Era manhã já. No apartamento de Calisto, Phillip era acordado por Peter. O rapaz, que encontrava-se arrumado para ir à escola, chamava constantemente o amigo que demorava a acordar. A transformação lunática o havia deixado cansado.

– Bom dia, Flor do dia — Disse Peter sorrindo. Ele colocava uma mochila nas costas e tocava na cara do amigo uma camiseta. Phillip, atento, olha para o braço doo amigo e nota uma grande cicatriz, criada por si na noite anterior. — É... doeu.

– E por que não curou ainda ? — Lip questionou o amigo.

– Tem muitas coisas que eu e Calisto não te ensinamos ainda. Uma delas, é que cicatrizes feitas por amigos demoram a curar e não somem. — Noticiou Peter. Phillip se levantou.

– Ta bom... bate. — Disse Phillip entregando a face esquerda para o amigo socar.

– Tem certeza ? — Peter perguntou sorrindo.

– Não... bate na direita. — Ele disse mudando de lado. — Bate logo antes que eu mude de ideia, Peter.

– Eu vou gostar disso! — Afirmou um sorridente Peter. O rapaz pôs a mão direita um pouco para trás e acertou o queixo do amigo que caiu desorientado. — Anda, a gente já ta atrasado pro Treino. — Phillip vestiu a camisa entregada por Peter, colocou sua roupa de treino dentro da mochila e os dois foram para a escola.

Na escola: Dave, Sabs e Sarah conversavam sobre o ocorrido na noite passada.

– Se eu não tivesse visto chamaria vocês de loucos e os mandaria para algumas sessões com meu pai. — Afirmou Sarah após o ocorrido na noite passada. Seu melhor amigo e seu namorado eram lobisomens, sua melhor amiga uma feiticeira e ela curiosa.

– É algo novo pra mim também, Sarah. Descobri há três dias isso e foi um choque também. — Eu disse encarando a menina. O sinal tocou. Samantha e Lolla passaram e puxaram Sarah.

– Eu falo com vocês mais tarde — Berrou a garota. — E NÃO DEIXEM AQUELES DOIS FUGIREM.

– O loira mal educada... — Adjetivou Sabs à Samanta. -

– Verdade... Vamos pra aula ? — Questionei a amiga que encarava o trio no fim do corredor.

– Vamos, temos química agora. — Afirmou ela. — Nos direcionamos até a sala nova. Pouco mais de 1 minutos e chegamos à sala. Alguns alunos esperavam a professora chegar e abrir a porta. Nossa professora do dia anterior chegou e abriu a porta. — Esqueci de te falar que ela dá outra matéria também. — Disse Sabs ao ver minha expressão confusa.

Eu e Sabs não demos muita bola para a aula. Durante muito tempo a professora ficou só sentada corrigindo provas. Minutos depois, ela se levantou e começou a passar uma matéria. A professora mostrava espécies de cobras e seus venenos.

– Professora! — Disse Miro do outro lado da Sala. Era a primeira vez que eu via o rapaz na classe. — Estamos estudando Química, não Biologia, certo ?

– Certíssimo, Miro. Mas o que quero mostrar pra vocês envolve as duas matérias. — Afirmou ela pegando dois pequenos frascos. Um era um frasco científico e o outro uma espécie de pote um pouco largo. — Neste potinho, temos sangue humano. — Ela nos disse levantando o pote. — No frasco, veneno de uma Serpente Australiana. Quero que prestem atenção no que apenas uma gotinha do veneno dessa cobra pode fazer com o sangue de vocês. Venham aqui. — Ela finalizou e todos os alunos foram para a frente. Ao misturar o veneno com o sangue, algumas bolhas se formaram e a professora mexeu um pouco o pote com as duas substâncias. Em poucos segundos, o sangue fresco havia se tornado uma massa avermelhada. — Isto, meus queridos, é o verdadeiro veneno paralisantes. É por isso que vocês não conseguem se mexer quando são picados por uma cobra. O sangue se torna grosso demais para circular e vocês param. — Todos os alunos prestavam suas atenções à professora. Era como se fossem atraídos para a maneira que ela explicava. O sinal tocou e a professora olhou para nós. — Tenho ordens para liberá-los agora, crianças. Vocês tem o resto da manhã livre. Quero uma redação para amanhã sobre a Serpente Australiana. Mínimo de 40 linhas sem máximo. Beijos e vão embora por favor. — A professora dizia sorrindo. Pegamos nossas mochilas e Miro nos chamou.

– Ei gente, quero mostrar algo para vocês. — Disse ele.

– E onde seria ? — Sabs perguntou. — E o que seria ?

– Dave tem que ver uma coisa! — Afirmou Miro.

– Repito... o que seria ? -

– O por que de sermos os melhores jogadores de Rugby do Estado. — Ele disse me puxando pelo pulso. Sabs veio logo atrás feliz.

