Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
12 O Despertar da Amargura
O salão de desjejum de Tara nunca pareceu tão vasto e gélido. O lugar à direita de Luan, onde Marcos costumava sentar-se, estava vazio, uma ferida aberta na rotina da família. O Rei Luan tinha olheiras profundas, o peso de uma noite em claro e da partida silenciosa do amigo curvando seus ombros. Maya tentava manter a compostura, servindo o chá com mãos que tremiam levemente.
Quando Anastácia entrou, o silêncio tornou-se sufocante. Ela não usava as cores vibrantes que costumava preferir; vestia um cinza fechado, e seu rosto era uma máscara de indiferença cortante. Ela sentou-se, ignorando as frutas e os pães, fixando o olhar no prato vazio.
— Ele se foi antes do amanhecer — começou Luan, sua voz carregada de uma melancolia que esperava encontrar compreensão. — Marcos decidiu que era melhor para todos que ele retomasse suas obrigações em Mônaco imediatamente.
Anastácia soltou uma risada curta e seca, um som que não tinha alegria, apenas veneno.
— "Melhor para todos", Majestade? — ela perguntou, sem levantar o olhar. — Ou apenas melhor para o seu orgulho e para a paz covarde deste castelo?
Luan largou os talheres, o som do metal contra a porcelana ecoando no salão.
— Anastácia, meça suas palavras. O que houve foi uma decisão de honra. Ele partiu para proteger este reino e a sua imagem.
— A minha imagem? — Ela finalmente levantou os olhos, e o fogo que Luan viu ali o fez recuar internamente. — Você e ele tratam a minha vida como se fosse um tabuleiro de xadrez. Ele fugiu como um ladrão na noite porque você o olhou com julgamento, e agora você se senta aí, fazendo esse papel de pai sofredor. É patético.
— Anastácia! — Maya interveio, a voz firme mas suplicante. — Respeite seu pai. Ele fez o que achou necessário para manter a família unida.
— Unida? — Anastácia levantou-se abruptamente, a cadeira arrastando-se no chão com um guincho estridente. — Olhe para esta mesa, mãe! Onde está a união? O melhor amigo do meu pai foi expulso pelo silêncio dele, e a sua filha sente que vive em uma prisão de aparências. Se a honra Mackenzie exige que todos vivamos infelizes para que o brasão continue limpo, então essa honra não vale o sangue que corre nas minhas veias.
— Eu fiz isso por você! — Luan exclamou, levantando-se também, a dor transbordando em raiva. — Para que você pudesse ter um futuro digno!
— Você fez isso por você, para não ter que encarar que o mundo não segue os seus planos perfeitos — rebateu ela, a voz fria e mortal. — Aproveite o seu silêncio agora, meu Rei. Você conseguiu o que queria: o Conde partiu. Mas não espere que a filha que ficou aqui seja a mesma que você conheceu.
Sem pedir licença, ela deu as costas e saiu do salão. Luan desabou novamente na cadeira, cobrindo o rosto com as mãos. Ele sentia que, ao tentar salvar a "ideia" de sua família, acabara de perder as duas pessoas que mais amava para um abismo de ressentimento.
Maya aproximou-se e abraçou o marido por trás, mas ambos sabiam: a partida de Marcos não fora um fim, mas o início de uma rachadura que nenhum decreto real seria capaz de consertar.
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