Ocultos
14 Ajuda
– Como ele se curou tão rápido ? — Sabs questionava minha mãe. Eu permanecia de olhos fechados escutando a conversa.
– Apesar da maioria das criaturas sobrenaturais terem uma cura acelerada...
– Sim eu também tenho. — Disse a ruiva interrompendo.
– Como eu dizia... Dave é fruto de duas raças diferentes. O lobisomem é a terceira criatura com o fator de cura mais rápido. Misture isso à cura da Sarah e você tem uma cicatriz fechada quase que instantaneamente.
– Dona Annie... eu não entendi outra coisa. Dave não desmaiou quando chegou aqui nem nada do tipo... Ele dormiu simplesmente. — Falava a preocupada vampira.
– Sarah não é apenas uma feiticeira que cura, Sabrine. A pouca magia que ela tinha cresce mais e mais a cada palavra mágica que ela conhece. O toque dela já se tornou um feitiço, mesmo que incontrolável. — Explicou minha mãe.
– Eu já li algo sobre isso. — Surgiu Cathy e eu abri os olhos. — Eu contei pra ela sobre aquilo. É um feitiço chamado "toque de necessidade" mas era de um nível muito alto, no nível da senhora, Tia Annie. — Falou ela e minha mãe sorriu sem graça.
– Não sou feiticeira há alguns anos, Cathy. — Balbuciou ela, deixando Cathy envergonhada. Sabs, ao ver que eu havia aberto os olhos afagou meu cabelo. Minha mãe beijou minha testa e Cathy sorria. — Ta melhor ? — Perguntou minha mãe.
– Bem melhor mãe. — Ela me olhou com olhar repreensivo e eu reformulei. — Ta, talvez não bem melhor... mas estou bem. — Eu sorri. Ela e Cathy saíram do quarto, dando privacidade à mim e Sabs.
– Dave, tenho algo pra você. — Disse ela pondo a mão dentro de sua mochila. De dentro, uma bainha com uma empunhadura foi retirada e ela entregou em minhas mãos. — Eu fiz com o dente que tava na sua perna! Sabe, dente de lobo não é algo fácil de se conseguir. A presa de um lobisomem é pior ainda.
– Foi o Martin, Sabs. — Eu falei a interrompendo. Sua expressão sorridente foi substituída por uma confusa e estranha expressão. — Ele é um Ômega e muito forte. — Eu passei a mão sobre minha perna lembrando sobre a forte mordida. — E como se não bastasse... ele é meu irmão. — A garota se apavorou e sentou ao meu lado.
– Como é que é ? — Ela questionou apavorada. — Não basta ser lobisomem, ele tem que ser seu irmão também ?
– É... aparentemente. Nascemos no mesmo dia também...
– Como descobriu isso ? — Sabs continuava curiosa.
– Foi completamente do nada. Ele tentou me morder novamente e a gente se encarou. — Eu me lembrava do momento. Alguns centímetros e meu rosto seria desmanchado pelas grandes presas do lobisomem. — Eu me vi bebê e ele também. Eramos iguais quando eramos bebês. O rosto, os cabelos, o sorriso.
– Por que sua mãe nunca te disse nada a respeito ? -
– Eu não sei nem se ela sabia disso. Meu pai sumiu cedo segundo ela. E... bom... eu ouvi vocês conversando. Com isso a gente sabe que eu herdei a Feitiçaria e Martin a Licantropia. Provavelmente pela mãe dele não ser sobrenatural.
– Isso é algo que você deve fazer após descansar. Você dormiu muito mas ainda tem o que dormir. Temos aula amanhã, eu venho aqui pra buscar você e John. — Ela disse sorrindo e saindo do quarto. Minha cabeça se voltava em qual seria a reação de Martin ou mesmo a minha ao nos encontrarmos na escola após o grande duelo e a descoberta da mesma paternidade...
Na toca, Peter, Calisto e Alaska conversavam. Phillip e Annie, a nova beta da alcateia, não se encontravam no local.
– Eles têm uma casa, Calisto. — Disse Peter. — Eles têm uma família, que diferente da minha, são normais. Lip tem uma irmã, Annie tem pais preocupados pela filha que curou de uma leucemia em 5 horas depois de 15 anos. -
– Não estou levando isso em consideração, Peter. Algo está por vir e pelo menos Phillip tem que aprender mais. — Falou o Alfa. Alaska assitia os amigos discutindo enquanto dava uma longa tragada em um cigarro.
– Você sabe de algo ? — Questionou o Beta.
– Nós sabemos! — Afirmou o rapaz de cabelos brancos. Peter o encarou com seriedade e ele assentiu positivamente com a cabeça.
– Vocês vão me explicar o que ta acontecendo ou vão continuar fingindo que eu não estou aqui ? Eu sou parte desta alcateia...
– Não, Alaska. Eles são minha alcateia, você e eu não temos nada além de um pacto. — Ele a interrompeu. A garota, apagou o cigarro e de dentro de um estojo retirou um grande charuto cubano. Sentou-se com expressão enfurecida enquanto o alfa virava-se novamente para seu beta. — Vamos para o bosque, eu vou chamar eles...
Ao falar isso calisto foi saindo pelas escadas de sua torre. Ao chegar ao chão, Alaska caiu pesada ao lado do alfa. Os três correram até o bosque em que encontrava-se parte da Alcateia espionando o protesto dias antes. Segundos de corrida foram mais que o suficiente para que eles adentrassem o bosque. Ao pararem, Calisto observou o céu estrelado e uivou para que os dois betas fossem até ele. Pouco tempo se passou até que Phillip encontrasse os amigos mas ainda faltava Annie a chegar. Ao ouvir passos às suas costas, o grupo vira e se depara com uma Annie transformada e conversando normalmente com eles.
– Como controlou tão rápido ? — Perguntou um Calisto confuso.
– Ah é prática. É só controlar a raiva e 15 anos fazendo isso ajuda bastante. — Peter imaginava o porque e logo a garota o explicaria. — Querendo ou não, meu querido Aragorn, todo mundo sofre algum tipo de preconceito. — A garota conseguira ler os pensamentos do rapaz que estava pasmo.
– Um problema a menos para resolvermos. — Falou um Calisto encarando o centro da cidade que se expandia. No céu, uma grande luz brilhava e o rapaz observava atento um Coliseu descer dos céus e se colocar postar no meio da cidade. Dali, dava pra ver alguns moradores observarem o local novo na cidade. — Agora temos esse... Você explica, Peter... — Disse o Alfa em ordem. O beta toma um grande fôlego e começa.
– Eu não sei muito sobre elas por que, diferente do sobrenatural, elas são espécies de "divindades antigas". As amazonas eram guerreiras de grande habilidade que viviam em comunidades exclusivamente femininas, arranjando parceiros uma vez por ano apenas para o intuito de procriarem e matando-os após a fecundação. Pelo menos era isso que o mito contava... — O garoto apontou na direção do coliseu. — Bom, podem ver que não era apenas um mito. — Ele disse encarando uma figura que se postava na beirada do topo do coliseu. Esta pessoa que os encarava, retirou um grande espada das costas e a levantou aos céus, fazendo com que o brilho dela atingisse os olhos da alcateia inteira. Calisto encarou com desprezo aquele local. O grupo deu a meia volta e voltou em direção à toca. Annie foi para a casa de seus pais e Lip cuidar de sua irmã que certamente havia acordado com o remexer que a cidade havia recebido.
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