Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
1 O Retorno do Conde/Príncipe
O vento de Tara ainda soprava com a mesma força selvagem, trazendo o aroma de pinheiros e terra úmida, mas para Marcos, o ar parecia subitamente carregado. Ao cruzar os portões de pedra do palácio, ele sentiu o peso de uma década. Aos quarenta anos, o Conde de Mônaco era a imagem da sofisticação austera; os cabelos castanhos agora exibiam fios prateados nas têmporas, e seu olhar guardava a frieza de quem aprendeu a ler intenções antes mesmo das palavras serem ditas.
Ele desmontou de seu garanhão negro com uma elegância que o tempo lhe conferira. No pátio, a família aguardava. Luan e Maya, soberanos maduros, estavam à frente, ladeados pelos eternos Dominic e Ester.
— Ele realmente se tornou um homem do Sul — brincou Luan, aproximando-se para um abraço firme de irmandade. — Olhe para essas vestes. Michael ficaria orgulhoso.
— Alguém tinha que garantir que você não transformou este reino em um pasto de ovelhas, Luan — Marcos respondeu com sua voz grave, o sarcasmo habitual cortando a solenidade.
Enquanto as risadas de Maya e o abraço de Ester o acolhiam, uma silhueta surgiu no topo da escadaria. Marcos sentiu o tempo parar por um breve segundo.
Uma jovem de vinte anos descia os degraus. A "pequena fera" de outrora dera lugar a uma mulher de beleza estonteante. Seus cabelos eram uma cascata escura e seus olhos brilhavam com uma vivacidade que ele reconheceria em qualquer lugar do mundo. Mas ela não era mais a criança de joelhos ralados.
— Tio Marcos!
O grito foi o mesmo de dez anos atrás. Anastácia correu em sua direção, ignorando o peso do vestido de seda. Ela se lançou nos braços dele com uma impetuosidade que quase o fez perder o equilíbrio. Marcos a segurou, sentindo o perfume de flores silvestres e o calor de um abraço que não se importava com os dez anos de distância.
— Você demorou uma eternidade! — ela exclamou, afastando-se apenas o suficiente para olhar o rosto dele, mantendo as mãos apoiadas em seus ombros largos. — Olhe para você... continua o meu tio lindo. E ainda tem esse olhar que parece que vai me dar uma bronca a qualquer momento.
Marcos sentiu um estranho desconforto. O toque dela era familiar, mas a mulher que o segurava despertava um alerta que ele tentou enterrar sob seu cinismo habitual.
— E você — Marcos disse, a voz ligeiramente mais rouca, soltando-a com uma reverência formal que ela detestou — parece que finalmente aprendeu a não cair de cara na poeira. Embora eu suspeite que a língua continue mais afiada que a espada.
O Jantar de Boas-Vindas
Mais tarde, no Grande Salão, o vinho fluía e as histórias de Mônaco preenchiam o ambiente. Anastácia mal tocava na comida, seus olhos fixos em Marcos enquanto ele conversava com Luan. Ela observava o movimento de suas mãos, a forma como ele sorria de lado e a autoridade natural que ele exalava. O título de "tio" começava a parecer uma palavra pequena e inadequada para o que ela sentia vibrar em seu peito.
Luan, em um momento de descontração, bateu no ombro de Marcos.
— Agora que você voltou, meu caro cunhado, temos uma missão pendente. Dez anos em Mônaco e você continua solteiro? Isso acaba agora. Amanhã mesmo começaremos a listar as damas mais nobres das redondezas. Tara precisa de uma condessa e eu preciso encontrar uma esposa à sua altura para te fixar de vez nesta terra.
Anastácia sentiu como se o chão tivesse desaparecido. A ideia de outra mulher tocando aquelas mãos, ou recebendo aquele olhar sarcástico, fez seu sangue ferver. Ela olhou para Marcos, esperando uma negativa, mas ele apenas deu um gole em seu vinho, sem recusar a proposta do Rei.
Foi naquele instante, entre o brilho das velas e o som do riso de seu pai, que Anastácia compreendeu: ela não queria mais que ele fosse seu mentor. Ela o queria para si.
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