Obsesso

50 49. O clichê do romance


Notas iniciais
Pela última vez, ao menos aqui =') Feliz Natal, pessoal o// ~~enjoy

Era quarta-feira. Naruto olhava pela janela. Fora colocado no quarto de hóspedes, porém Sasuke não lhe dirigira uma palavra ainda sobre a briga que haviam tido. Não era realmente uma briga, mas sim um desentendimento. Era ruim sentir que o perdia cada vez mais. A vingança já fora concluída, porém Naruto não se sentia mais próximo de Sasuke. Era como se o Uchiha estivesse construindo uma barreira ao seu redor, e Naruto detestava aquilo.

A porta abriu. Sasuke entrou em silêncio e sentou-se ao lado da cama de Naruto. Não disse uma palavra por quase três minutos, e o Uzumaki não fez questão de dizer nada também. Se Sasuke quisesse falar, que falasse.

— Naruto…

O Uzumaki voltou o olhar para ele. Sasuke encarava suas mãos.

— Eu… Eu não sei… – respirou fundo. – Eu não sei o que eu sinto. Não me pressione com esses seus papos sobre amor.

Naruto assentiu com a cabeça, sentindo que poderiam conversar sobre aquilo.

— Eu não te pressionei. Eu disse o que eu sinto e o que eu acho que você sente.

— Como você pode saber de algo que nem eu sei?

O olhar de Sasuke era quase… desesperado. Aqueles sentimentos que borbulhavam em seu peito eram incômodos, indesejados e irritantes. Sasuke não sabia como lidar com o coração acelerado e com aquela vontade quase insana de ficar com Naruto. Não sabia como lidar com aquela necessidade que desenvolvia, assim como também ficava confuso quando o Uzumaki o tocava.

— Porque você não torturou Orochimaru.

Sasuke franziu o cenho, confuso.

— Ele atirou em você. Eu só… matei ele bem rápido pra ver como você tava.

Naruto assentiu com a cabeça.

— Se fosse outro policial, alguém por quem você não sente nada… você podia ter mandado Neji cuidar de mim. Mas você deixou sua vingança de verdade de lado por mim. É por isso que eu acho que é bem mais do que atração.

Aquelas palavras fizeram Sasuke parar. Ele tinha razão, é claro. Mas ainda assim era estranho. Quando pensava em matar Orochimaru, sempre pensava em tortura. Vira-se deixando-o uma semana sem comida ou água, para então quase afogá-lo em um balde de água gelada. Vira-se usando uma faca, os punhos ou vários dos instrumentos que ninguém sabia que ele possuía. Ainda assim, não se arrependia por tê-lo matado como matara. Naruto estava vivo por causa disso, e valia a pena trocar sua vingança pelo loiro.

Era tão… confuso!

— É confuso, Naruto.

O loiro assentiu com a cabeça.

— Eu sei que é, mas a gente pode tentar aos poucos.

— