Ocultas Na Escuridão.
16 Preparativos.
Notas iniciais
Enfim, hoje está um pouco superficial, mas não optou pelo vago ok? Hoje a determinação da noite será iniciar a segunda parte da Batalha e corrigir as duas novas fictions que colocarei em andamento com o fim de Ocultas! Eu espero mesmo que vocês entendam os pontos propostos no capítulo de hoje, ok? E ah! Só a Tumn reparou que troquei a capa. Quero que vocês a vejam, ok? Ela é um ponto ESSENCIAL para a Batalha. Inté tão! ♥
Aphrodite
Acordei assustada, suando demais. Apavorada. Gelada. Sem saber o que aconteceria.
Abri os olhos, mas não vi o ambiente ao qual havia me estabilizado. Foram imagens em preto e branco. Imagens fugidas de lembranças passadas.
Primeiro, o dia em que fui Escolhida e atirada por minha mãe na Morada. Largada e deixada para trás, somente com o dinheiro e o cartão de crédito. Depois eu conheci Laurel e nos demos bem no início, até o dia em que a derrotei facilmente em Arena.
Depois minha primeira visão da Deusa surgiu, enquanto eu fugia de Hank em uma promessa indecifrável, Ela disse que ele nunca me encontraria se eu realmente não quisesse aquilo. Foi naquele instante que confiei Nela e que sabia que Ela mandaria alguém para me proteger... Até aquela noite eu nunca soube quem era.
Me envolvi com tantos rapazes, em uma tentativa tão frustrada de encontrar algum sentido naqueles relacionamentos. Eu nunca botei fé em nenhum deles, mas sempre esperei que se mostrassem diferentes.
Minha outra memória foi da chegada de Cameron na Morada. Seu sorriso. Seus olhos verdes como esmeraldas penetrando nos meus. A memória veio como uma onda em mar. Como uma brisa gélida necessitada em um dia de calor. Tão presente, tangente. Eu podia sentir o mesmo ar que presenciei naquele dia. Tive as mesmas emoções, a mesma reação.
Depois, nos unimos na tentativa de salvar Nora. É claro, nos aproximamos muito. Mas apenas isso: aproximação. Uma amizade distinta, eu nunca tive apenas amizade com rapazes, mas de início eu não queria nada a mais dele, mas depois... Ah, como eu queria ele.
Depois nossos momentos compartilhados a sós. O momento do nosso primeiro beijo. Quando eu senti, quando eu soube, que meus beijos pertenceriam a ele. Ao Trevas, meu Trevas. Não tínhamos história longa, mas antes de eu vir pra cá, eu soube que iria querer continuar uma história com ele quando voltasse. Mas, será, Deusa? Será que ele irá me aceitar mesmo como Nefilim? Será que ele passará por cima das novas barreiras para que continuemos juntos? São tantas perguntas. Tantas questões, dúvidas e medos. Está sendo demais para eu segurar tudo isso sozinha.
Senti meus pontos se moverem, abrindo espaço para um novo ponto delicado. Aquele não me fez sentir uma dor agonizante, mas sim uma paz que tocou cada ponto amedrontado do meu corpo. Fechei os olhos, abandonando as memórias e quando os abri de novo, ainda não me encontrava no meu quarto de costume. Não estava deitada naquele colchonete nojento. Era uma cama, com lençóis frescos e um corpo quente ao meu lado. Cam. Era ele, só de tocar meu ombro no seu, e sentir aquele arrepio percorrer minhas entranhas, soube que era ele.
Então eu parei e admirei sua beleza calma enquanto dormia. Ele era lindo demais e sorri com sua imagem tão apaziguada. Sentindo seu cheiro de limpeza invadindo minhas narinas e uma luz, a luz do meu ponto com ele, se alastrando pelo cômodo.
Então, meu protetor era Cam. Meu Cam.
Cameron
— Aphrodite! – Acordei chamando seu nome. Procurando sua imagem ao meu lado. Seu rosto. Seus cabelos. Qualquer vestígio que me levasse a ela. Mas a única coisa que senti foi o centro de minhas costas se erguer em forma de círculo.
