escrito “Venha matar sua fome com o melhor Milk-shake e sanduiche da área!”. Ao entrar no comercio o lugar estava abarrotado de clientes. Dave logo se sentava na beirada do balcão, ao dar uma leve olhada no cardápio já havia escolhido o que queria comer, enquanto seu meio irmão parecia fazer uma refeição para o ano todo. Um garoto de cabelos loiros e um sotaque britânico os atendeu, Dave havia pedido uma batata frita grande e milk-shake de chocolate e Martin havia pego quase todo cardápio, logo ambos se sentaram numa mesa no canto do local enquanto esperavam a refeição chegar, em torno de 10 minutos toda aquela comida estava ali, Martin simplesmente não falou em nenhum momento, só pensava em comer, comer e comer mais ainda.

– Wow, finalmente matei o que estava me matando, essa maldita fome. –Martin soltava um alivio e em seu rosto percebia que ele estava tranquilo como a noite. – Bem, acho que essa noite com um irmão está valendo a pena, nunca tive se quer um irmão, e somos meio que gêmeos, ou algo assim.

– Verdade, eu tenho dois irmãos mais velho, mas ele não me entendem muito, e nem sei se eles são como eu... feiticeiros, e se são eu nunca soube e ninguém quer que eu saiba, lá em casa ninguém fala muito sobre esse assunto e é um saco. – O garoto desabafava soltando uma certa careta de desanimo mas logo mudava a expressão ao perceber três figuras femininas na janela.

– Luly, Lua e Evelyn, o que essas fadas fazem aqui? – Martin disse olhando fixamente para Dave como se o garoto tivesse uma resposta.

– Bem, não sei, e espera... como você conhece elas? –Dave cortava o irmão ao achar a situação estranha.

– É uma história passada, elas já me ajudaram quando precisei. – Martin olhava para janela onde o trio havia desaparecido. –Bem, devem tá dando um passeio, já que hoje a lua influencia muito o poder da Lua, mas enfim, acho que já devo te levar pra casa. – Martin olhava no relógio e fazia uma careta — Já é 1:45 da manhã e não quero ver você dormindo na escola amanha e espero que você tenha me desculpado pela aquela noite, e fique com o dente como se fosse um presente. – Martin dizia se levantando-se e puxando Dave pelo braço. Era tão... diferente ver a preocupação do rapaz com relação ao meio irmão.

– Eu te desculpo, Martin mas ainda quero entende-lo. –Dave terminava de dizer enquanto Martin pagava a conta e a dupla ia caminhando pela noite a dentro.

Dave e Martin foram o caminho todo conversando e aprendendo um sobre o outro como dois irmãs, ao chegar no casarão Dave não sentia mais ódio, a magia negra parecia ter evaporado, e ele estava calmo e leve.

– Bom... está entregue... até mais Dave e obrigado por me desculpar. –Martin fazia um gesto de tchau com a mão de despedida.

– É... talvez precisemos de mais tempo... –Dave dizia se despedindo de Martin, ao virar Dave daria um impulso até a janela do quarto e adentrava, ele avistava John dormindo desleixado em sua cama e ao olhar pela janela avistava seu irmão correndo pela rua indo embora num piscar de olhos.

Dave já com o pijama e dentes escovados, olhava para o teto e começava a pensar em uma coisa estranha, onde estaria seu pai, e por que aquela noite poderia mudar todo o rumo que sua mudança estava tomando até agora ? Martin e a Alcateia de Calisto não se davam bem e tinha um outro porém. Desde a festa na casa de Yaya no mesmo dia do protesto, o ar havia mudado sobre a cidade. Havia um outro alfa... não um genuíno como Calisto, mas um herdeiro de Sangue e Dave podia sentir algo quanto aquilo. Ele não saberia distinguir. Seu pensamento foi sendo bloqueado cada vez mais até que seus olhos se fecharam e seu pensamento se tornou sonho...