Oceanos nada pacíficos

13 O Brendon Urie tá te olhando


Notas iniciais
Oi amoreees

Admito que queria, muito, ter ficado com o Caíque no apartamento dele, mas eu viajaria de manhazinha, então teria que dormir cedo e se eu ficasse com ele a última coisa que nós faríamos seria dormir cedo.

Quando entrei no meu apartamento, encontrei a Becca falando com o boy magia no telefone, fiquei zoando com a cara dela até ela desligar e depois fomos comer. Ainda ficamos conversando até começar a ficar tarde. Dormir é uma palavra muito forte para definir o que eu estava fazendo. Fiquei deitada olhando o teto e pensando em mil e uma coisas ao mesmo tempo, como o fato de eu, talvez, estar começando a baixar a guarda para o Caíque. Não no sentido de deixar as coisas acontecerem entre nós dois, mas no sentido de ter sentimentos por ele.

Dar uns pegas nele de vez em quando era "ok", afinal era exatamente o que ele queria. Mas a partir do momento que percebi que meus sentimentos por ele talvez fossem mais que só uma paixonite passageira, eu comecei a me preocupar. Talvez lá no fundo ele estivesse realmente fazendo um esforço para mudar ou talvez fosse só ilusão da minha cabeça, o fato é que estar tão vulnerável a ele não era uma coisa que me agradava.

Há muito tempo eu não me sentia vulnerável daquela forma e da última vez não tinha acabado bem, juntando isso ao fato de o Caíque ser como ele era só fazia me preocupar ainda mais, ficar pirando por causa disso só me deixou dormir lá pelas duas da manhã.

Não é necessário dizer que no dia seguinte eu acordei com muito sono, mas a ansiedade pela viagem me fez despertar no instante que o despertador começou a tocar. Fui me arrumar e terminei antes da Becca, então aproveitei que ela ainda estava escolhendo roupa (Quem em sã consciência escolhe roupa para ir ao aeroporto?) e fui fazer café porque eu sou claramente uma viciada.

Eu ainda estava com a xícara na mão quando alguém bateu na porta. Era o Caíque que havia insistido em nos levar até o aeroporto para, segundo ele mesmo, passar os últimos momentos perto de mim. Ainda tivemos que esperar a Rebecca, não que eu tenha reclamado já que deu tempo de dar vários beijos nele. Tenho que admitir que eu realmente sentiria falta dos beijos dele quando tudo começasse a desmoronar.

A Becca finalmente terminou de se vestir, nós trancamos o apartamento e fomos. Ao chegar ao aeroporto fizemos aquela burocracia de todo voo e ainda sobrou uma hora antes de entrarmos no avião, essa uma hora se resumiu à Becca, a Sof e o Caio conversando entre si e eu beijando o Caíque e de vez em quando parando para conversar.

Estávamos em um dessas pausas para conversa quando ouvimos o chamado para o nosso voo e eu vi o olhar de desapontado no rosto dele.

— Bom, acho que está na hora. – Eu falei me levantando e ele veio junto.

Quando começamos a andar até o portão de embarque ele segurou a minha mão. Só isso, pegou minha mão e foi desse jeito até chegarmos ao local onde nos separaríamos, claro que isso foi um ato totalmente bobo que passaria despercebido para outras pessoas, mas para mim não. Em mim esse simples trajeto de mãos dadas fez meu coração bater apressado. Parece bobagem, porque andar de mãos dadas era a coisa mais puritana que nós fazíamos em semanas, mas sempre achei que esse ato é uma prova de carinho maior que qualquer outra. Inclusive me lembrou de uma frase que li em um livro uma vez: " De mãos dadas se constrói uma relação. Do que sentem falta, os amantes clandestinos? Luxúria eles têm de sobra. O que lhes falta é esta forma brejeira de intimidade: Dar-se as mãos."

Ele provavelmente nem percebeu todo o meu êxtase com aquilo, e eu achei melhor assim. Ele ainda me segurou um pouco.

— Me deixa entrar no avião, garoto. Só assim eu posso te deixar solto para pegar várias. – Ele revirou os olhos e deu um sorrisinho de canto.

— Você realmente não acha que eu estou tentando melhorar, não é?

— De verdade? – Levantei a sobrancelha. – Não. – Por incrível que pareça ele não pareceu desapontado.

— Eu mereço isso, meu Deus. Mas isso é bom, porque quando você perceber que eu realmente estou tentando, a sua reação vai ser ótima e eu sou um cara persistente. – Ele piscou.

— Ué, faltou a parte do convencido.

— Não, realista. – Ele riu.

— Ah 'tá. – Nós dois rimos e ele me puxou para outro beijo.

— Você tem mesmo que ir? – Ele perguntou depois de nos soltarmos.

— Tenho.

— Não, fica por aqui. Só porque Florianópolis tem praia. Aqui também tem. Sem contar que aqui você pode fazer coisa muito melhor que lá.

— Ah é? O quê? – Eu arqueei a sobrancelha.

— O horário não permite citações em voz alta, mas você sabe muito bem do que eu estou falando.

— Sei, e quem disse que eu não posso transar em Floripa?

— Mas não comigo.

— Que convencido, socorro.

— Viu? Como que você pretende passar uma semana sem esse convencido aqui?

— Ah, vai ser péssimo mesmo, uma semana sem você se gabando.

— Exatamente. – Ele jogou as mãos para o alto exasperado.

— Com licença, moça, se você vai nesse voo tem que entrar agora. – A aeromoça chamou nossa atenção.

— Tudo bem. Tchau. – Dei um selinho nele.

— Ah não, se vai se despedir de mim tem que ser direito.

