Oceans
1 Capítulo 1
Em uma tarde de domingo Mike sentava em seu porão com um semblante triste enquanto esperava pelos seus amigos, apesar da felicidade de ter seu parceiro Will a salvo do demogorgon ele ainda não esquecia daquela que agora estava em sua mente todos os dias, era algo novo na qual não sabia lidar no momento e o atormentava toda a noite ao saber que sua amada não estaria ali, principalmente no baile de inverno no qual tinha a convidado.
Ele olhava ao redor de seu adorável lugar e se lembrava de tudo o que vivenciou naqueles dias, os sorrisos, os choros, as brigas e o amor. Não entendia como aquilo podia ter acontecido logo quando realmente sabia de seus sentimentos, ele lamentava muito o fato de não ter passado mais tempo com ela e de não ter aproveitado cada segundo sem nenhum tipo de preocupação, só ali com a Eleven brincando, sorrindo juntos, dando a menina o que ele provavelmente tinha noção até agora, uma família.
Rodeando o seu aconchegante porão ele finalmente chega a onde queria, o local preferido dela no qual a observava todos os dias e hoje se encontra vazia, mas a espera porque ele sabe, ele tem certeza de que um dia a mesma voltará e que poderá mostrar o quão a vida pode ser bela sem nenhum tipo de sofrimento ou um mundo onde não existem só pessoas más e sim uma variedade com bons corações.
-Mike-ouço a voz insubstituível de Dustin descendo as escadas com certeza junto de Lukas e Will — desculpa a demora, estávamos discutindo o fato de ainda não ter dado meu quadrinho a Will e ele quer a minha morte.
-Isso porque ele passou por muita coisa, mas nada nem mesmo aquele monstro fez ele esquecer seu precioso x-men 134.- dizia Lukas fazendo gestos como segurando as mãozinhas entre seu pescoço como uma linda dama.
-Você me paga Dustin, mas antes eu vou bem ali bater no Lukas- e correu em direção ao menino começando uma “luta” que só eles imaginavam que era séria, mas para os outros uma mera brincadeira de criança.
Mike olhava aquela situação sorrindo com a forma como os dois lidavam com a situação em si, mas por dentro estava lamentando o fato de que o Will nunca irá conhecer sua heroína e que só estará na mente daqueles que a vivenciaram nem que seja por horas, Dustin percebendo a feição do pobre garoto se aproximou dele sentando perto da cabana da el.
— Eu sei como se sente, eu também sinto muito a falta dela- dizia o menino de cabelos enrolados- mas sabe, eu sinto lá no fundo que ela ainda esta por aí e que um dia todos nós iremos vê-la, algum dia.
-Eu também sinto o mesmo, e eu não irei desistir de procura-la- Mike se levanta determinado e olha para trás- eu não só sinto, mas tenho certeza que ela vai voltar, pois ela não é de quebrar promessas e nós ainda temos uma.
Dustin o olhou meio sem entender o que seria a promessa afinal, porém sabia que era de grande importância, para ele principalmente, e esperava que tudo desse certo no final. Ele também se levantara apartando a briga dos outros que já estava a meia hora fingindo lutar com sabres de luzes e foram fazer o que gostavam mais.
Depois de exatas 10 horas jogando dungeons and dragons Jonathan veio buscar o Will e consequentemente os outros garotos foram juntos deixando Mike sozinho novamente em seu recinto, suspirando depois de exaustas horas de estratégias e brigas ele sobe para seu quarto passando direto pela sua mãe que estava preparando o jantar, chegando perto do seu quarto ele ouve Nancy conversando com seu namorado Steven o cara que na opinião dele era insuportável e um idiota de carteirinha, revirando os olhos foi finalmente entrando em seu quarto deitando sobre sua cama.
De repente ele ouve um barulho vindo da sua janela, suando frio girou para ver o que era, mas como imaginava não era nada aparentemente e voltou a sua posição anterior, no entanto o barulho voltou de novo e com mais intensidade fazendo-o pular de sua cama irritadíssimo, ele vai ate sua janela e olha em volta para ter certeza se não era sua imaginação pregando peças, quando teve certeza que era o nada ele senta em sua cama ainda olhando para aquela abertura na parede e não se contendo pôs-se a chorar a quanto tempo já segurava essa angústia, esse medo, essa dor da saudade? Da preocupação? Do seu primeiro amor sofrido, mas verdadeiro.
Sentado na beira de sua cama as lágrimas caíam pesadamente e o soluço ficava audível no local fazendo sua irmã abrir a porta e ver o que estava acontecendo, olhando o estado de seu irmão ela o abraça tentando amenizar o quer que seja a sua tristeza, Nancy sabia que ela não era a melhor para conversar com seu irmão, contudo, depois dos incidentes, ela se tornou mais próxima dele e sabia o quão ele estava a sofrer, e tinha mais ou menos ideia do que seria esta lastima. Quando o menino em seus braços começou a se acalmar ela o segurou olhando seu rostinho angustiado e inchado, os olhos marejados e vermelhos e naquele instante quis acabar com todos os problemas daquele pequeno garoto, no qual ainda tinha muito o que aprender nesta vida injusta.
