Não é que os sonhos tenham algum objetivo, como deveras estamos acostumadas com as diversas narrações cronológicas e ordenadas, por isso devemos achar estranho por não acessar os nossos próprios conteúdos. Frutos de nossa mente? Esses devaneios qualquer pessoa se encontra no dia, na hora do trabalho, no banho, ou mesmo no ócio.

As noites de sonhos de Endi o faz questionar durante o dia, não é de interesses das pessoas ir além disso, mas procuram algum significado, intrigados por faltarem respostas concretas, e de saberem que passamos certa parte da vida dormindo e sonhando.

Talvez fosse um chamado para cursar Ciências Sociais, sentia-se inspirado para entender o que é o mundo num olhar humano, e entender suas relações. Pobre coitado, repetia em suas lembranças dos passados de como era ser uma criança:

— Mãe, você lembra dos pesadelos que eu tinha quando era pequeno? – Estava sentado tomando café no horário de almoço.

— Lembro sim, invadia nossa cama acordando eu e seu pai. Por que?

— Lembro de alguns sonhos, e sensações estranhas. Mas o engraçado que eu não tenho mais isso, chego a pensar que isso deve ser comum na infância.

— Eu fazia xixi na cama de medo, seu avô me deixava de castigo, e apanha às vezes da minha mãe. Mas você, uma vez passou sem dormir por alguns dias, dizendo que havia um monstro debaixo da cama.

— Confesso, eu tinha visto uma mão saindo debaixo e erguendo para cima, você sabe, mas acho que os pesadelos pareciam tão reais que devo ter confundido.

— Sabe filho, como minha família veio da roça, meus avôs diziam que os sonhos eram portais de outros mundos, e como tinham contato com índios, dizia que saímos fora do corpo.

— Interessante, não sabia disso mãe.

— a mãe de sua vó era índia, de onde eles moravam, tinham uma tribo.

— Poxa, nunca me contaram isso, bom saber, vou pesquisar sobre isso.

Realmente Endi tinha muitos pesadelos durante as noites, guardava lembranças de alguns sonhos, e indagava sobre. Talvez, segundo ele, quando conhecemos pouco do mundo, de experiências e de não sabermos nomear o desconhecido, para que existe algo que nos empurra a ver estas coisas, pelo contrário, isto parece fugir da gente. Como se o medo atraísse mais a repetir isso, parece que existe algo que gosta de brincar com as nossas mentes, principalmente as crianças, talvez para aproveitar de sua inocência, a quem contar estas coisas que parecem absurdas, assim diria que era apenas uma criança.

Mas ele contaria sobre alguns sonhos de infância, e quem nunca teve um sonho marcante? Embora algumas pessoas digam que não sonham, ledo engano, isto é inerente ao ser humano, e justamente nessas pessoas que guardam em suas mentes que nesse momento podemos dizer que são misteriosas, elas não lembram, e parece que a alguma força proposital que a fazem esquecer disso.

Entretanto neste caso do jovem rapaz Endi, o fez relembrar novamente de um curioso sonho:

— Quantos tá esta dúzia de banana senhor? –Ele disse ao feirante de seu sonho.

— Corram, corram, eles estão vindo pra cá! Estão atacando as pessoas!

“Bom, começou de novo, os mortos sedentos...” – Endi olhava para o final de rua, uma descida no qual daria acesso uma avenida, e ao fundo ele via um grande cenário de confusão.

— Endi, Endi, você por aqui, ainda bem, vamos sair daqui cara, poxa, a Amanda ficou na quadra... – Era um amigo de escola de Endi, que falou nada menos que sua paixão que teve na sua vida escolar.

— Valeu, mas vou esperar um pouco. – Ele desceu a rua trombando com transeuntes dos seus sonhos que corriam desesperados.

“Vou atravessar correndo, já cansei de fugir, ainda mais que Amanda esteja lá...”

Corria desesperadamente no meio de acidentes de carros que aconteciam, pessoas se estrepando uma nas outras, desviava com virtudes de um jogador de futebol americano, e seguia em frente na rua inclinada em decadência.

Ao perceber já se encontrava diante da quadra, fechada pelo cercado e pelo portão fechado, com pessoas isoladas lá dentro por medo de sair, e a Amanda ali no centro absorta.

Infelizmente esta foi a última cena que teve, foi pego por uma dúzia de sedentos, que o fez mudar logo em seguida mudar de cenário, estava acima de um barranco, onde via ruas abaixo com cheio de mortos que se moviam.