Após terminar a frase ele me puxou para um beijo que me deixou sem fôlego e que eu demorei alguns segundos para conseguir voltar ao normal. Ele me abraçou e eu finalmente embarquei no avião. A Sof foi dormindo o voo todo, enquanto a Becca e o Caio conversavam e eu ouvia música e lia.

Claro que eu tive que ler o mesmo parágrafo inúmeras vezes porque de instante em instante, aquela despedida do Caíque me vinha à cabeça. O voo ocorreu sem problemas e chegamos até mais cedo do que o previsto. Pegamos um táxi até o hotel e nos instalamos rapidamente. Cada um ficou com o quarto, o que era estranho para mim já que eu estava acostumada a dividir quase tudo com a Becca.

Tomei banho e pus um biquíni e uma canga preta. Fui chamar a Becca, a Sof e o Caio para irmos à piscina. As meninas disseram que iriam depois, então fomos só eu e o Caio. O melhor de tudo foi as meninas praticamente babando com o Caio só de shorts. Eu não as culpo, o Caio realmente tinha um corpo lindo, ele tinha inclusive sido meu crush antes de eu fazer amizade com ele e descobrir que ele era gay.

Uma menina chegou, inclusive, a vir falar comigo para perguntar se eu era namorada dele. Quando eu contei a ele, ele caiu na gargalhada. Depois fomos dar um mergulho e ficamos na piscina até as meninas chegarem. Perto da hora do almoço, saímos da piscina e fomos até o restaurante atrás de comer algo.

Pela tarde arrastei todo mundo comigo para fazer uma trilha que eu havia visto o anúncio em um panfleto na entrada do hotel. Quando chegamos de volta ao hotel já passavam das 17h30. Não que o cansaço tenha impedido a Becca de insistir em ir a uma festa.

Mas afinal, estávamos de férias, aproveitar ao máximo era nosso objetivo. Eu fui uma das primeiras a terminar de me arrumar, então desci para o saguão do hotel, onde nós combinamos de nos encontrar. Pouco depois, a Sof desceu e nós ficamos conversando. O Caio conseguiu a proeza de demorar mais que a Becca para se arrumar e quando finalmente, todos estavam lá, fomos para a tal festa.

Era um luau, uma parte da praia estava coberta e haviam algumas mesas com comida e bebida. O DJ alternava os estilos musicais de vez em quando, mas esses se resumiam à funk, reggae e de vez em quando sertanejo.

Formamos uma panelinha que quando eu menos percebi já tinha virado uma panelona devido ao talento comunicativo da Becca e do Caio. Estávamos dançando quando de repente o Caio me cutuca e aponta para um cara não muito longe de nós.

— É impressão minha ou o Brendou Urie ali não tira os olhos de você? – Ele chamou o garoto de Brendon Urie porque ele realmente lembrava o vocalista do Panic! At The Disco.

— Deve ser impressão sua, Caio.

— Bom, então ele deve ser louco porque está sorrindo para você.

— Não pira, Caio. Deve estar sorrindo para você, nós dois sabemos quem tem o sex appeal aqui, não é, querido?!

— Fato. – Ele deu de ombros e eu ri. – Mas ainda acho que ele está afim de você.

— Sei. – Ri e continuei dançando.

Pouco depois, fui atrás de algo para comer e descobri que o Caio estava certo, o "Brendon" se aproximou de mim enquanto eu me servia.

— Pensei que eu fosse ter que descer até o chão junto com as suas amigas para conseguir conversar. – Nós dois rimos. – Eu sou o Guilherme, à proposito.

— Prazer, Guilherme. Eu me chamo Bárbara, mas a menos que você esteja irritado comigo, é melhor chamar de Babi. – Ele riu.

— O prazer é todo meu, Babi. – Gostei do som do meu nome saindo da boca dele. – Você não é daqui.

— Não. – Sorri. – Moro no Rio.

— Ah, entendi. Mas seu sotaque não parece do Rio.

— É porque eu não nasci no Rio, na verdade. Nasci em Fortaleza, mas me mudei para o Rio há uns quatro anos. Nunca notei que ainda tenho sotaque, acho que as pessoas já acostumaram.

— Deve ser.

— E você, é daqui?

— Não, sou gaúcho. Nascido e criado. – Ele sorriu e o achei mais fofo ainda.

Ficamos um tempão conversando até que começou a tocar uma música de forró e ele me chamou para dançar. Modéstia à parte, nós arrasamos, ainda ficamos dançando um pouco e conversando, acabamos descobrindo que estávamos hospedados no mesmo hotel. Pouco depois um amigo dele chegou chamando-o para ir embora, porque outro amigo dele tinha dado PT.

Trocamos telefone, ele foi socorrer o amigo e eu voltei para onde meus amigos estavam. Claro que no instante que a música permitiu o interrogatório começou, falei tudo que eu sabia sobre o boy e eles me deixaram em paz.

Ainda ficamos um tempo por lá, mas quando a festa começou a esvaziar decidimos voltar para o hotel. Nós despedimos e fomos cada um para o seu quarto. Só tive forças para tomar banho, escovar os dentes e me jogar na cama.

Acordei com a luz do sol no meu rosto no dia seguinte, ainda eram seis da manhã. Fiz minhas higienes matinais, pedi meu café da manhã e desci para dar uma volta na praia. Acabei encontrando uma loja que alugava pranchas, peguei uma e fui pegar umas ondas.

Depois de sair do mar ainda andei um pouco pela praia e depois voltei para o hotel, eu estava indo em direção ao elevador quando a porta se abriu e saiu de lá nada mais nada menos do que o Guilherme, o boyzinho do dia anterior.

Ele estava de cabeça baixa concentrado no celular, mas pareceu sentir meu olhar e levantou a cabeça me encontrando. Ele abriu um sorriso no mesmo instante, veio na minha direção e me abraçou.

Notas finais
Espero que gostem ♥