Logo depois de colocar o lixo no corredor, como o Deku tinha pedido, Bakugo decidiu que precisava de uma ducha gelada.

Ele ainda podia sentir o calor de ter estado perto do nerd. Por dentro duplamente animado — por ter voltado a falar com ele, apesar de não admitir — e zangado, pois o nerd teve a audácia de vir tentar explicar sobre seu “rompimento”, se é que tinha alguma coisa para explicar.

Então o loiro apenas foi para o banheiro do andar, decidido a abrandar suas memórias recentes e esquecer aquele sorriso constrangedor. A ducha era para lavar o suor do treino principalmente, mas ele também queria garantir que não ia ficar excitado depois de sentir Deku de tão perto.

— TCH! — estalou para o ar enquanto tirava a camisa. No movimento, sentiu uma leve dor no braço, onde tinha absorvido o impacto na luta anterior. — Caralho.

Ele jogou a blusa no cesto enquanto tirava todo o resto com a outra mão, sentindo-se cada vez mais irritado. Ele não estava no clima para ficar excitado e sentir dor ao mesmo tempo, mas mesmo assim sentia seu membro respondendo agora que estava sozinho.

A porta do box estava aberta, mas ele quase tropeçou no batente. Bakugo soltou outro xingo ao passo que ia entrando e girando as torneiras.

O loiro ouviu o próprio bufo ecoando nas quatro paredes extremamente estreitas. Sua respiração fora de ritmo e suas costas crispando. A sensação crescente em seus testículos, fazendo o calor e o sangue subir e subir. Ele não conseguia mais achar seu fôlego e nem sentir a água gelada.

— Hm...

Ele murmurou, fechando os olhos e apoiando a testa nos antebraços contra o azulejo frio. Podia sentir combustão em todos seus poros. Seu corpo gritava.

O riso do Deku cortava sua mente e ele não podia fazer nada para parar.

Na hora que ele ensinou para o nerd como flexionar o braço em movimento de rosca, coisa que o nerd fazia completamente errado, ele quase não resistiu. Foi o modo que os olhos verdes brilharam cheios de admiração, enchendo seu jarrinho de puro ego até o topo.

E o cheiro... Bem, ninguém sabia o quanto ele era perceptivo com esse detalhe. E Deku exalava esse aroma nostálgico. Sim, ele era mais másculo atualmente, mas aquele leve toque de jasmim tinha permanecido desde sempre. E o perseguia.

E quando estavam no almoço, antes do nerd vir com toda a baboseira, ele de repente ficou distante, viajando nos pensamentos daquele jeito que sempre fazia. E Bakugo sabia que uma grande parte sua adorava ser o foco no ambiente. Se o nerd não estava prestando atenção nele, algo estava errado.

— Hm... — Bakugo gemeu baixo, tão baixo que nem tinha se dado conta. Seu pênis completamente ereto contra a parede fria latejava já úmido.

Ele sentiu vergonha por se sentir tão necessitado. Ele disse a si mesmo que a culpa era do Deku por ter sido a única pessoa com quem teve contato íntimo. Em todos os níveis. Ou pelo menos era o que ele acreditava.

Bakugo deixou sua mão descer, rápida e trêmula para destruir a prova que o fazia se sentir como um idiota rastejante pelo Midoriya.

Ele queria ter o Deku. Ele queria possuí-lo. Sentia algo enfurecedor, sensual e arrebatador por ele. Principalmente quando o Deku o enfrentava como ontem e como hoje.

O loiro realmente não sabia como lidar com todas as informações que estava recebendo, nem com seus sentimentos extremamente complicados em relação ao Deku. Ele sabia que era normal suas frustrações e hormônios borbulharem em momentos como esse, quando ele estava tão sensível, mas ele continuava odiando. Ele odiava não ter o controle sobre tudo.

Ah-

Bakugo tapou a boca enquanto escorria os dedos pelo membro lentamente, lembrando-se de como era entrar no calor de Deku. De marcar os quadris firmes com seus dedos e deslizar... Deslizar devagar, forçando, sendo abrigado, sentindo como se seu corpo efervescesse e suas coxas tremessem.

— H-Hmm-! — Bakugo gemeu alto, abafando sua boca no antebraço e fechando o punho na base de seu pênis, impedindo a sensação intensa de consumi-lo inteiro.