Ao lado, estava um deles, mas que diferente dos outros, este comunicava e com um bom estado de aparência e elegância, convidou a entrar pelos fundos de sua casa segundo ele, estes era raros aparecer em seus sonhos:

— Veja por aqui pela janela, mas cuidado para que não percebam, sabe que pode ser perigoso. – Ele disse, falava ao modo de um cavalheiro, vestia-se social.

— Sim. – Endi responde desconfortavelmente, direciona o olhar para dentro do recinto, onde estavam reunidas pessoas que pareciam ser familiares, sentados numa mesa, com taças onde não saberia lhe dizer se era vinho ou sangue.

— Vá por aqui, você vai dar acesso a um quarto, aguarde por ali, aqui fora pode ser perigoso.

Acatando as palavras do gentleman morto seguiu em frente, enquanto se separavam por caminhos opostos, Endi atravessou uma porta aberta ao qual fez questão de encostar, se deparou com apenas uma cama com um tecido jogado em cima.

Ele se escondeu debaixo da cama, apreensivo de qualquer possível visita indevida, mostrava-se com sentimentos misturados de medo à curiosidade.

— Olá meu querido, o que faz escondido aí debaixo? – Era uma voz feminina aparentemente jovem, ele avistava apenas sapatos negros, e meia calça preta e branca listrada que pareciam estender sobre toda extensão da perna.

“Será que devo sair daqui...” – A curiosidade venceu, ele pode ter um deslumbre, avistava uma garota vestida ao estilo de punk lolita xadrez com corte de cabelo chanel com franjas. Entretanto, sua face era caracterizado por uma aparência um pouco cadavérica, ao mesmo tempo em que dotava de beleza e uma atração estranha, tinha um corte no rosto com alguns fios de sutura estourados, ao redor dos olhos escurecidos, mas com um olhar profundo e bem vivos.

— Não precisa ter medo de mim, vem cá. – Parecia agitada, mexia-se como se tivesse sapateando, era dos mortos raros que Endi defrontava em seus sonhos, ao qual tinha contato e comunicação, ainda mais com aparência delicada. – Sente-se aqui na cama. – Ela intercalou ao mesmo tempo em que conduzia com suas mãos sobre Endi.

— Pode me chamar de Bete, de Elizabete, o meu nome. Fico feliz por ter recebido uma visita. Não se preocupe não vou atacar você, por mais que meus impulsos queiram, diferente dos outros sei me controlar muito bem. Ou não... – Empurra-o suavemente para deitar-se, sorrindo com ternura como se quisesse fazer uma travessura, joga-se em cima de Endi como se quisesse abraça-lo, e encosta sua face com uma expressão serena de encontro ao rosto de surpresa dele.

— Não se tem alguém assim todo dia. – Ela lhe beija como se tivesse sede, com certa intensidade pressiona o corpo sobre Endi, assim também percebia o corpo frio que lhe tocava. Então deu-lhe uma mordida forte sobre os lábios inferiores. – Ops! Me empolguei um pouco, eu só quero sentir seu corpo meu doce. – Percebia que ela tinha espasmos sobre todos os seus corpos, enquanto sorria alegremente, voltou a tocar os lábios depois de dizer, e começou a sugar o sangue na ferida que causara sobre ele.

É claro que ele não sabia reagir, tentou agradá-la, sentia uma expressão feérica animalesca ao suave jeito de menina, e sentia o ar dela de rosas.

Amor estranho? Ficaria esta questão, mas nestes momentos, por estranho que pareça, ele também costuma despertar, o clímax parece não perdurar nos sonhos. Ele despertara depois de seus olhos apresentarem movimentos rápidos, parecia o ápice daquela noite, mas este sonho é apenas uma descrição que ele faz de sua própria memória.

A história parece fugir do nexo, é evidente que persistamos num segmento linear, mas sonhos são fragmentos deslocados de história que passamos muita vezes sem notar nesta vida que temos.

Naquela noite que teve, restou-lhe o sentimento de querer voltar a ter aquele sonho, mas isto guardaria em suas lembranças desde então, mas, deve-se questionar para quem pode testemunhar, por que algumas pessoas persistem num tema de sonho? Neste caso de Endi, por que o chamara de mortos? Ele também não encontrou explicações, mas era persistente que durante sua vida esse era o tema mais frequente de seus sonhos, e se há alguém a mais, será que isto tem alguma arquitetura por trás disso?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.