Obsessão

15 Fim da Linha


— o que você ganha nos matando? — perguntou Fábio.

— eu não tenho mais nada a ganhar, do mesmo modo que não tenho mais nada a perder, vocês me tiraram tudo – ela voltou-se para Verônica – você me tirou tudo. Tem vinte anos que você vem tirando tudo de mim sua desgraçada maldita!

— o que você quer com tudo isso? — perguntou Verônica. Ela estava apavorada, porém não deixava seu medo transparecer.

— eu e você vamos juntas pro inferno sua desgraçada! Se eu não consegui te destruir em vida, eu vou acabar com a tua vida.

— você é tão doente que seria capaz de morrer só para poder dizer que me derrotou?

— eu e você vamos chegar de mãozinhas dadas no inferno sua desgraçada – gritou Flávia ao pressionar a arma contra a cabeça de Verônica.

Carolina estava no topo da escada, pronta para descer quando ouviu o grito e congelou. “Flávia?” ela pensou, então pegou o celular.

— alô? — disse ela, praticamente cochichando – Clarice, sou eu, Carolina, cunhada da Verônica. Pelo amor de Deus venha pra nossa casa o mais rápido possível, a Flávia está aqui e ela vai matar todo mundo!

Carolina desligou o celular e desceu as escadas do modo mais silenciosos que pode para não fazer barulho e fazendo o possível para não ser percebida por Flávia.

— pelo amor de Deus Flávia, vamos conversar. O que você quer pra deixar a gente em paz? — Fábio tentava negociar com Flávia.

— vocês acreditam em Deus? — Flávia encarou Fábio, olhando diretamente nos olhos dele – então é bom começar a rezar porque a única coisa que vai salvar a sua mulherzinha hoje é um milagre. Mas chega de papo – ela então voltou-se para Verônica – primeiro você vai ver o seu maridinho morrer e depois eu vou mandar você pro inferno e eu vou queimar essa casa e esse império de vocês vai arder em chamas.

Flávia então afastou-se um pouco de Verônica e apontou a arma para Fábio, porém antes que ela atirasse, ouviu-se o barulho do vaso de porcelana que Carolina arremessou em Flávia rompendo-se na cabeça dela. Flávia cambaleou e caiu ao chão, então Carolina correu para junto de Verônica.

— tá tudo bem? — perguntou ela ao aproximar-se de Verônica.

Verônica olhou para o chão e viu que a arma de Flávia estava caída mas Flávia que estava caída ao chão e também olhou a arma. As duas então foram em direção a ela, Flávia rolou e se arrastou até a arma e Verônica se jogou em direção a ela, então Verônica conseguiu pegar arma, porém antes mesmo que ela levantasse, Flávia fez um corte na perna de Verônica com a faca e ela desequilibrou-se e caiu. Flávia então levantou-se e pegou Carolina pelos cabelos, colocando-se atrás dela com a faca em sua gargante.Verônica pegou a arma e apontou para Flávia as duas.

— você tem duas opções, ou você vem comigo e eu deixo todos eles vivos, ou você pode até me matar, mas antes eu mando a cunhadinha aqui pro inferno – disse Flávia.

— ninguém de move – disse Clarice ao entrar junto com Cesar apontando as armas para todos.

— pronto, chegou quem faltava, a justiceira – disse Flávia debochada.

— você realmente está disposta a morrer por uma coisa tão banal Flávia? Seja inteligente, solta a Carolina e vamos conversar. Eu garanto a sua segurança – disse Clarice.

— até parece que você também não está louca pra me linchar assim que tiver a oportunidade. A única garantia que eu quero é que a Verônica vem comigo, esse assunto é entre ela e eu, vocês não tem nada o que fazer aqui.

—Flávia, pensa bem no que você está fazendo, você tem três armas apontadas pra você, as chances de você sair daqui com vida são mínimas, a menos que você colabore com a gente.

— e quem disse que eu quero sair daqui com vida? Mas já chega desse papo-furado todo. Se a Verônica não está disposta a salvar a vida de ninguém, as pessoas vão morre diante dela – ela então olhou para Verônica – do mesmo modo que eu matei o Ricardo na tua frente, agora eu vou matar essa daqui.

Flávia fez força com a faca contra o pescoço de Carolina e começou a escorrer um filete de sangue, então Carolina em um ato desesperado virou-se com os braços para cima afastando Flávia dela, porém quando ela jogou o braço de Flávia para cima, acabou abrindo um corte em seu rosto e começou a sangrar, Carolina então correu em direção a Fábio que a abraçou e Verônica disparou com a arma um tiro que arremessou Flávia no chão.

A bala atingiu Flávia no ombro e ela apontou o revólver para Flávia novamente.

— parece que dessa vez você vai para o inferno e vai fazer sozinha essa viagem – disse Verônica. Ela tremia, estaca totalmente consumida pelo ódio. Era o momento em que ela poderia se vingar de todo o mal que Flávia já havia feito para ela, tudo isso com apenas um tiro.