Seus joelhos tocaram a parede, cedendo por causa da moleza de suas pernas.

XXX

Assim que Midoriya finalizou a última tarefa do dia, se sentou na cama diligentemente com as mãos nos joelhos e a coluna reta.

Sua testa franziu assim que ele se lembrou de momentos atrás e, em seguida, cobriu a boca com sua típica reação nervosa.

“O que foi aquilo?!” Pensou horrorizado. Mas ele sabia bem que por mais que pensasse ele não conseguiria chegar a uma reposta completa.

Agora, você se pergunta o que raios aconteceu com ele. E o fato é que: não menos que há cinco minutos, Midoriya pensou ter visto um rosto na parede. E o rosto falou com ele.

E como era normal em ocasiões parecidas, o garoto começou a resmungar questões e repostas, perturbado com aquele rosto esquisito. Por que, sabe? AQUELES OLHOS ERAM TOTALMENTE ESTRANHOS! Eram olhinhos parecendo amendoim! Tipo, quem tem olhos assim?!

Midoriya tinha visto inúmeras pessoas com aparências distintas. Veja o Tokoyami-kun por exemplo. Bico, sabe? Mas o mais importante: aquele rosto parecia conhecê-lo? Midoriya não lembrava de ter visto alguém na escola com esses olhos de Tin Tin antes.

— Hmmmm...! — Midoriya fechou os olhos tentando se lembrar. Ele torcia para que fosse um aluno, por que e se fosse um vilão invadindo a UA? Apesar de absurdamente improvável.

Sem conseguir se aquietar, ele se levantou com tudo, cortando seus pensamentos.

— Respira fundo. — murmurou, fazendo um movimento de inspiração com as mãos.

Ele tentou se distrair, trocando a camisa que já estava grudando no corpo, e batendo um papo curto com sua figure favorita do All Might. Isso o fez perceber que talvez chegasse a uma melhor conclusão se pedisse a opinião de alguém real — o que o levou a conferir sua lista de conversas, tentando pensar em quem seria mais indicado pra falar sobre esse assunto.

Mas depois de um minuto, sem se sentir confortável em falar sobre seu interesse amoroso com ninguém, e sem falar na questão da sexualidade, ele estava quase perdendo a coragem. Então, foi em boa hora que recebeu uma mensagem da Uraraka.

Ele foi para ver o que a amiga tinha mandado, mas parou no meio do caminho, completamente inseguro. Ele ponderou de novo, pensando se valia a pena correr o risco de falar sobre o assunto.

Midoriya se esticou na cama, pensando em seu cronograma de estudos dali vinte minutos. Ele tinha sim tempo para responder a colega, mas estava entre isso e tentar descansar um pouco. Mas, principalmente, em não pensar em como Kacchan tinha ficado a cinco centímetros de distância e ele não pirou com seu corpo esquentando loucamente.

Então ele cedeu, abrindo a mensagem e quase imediatamente arregalando os olhos.

Deku-kun, você e o Bakugo-kun realmente fizeram as pazes? :(

Ultimamente vocês parecem mais distantes do que o normal. Você nunca mais falou do mesmo jeito sobre ele.

Eu sei que não deveria me intrometer, mas eu estou preocupada. Claro, você não precisa falar sobre isso se não quiser.

Mas se precisar, eu posso te ouvir ok? :3

— Uraraka-san...

Midoriya jogou os braços sobre os olhos, sem saber o que responder. Ele não queria causar problemas para a amiga, ainda mais quando eles tinham coisas mais importantes para se preocupar no colégio. E claro, ele mesmo não entendia o que estava acontecendo direito.

Obviamente, hoje ele aprendeu algumas coisas.

Primeiro: Kacchan não se afastou dele. Foi ele mesmo quem decidiu se afastar.

Segundo: Ele ainda não tinha descoberto se Kacchan só gostava de ficar com ele ou se gostava dele.

Terceiro: Kacchan era claramente do tipo passivo–agressivo. Ele estava dizendo que não queria ouvir explicação e que não fazia sentido eles falarem sobre “término” já que desde o começo eles não estavam juntos, mas Midoriya confiava em sua percepção para dizer que Kacchan tentou disfarçar sua mágoa com lógica.

