Ocrito - O primeiro poder
1 Espectro
Meu nome e James Dry Hybone, e eu vou contar uma história de como eu me tornei um dos maiores invocadores e de como eu consegui restaurar a paz que havia se perdido no mundo.
Tudo começou quando eu morava em Stones, uma pequena cidade localizada no Sul do que se conhecia como Estados Unidos da America, uma pequena cidade sem muitos habitantes. Morava com meus pais, Carl Hybone Sin e Lila Demh Dry, que tinham como filho somente a mim.
Em uma noite calorosa de verão eu acordei, suando muito após ter tido um sonho, um sonho que já havia se repetido por semanas, sempre o mesmo sonho, nunca contei isso para os meus pais,nem para ninguém, ate por que o sonho tinha a ver com eles e sua morte.
No sonho eu andava na chuva, vestindo um manto preto, na esquina da minha casa, onde se encontrava pequenos prédios de tijolos, na verdade eu estava indo para casa, e começava a escurecer, o sol se abaixava rapidamente e a lua se erguia no horizonte. Quando eu dobrava a esquina uma luz de poste piscava até se apagar, eu olhava para a luz dourada enquanto as gotas de chuva caiam sobre o meu rosto, simplesmente adorava essa sensação. Continuava andando, mas agora certamente na rua de casa, passando por varias casas, todas iguais, tendo os mesmos jardins em suas frentes, sempre com suas gramas bem cortadas. A chuva ficava cada vez mais forte, mais intensa, assim como o vento que soprava em minha direção, o som das águas que caiam sobre os telhados ficavam cada vez mais altos. Quando eu finalmente chegava na minha casa de número 249, com uma caixa de correio perto do portão de entrada, a chuva diminuía, eu entrava no jardim de minha casa, observando a grama molhada, chego em frente a porta, procuro a chave em meu bolso mas só encontro papeis de bala, então eu percebo que a porta esta aberta, eu a abro, e me deparo com a pior cena que eu já vi, meu pais enfocados e esfaqueados na sala de estar. Quando eu vi isso, não tive reação, e então eu acordava.
Saltei da minha cama, estava assustado, nunca que um sonho se parecia tão real como aquele. Olhei para o lado a procura de algo para secar minha testa de suor, mas só consigo enxergar na escuridão do meu quarto o relógio, que marcava com os números vermelhos exatamente três horas. Tentei procurar o interruptor ao lado da porta, eu o encontrei, mas não acendi a luz. Fui direto a minha janela de madeira do quarto, dando passos leves para não fazer barulho, eu a abri empurrando-a para cima na esperança de entrar uma brisa fresca, mas o que entra no quarto é simplesmente a iluminação da lua, que estava no meio horizonte.
O calor irradiava o quarto, e sem mesmo nenhum ventilador para me refrescar, então eu andei em direção ao meu banheiro, abri a porta cuidadosamente para não fazer qualquer tipo de rangido, mas foi inevitável.
Entrei no banheiro e acendi a luz, de primeira impressão, ela me cegou, mas logo meus olhos foram se acostumando com a claridade. Logo, me direcionei a pia, e liguei a torneira, e deixei a água escorrer pelas minhas mão, depois me refresquei, jogando um pouco em meu rosto. A sensação da água em minha face me agradava, mas ao mesmo tempo me lembrava do sonho.
Cheguei a ficar parado por um longo tempo me encarando no espelho, estava pálido, vendo meus olhos verdes e meu cabelo curto, castanho e ondulados que se encontrava molhado por causa da água que havia jogado. Desviei o olhar pois percebi que a torneira ainda estava ligada, então a desliguei e sequei meu rosto em uma toalha branca, que estava pendurada logo ao lado da pia.
Apaguei a luz do meu banheiro e me voltei ao quarto, que estava dominado pela escuridão, a não ser pela pequena luz lunar que entrava.
