Obstáculos da Vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Harry chegou a casa e chamou pelo pai. Este acabou por descer as escadas e perguntou-lhe porque o chamava.
– Um amigo meu disse-me que te viu ao lado de paramédicos em frente de uma casa cercada por polícias. É verdade?
– Sim... Um cliente meu tentou-me matar. — respondeu num tom fraco.
– Estás bem?
– Sim, mas um pouco cansado.
– Queres que eu te traga um copo de água?
– Pode ser, obrigado.
George sentou-se no seu sofá e fechou os olhos, vindo-lhe uma imagem do tal homem.
– Pai, toma.
Harry entregou um copo cheio de água ao pai e este bebeu de uma vez.
– Magoaste-te?
– Pouco.
– Porque é que o cliente te queria matar?
– Isso são coisas pessoais.
– Eu sou teu filho.
– Eu sei, mas mesmo assim, não te posso contar nada.
– Pronto, eu vou para o meu quarto.
George para se distrair, começou a cozinhar e ligou o seu rádio.
De repente, o telefone tocou. George atendeu:
– Estou?
– Olá, Sr.Wesley. — disse uma voz num tom animado.
– Quem fala?
– O tipo que o salvou hoje, lembra-se?
George espantou-se e demorou a responder:
– Quem é você e como me conheçe?
– Bom, não posso responder a isso.
– Porque é que me salvou? Como sabia que eu ía estar lá?
– Sr.Wesley, não faça demasiadas perguntas. Estou a ligar, apenas para saber se você está bem. Então, tudo bem?
– Como sabe o meu número?
– Pronto, é normal que esteja a reagir dessa maneira, mas peço-lhe que não fale de mim a ninguém, pode-me fazer esse favor?
– Claro.
– Ótimo. Apareça no café St.Louis, pelas cinco horas da tarde neste mesmo sábado.
– Porquê? Você estará á minha espera?
– Eu não, um empregado meu. Com licença.
Desligou o telemóvel e logo a seguir George anotou num papel o lugar, a hora e o dia do encontro.
Com entusiasmo, o sábado chegou e George até chegou cedo ao café. Logo que o relógio acertou as dezassete horas, a porta do café abriu-se e entrou um homem de cabelo claro e de blazer.
Cumprimentou a empregada do bar e quando avistou George sentou-se em frente dele, sem proferir uma palavra ou um sinal antes disso.
– Boa tarde, chamo-me Josh Sanderson e sou o empregado de Charles Cooper. — apresentou-se com um sorriso, para espantar George.
– Charles Cooper? Esse é o nome do tipo da máscara dourada?
– Exatamente. — respondeu sempre com o mesmo tom animado. — O Charles trabalha para os serviços secretos americanos da segunda geração e...
– Como assim da segunda geração? — interrompeu.
– Há onze anos os serviços secretos americanos, apenas os americanos, desenvolveram-se de uma forma inacreditável, criaram novas funções, regras e agora com a nova tecnologia, os sistemas funcionam melhor. Ele não é famoso pela parte do povo e ninguém o conheçe. Ele é conheçido só pelos serviços. Trabalha para os serviços, mas por vezes age por conta própria. Eu sou o empregado dele e a única pessoa que o conheçe bem.
– Porque é que ele me salvou?
– O Charles tem uma lista onde se encontram nomes de pessoas que fizeram parte do assassinato do pai e o tal Ben Smith, era um deles.
– Bem, isso é difícil de engolir...
– Desde que o pai dele morreu, o Charles não tem sido o mesmo. — disse Josh sentimentalmente.
– Como ele sabe o meu nome?
– Sr.Wesley, você é meio-irmão dele.
George ficou com uma expressão confusa e Josh continuou:
– A sua mãe quando se separou do seu pai, conheçeu o pai do Charles e apaixonaram-se. Tiveram um filho, o Charles.
Antes que Josh pudesse continuar, George interrompeu-o:
– Eu sabia que a minha mãe se tinha separado do meu pai e depois ido viver com outro, mas nunca me falaram num meio-irmão.