Enfim, ele estava uma confusão só. Não era uma boa hora para se abrir com a amiga e vir com:

“Então, eu gosto de garotas e garotos, Uraraka-san. E eu tenho uma atração pelo Kacchan de um jeito estranho porque eu admiro tudo sobre ele e acho os tríceps dele lindos, mas esse sentimento é ainda mais excitante quando a gente briga... Que é quando me faz querer que ele me reconheça ainda mais. E também beijar ele. Só que o Kacchan diz que a gente nunca teve nada demais, mesmo quando ficava só comigo e me tratava como se eu fosse exclusivo. E o pior: naquela época ele parou de me beijar, mas fazíamos sexo. E agora parece que ele está bravo por termos parado com nossos encontros, mas ele insiste dizer que nunca ligou.

E tudo isso está me matando. Será que eu beijo mal ou coisa assim? Antes a gente se beijava o tempo inteiro. Foi aí que achei que ele não gostava de mim e eu comecei a me sentir mal. As aulas tomaram meu tempo e eu me afastei e coloquei toda a culpa nele”.

“AHH...” Midoriya virou-se na cama, colocando o travesseiro sobre a cabeça. “Se alguém tem uma localização exata para resolver essa situação, por favor, me mande agora”.

— Quero que a gente volte ao normal, Kacchan. — Midoriya murmurou, voltando o travesseiro no lugar e abraçando-o.

Não demorou alguns segundos para seu corpo responder ao chamado. Sua frente tocando no edredom macio, inspirando-o a movimentar seu quadril devagar. Seu membro embaraçosamente enrijecendo com a imagem de Kacchan gravada em sua mente. Aquele rosto quente, o olhar estreito e focado enquanto metia nele.

— Hm não. — Midoriya franziu a testa, sentindo uma excitação vibrante. Ele precisava ir estudar. Ele precisava tentar ser racional sobre seus sentimentos. Ele precisava evitar ter expectativas porque não tinha certeza, mas Kacchan dizia não querer nada sério com ele e essa era uma grande possibilidade. Midoriya seria masoquista se tentasse voltar com as coisas do jeito que estavam.

Mas ele era apenas um adolescente. Era difícil controlar esse tipo de coisa.

Seus olhos procuraram qualquer coisa na parede de seu quarto que pudesse distraí-lo, mas sua mente ansiosa simplesmente não deixava.

Midoriya então tomou uma súbita decisão. Ele se levantou de uma vez, sem dar tempo para suas emoções o travarem.

— Preciso falar com o Kacchan.

XXX

Pff, como se aquela fosse uma ideia inteligente!

Midoriya sentia não estar fazendo as melhores das decisões quando se tratava do seu relacionamento com o amigo de infância, mas ele não estava tendo muita escolha agora.

Ele deveria ser sincero com Kacchan. Dizer o que de fato sentia, que queria tentar de novo. Que gostava dele um pouco mais do que o normal e que precisava de uma resposta concreta dos seus sentimentos. Se não, ele poderia desistir de Kacchan e seguir em frente. Sabia que pelo menos era assim que as coisas deviam acontecer.

Mas não foi o que aconteceu.

— Hah?! — Bakugo franziu a testa e seus olhos tornaram-se ameaçadores instantaneamente. — Um rosto?

— Uhm, sim. Foi quando estava descartando o lixo. Eu fiquei um pouco nervoso. E como nós dois estamos responsáveis pelo Heights Alliance, eu achei que você deveria saber, Kacchan. — Midoriya explicava o ocorrido com um sorriso sem jeito e os olhos colados no chão.

Ele podia jurar que suas bochechas estavam vermelhas. Pelo menos ele as sentia pegando fogo. E não para menos, já que Kacchan tinha atendido a porta com a toalha vermelha nos ombros, sem camisa, as calças escuras pendendo do quadril como sempre.

Os aromas de sabonete e shampoo acariciavam sua boca e nariz, fazendo-o querer se inclinar e inspirar profundamente. Eram tão envolventes que fizeram seu membro contrair uma vez em seu confinamento.

O garoto engoliu em seco, olhando de canto para o loiro.

Bakugo desfez a expressão de confusão e soltou um “tch”, sua face também avermelhando. Midoriya não sabia o que o tinha feito reagir assim, mas ele não reclamaria.

— Impossível, nerd. Você sabe bem disso. — o loiro respondeu convencido, colocando uma das mãos na cintura, os dedos bem acima da sua linha v, e a outra apoiando no batente da porta.

“OK”. Midoriya suou frio com a aproximação e aquela pose tão... Sexy. Era difícil saber pra onde olhar.

— Tá ouvindo, Deku?

— S-SIM?!

Bakugo bufou, fitando-o. Os dois quietos por um pequeno instante.

Midoriya sentiu o ar em volta refrescante, percebendo imediatamente a docilidade de Kacchan, aquela pequena abertura que dava quando estavam sozinhos. Midoriya pensou ter perdido a habilidade de ler Kacchan, mas se lembrar desses pequenos detalhes o fez se sentir melhor, como se eles tivessem uma ligação que ninguém mais tinha.

E logo quando o silêncio começou a se estender demais...

— Entra.

Veio o convite assim, acompanhado de um gesto do dedo indicador. Bakugo puxou a toalha pra cabeça enquanto dava as costas para o esverdeado, dando-lhe uma visão quase pecaminosa dos músculos dorsais.

XXX

Bakugo mordeu o lábio por dentro, apertando a toalha sem deixar que o idiota do Deku notasse.

Se bem que ele era um idiota também. Ele ainda queria fingir que não se interessava pelo nerd, mas não conseguia ignorá-lo. Mesmo uma hora atrás ele estava dando toda sua atenção para ele, mesmo sabendo que o nerd era inteligente o suficiente para entender as dicas.

Mas mesmo entendendo, Deku era do tipo que nunca teria certeza se ele não admitisse, se não falasse com todas as palavras o que sentia.

Era uma benção e uma maldição que os dois não pudessem ler os pensamentos um do outro. Bakugo não precisaria por em palavras suas emoções, nem seus desejos. Ele se sentia envergonhado e impaciente demais para isso. Ele detestava a ideia de ter que conversar. Ele nunca poderia ser o melhor de todos se continuasse cedendo às suas emoções.

E ainda assim, ele não tinha conseguido despachar o Deku. Seu corpo vibrou todo novamente ao vê-lo em sua porta com aquele olhar repleto de pedidos e promessas.

Patético. Bakugo se sentia exposto e patético.

“Deku idiota, só entende!”

— Kacchan, eu vim aqui na verdade por causa da nossa conversa de antes. — ele disse e esperou. Seu tom foi altivo, como ficava em uma luta.

Deku estava testando ele, analisando-o primeiro.

Dois podiam entrar no jogo.

— Ainda pensando naquilo? — Bakugo respondeu mexendo no cabelo, caminhando até a cama. Seu rosto quente e um amontoado de sentimentos revoltando em seu interior. Ele ainda estava com raiva do Deku. Era melhor que o nerd notasse logo o porquê.

Ambos trocaram olhares. Os dois se encarando diretamente, escondendo seus propósitos, sabendo que o outro poderia lê-lo.

Foi extremamente cansativo depois de uns segundos. Bakugo não sabia por que ter o Deku passando por suas defesas o deixava tão irritado. Seria mais fácil deixá-lo entrar. Ele queria isso, justamente nesses momentos de intimidade, mas ele sabia também que deixar alguém entrar significava ter uma fraqueza, uma a mais.

Até parecia que sua mente e seu corpo estavam desconectados.

— Por acaso se lembrou que tinha mais alguma coisa para dizer? Não que vá fazer alguma diferença para mim.

O loiro cruzou os braços, finalmente desviando o olhar, mas conseguiu ver o Deku encolhendo os ombros pelo canto.

— Hm, sim. — Midoriya olhava para o chão, parecendo hesitante. Ele mostrava um olhar machucado agora. Claramente era um assunto difícil para ele.

“Isso é difícil para mim também, Deku! Que irritante!”

Os olhos verdes, tão escuros, procuraram o Bakugo de novo.

Aquele sentimento de incerteza tocando ambos os garotos, tão palpável, deixava visível o quanto eles eram incompatíveis, mas também o quanto eles queriam estar juntos.

— Kacchan me disse que na verdade você gostava... Quando estávamos juntos. — Midoriya começou, a cara ficando gradualmente mais quente. Ele grudou as mãos nos lados do corpo para manter uma base sólida.