— não faça isso Verônica – disse Clarice – não vale a pena arruinar a sua vida se tornando uma assassina como ela.

— legítima defesa não é assassinato – rebateu Verônica.

— dá um tiro no meio dessa cara maldita dela – gritou Carolina, que estava com as mãos corte que Flávia havia feito em seu rosto.

— legítima defesa foi o primeiro disparo que a desarmou e a jogou no chão, se você atirar agora será tentativa de homicídio – disse Clarice – pensa bem Verônica, você não vai conseguir viver com a culpa, além do mais, morrer é o que ela quer. Deixa eu levar ela pra cadeia pra ela apodrecer lá.

— pra ela ficar mais tempo tramando contra mim sair e tentar me matar de novo?

— Verônica, pensa bem, você não é uma assassina como ela, você não é! — Clarice estava tentando fazer Verônica pensar. Disparar ou não aquele tiro seria um ato que ela carregaria para o resto da vida.

— atira logo sua frouxa, acaba logo com isso sua desgraçada! — gritou Flávia.

— eu te garanto que ela vai pra cadeia mais imunda desse país pagar pelos crimes dela Verônica – disse Clarice.

Verônica então segurou a coronha do revólver com muita força e quase fez aquele disparo, porém ela não o fez.

— tirem essa desgraçada de dentro da minha cada – ela disse, então jogou o revólver no chão, para longe de Flávia.

— sabia decisão – disse Clarice, então ela olhou para César – chama reforço e uma ambulância.

Nesse momento, Flávia deu-se conta de que seria enviada novamente para o presídio onde ela havia passado os piores anos de sua vida, e dessa vez ela pegaria uma pena muito mais severa, ela não aceitaria aquilo. Usando o resto de força que ela tinha, levantou-se e correu em direção a Verônica.

— parada! — gritou Clarice apontando o revólver.

Flávia continuou correndo e gritando em sua direção até o momento em que se ouviu o barulho do disparo de um revólver e Flávia foi arremessada no chão, dessa vez morta. Clarice não pode deixar que ela continuasse viva. Ali ela notou que a único modo de deter o ódio cego de Flávia seria matando-a.

Um Ano Depois.

— então Marcela, por que você decidiu lançar o livro agora? — perguntou a apresentadora.

— então, eu acho que finalmente chegou a hora de contar a todos em detalhes o meu envolvimento no caso e a minha pesquisa está pronta – respondeu Marcela.

— pois é, depois de tudo veio a público ficamos sabendo que você teve participação fundamental para desmascarar Flávia perante Beatriz e foi você quem tirou a foto que comprovou a inocência de Verônica não é?

— isso mesmo.

— e porque você não foi direto par a polícia entregar a foto?

— eu descrevo isso no livro. Foi a minha primeira opção sabe, porém eu pensei que não teria a eficácia que teve sabe, logo depois eu vi que se a Flávia não tivesse mais a proteção da Beatriz, ela seria condenada.

— então você manipulou todo o julgamento para que a justiça fosse feita? Eu acho que você está na profissão errada – disse a repórter e todos ali presentes sorriram – mas e as pessoas envolvidas no caso, principalmente a Verônica, Clarice e a Beatriz toparam algum envolvimento no livro?

— Clarice emitiu uma nota dizendo que, como pudemos notar no tribunal em seu depoimento, ela acreditava na inocência de Verônica e não teve mais nenhum envolvimento com o livro, Beatriz tem me ajudado muito, cedeu depoimentos e financiou muito da minha pesquisa, porém a Verônica não participou em nada e deixou claro que não queria nenhum envolvimento com o livro.

— e por que você acha que ela não quis?

— Verônica sempre foi uma mulher muito discreta e eu entendo o trauma que toda essa situação deve trazer a ela, afinal ela foi vítima da obsessão de uma mulher perturbada por quase vinte anos. Não é fácil revisitar tudo isso.

— e a noite de autógrafos?

— será hoje a noite e terá a presença da Beatriz também. Estão todos convidados vai ser na…

então Verônica desligou a televisão.

— óbvio que a Beatriz estará lá, ela adora mídia – disse Carolina.

— mas sabe que ela tem melhorado muito. Ela está ajudando várias ONGs e instituições que combatem o racismo e dão apoio a vítimas dele, além de estar fazendo tratamento psicológico. Parece que finalmente ela entendeu que o racismo dela é uma doença e foi atrás de ajuda – respondeu Verônica.

— mas claro, isso tudo do modo mais midiático possível – disse Fábio, dando uma risadinha de canto de boca.

Os três riram. Verônica então foi até a sacada do hotel e olhou para a Torre Eiffel que estava a poucos metros dali. Assim que ficou sabendo da data de lançamento do livro de Marcela, Verônica decidiu que seria hora de tirarem férias longe do Brasil para evitar o assédio dos repórteres.

— são as primeiras férias que tiramos em anos. Finalmente seremos planamente felizes? — perguntou Fábio ao abraçar a mulher e beijá-la na nuca.

— finalmente – disse Verônica com um sorriso enquanto admirava o horizonte.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!