Fechei a porta do banheiro que ficava na frente de minha cama, não pensei em fechar a janela, qualquer brisa era bem vinda, então voltei a me deitar, mas não queria dormir, não queria voltar a sonhar, pois sempre era o mesmo sonho. Levei um tempo até cair no sono.
Acordei, olhei para o lado e não precisava de muito para perceber que o sol já entrava pela janela aberta, virei minha cabeça para o outro lado, e me deparei com o relógio, marcando seis horas. Já estava na hora de levantar.
Me levantei, ainda lembrando dos meus sonhos, e eu percebia que não sonhei mais depois que voltei a dormir. Fui até o banheiro, tomei um banho na água gelada, pois estava muito calor, depois me vesti para a escola e desci para tomar o café da minha mãe.
– James? Desce logo! — grita minha mãe.
Enquanto eu a via cortar um pão com uma faca disse:
– Já estou aqui mãe, não precisa gritar, ainda é cedo para isso!
Seus cabelos castanhos e lisos caiam sobre seus ombros, ela não era muito alta, mais ou menos de minha altura, ela se virou pra mim com seus olhos castanhos claros e com um pequeno sorriso.
– Ótimo, então prepara seu pão que o café esta em cima da mesa, mais uma coisa, eu e seu pai vamos sair para jantar hoje, vamos ao Hammer Sttee! — ela disse muito animada — então quando chegar da escola, provavelmente não estaremos em casa!
– Vocês vão comer em um restaurante chique? E eu vou comer o que?
– Você já é bem grandinho, pode se virar — disse enquanto mastigava um pão que segurava em sua mão.
A cozinha era junta com a sala, a não ser por um balcão com pedra de mármore separando os cômodos.
– Já vou indo, tenho muitas coisas para resolver hoje, e seu pai teve que sair cedo hoje, ele terá que viajar no próximo sábado a trabalho — disse minha mãe pegando sua bolsa, celular e limpando as mãos na própria calça.
– Ele sempre está viajando, não chega a ser uma surpresa, e eu também não vou demorar para sair, não posso perder o ônibus.
– Certo, tchau!
– Tchau mãe! — ela saiu pela porta da sala apressada.
Logo eu sai também, não podia me atrasar, então fui direto pegar o ônibus que levava para a única escola de Stones. Os alunos ficas até três horas da tarde nas escolas, depois podem ir para suas casas, sendo que eles entram as sete, e tem uma hora para almoçar, que geralmente é no meio dia.
Peguei o mesmo ônibus que sempre pegava, sentei no mesmo lugar em que eu sempre sentava, olhei a mesma paisagem que eu sempre olhava, mas eu comecei a ter umas sensações ruins ao caminho da escola, de que algo iria dar errado.
Cheguei na escola, e fui direto para a sala, não estava me sentindo bem, não falei com nenhum de meus amigos, cheguei e sentei na carteira, logo em seguida as pessoas começaram a chegar para assistir a aula.
– James? Esta tudo bem? Você chegou e não falou com ninguém, e agora esta debruçado na carteira — disse a Gabi. Eu estava realmente debruçado, e com a cara virada para baixo.
Logo em seguida eu me ergui e virei para falar com ela:
– Eu não estou me sentindo bem.
– Alguma dor de barriga?
– Não, não e nada de mais, mais é que…
– É que?
– Eu ando tendo uns sonhos meio estranhos, e são sempre os mesmos, toda a vez que eu durmo, sonho que meus pais morrem
– Mas você… — antes que ela pudesse terminar de completar sua frase, Isenes, a professora de gramática ,entrou na sala, com sua enorme bolsa de couro.
Isenes retirou um grande livro de sua grande bolsa de couro e o abanou em suas mãos.
– Isso, é um grande livro — disse ela como se ninguém estivesse reparando no tamanho da coisa velha e cheias de paginas que estava em suas mãos — eu quero que todos vocês leiam para a próxima semana, e tragam um resumo completo por capitulo deste livro.
