Notas iniciais
Primeira recomendação pela nova leitora Nora Gray! Obrigada linda! Palavras lindas e muito obrigada por toda a consideração, espero que continue gostando.
Será que hoje chegamos aos 100 comentários? Vocês são os melhores leitores que Deus pôde me dar!
Gente, eu li "Belo desastre". Imbatível e enigmático. Uma história fofa demais, engraçada e por fim com estrutura romântica.
Enfim, capítulo um pouco simples, e pra quem conseguir sacar a da Afro, dou um docinho. Ela é a personagem mais complicada!
Pronto Stella... Seu Cam está aí e seu Daniel está aí Viih! Xêro e boa leitura! ♥

Cameron
Ariane se debatia no chão e eu sabia que depois de toda a dor que ela estava sentindo, uma paz imaculada invadiria sua alma. Parte do plano estava a caminho.
Ao ver o corpo de Ari descansar, após uma dor que eu nunca senti e esperava não sentir mesmo, eu soube que ela retornaria como uma Caída ainda mais poderosa, não houve outro ponto, como com Nora, mas houve a expansão de seu ponto. Agora ele estava com a borda negra e o centro com uma luz própria e divina. Ainda que Caída, ela tinha a presença de um anjo em seus traços.
Me abaixei e a levantei em meu colo com cuidado. Patch veio atrás de mim abrindo e fechando as portas, sem dizer nada. Após algum tempo de caminhada chegamos à sua jaula e a coloquei sobre o colchonete cobrindo suas pernas com o lençol.
— Vai ficar a vendo dormir como fez com a Nora? – Patch indagou empoleirado na soleira da entrada.
— Não, seu idiota. – Respondi erguendo o rosto em sua direção.
— Opa! Só estava brincando. – Patch ergueu as mãos em sinal de rendição.
Fiquei de pé deixando Ariane para trás. – Vamos, temos muito que fazer ainda.
Ele deu de ombros e seguiu ao meu lado pelo corredor.
— Vai falar com os outros vermelhos sem camisa, Cameron? – Ele perguntou ainda me seguindo.
— Não, minha camiseta é invisível Patch, só os inteligentes a veem. – Respondi dando de ombros.
— Deixe de ser irônico com cada frase que dizemos pra você. – Ele respondeu sem alterar a voz, e acho que o que mais me irrita no mesmo é sua calma espetacular.
— Acho que você poderia ser um pouco mais receptivo, sabe? Te ajudei muito com Nora...
— Não precisa esfregar os favores na cara dessa maneira...
— ...como quando estava na jaula e também quando fugiu de Daniel. – Continuei.
— Já disse que sei disso, mas você aceitou porque quis, nunca te obriguei a nada.
— Ah, com certeza. – Ironizei.
Ao chegarmos à ala, em que deixamos todos os Vermelhos, vários olhos se voltaram para nós, surpresos e aflitos. Um misto de emoções. Ariane conseguira unir muitos para nossa ajuda e felicidade, mas muitos seriam exclusos, por não ter conhecimento com um Novato alto.
— Ariane já explicou pra vocês? – Indaguei. Todos os olhos permaneceram em mim, mas ninguém me respondeu.
— Respondam. É o melhor pra vocês. – Patch pediu em tom severo, sem levantar a voz.
— Sim. – Alguém respondeu.
— Isso. – Patch agradeceu.
— Enfim. Precisamos saber quem conhece os Novatos altos, se alguém aqui não conhece nenhum, é só sair.
Algumas dezenas se levantaram e nos restaram apenas cinco. Mas já seria de bom grado no que tínhamos planejado.
Três meninas e dois meninos. Um conhecia Gabbe e o restante conhecia Shaunee.
Depois de lhes explicar tudo, colocamos o único que conhecia Gabbe em uma sala separada e os outros quatro juntos em outra, o que seria mais fácil, pois a energia estaria mais canalizada. E o que seria de bom grado. Fogo; haveria mais fogo do que pensávamos que teria, o que ajudaria bastante.
Após todo o planejado, voltamos no Jeep de Patch.
— Acha que vai dar certo? – Perguntei depois de muito pensar.
— Mas é claro que vai dar certo, Cam. – Patch murmurou sem tirar os olhos da estrada.
— Não concordo. Você colocou minha namorada em risco.
— Ah, como é engraçado e ao mesmo tempo gratificante ouvir você falando assim.
— Não sou um palhaço pra dizer coisas engraçadas.
— Enfim, acredito que dará certo sim. Porque está perguntando agora? – Ele indagou, virando o rosto de leve para me encarar.
— Porque pensei em tudo agora. Depois de salvar Ariane e de dar as coordenadas para aqueles Vermelhos e agora sabendo que Aphrodite está em perigo. Só pensei nisso agora. – Dei de ombros.
— Devia ter pensado antes. Já estamos envolvidos com isso até o pescoço. – Respondeu.
— Sei disso. Mas acha que vai mudar algo em seus status lá em cima?
— Provavelmente. Não estou fazendo isto apenas por mim, mas por muitas pessoas que estão envolvidas. Eles podem entender. Podem entrar em um acordo. O que é muito difícil, mas a esperança é a última que morre.
— Se não houvesse imortais, eu poderia concordar. Mas acho que minha esperança morreu há muito tempo.

