Ocultos

10 Desafios


O sinal para o fim da aula tocara e os alunos foram liberados. Era o último dia da semana e ouvimos algo que chamou atenção. Sarah, Samantha e lolla vinham andando juntas, Sarah cabisbaixa atrás das amigas enquanto as duas falavam sobre um protesto que haveria de noite. Liderado pelo pai de Sarah, o Padre, seria perigoso para seres como... como eu estarem presentes.

– Dave! — Ariel me chamava do fim do corredor. Ela vinha junto à sua amiga da noite passada. A moça, parecia ter curado de suas feridas após uma fervorosa briga com Evelyn, a fada guerreira. Comigo, John e Sabs conversavam esperando a garota chegar até nós.

– Oi Ariel... — Eu atendi ao chamado da garota. A amiga dela me olhou e ficou com os olhos roxos. — Ela também é...

– Sou... — Disse a menina. — Prazer, eu sou Yasmin. — Ela sorriu.

– Então, Dave. A gente tava pensando em fazer uma festa lá na casa da Yaya hoje... vocês tão afim de vir ? — Convidou a garota.

– Sim! — Responderam Sabs e John em uníssono. Eu olhei para os dois sorridentes e soltei um pequeno e sem jeito sorriso.

– Então é sim. Vai mais alguém ? — Questionei a menina que prendia o cabelo.

– Sim, a sua Prima e um amigo dela. — Yasmin me disse. -

– E o Peter. — Completou Ariel.

– E o Peter. — Repetiu Yaya.

– Então ta... me da seu número que eu te chamo pra pegar seu endereço mais tarde. — Disse Sabs para a menina com feições indígenas. A garota pegou o celular de Sabs, que estendera sua mão para que a garota o fizesse. Ao anotar, ela devolveu o celular para Sabs que sorriu.

Quando saímos do colégio, senti alguém trombar em mim e vi Martin saindo apressado da escola.

– Pessoal! — Sarah gritou por nós. — Eu vou pra sua casa, Dave. Cathy disse que vocês iam me ensinar um pouco.

– Ensinar o que ? — Questionou John confuso.

Sabs, eu e Sarah levamos alguns minutos explicando tudo que havia acontecido para John. Desde a transformação de Lip na lua cheia até a briga no campo de Rugby e as propriedades mágicas que a garota tinha. Esses minutos foram passando rápido e só notamos quando chegamos em casa. Ao adentrarmos o casarão, vazio. Somente uma voz se apresentou, a de Cathy vindo do segundo andar. Minha mãe ainda estava no trabalho, tínhamos a casa livre para ensinar ela. Na verdade, John e Cathy tinham para ensinar eu e Sarah. Sabs entrou conosco e ela e Cathy me puxaram para meu quarto.

– John, você ensina a Sarah! Eu e Sabs ensinamos o Dave. — Disse Cathy sem pestanejar.

– Eu fiquei sabendo disso 30 minutos atrás e já me colocam pra trabalhar. — Reclamou o rapaz. — Vem, Sarah. — Chamou-a. Ela o seguiu.

Sarah contou a John que sua lágrima havia curado Lip e como ela havia acalmado ele na lua cheia. John pegou uma espécie de bestiário. Parecia mais com um grimório, contava feitiços. Dave abriu em uma página em que mostrava duas mão impostas com alguns brilhos ao seu redor.

"Herdeiros de Fênix são aqueles que possuem a cura à uma lágrima de distância. O dom da Fênix é algo a ser admirado, não odiado.

O Conto da Fênix.

John foi interrompido pelo celular de Sarah.

– Sarah! — Disse Samantha do outro lado da linha. — Onde você tá ? — Questionando a localização da menina.

– Eu... to no médico. — Ela respondeu fazendo uma expressão confusa. John olhou para ela e ouviu atentamente à conversa.

– O que você tem ? — Perguntou à amiga.

– Ah nada demais... só exame. — John fez uma careta pelas mentiras mal contadas pela amiga.

– Ta ta... que seja. O protesto começa em algumas horas. Seu pai já está aqui. Você precisa vir logo! — Afirmou Samantha.

– Daqui a pouco eu vou... eu... preciso só de uns minutos e já chego aí. — Disse Sarah arrumando a mochila enquanto falava com a amiga. O telefone se desligou e John pediu para a amiga tomar cuidado com o protesto, ainda mais agora, que descobrira suas propriedades mágicas.

"Na toca de Calisto, a alcateia conversava sobre o protesto. Peter estava quieto observando um colar em seu pescoço. Calisto tinha visão atenta ao amigo fiel. Sua aflição era ter noção de quem veria na manifestação. A saudade que ele sentia da irmã era algo que eu entendia. Por mais de uma vez ela cuidou dele enquanto a lua cheia enlouquecia o menino.

– Peter. — Chamou o Alfa. — Você vai pra festa da Ariel.

– Mas eu... eu queria ir pra manifestação. — Respondeu o Beta.