— Não foi isso que eu disse. — Kacchan o cortou quase imediatamente, estreitando os olhos, sua voz saindo rascada. O loiro resmungou consigo mentalmente, indagando se o nerd ia mesmo ter coragem. Ele não ia dar nenhuma dica. O Deku teria que admitir o erro e se arrastar para compensar aquela palhaçada toda.

— Sim, mas você não desgostava. E eu também não.

— Tipo isso. — Bakugo estreitou ainda mais os olhos, querendo saber onde isso ia chegar.

Midoriya suspirou, coçando a nuca. Ele pensou um pouco e sua expressão ficou levemente tensa. Um pouco irritada.

— Kacchan, o problema é que você disse que nós só tínhamos uma coisa: atração. No começo.

— E qual o problema nisso? — Kacchan rangeu os dentes. Pessoalmente, ele não via o problema. Eles ficavam, eles estavam juntos, estava tudo bem. Deku apenas pulou fora. Quem era o errado ali?

— Eu não sabia se era uma boa ideia continuar com aquilo com sentimentos tão...

Midoriya mexeu as mãos, sem achar uma palavra adequada.

— ... Não. Não queria continuar sem sentimentos.

Bakugo piscou e tentou recapitular. Tentar assimilar o que o nerd queria dizer. Mas, primeiro, ele estava puto, porque o desgraçado só estava apontando o que ele tinha feito e nada sobre si mesmo!

— “Sem sentimentos?” — Bakugo repetiu, se levantando, surpreendentemente calmo agora.

Midoriya não escapou do seu olhar cortante.

— Primeiro que eu já tinha dito que não queria conversar mais. Mas já que você quer tanto me encher o saco eu vou-, — Bakugo começou, mas foi cortado pelo outro rapaz quase instantaneamente.

— Esse é o problema, Kaccchan! Eu sou perda de tempo pra você?! — seu olhar passou de inseguro para irritado e ferido. — Eu sei que a gente estava “de acordo” com o que estava acontecendo. Você disse claramente que era só um lance. Você disse naquela época e hoje de novo, você repetiu com todas as letras. Mas porque eu não consigo acreditar?! Você só está se protegendo e me usando pra se sentir melhor em relação à sua parcela de culpa não é?!

“AH NÃO. ELE NÃO DISSE.” Bakugo trincou os dentes, sentindo que o Deku estava ali só pra apontar o dedo.

Midoriya com certeza foi capaz de ouvir seu pensamento, pois ele fechou os punhos em resposta do lado do corpo, a testa franzida e uma encarada tipo “Não gostou de ouvir a verdade, né?”. E não, não era verdade.

— ATÉ AGORA-! — Bakugou rosnou, andando e apontando pro Midoriya. Sua voz tomando conta do espaço. Não era assim que ele queria brigar, mas ele não conseguia conter seus sentimentos engarrafados agora. — Até agora, seu desgraçado, você não falou UMA palavra sobre o caralho do que você queria me dizer de verdade!

O garoto abriu a boca, mas hesitou.

— VAI, FALA. — Bakugo gritou, passado.

— OKAY! Você gostava de ficar comigo, mas era só por que eu era conveniente! É isso não é?!

— Conveniente?! Tá dizendo que eu tirava vantagem em cima de você?! Só me explica, Deku, porque isso que eu tô ouvindo é uma grande merda.

Com certeza ficar com o Deku era a coisa mais inconveniente do mundo. Como o esverdeado não percebia isso?! Era tão óbvio!

Midoriya também, estava com os nervos à flor da pele agora. Ele parecia não saber direito o que dizer, mas sua postura começou a ficar mais agressiva.

— Eu não queria ser só um objeto, Kacchan. Ficar daquele jeito sem sentimentos podia até ser bom pra você, mas aquilo estava fazendo mal pra mim.

Bakugo sentia sua alma saindo do corpo com tanta merda que ouvia. Ele queria agarrar o pescoço do Deku agora. Ele queria fazê-lo entender. De qualquer jeito. Eles precisavam resolver tudo nesse mesmo instante.

— Então você acha válido ter sumido daquele jeito? — Bakugou soltou entre os dentes trincados, os braços cruzando sobre o peitoral nu, incapaz de falar as palavras tão simples em seu cérebro enquanto sofria com seu próprio orgulho.

