Notas iniciais
Oi, pessoal! Como vocês estão?
O capítulo tá muito curtinho! Argh! Que raiva quando isso acontece, mas se eu adicionasse qualquer outro fato ficaria sem sentido e forçado e sempre sou muito verdadeira com vocês!
Nova estória totalmente alterada, por conta do livro - maravilhoso, por sinal - "Belo Desastre". Mas, vou querer vocês lá, viu?
Bom, boa leitura e como estou lendo com umas musiquinhas animadas, vou indicar duas:
Don't Wake Me Up - Chris Brown & Turnig Page - Sleeping At Last.
Xêro no cangote! s2

Nora
Era difícil estar sozinha em um ambiente completamente gélido em que você não conhecia nada ou ninguém. Desde que Patch se fora eu fui jogada em uma das piores salas daquele galpão, por ordem do próprio Hank, eu sabia o porquê daquilo tudo. Dois capangas me carregaram, enquanto eu me debatia, ao poço mais fundo e mais longe de qualquer indício dos elementos, ele tinha tudo planejado desde o início.
Então eu estava quieta e perdida em pensamentos, coisa que eu já estava afogada em saber fazer. As comidas chegavam aos horários precisos em que me fome se abatia e eu não entendia exatamente porque eles me alimentavam, afinal, eles não me queriam longe de seus planos? Ou iriam querer me usar no final das contas?
Eu sempre via os resquícios de duas sombras pela fresta de baixo da porta, mas naquela noite só havia uma, ou seria dia agora? Eu estava perdida como quando estive nos túneis, mas aqui o teto era muito longínquo com apenas uma luz pendurada no centro para iluminar a sala enorme e sem janelas, com apenas uma porta de ferro como saída. Havia um colchonete com as espumas saindo pelas beiradas e uma cadeira com o encosto quebrado em um canto onde uma goteira pingava em cima da mesma. Já havia uma poça ali, eu me acostumei e me irritei com o barulho daquilo, então tomei uma atitude um tanto esquisita. Tirei meus sapatos e as meias colocando-as abaixo da goteira e, pronto, o som nojento não estava mais lá! O que trouxe um grande alívio aos meus músculos e também aos tímpanos.
Eu estava bem próxima a porta, por isso escutei os berros que vieram a seguir.
— Ah! Mas que lugar nojentíssimo, papai. – A voz estava abafada, mas eu sempre reconheceria aquele modo irônico com cada uma das sílabas. Uma das partes do plano de Patch estava pronta.
A porta se abriu em um estrondo e Aphrodite tropeçou para dentro do cômodo. – Aqui é ainda pior!
— Olá, companheira. – Eu disse e então ela virou-se abruptamente em minha direção, sua expressão parecia cansada.
— Ah, mas que merda! Você está aqui. Porque tirou os sapatos? – Ela indagou fitando meus pés descalços. – Vamos dormir juntas? – Indagou novamente agora fitando o colchão com os olhos arregalados.
— É o que parece, mas você também tem a opção da cadeira.
— Ou o chão. – Deu de ombros.
Eu ri. Uma risada sincera que não dava há dias. – Tem tanto nojo de mim assim?
— Não, tenho nojo daquele colchonete. – Aphrodite torceu o nariz apontando para o estado do mesmo.
— Deixe de ser mesquinha.
— Vai ser daqui a uma semana. – Informou de repente. E seus olhos pousaram sobre os meus. Cinza contra azul, em um contraste incrível. – Temos de estar preparadas. Hank disse que podemos escolher o lado na hora, mas que depois da escolha não há volta. Depois eles entraram em um assunto de alguma coisa do céu.
— Consegue canalizar suas forças aqui? – Indaguei arqueando uma sobrancelha.
— Sem problemas. E você? – Ela disse se agachando graciosamente e sentando-se com as pernas estiradas diante do corpo. Eu rastejei pela parede até chegar ao chão.
— Não consigo, a única coisa perto de um elemento é essa goteira maldita.
Aphrodite deu um riso baixo.
— Entendo os problemas, mas tente, ao menos por pensamento, manter todos próximos de você. – Ela deu de ombros.
— Patch já tem tudo pronto, não tem? – Eu perguntei aflita por não ter nenhuma informação, ou uma força confortável que me envolvesse das pontas dos pés aos cabelos. Eu estava com medo demais.
— Tem, só esperamos que dê certo. – Ela disse.
— Você não vai me contar, não é? – Indaguei notando sua hesitação.
Sua cabeça foi de um lado para o outro. – Estou envolvida nisso e estou com medo, mas também estou louca para te contar tudo. Fui proibida, por questão de proteção sua e minha.
Ao longe vi lágrimas formando uma poça sobre seus seios na blusa preta.
Acho que aquela foi a deixa e as lágrimas romperam de meus olhos. Eu não sabia que estava com vontade de chorar, de expor meu sofrimento, meu medo, minha repulsa de estar onde estava. Eu estava com medo.
Um medo que percorria cada ponto de minha pele e alma. Eu não sentia minha Deusa em meu ser. Eu não sentia Patch no sétimo ponto. Eu não sentia meus elementos em torno de mim. Eu só sentia medo por mim e por todos que eu amava. Senti mais medo ainda quando vi Aphrodite se entregar ao choro preso deixando que as lágrimas caíssem sem tocar elas, ou impedir. Estávamos amedrontadas, tudo por conta dos planos malditos de um único homem. Mão Negra, era seu apelido.