Daniel
Caminhar sobre terra firme não era a mesma coisa que flutuar lá no Céu. Não abriria minhas asas até que meu futuro fosse decidido.
Agora, porque, aquela garota decidiu me ajudar? Tudo bem, somos praticamente irmãos, por sermos Anjos, mas uma coisa não se coincide com a outra. Eu tentei caçar e levar seu amigo embora e ela me ajuda? Isso não faz sentido e é uma coisa que eu próprio não faria por ela.
Ficar preso em um local que não é de minha origem é martirizante.
A fonte do centro daquele local me chamara muita atenção e era o único ponto da Morada que me trazia uma paz reconfortante. Um local em que eu podia – e conseguia – respirar fundo e esquecer meus problemas por poucos instantes. Eu esquecia tudo ao meu redor e só tinha olhos para a Estátua perfeita de Nyx, personificação da noite. Ela era incrível, mesmo com tudo cinza eu podia imaginar suas feições e mesmo em pedra, seu poder era emitido de uma forma quase palpável.
E então ocorreu. Aquilo inimaginável. A Deusa surgiu diante de meus olhos e ela não estava só palpável, ela estava materializada. Surgiu do nada, no nada. Seu sorriso espalhava-se por suas feições e ela caminhava com uma calma intensa, demorando cinco segundos em cada passo, como que com medo de machucar a grama em que pisava.
— Daniel. – Sua voz sensual chamou meu nome. Ergui meu rosto e engoli em seco. – Gostaria de lhe propor algumas coisas. Por você e por todos os meus filhos.
Em um movimento involuntário, eu concordei.
— Então, lhe proponho uma transformação completa aqui e agora. Mas claro, com uma única condição.
— Sim. Contanto que isso não me afaste de meus ideais e minha natureza.
— Jamais faria isso. Você ainda é um Anjo, mas meu Anjo. Você poderá escolher, pois existe o livre arbítrio. Ou você se transforma, e vai comigo para o Mundo do Além, ou fica e mestra aulas na Morada. Essa matéria é necessária por aqui. – Ela informou em um tom cético, mas o sorriso não sumiu de suas feições.
— Escolho ficar e passar meus conhecimentos para muitos. – Escolhi de súbito, sabendo que faria o bem para mim e para muitos e não tomei esta atitude apenas pelo fato de que os Céus gostariam de minha atitude, mas me senti mais confortável com esta escolha.
— Você fará isso, foi sua escolha, mas terá de passar por algumas coisas antes. – Ela declarou unindo as mãos em uma súplica silenciosa.
— Sim, mas quais? – Indaguei enfiando as mãos nos bolsos do jeans.
— Aposto que lembrará no momento. Se lembrará de mim e de sua escolha. Você saberá. – Ela disse e desapareceu, tão logo como chegou.
E então a dor penetrante invadiu meus poros. Começou das pontas dos dedos dos pés até a testa e sem evitar caí ao chão, sentindo o cheiro da grama próximo ao meu rosto.
— Daniel? – Ouvi a voz de Stevie distante, como se fosse um canal no volume baixo de uma TV qualquer.
Eu só pensava nas palavras da Deusa e nos desenhos que senti se formando em minha pele. Senti um solavanco no centro de minhas costas, de dentro para fora. Puxando e repuxando. Empurrando e forçando passagem. Eu suava frio e meus lábios tremeluziam com um frio súbito.
Senti dedos delicados tocarem meus ombros, indagando, desesperados. Era Stevie, eu sempre reconheceria aquele toque delicado. Aquela voz desesperada e aquele fora meu primeiro momento livre na Terra. Meu primeiro momento como um alguém correto ao lado de Stevie Rae.


Aphrodite
Eu sentia vontade, sentia mesmo, de contar tudo pra Nora. De lhe dizer toda a verdade. De lhe mostrar todos os prós e contras do que ocorreria conosco. Eu era o pilar que seria utilizado na Guerra, desde quando coloquei os pés aqui, eu soube disso. Minha alma serve para esconder a de Nora, eu estou aqui pra protegê-la. Ao que parecia todos estavam aqui pra proteger Nora, mas sabíamos, bem lá no fundo, que o fim de tudo se daria pelas mãos de Nora. Ela acabaria com todo o mal que nos cercava; que nos desesperava.
Mesmo Patch tendo armado tudo nos mínimos detalhes, eu sabia que havia alguma ponta solta, algum nó desatado. Nora dormia tranquilamente diante de mim eu sabia, que em um momento ou em outro, estaríamos calmas assim, bem longe daqui, com um futuro e uma decisão tomada. Sabia também que segredos seriam revelados, que relações seriam testadas e que destinos seriam descruzados.

Notas finais
Gostaram das revelações e de segredos não-resolvidos novamente? Falta só um pouquinho pro meu capítulo mais elaborado!
Se ficou ruim é só dizer, amo a opinião de vocês! Sacaram a da Afro? Qual vocês acham que será o plano? Até o próximo! E as comentários ♥