Midoriya inspirou inquieto e logo respondeu:

— Eu pensei que você não guardava remorso e que não se importava. Foi o que você disse ainda recentemente, lembra? — Midoriya cruzou os braços também, acusativo.

A sobrancelha loira tremeu levemente.

— Não foge do assunto, Deku! Eu e você estávamos juntos meio que de acordo sim! Eu falei sim que era só um lance. Mas você sumiu. VOCÊ deu o fora em mim. Ou eu tô errado?!

Midoriya arregalou os olhos em resposta. Não imaginava que ele iria ouvir essas palavras tão diretamente.

— Só fala! Eu tô errado?! — Bakugo perguntou de novo, acenando pra ele, seu rosto vermelho, provavelmente de mágoa.

Midoriya abriu os braços, perdendo a calma.

— Mas foi por que-,

E ele parou, sentindo sua respiração muito rápida. Midoriya não queria admitir que tinha fugido da verdade.

— E o que importa se eu pulei fora? Naquela hora eu realmente achei que você não queria nada comigo. — Midoriya baixou a voz, mas manteve os olhos presos no loiro. Ele não estava certo, mas também estava extremamente confuso na época.

Como sempre parecia que a conversa não chegaria em lugar nenhum.

— O que é que você veio fazer aqui, Deku? — ele indagou, possesso. — Você que quis desenterrar tudo isso. Por que eu tenho que ouvir seu choro quando eu fui claro o tempo todo?

Midoriya foi quem trincou os dentes agora, um buraco em seu estômago se abrindo com o sentimento de ansiedade e insegurança.

— Você some, aparece de novo e tem a cara de pau de me dizer que eu tirava vantagem de você quando estávamos num acordo. Vem e fala tudo o que quer, mas é incapaz de dizer o que caralho você quer de mim. — Bakugo passou a mão no cabelo, sem vontade de olhar pro Deku ou era possível ele dar outra surra nele.

— Kacchan, eu também não sei o que você quer de mim! Você disse que não liga, mas parece que é o contrário. Se você não liga, não deveria ter problema em falar sobre o que aconteceu em primeiro lugar. — Midoriya respondeu, mas seu maxilar doía. Ele sabia o que queria, mas não conseguia propor, sabendo que só sofreria. Por que ele tinha que sentir esses sentimentos logo por Kacchan?

“Esse cara é impossível!” Bakugo resmungou sofridamente em seus pensamentos.

— Deku, você tem é que tirar essas expectativas que você tem de mim da tua cabeça! Eu não sou um puto de um animal. Eu não passava meu tempo com você só pelo meu divertimento. Eu poderia estar me dedicando nos meus objetivos, mas eu estava gastando meu tempo com você. ONDE nisso que você é conveniente? E eu nem pedi explicação pra você! Quando você sumiu, eu simplesmente entendi. Não ia rolar mais. Então porque você está todo incomodado?

Midoriya engoliu em seco enquanto Bakugo tomava um rápido ar pra continuar vomitando suas frustrações.

— A gente fazia “sem sentimentos”? Mas se te incomodava, você devia ter dito, não ter assumido um monte de coisas e sumido! Mas já que foi o que você escolheu, eu fiquei na minha. E você poderia sim, ter continuado a sua vida e eu teria cagado! Mas você tá aqui querendo que eu faça o quê?! O que eu vejo é você chorando e me acusando das coisas que eu fiz ou deixei de fazer nessa fantasia da sua cabeça! Será que isso não é sobre você próprio, hein?!

O esverdeado mordia o lábio inferior. Processava tudo. Sabia o que tinha pra dizer, mas era um puto covarde. Ainda. Kacchan não o entenderia. Kacchan não se sentia da mesma forma que ele. Eles eram muito diferentes.

— Eu já entendi Kacchan! A culpa foi minha! — Midoriya balançou a cabeça, sentindo os olhos ficarem cada vez mais pesados e molhados. — Me desculpa e eu não vou te incomodar mais com isso!

Midoriya deu as costas pra sair do quarto, o peito apertando como se houvesse um tubo sugando-o de fora para dentro. Parecia que ele tinha voltado a ser criança e o sentimento de desolação que o abateu quando ouviu que nunca desenvolveria uma individualidade.