O sonho, não foi realmente um sonho e sim um filme em preto e branco de lembranças. Era um ponto como o de Patch e Nora. Agora eu não só era obrigado em defende-la e protege-la, mas meu corpo e minha alma sempre faria aquilo, mesmo que meu cérebro não quisesse.
E foi naquele momento que entendi o que Patch estava fazendo por Nora. Foi quando compreendi que estaríamos agindo correta e sensatamente. Em uma maneira somente nossa de protege-las. Uni-las.
As pessoas estavam reunidas. Todas no corredor do subterrâneo da Sala de Jogos Delphic. Eram muitas pessoas e conforme Patch, ali não se encontrava nem a metade.
Só havia uma parte de Caídos e os amigos de Nora, os mais próximos. Os combinados seriam lançados agora.
— Está mais próximo do que imaginamos e conseguimos muitos pontos positivos. Muitas vantagens. – Patch iniciou e alguns burburinhos surgiram. – Precisamos combinar alguns pontos entre nós, para que não haja falhas.
— Tá, e eu? – A voz de Scott surgiu da primeira fileira de corpos. – Sou um nefilim. Eles vão cair em cima de mim. E concordo com a luta deles. Não suportaria ter meu corpo possuído por um Caído.
— Se vencermos esta Batalha, Scott, não possuiremos corpos. Pelo menos não aqueles que não têm um corpo Nefilim. Agora quem já tem um Nefilim que jurou fidelidade, provavelmente vai continuar. É uma necessidade nossa também. – Patch deu de ombros e com um urro de aprovação os Caídos reverberaram.
— Sem contar que os nefilins estão usando artes proibidas há milhares de anos. – Informei e alguns rostos se voltaram para mim. – Nossa Batalha tem de ser justa e provavelmente já criaram algum protótipo para destruir Caídos. Pensem um pouco. Hank ou seus capangas esperam apenas Caídos. Nossas cartas serão a divisão dos quatro elementos em carne, protegendo grupos diferentes.
— É isso o que vamos fazer. Todos os Caídos têm de surgir ao mesmo tempo. Para assustar quem quer que esteja do outro lado. – Patch emendou.
— E não se deixem abater por nada que se encontrar no outro lado do exército. Não se deixem levar por aparências, coisas distintas ou cânticos na mente. Joguem paredes negras e afastem qualquer coisa que não sejam de si mesmos.
— É melhor que os elementos surjam em carne por ordem do círculo. – Damien optou.
— Exatamente. E alguns dos caídos terão de surgir de algum lago. Preciso estar perto da água para ganhar mais força. – Vee disse.
— Eu apareço com você, sereia. – Um Caído disse dando uma piscadela para a mesma. Scott lhe desferiu um olhar arrebatador e o mesmo voltou a olhar para frente engolindo em seco.
— Teremos de separar os grupos bem perto da hora da Batalha. – Patch disse.
— Por quê? – Shaunee indagou.
— Hank pode, de alguma forma, descobrir o que não queremos. – Patch informou.
— Alguns de vocês podem ir a cavalos. – Damien optou novamente.
— Pode despistar alguns Caídos. – Vee disse.
— Eu posso chegar primeiro. – Scott deu de ombros.
— Junto comigo e com Patch, é claro. Você é a jogada, amigão. – Eu disse.
— Então os elementos por base no Círculo junto com os Caídos e depois nós três junto com Dabria e Rixon. – Patch calculou.
Após alguns minutos todos os Caídos tinham voltado ao seu local habitual e só restaram os Qualificadores.
— Vocês entenderam? – Patch perguntou já sentado, aliviando a tensão dos ombros.
— Sim. – Respondemos em coro.
— Vocês sabem que tudo pode acontecer não sabem? – Patch indagou novamente.
E desta vez as cabeças responderam em positivo. O ar estava carregado de tensão dos corpos.
— O que vocês armaram pra Aphrodite? – Stevie perguntou em dúvida. Engoli em seco, relembrando do sonho com memórias e do novo ponto.