Depois uma voz soou no fundo da sala, provavelmente de Jon:
– E qual é o nome? Do livro?
– Uma ótima pergunta — disse Isenes em um tom sarcástico — se chama, ‘’Os Segredo de um Mundo Paralelo’’, é um clássico, e conta varias historias sobre bruxaria e misticismo, que será muito importante, não só para a nota, mas também para a sua cultura. Bom hoje vamos ver…
Antes que ela pudesse começar sua aula, eu cai no sono.
No sonho eu andava na chuva, vestindo um manto preto, na esquina da minha casa, onde se encontrava pequenos prédios de tijolos, na verdade eu estava indo para casa, e começava a escurecer, o sol se abaixava rapidamente e a lua se erguia no horizonte, quando eu dobrava a esquina uma luz de poste piscava até se apagar, eu olhava para a luz dourada enquanto as gotas de chuva caiam sobre o meu rosto, simplesmente adorava essa sensação. Mas quando eu voltei a olhar em frente, não segui meu caminho para casa, eu vi uma pessoa olhando para mim, uma mulher.
– James, James! — era a Gabi me acordando batendo com a mão em minhas costas — a aula dela já acabou!
Olhei para frente, e esperei o dia acabar na escola.
Quando deu meio dia e cinquenta, o sinal tocou, era a pausa para o almoço. E eu e meus amigos íamos almoçar em um restaurante na esquina da escola, não era um restaurante muito grande, mas tinha uma comida muito boa.
Ficamos conversando, simplesmente jogando conversa fora. Ao voltar para a escola, andando no asfalto cheio de folhas secas das arvores, me deparo com Isenes, ela estava descendo os degraus da porta do colégio, ela estava segurando sua bolsa, junto com um monte de chaveiros, mais o que tinha me chamado a atenção, foi um chaveiro de uma mão, fazendo um símbolo com os dedos, o indicador cruzava com o do meio e o dedão se juntava com o anelar e o mindinho.
Ainda tínhamos tempo até a próxima aula começar, então eu deixei meus amigos e fui para a biblioteca da escola procurar o livro que a professora tinha nos passado para ler. Levei um tempo até achar, e diferente daquele por mais estranho que pareça, o da biblioteca estava em perfeitas condições, então eu simplesmente o aluguei.
As aulas passaram depressa, e logo peguei o ônibus de volta para casa. O mesmo ônibus velho, e como de costume eu sentei no mesmo lugar, no meio e encostado na janela. Eu estava muito cansado. Eu estava quase dormindo quando o ônibus freio e me jogou para frente, levei um susto, mas logo me recompus. Depois ergui minha cabeça e me deparo com o motorista descendo do ônibus, logo depois ele voltou dizendo:
– O motor enguiçou, vai demorar um pouco para consertar, não é um problema muito grave, já ocorreu em outras ocasiões!
Não faltava muito para chegar em casa, então eu decidi descer do ônibus e ir andando, peguei minha mochila que tinha deixado em meus pés e fui para casa.
Faltava mais ou menos uns três quarteirões até chegar, e o tempo foi fechando, e começou uma pequena garoa. Não tinha nenhum guarda chuva para me proteger, então eu simplesmente comecei a ficar encharcado.
A chuva foi ficando cada vez mais forte, e o tempo foi escurecendo, olhei no meu relógio e eram quatro horas.
Continuei andando e me deparo com as luzes dos postes se acendendo, primeiro elas piscavam até se acenderem por completo. Meu coração começou a acelerar, pois cada vez que eu andava, mais próximo dos meus sonhos eu chegava. A chuva, os postes, a água escorrendo meu rosto, então eu passei a andar mais depressa.
Chegando na esquina da minha casa, eu vejo uma pessoa na outra esquina, ela estava vestindo preto, segurando um guarda chuva, mas não dava para ver seu rosto. Eu já esperava o pior, os pensamentos começaram a surgir em minha mente, será que quando eu chegasse em casa meus pais estariam enforcados e esfaqueados na sala? Será que eu os perderia para sempre? Ou isso era simplesmente fruto da minha imaginação?