– Não me importo. Você vai pra festa... se eu precisar, eu uivo. — Avisou ao amigo. Peter foi ao seu quarto e vestiu-se para a festa.

– Calisto. Quanto mais gente, melhor. — Disse Alaska quando o Beta entrou no quarto.

– Eu sei, Alaska. Mas o Peter não ta bem... e só vai piorar. — Ele noticiou sua nova Beta. Os olhos do Alfa, olhando para a janela ganharam mais uma vez a coloração vermelha. Ao lado de fora da Toca, Martin, transmutado em um gigantesco lobo preto. A troca de olhares entre o Alfa e o Ômega foi fulminante. As pesas surgiram durante uma rosnada. Martin deu meia volta e sumiu entre as árvores.

No caminho para a casa de Yaya, John e Dave conversavam enquanto eram abraçados por Sabs que parecia ansiosa para a festa. Atrás, Cathy vinha abraçada à um garoto mais alto que ela. Cabelos loiros escuros, olhos castanhos. Caminhando por mais alguns minutos, eles encontram Peter e as meninas (e alguns meninos) se espantam com o Beta. Seu cabelo era amarrado somente pela parte de cima. Uma camiseta sem mangas preta e uma jeans branca, chamara a atenção de Catherine. Sabs o olhou da cabeça aos pés e sorriu. Dave encarava o garoto de tal maneira que não percebera seus olhos roxos. John sinalizou pra ele e o garoto foi até o grupo.

– Tão indo pra festa da Yaya ? — Perguntou o rapaz.

– Sim. — Respondeu Sabs com euforia. O grupo se dirigiu por mais alguns minutos até a casa de Yaya. Ao tocarem a campainha, foram atendidos por Ariel. Disse para subirem ao segundo andar, onde Yaya os esperava com bebidas e uma rodinha de almofadas no chão. Ao Peter passar bela menina de longos cabelos vermelhos, ela sussurrou algo em seu ouvido que o deixou envergonhado. Os dois subiram as escadas atrás dos resto do grupo e começaram uma pequena conversa. Essa que logo se tornaria um jogo...

Entre as árvores do bosque que circunda a praça onde haveria o manifesto, Calisto, Alaska e Phillip observam os protestantes e conversam. Em meio a insultos e risadas, Alaska ficava com raiva. Não entendia a passividade de Calisto em meio à uma situação daquelas. Ela acende um cigarro e observa o Alfa. Ela da alguns passos na direção da multidão e Calisto a segura.

– Não, Alaska. Ainda não. — Disse ele encarando a multidão.

– Ele está bem na nossa frente, é só cortar a garganta e tudo acaba. -

– Olhe a sua volta, tola. — Afirmou ele com expressão séria. Os olhos dos três brilharam em suas respectivas cores e eles rondaram a praça. Alaska se sentiu envergonhada ao ver que Calisto havia salvo ela. Ao redor da praça, Dezenas de caçadores com armas de todos os tipos. Rifles de precisão, Metralhadora diferenciadas, Bestas e Arcos. — Eu prometi a você que íamos matá-lo, vou cumprir minha promessa para com você. — Ele pousou a mão sobre o ombro dela.

– Calisto. — A expressão dela mudara. — Tem mais um Alfa aqui. — Ela disse e o Alfa Genuíno sorriu.

– Prontos pra conhecer a família de Peter ? — Ele questionou os betas enquanto observava os gêmeos regressando à praça.

Na casa de Yaya, o jogo começa quente.

– Ariel pergunta pra Yasmin. — Disse John olhando para a garrafa.

– Eu te desafio à beijar o Dave. — Falou com expressão maliciosa. A roda era formada por: Mim, Yasmin, Ariel, Peter, Sabs, Sam (que chegara atrasada) e John nessa ordem. Cathy e seu amigo estavam no sofá se beijando sem precisarem de um desafio. Peter volta e meia olhava para os dois e voltava para o jogo. Yaya virou-se e me beijou. Foi um beijo bom, porém rápido.

– Sério ? Só 5 segundos ? — Ariel disse desanimada. Pegou a garrafa e girou-a novamente. — John pergunta pro Peter. — Ela sorriu para o cabeludo.

– Certo... Desafio ? — Assentiu o Beta. — Eu te desafio à fazer um strip para a Cathy. — O beijo entre Cathy e seu amigo parara no exato momento. Peter a encarou. -

– Não vou fazer nada que ela não queira. — Disse ele abaixando a cabeça. Os olhos brilharam e ele se sentiu forte. Forte não, furioso. A presença de um Alfa Sanguinário é facilmente notada quando se convive com um Genuíno. — E... já ta na minha hora. — O Beta avisou os amigos e correu em disparada na direção da janela. O amigo de Cathy assustado correu para tentar segurá-lo mas não teve sucesso. Ao olhar o rapaz pular do segundo andar e cair no chão com uma cambalhota, ele parecia assustadíssimo.

– Você não viu nada, Xico. — Disse Cathy com os olhos roxos.