Corremos pela escola indo em direção ao campo. Ao chegarmos lá, encontramos um campo vazio. Olhamos para as arquibancadas e encontramos dois seres sem camisa. Eu senti minhas bochechas ficarem vermelhas e ao olhar para Sabs, notei que ela poderia estar sentindo o mesmo. Ao nos aproximarmos mais reconhecemos as duas figuras. Phillip bebia uma garrafa d'água e Peter assistia nossa chegada amarrando seu longo cabelo. Miro foi até o lado dele e eles deram um soquinho em forma de cumprimento.

– Falei que eles iam vir. — Disse Miro para Peter.

– Ta, a Sarah já ta vindo pra cá. — Phillip disse colocando o celular no bolso do calção.

– Por que nos chamou ? — Sabs questionou a dupla de amigos.

– Sarah quer que expliquemos para ela o que aconteceu na noite passada. Temos duas escolhas... — Phillip disse.

– Seriam elas ? — Questionei ambos. -

– Vocês treinarem ela... — Phillip disse esperando o amigo prosseguir.

– Ou Calisto morder ela — Peter disse se levantando.

– Escutem... — Phillip pediu tomando a frente. — Eu sei que não fui a melhor das pessoas para vocês... mas por favor... Depois do que aconteceu na noite passada, eu confirmei o que sinto por ela. Sou grato à Calisto por ter me salvo, mas eu tinha uma doença, ela tem uma escolha.

– Eu treino ela! — Afirmou uma voz conhecida que vinha das nossas costas. Ao olhar para trás, me impressionei ao ver minha prima de 14 anos, Catherine, se aproximando. — Eu me disponho a ensinar ela.

– Cathy, não era pra você estar na escola ? — Questionei a menina que subia as escadas da arquibancada.

– Não. Eu fiquei "doente" e vim pra cá. — Ela disse séria. — Um passarinho me contou que vocês iam discutir sobre ela.

– Teve uma clarividência — Sabs disse sorrindo impressionada. — Incrível.

– Sou — Respondeu a menina exibida. — Phillip... eu vou ensinar ela. Não envolva Calisto nisso... O garoto. — Ela chamou a atenção de Peter. — Você implorou pra ela não contar nada pro pai dela ontem... vai explicar o por que ?

– Olha parece que não sou tão invisível... — Debochou o rapaz de cabelos longos. — Calisto me disse há alguns meses algo que meu pai me contara antes de morrer. Meu pai era o Alfa da família e ser caçado tornou ele uma desonra para o resto da família. Eu e meu irmão encontramos meu pai na floresta com uma bala de acônito no peito. Ele pediu desculpa por ter sido fraco e nos fez um pedido. "Fiquem longe da igreja". Por meses quebramos a cabeça pensando nisso, até encontrarmos isto na floresta. — Disse o rapaz mostrando um terço branco. No lugar de Jesus na cruz, a imagem de um lobisomem crucificado.

– O pai dela é o Líder dos Caçadores da cidade. — Afirmou Cathy. — Só pode ser ele, ele é o Padre. — A menina parecia atônita com a notícia.

– Sim, Catherine. — Disse outra voz conhecida por nós. Ao olhar para trás, o belo rapaz de cabelos brancos aparecera acompanhado. Pele morena e belos olhos castanhos. Um cigarro entre os dedos da garota se mostrava no final. Cabelos amarrados como os de Peter e uma Blusa preta sem mangas. Jeans da mesma cor e expressão sarcástica, olhava um por um e sorria.

– Então esta é sua "grandiosa" alcateia, Calisto ? — Disse ela ao gargalhar. — Eu esperava bem mais do que só dois betas...

– Quem é a engraçadona, Alfa ? — Peter disse olhando para a garota.

– Que bonitinho, ele te chama pelo seu posto. — Debochou ela.

– Esta é Alaska, Peter e Phillip. — Disse ele sério. — Não levem-na a sério... minha irmã é só mais uma Beta sem piedade!

– Irmã ? — Peter e Phillip brandiram ao mesmo tempo.

– Lip ? — Disse Sarah chegando ao topo da arquibancada e ficando ao lado do rapaz. — Vai me explicar o por que e como vocês são lobisomens ? -

– Se transformou na frente dela, não é ? — Disse Calisto ficando com os olhos vermelhos. Ao seu lado, os belos olhos castanhos de Alaska se tornaram azuis.

– O que ta acontecendo ? — Sarah perguntou ficando atrás de Lip.

– Nem pense nisso, Calisto.. — Disse Cathy com os olhos púrpuras.

– Eu não penso... — Ele disse se escorando no corrimão da arquibancada. — Mas ela pensa. — Disse ele ajeitando seus óculos no rosto enquanto Alaska encarava os outros dois Betas.

– Isso vai ser divertido... — Ela disse sorrindo enquanto mostrava suas presas...