A chuva ia ficando cada vez mais forte, mas logo cheguei em casa. Abri a porteira do jardim da casa 249, minhas mãos estavam gélidas, meu coração estava acelerado, eu sentia cada gota de chuva tocando minha pele.
Então eu abri a porta.
E eu não vi nenhum corpo pendurado, no mesmo instante eu já me acalmei, inspirei o ar e depois o joguei de volta da atmosfera. Como minha mãe tinha dito, ela e meu pai foram ao Hammer Sttee.
Quando eu coloquei minha mochila no chão eu escutei passos no andar de cima.
– Mãe? Você ainda esta aqui?
– Filho? Você chegou cedo querido! Como foi na escola — escutei sua voz no andar de cima, e mais uma vez, eu me acalmei.
– Foi normal, mas o ônibus quebrou e eu tive que vir andando!
– Nessa chuva?
– Sim!
Agora ela estava descendo a escada, ela estava com um vestido vermelho, toda arrumada para seu jantar ‘’especial’’.
– Então? Como é que eu estou?
E a olhei, ela estava muito bonita, mas como filho, as unidas palavras que saíram foram:- Bonitinha!
– Bonitinha? Ai meu deus, eu já volto! — ela se virou e subiu as escadas, dava para ouvir o barulho do seu salto lá em cima.
Provavelmente ela foi se trocar de novo, não deveria ter dado aquela resposta, mais eu estava todo molhado, e queria me trocar o mais rápido possível. Então eu subi para o meu quarto, e fechei a porta. Fui até o banheiro, e tirei minha roupa, deixei ela por completo na pia e fui pegar outra muda no meu armário.
Quanto eu terminei de me trocar eu abri a porta do quarto, e minha mãe estava com outro vestido, desta vez amarelo, ela tinha acabado de sair de seu quarto.
– E agora?
– Muito melhor!
Ela sorriu em um suspiro e se voltou para o quarto.
– Que horas vocês vão sair?
– Seu pai ficou de me buscar aqui!
Quando ela terminou de farpar, escutei uma buzina vindo do lado de fora da casa.
– É ele! — ela disse toda entusiasmada, me deu um beijo na bochecha e saiu.
Ela desceu as escadas e foi direto para o carro, meu pai nem desceu para nada, eles simplesmente saíram. Escutei ela batendo a porta de casa. Estava sozinho.
A noite foi caindo, e junto disso meu sono, logo eu me deitei na cama e dormi.
Nenhum sonho, nada!
Eu acordo com barulhos de passos e risos no corredor, vejo que acenderam a luz pela fresta da minha porta meia aberta. Olho no relógio e são exatamente meio noite. meus pais estavam chegando em casa, e deveriam ter se divertido para chegar tão tarde. Me virei para tentar dormir. Foi quando aconteceu.
Os risos pararam, e se transformaram em berros, Minha mãe gritou, mas logo parou então eu ouvi o barulho de um som seco, e abafado, algo tinha caído. Depois eu escuto meu pai gritando, gritando o nome de sua esposa, gritando o nome da minha mãe. E logo eu escuto outro barulho seco e abafado. No mesmo instante de tempo eu salto da minha cama, nem penso em acender a luz, abro a porta correndo e me deparo com a pior cena de minha vida. De cara eu olho para o chão e vejo os corpos de meus pais caídos e ensanguentados no chão, o sagre escorria muito rápido. Quando eu percebo, a luz não estava mais acesa, e o que iluminava era um espectro de luz em forma de um corpo de mulher, segurando uma faca. Fico sem reação, as lagrimas escorriam cada vez mais em meu rosto, estava desesperado. O fantasma foi desaparecendo, deixando para traz somente a faca, e uma pedra perfeitamente redonda e branca.
Volto a olhar os rostos dos meu pais. Eles estavam mortos.
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