Correndo enfurecido, Peter não pensava em mais nada se não botar as mãos em seu irmão. Pam era o novo Alfa e Tommy estava com ele. No meio da corrida ele sentiu um tranco na gola de sua camisa e uma mão tocar sua nuca. Alaska segurou o garoto e o lançou longe. Ele caiu de pé e segurou o deslize com as garras ao chão. Phillip surgia ao lado da menina, ambos transformados. Já era noite e eles rosnavam para Peter.

A gente não vai te deixar passar, Peter. — Brandiu Phillip com a voz já alterada.

– Calisto sabia o que você ia tentar. Vamos para a toca... Agora! — Rosnou Alaska para ele.

Tava ansioso pra poder lutar bravo com vocês há algum tempo já. — Alaska acendeu um cigarro e rosnou para o Beta. Phillip mostrou as presas e rugiu.

Phillip voou na direção do amigo que o segurou no ar. Peter rugiu e jogou Lip na direção de Alaska que corria com as garras preparadas. A garota se levantou e deu uma tragada no cigarro. Phillip foi caminhando em direção ao Beta de longos cabelos. Um soco de direita por Lip foi facilmente defendido por Peter que devolveu com um soco no estômago do rapaz. Alaska passou correndo e arranhou a lateral do tronco do garoto. Phillip aproveitou a distração e arranhou o peito dele. Ao ter a camisa rasgada, Peter ruge rasgando-a por completo. A dupla corre na direção dele que segura os dois pelo pescoço e os levanta. Alaska queima novamente seu cigarro no braço do rapaz que ri com desprezo.

Está tão desesperada ? Um Beta Sangrento não consegue nem mesmo se virar com uma dupla ? — Sorriu Peter. Ele lançou os amigos um para cada lado.

Impressionante, Beta. — Disse Calisto transformado. — Mas será que faz o mesmo comigo ? — Peter piscou e sentiu uma mão envolver seu pescoço. Calisto olhava sério para o fiel amigo. — NÃO ENTENDE QUE ISSO É PARA O SEU BEM ? — Gritou o Alfa e lançou o rapaz contra um poste de luz. Faíscas saíram dos fios e o poste se partiu em dois.

Você... você não entende. — Balbuciou Peter. — Você não assistiu seu pai ser caçado. —

Muito pior... eu vi meu Alfa matar meus pais. Quer tanto saber como eu me tornei Alfa ? Vai descobrir, mas vamos para a toca antes. — Ele brandiu e seus três Betas se levantaram com pesar...

Na festa de Yaya, o jogo seguia com muita bebida.

– Yaya desafia o Dave! — Afirmou Sam.

– Humm... tem potencial. — Disse Yaya com cara maliciosa. — Dave... quero ver você beijar seu primo. — Foi um susto. John era meu primo, eramos família. O susto se intensificou a partir do momento que o rapaz me roubou um beijo. Ele beijava bem. Muito bem. Ele nos separou e se levantou. Me puxou pela gola da blusa e me levou para um quarto. Yaya e Ariel não se abalaram ao ver Sam e Sabs se beijando também. Xico, o amigo de Cathy, parecia assutado ao ver todos se beijando mas depois de um tempo deixou pra lá, afinal, Cathy estava ao seu lado. Dentro do quarto, Eu e John nos beijavamos loucamente. Um puxava o copo do outro pra perto de si. John tirou minha blusa e começou a beijar meu pescoço...

Frankie acertava socos e chutes com extrema força nos garotos. A coisa que ela mais detestava no mundo eram machistas. O ódio já era mortal por machismo com mulheres normais, agora atingiram sua raça. Ao fim de uma "omérica" surra, ela virou-se e foi caminhando até seu irmão que esperava sentado a briga acabar. Um dos mancebos levantou sem ela notar. De dentro de sua bermuda, uma lata de baygon foi retirada e um esqueiro do bolso de trás. O rapaz correu na direção de Frankie que ouviu tarde os passos. Um lança chamas voou na direção da garota que se abaixou com susto. Mas algo tomou sua frente e impediu as chamas de passarem por ela. Ao abrir os olhos, Frankie viu um imenso lobo Vermelho à sua frente. Pelos e Olhos vermelhos com expressão de fúria. O garoto se apavorou e tentou correr mas o lobo era rápido demais. Ao alcançá-lo, abocanhou seu tornozelo, estraçalhando seus ossos destruindo seus ligamentos. Ele gritou de dor enquanto o lobo rosnava e rugia. As garras tocaram o peito do menino e desceram até a base da cintura.

CHEGA, PAM — Gritou a irmã dele. — VAMOS EMBORA. AGORA! — Berrou com o irmão. — O lobo balbuciou alguma coisa e levantou-se. O grandioso lobo de pelos vermelhos tornara-se um rapaz de alta estatura. Cabelos curtos e a pele um pouco morena, não se assemelhava muito a sua irmã gêmea, Loira de olhos azuis, Frankie chamava muita atenção dos rapazes alheios. Talvez as raças diferentes fossem a causa, mas era fato, eram gêmeos, e irmãos mais velhos de Peter...