Stevie Rae

Depois de minutos de caminhada parei abruptamente diante do portão de entrada da Morada. Eu havia sentido um torpor e segui os passos em um estado amedrontado até onde eu estava.
Algo me trouxe para cá, uma força divina e oculta que só eu enxerguei, ou até mesmo um fio dourado, mesmo que em minha imaginação. Ainda com o frio da noite invadindo minha pele – mesmo não tendo necessidade –, cruzei os braços em frente ao peito, temendo mais pelo meu frio interno que externo.
E então surgiu. Aquilo que eu sabia, desde o início, que encontraria surgiu diante de meus olhos, exatamente no estado em que sabia que o encontraria.
Daniel estava lá, olhando fixamente para o topo da Morada e nem me notou diante de seu estado deplorável. Sua pele estava completamente ressecada e eu via desespero em suas feições, conforme o horário já era para ele estar longe daqui a muito tempo.
— Daniel? – Consegui chamar.
Seus olhos se abaixaram, até me encontrar, com calma. Sua cabeça foi de um lado para o outro em um “não” intenso.
Abri o portão e toquei minhas mãos em seus ombros, sentindo sua pele fria sob aquele tecido antes branco e agora encardido.
— Chame o Jev para mim. – Ele pediu olhando diretamente para meus olhos. Me perdi naquele tom roxo e incomum. Seus ombros se tencionaram.
— Já era, Daniel. – Consegui sussurrar sem tirar meus olhos dos seus. – Tudo vai acabar bem, confio nisso. Mas você não levará Jev...
— É claro que o levarei! – Ele bufou.
— Não vou permitir isto, vai estragar a felicidade de muitas pessoas daqui e acabar com o futuro de muitas também. Agora vamos entrar e te dar um trato. – Disse puxando seu ombro direito e dando um sorriso.
Sua outra mão agarrou meu pulso me puxando de encontro ao seu peito e ficamos a centímetros de distância.
— Preciso dele para voltar!
— Ele não vai e você, por conta do tempo que se passou, perdeu sua oportunidade de voltar para o Céu, sinto muito. – Sussurrei vendo o desespero evidente em seu rosto. – Por favor, vamos. Daremos um jeito na situação. – Aquelas palavras serviam para meu consolo e não para o do próprio.
Meio hesitante ele me seguiu dentre a noite, até que estávamos sorrateiramente no quarto de Damien, dei alguns toques na porta com o punho cerrado e ouvi os passos de Damien contra o assoalho e depois a porta se abriu, revelando olhos sonolentos. Ele avaliou a cena e logo depois seus olhos esbugalharam-se em sua pele. Ele me puxou para dentro com força e carreguei Daniel junto.
— Dam preciso da sua ajuda. – Implorei com a voz, as palavras e o olhar. – Mantenha-o aqui, até eu pensar em algo para fazer...
— Você não tem nada em mente? – Daniel explodiu.
— Qualquer um pode pegar ele. – Damien disse olhando fixamente para Daniel atrás de mim.
— É só durante um tempo, eu te prometo, Dam. Fico devendo essa. – Pedi novamente.
Os segundos se arrastaram até que os cabelos de Damien balançaram em positivo. Pulei em seus braços abraçando seu pescoço. – Você é o máximo!
— É só durante duas noites, no máximo, garota. – Ele disse resoluto.
Damien passou por nós e abriu as pequenas portas de seu closet revelando portas abarrotadas de roupas. Ele abriu algumas gavetas e voltou com uma muda de roupas em mãos.
— Aqui. – Ele indicou passando as peças de roupas para Daniel. – O banheiro fica ali e você dorme naquela cama. – Ele instruiu apontando para os lugares.
— Você não tem companheiro de quarto? – Daniel indagou quase sem mover os lábios.
— Não. Nenhum rapaz quer dormir no mesmo cômodo que um gay. – Ele deu de ombros.
Daniel assentiu e fechou a porta do banheiro atrás de si e eu respirei fundo.
— Tem certeza disso tudo? – Damien murmurou tocando meu ombro com sua mão firme.
— Absoluta. Não sei exatamente porque tenho certeza, mas tenho. – Desabafei fitando seus olhos e encontrando o conforto de sempre ali. Damien fazia com que eu me sentisse bem e eu adorava a sensação.

Notas finais
Me contem! O que acharam da aparição repentina de Daniel? O que acham que ocorrerá com ele? E com Aphrodite e Nora? E que plano será este de Patch? Beeeeeeeeeeeeeijos e até o próximo ♥