— Não podemos contar. Vocês não tem a mente bloqueada, como nós. – Patch deu de ombros.
Vee suspirou. – Então combinado.
— É bom que vocês se mantenham próximos aos elementos, só por precaução. – Eu optei.
O círculo em carne moveu a cabeça para frente e para trás, em positivo.
“Aphrodite e eu estamos compartilhando um ponto.” Falei para Patch.
“Mais uma vantagem?” Ele respondeu.
Aphrodite
O que eu era? Era a pergunta que sondava a minha mente. Depois das lembranças e de ver Cameron, senti o ponto com os dedos. Mas o que realmente aconteceria comigo depois disso tudo? Eu ainda teria de fazer o combinado? Provavelmente sim, pois Cameron não entrou em contato comigo.
Mas, o que não passava despercebido por meus pensamentos, eram as palavras de Hank dizendo que não sabia o que eu era. Se ele, que era meu pai e trabalha com artes não-aceitas, não sabia, quem dirá eu? E quando eu iria descobrir?
Ah Deusa! Eu já não tinha preocupação demais? Marcie e Nora como irmãs. Dois novos pontos em tempo recorde. Sangue de nefilim, ponto dividido e visões amedrontadoras. Às vezes, meu medo de dormir durante a noite era exatamente este: ter visões. Tantas tragédias estavam previstas e dormir significava um risco enorme para se ter uma demonstração do futuro.
Vendo o movimento constante do corpo de Nora, era fácil notar que nem a mesma estava conseguindo dormir. Mas nós, realmente, precisávamos descansar e muito para a próxima “manhã”.
Fechei os olhos em busca de sono repousado, mas novamente ele não me perseguiu, não fez meus olhos pesarem.
“Ah, Cam.” Sussurrei mais para mim do que para ele, mas como que em um passe de mágica senti um revirar no meu colchonete, no qual eu dormia sozinha. Não queria correr o risco de abrir os olhos e perder o que havia se formado ali. Eu queria permanecer com a sensação de que ele estava comigo, partilhando do mesmo momento.
“Vamos fazer dar tudo certo, Afro.” Sua voz sussurrou nos meus devaneios. Tão palpável e mais forte que o medo que ainda me percorria.
Não sei se foi por conta da calma que se alastrou, ou se foi simplesmente por sentir seu cheiro, ou até por escutar sua voz. Mas, depois daquelas palavras, eu caí em um sono profundamente repousado.
Nora
Depois de descobrir que era filha de Hank, muitas coisas perderam o foco normal e ganharam um novo.
Como que Patch protegia a mim, sempre. E como eu pude duvidar dele? Querer lhe arrancar as verdades de uma maneira tão fria.
Tentei chamar seu nome, mas de um modo conformado, sabendo que ele não responderia e eu agradecia ao fato, pois indicava que ele estava mais descansado do que eu.
Todas as pessoas sabiam o que ocorreria comigo, mas eu mesma não tinha conhecimento deste fato.
Como eu não podia saber? Se Hank ganhasse a Batalha e morresse, eu seria obrigada a tomar conta de seu exército. E conforme suas próprias palavras, ele estava com os dias contados. E nos meus cálculos, apenas um dia, pois se dependesse de mim, ele morreria pelas minhas mãos. Depois de confiar coisas inadmissíveis para Nefilins. De usar poderes que não são para se usufruir em terra firme. Depois de me caçar para me prender, apenas por eu ser um alguém mais forte que ele. Por se unir a sei lá quem, que quer passar por cima da humanidade para voltar com um passado celestial.
eu não aceitava isso e minha raiva era maior que minha compaixão por compartilhar o sangue com ele.
Talvez tenha sido pela determinação de extermina-lo que eu caí no sono. Ou eu escutei a voz rouca de Patch? Não importava. A única coisa que eu sentia era uma vontade de dormir, para mergulhar ainda mais naquele odor de menta que surgiu no meio do nada.
Notas finais
Me contem quem são os personagens favoritos de vocês, assim posso dar uma prévia do futuro! Sem spoiler *-*
Fale com o autor