– Desculpe, desconheço essa parte da situação.
– Como é que o pai dele morreu?
– Foi morto por um conjunto de pessoas que faziam parte de uma conspiração.
– Que conspiração?
– Já ouviu falar dos "Bloody Flag" (Bandeira Sangrenta)?
– Não...
– Eram onzes homens que se uniram para matarem outros oitos. E esses oitos homens eram pessoas ricas que num acidente, mataram a família desses onze homens. As mulheres e filhos desses homens estavam numa seção de navio, organizada pelos tais ricos, a viajarem pelo mar fora, até que o barco explodiu.
– O pai do Charles era um dos ricos?
– Exatamente. Mataram todos os oitos ricos e agora o Charles prepara-se para matar os onze. E já matou o Ben Smith, agora faltam os restantes setes.
– Isso aconteceu quando?
– Há seis anos e meio.
– Sabe, eu posso estar a levar a situação a bem, mas neste preciso momento, estou a viver um filme. Tenho um irmão de que não sabia da existência, e agora ele mata. É difícil em poucos minutos, engolir isto tudo.
– Eu percebo, Sr.Wesley. Eu peço-lhe que nesta mesma noite, você apareça aqui. — pediu-lhe entregando um papel a referir uma morada. — É a casa do Charles.
George guardou o papel e perguntou:
– Que idade tem ele?
– 28.
– Tem namorada ou é casado?
– Não. O Charles é homossexual. — respondeu sem problemas.
– Ahah... Há quanto tempo você o conheçe?
– Desde a secundária. Somos os melhores amigos desde esse tempo.
– A que horas apareço em casa dele?
– Pelo menos, depois das dezanove.
– Está bem. Foi um prazer conheçê-lo, Josh. — despediu-se apertando-lhe a mão.
– Igualmente.
– Que estranho, neste tempo todo, ninguém veio-nos servir. — disse para si mesmo, George, ao sair do café.
Quando chegou a casa, ouviu uma voz feminina de lá de cima. Subiu e quando espreitou para dentro do quarto do filho, viu uma rapariga loira deitada na cama com a camisa aberta, podendo-se ver um sutiã branco e de cuecas cor de rosas. Harry estava ao lado dela e estavam-se a beijar com a cabeça encostada e a contarem coisas ao ouvido.
George virou logo a cara e desceu as escadas sempre com um sorrisinho.
Começou a cozinhar e o filho desceu com a amiga.
– Olá, pai. Apresento-te a Jasmine.
– Olá, Sr.Wesley. — cumprimentou-o.
– Olá. Que bom ver o meu filho com uma rapariga. Sois namorados?
Esse comentário e essa pergunta fez os jovens corar, mas Harry respondeu:
– Por acaso até somos. Namoramos há três semanas.
– Jasmine, porque não vens um dia jantar aqui a casa?
– Não me importava, que tal para daqui a duas semanas? Depois falamos mais sobre isso. — Harry espantou-se com a resposta.
– Ótimo.
– Combinado. Até amanhã, Sr.Wesly.
– Adeus.
Harry deu-lhe um beijo rápido e depois virou-se para o pai com um ar carrancudo.
– O que te deu?
– Agora não posso conheçer a primeira namorada oficial do meu filho? — perguntou a rir-se.
– Pai, pode ser, mas por favor não me chateies muito com isso, ok?
– Tudo bem. — respondeu anuíndo.
– Eu agora vou para o meu quarto, até já.
– Espera um pouco. Eu tenho que sair ás sete e meia, jantamos ás sete e depois arrumas a cozinha, pode ser?
– Ok, mas aonde vais?
– Falar com um cliente. — mentiu.
– Voltas tarde?
– Não faço a miníma ideia. Tu vais a algum lado?
– Não, vou ficar a estudar.
Harry subiu e George permaneceu a cozinhar.
Um pouquinho antes das sete, sentaram-se a jantar e depois George saiu.
Olhou para a morada antes de entrar no carro e seguiu caminho.
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