Ocultos
27 História
Floresta
Toca
Calisto estava sentado no sofá do terceiro andar da Toca. Ao seu lado, Julie contava sobre suas experiencias fora de Fantom. 6 Anos longe dos amigos. A moça sentia muita falta de Peter mas principalmente de Calisto.
– Como é embaixo d'água ? — Calisto questionou a amiga.
– É... como a superfície. Só que com menos oxigênio. — Os dois riram do fato. — Calisto, me conta... como essa cidade mudou tanto ? Como você mudou tanto ? — Julie se mostrava curiosa.
– Mudar não é difícil, Julie. Melhorar é. — Disse o sério Alfa. Calisto passou minutos contando para a amiga de infância o que acontecera em sua vida. A morte de Gerard pelas mãos de Lucian, ele se tornar Alfa Genuíno e até a criação da Alcateia quando Peter se juntou ao amigo. O que era no mínimo estranho, já que Peter não fora um dos melhores amigos que Calisto teve na infância. Horas depois, como duas crianças acordando no Natal, Annie e Peter surgiram na sala, Peter era um conhecedor da história de Calisto, mas Annie era uma Beta curiosa e sendo assim, questionou o Alfa. Sorrindo para a Beta, ele sinalizou para que ela sentasse ao seu lado no sofá.
– Então eu vou começar 2 anos antes de conhecer esses dois ridículo. — Calisto sorriu para Julie e Peter, fezendo um afago nos longos cabelos da amiga. — Meus pais quando foram transformados por ele pediram para que eu me tornasse um lobisomem também para que eu não vivesse sozinho, eu tinha 7 anos. Quando Gerard matou meus pais, ele decidiu me deixar vivo mas me tornou um Ômega. Vaguei sozinho por dias e um orfanato me "acolheu" — Sinalizou as aspas com a mão. — Eu passei apenas um dia lá. Durante a tarde eu vi as crianças me olhando diferente e pensei que fosse por que eu era a criança nova de lá... eu descobri da pior maneira que elas estavam tristes pelas torturas sofridas durante a noite. Nos levavam para uma sala à prova de som e nos surravam com as piores coisas possíveis. Sandálias, Cintas, fios de luz. Fugi no outro dia... Passei por outros dois orfanatos nos meses seguintes e fugi igualmente. Estamos à 1 ano e 5 meses da minha chegada à cidade. Eu não tinha um controle dos melhores sob a minha transformação na época. A todo momento eu ficava com raiva, meus sentidos eram tão sensíveis, eu era realmente um cãozinho naquela época. — O Alfa gesticulava bastante trazendo a atenção dos três a sua volta total para a história. — Pulamos para 1 ano antes. Foi quando encontrei Alaska pela primeira vez. Nos tornamos uma espécie de dupla quase que instantaneamente e ela me ensinou algumas coisas. Lógico que nada era relacionado a transformação, eramos crianças e nenhum tinha controle sobre nada. E sim, ela já era uma fumante compulsiva com 9 anos, não me pergunte como. Foi durante uma fuga que encontramos Gerard e a alcateia e Alaska decidiu deixar de ser uma Ômega e se tornou uma Beta. Um ano depois eu cheguei na cidade e o orfanato me acolheu. Eles eram melhores do que todos os outros orfanatos, cuidavam de nós realmente. Conheci Julie, Peter e Sabs em meu primeiro dia de aula. Acho que Julia me notou muito mais por eu ser bem diferente. Eu não era simplesmente um lobo. Eu não era albino também, mas meu cabelo era totalmente branco, meus olhos constantemente amarelos e meu ouvido sensível. Ela puxou assunto comigo quando a porta da sala bateu e eu gritei de dor. Eu era ridículo.
– Era ? — Peter sorriu para o amigo. — Eu era um péssimo amigo...
– Não se lamente, Peter. Não somos perfeitos. — Calisto disse sério para o Beta.
– Principalmente por sermos licantropos. — Annie encarou o Alfa.
– Bom, durante um tempo eu comecei a fazer uns bicos pela cidade e comecei a controlar um pouco mais a transformação. Deve ter sido um mês depois que você foi embora — Calisto disse para Julie.
"Você não merece o fim que meus pais tiveram. Eles deitaram e se descansaram deste mundo onde nomes definem pode, somos todos um só, não existe um sem o outro. Pode ficar com o seu poder medíocre de Alfa. Eu antes de ser um Ômega, um Beta ou um Alfa, sou um Lobo, um Lobisomem, você é apenas a besta, apenas o lobo vive em você e eu tenho pena dessa sua vida medíocre. Agora vá, rasteje e se reerga e volte atrás de mim, eu vou sempre te derrubar, de novo e de novo."
– Naquela noite me tornei Alfa. Eu não matei Gerard, ele não me entregou o seu dom, eu recebi por ser merecedor. — Disse Calisto.
Fantom Hills
Entrada da cidade
É noite. O vento gelado arrepia a espinha dos que caminham pela cidade durante este horário. As tochas na entrada de Fantom Hills representam a semana de Halloween se aproximando. Pela estrada, seus pés davam largos passos até a placa com as informações da cidade. Seus curtos cabelos negros eram jogados para trás. Um elegante terno preto era vestido pelo alto homem que regressava lentamente. E com a expressão de um ser "menor", ele sorri em deleite vendo tudo que a cidade se tornara em sua ausência. A pele tão pálida quanto o marfim era destacada pelo luar. Por uma fração de segundo, seus olhos tornaram-se tão vermelhos quanto o sangue do mais puro ser humano. E, por mais que desejasse brandir um estandarte para um discurso, ele só pode pronunciar.
– Cheguei, Princesa! — O Lorde sorriu uma segunda vez. — E eu sinto o infernal cheiro de lobos irritantes...
Centro da Cidade
Casa de Lip
O corpo de bombeiros se mobilizara com a situação. O pai de Lip era o tenente da brigada. Ao lado de fora da casa, o Beta consolava uma chorosa Amanda. A irmã mais nova do garoto estava em prantos. Ela não queria acreditar, mas era inevitável. Seus pais estavam mortos, e Lip sabia quem era o culpado. Apesar de ser um bom rapaz, Lip sentiu nojo por não poder enfiar as garras na garganta de Lucian.
Floresta
Toca
– O que me impressiona mais é a maneira que você se tornou Alfa, e não a cidade estar tão bem... protegida. — Disse Julie. Calisto a encarava sorrindo. Ele tinha total noção de que se não fosse pela fama antiga de fraco e sem controle, a surpresa não seria tão grande como fora para a maioria dos amigos que estavam ao seu redor.
Mas o quarteto teve sua atenção voltada para Sabs. A moça chegou acelerada, não conseguia falar direito e então a alcateia tentou à acalmar. O sucesso foi claro ao verem a menina ter o ar recuperado. Mas ainda ofegante, ela só conseguiu soltar os dizeres:
– Ele chegou, Calisto. Meu pai está na cidade. -
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