— A gente não terminou ainda! Vai fugir de novo, Deku!? — Bakugo exclamou, sua voz quebrando, sua mão automaticamente, cheia de desespero, agarrando o bíceps de Midoriya. Seu corpo indo pra frente e prendendo-o contra a porta.

— Hm! — Midoriya gemeu, encolhendo pela força que o outro usou em seu braço machucado. E assim que olhou para cima, viu-se encurralado, tão próximos que era possível sentir o calor emanando de Kacchan.

Bakugo continuou ali, imóvel, diminuindo a força do seu toque, mas sem soltá-lo ainda que eu estômago estivesse virando de ponta de cabeça e sem entender por que era tão difícil lidar com seus sentimentos.

Os dois fitavam um ao outro com a mesma expressão chocada. As respirações desreguladas, faces quentes, adrenalina pura. Era tão... cru. Era tão palpável o que eles queriam.

Por que eles não conseguiam só deixar acontecer? Era tão fácil. Seus corpos gradualmente se aproximavam, atraindo-se como ímãs.

Midoriya mordeu o lábio por dentro, tentando conter aqueles desejos. A mão de Bakugo em seu braço parecia lava. Ele conseguia ouvir a respiração entrecortada do loiro, praticamente gritando para não ir.

Bakugo fitou os lábios do mais baixo, sentindo um arrepio maravilhoso descer de sua espinha abaixo diretamente para seu membro. Ele os desejou fortemente, seus dedos levemente puxando-o para si.

— Não terminamos ainda, não é... Deku?

A voz de Kacchan foi um sopro de ar quente, imbuído de pura excitação. Seu olhar era quase hipnotizador enquanto sua mão o soltava para buscar seu pescoço, movimentando-se de forma esgueira, como uma serpente enrolando em sua pele.

— Ka-Kacchan-, — Midoriya gemeu com voz falha e rendida ao sentir os dedos enrolando nos fios atrás de sua nuca.

O murmúrio do esverdeado ecoou nos ouvidos do loiro, fazendo-o se aproximar mais.

Kacchan... — ele gemeu novamente, mal resistindo ao toque que o fazia derreter e fechar os olhos, como um animal necessitado de carinho.

Os olhos do rapaz se tornaram úmidos, mas seu corpo já estava completamente grudado ao do amigo de infância. Seus quadris e peitos colados, as coxas roçando.

— Hm- Kacchan eu não...

Bakugo abaixou seu rosto, deitando-o na base do pescoço do menor. Sua inspiração profunda naquela área gritava “saudade”.

Izuku, a sua resposta...

Midoriya rangeu os dentes, fazendo seu máximo para resistir às sensações que o corpo do loiro traziam, brincando com seus sentidos. Seu nome sendo dito com aquele tom... ele estava duro e molhado.

Mas ele sabia onde essa história terminava.

Midoriya enrijeceu seus sentidos e afastou o loiro, seus olhos covardes fitando o chão. Sua voz estava trêmula e chorosa.

— É verdade, eu fugi. Admito que assumi as coisas sozinho e te machuquei, por isso me desculpa, foi idiota da minha parte. E sobre a minha resposta: eu não consigo fazer as coisas do seu jeito. Eu quero, mas não consigo Kacchan.

No último momento que seus olhos encontraram, Bakugo sentiu sua garganta presa, como se tivesse algo para engolir que não descia.

— Se você quiser apenas um “lance, eu acho melhor repensar e ir atrás de outra pessoa.

— Deku-,

— É só isso que tenho para dizer.

O Midoriya então se virou para a porta e deixou o quarto rapidamente, saindo para o corredor sabendo que tinha feito a coisa certa. Até que no meio do corredor sentiu seu ombro ser novamente puxado.

O esverdeado estava pronto para manda-lo embora, mas sua boca entreabriu ao se deparar com Todoroki.

— O que aconteceu, Midoriya? — a voz do rapaz exalava preocupação, seus olhos buscando algum indício em seu rosto. — Por que você está chorando?!

Midoriya demorou um segundo para se recompor, vendo Kacchan na porta do quarto há poucos metros, assistindo-os sem poder fazer nada. Os olhos vermelhos cheios de confusão.

O garoto quis desaparecer enquanto seu coração apertava.

Continua