— Eu sei que dói- ela falava enquanto afagava a cabeleira lisa do pequeno- mas tem que ser forte, voce não pode demonstrar fraqueza neste momento, eu sei que você é teimoso demais para esquecer tão facilmente, no entanto, voce tem que esquecer.
Ele a olhara por um bom tempo tentando entender o que ela acabara de dizer, esquece-la?! Jamais, nem que fosse para ganhar uma recompensa ele faria tal ato, ela fazia parte de sua vida agora não pode ser facilmente abandonada e tudo o que tiveram e o que já fez por todos? Não, isso ele descordava. Mike segura as mãos de sua irmã e responde para a mesma.
— A certas coisas que jamais podemos ter a audácia de esquecer- ele mira o semblante assustado de Nancy e continua- quando realmente saberes o que significa o amor entenderas o que estou falando.- nesse estante a jovem levanta impressionada e de certo modo afetada por suas palavras, no momento em que ia repreende-lo por tais palavras sua mãe aparece falando para descerem.
Nancy sai primeiro ainda desnorteada pelo acontecido e Mike vai direto ao banheiro limpar seu rosto marcado pelas lágrimas que antes soltara, depois de secar a face ele se dirige a sala de jantar com todos reunidos, o jantar seria um estrogonofe de carne o favorito, porém a fome não vinha de qualquer jeito. Sua mãe olhara preocupada por tal ação, já que o menino sempre amou esta refeição e com isso pôs-se a perguntar.
— O que tens meu filho, está estranho, não comes nada- sua mãe o olha de forma doce e terna fazendo com que todos o olhassem também- estás preocupado com alguma coisa?
-Não é nada mãe só estou meio indisposto mesmo- dizia o pequeno mexendo no garfo como se não quisesse nada- com sua licença, eu gostaria de subir...
Seu olhar perdido na mesa de jantar trazia uma áurea diferente no local, sua irmã abaixara a cabeça sabendo que não adiantaria muito ter outra conversa com o mesmo, ele era teimoso e não seguia os conselhos de alguém mais experiente, “quando realmente saberes o que significa o amor entenderas o que estou falando”, é... Talvez precise rever meus conceitos.
[...]
Deitado em sua cama espera que o sono o domine, porém, seu cérebro via como um pecado ter que passar a noite dormindo, a insônia vem como amiga e o envolve mostrando imagens que estão em seu coração no qual naquele instante gostaria de ficar de lado só um pouquinho, “waffles”, ela tinha uma certa paixão por waffles toda vez que via esse delicioso alimento o sorriso que vinha de seu lábio era de fato o mais bonito que vira.
De repente o barulho aparece novamente e com ele a angústia do menino, já que não aguantava mais isso o importunando, dessa vez ele tentou esquecer este pequeno detalhe para ter a obrigação de não ser perturbado. “Mike”, ele da um pulo da cama, olha no vidro da sua janela e corre para a mesma ao olhar em volta, então ele afirma que estava ficando maluco, entretanto um cheiro peculiar invadia suas narinas o que fez o garoto abrir sua janela e checar se era realmente o que estava imaginando, os olhos percorriam cada parte da imagem em sua visão, mas nada fazia o lembrar desse cheiro conhecido, quando do nada Mike olha para baixo e toma um longo susto e junto com ela a felicidade.
-Eu sabia- ele pega algo debaixo da sua janela- você jamais quebraria uma promessa não é mesmo...
As lágrimas caíam sobre seu rosto de criança trazendo consigo a esperança de que a verá novamente, ele sentia, tinha as provas em suas mãos agarrando -a logo depois da surpresa o pequeno senta em sua cama e deitado põem em seu peito o pequeno símbolo de seu amor, era simples, porém significativo mostrava que ela realmente não queria vê-lo sofrer pois não tinha um porque, não agora, o queria ver sorrir todos os dias e não a se debruçar e sofrer pela longa separação. Ele olha para o teto e as tolas gostas salgadas não paravam de aparecer entre seus olhinhos, “ por favor El, a onde voce estiver não se esqueça de mim, pois eu jamais deixarei de sonhar com você”. Com isso finalmente o sono vinha e com ele a certeza que não deveria desistir, não, jamais, mesmo que demoro dias, semanas, meses e anos, esperaria com paciência dessa vez, agora já sabia.
— Mal posso esperar para te ver no baile minha amada.
Em seus braços ele segurava a simples peruca loira e na sua mesa um pacote de waffles junto de um papel dizendo “ até o baile” e dessa vez sorrindo ele se pôs a dormir, lembrando que apesar do quão grande a distancia possa ser, nada, mas nada poderá afasta-los, pois, o amor está nas pequenas coisas e nos pequenos jestos.
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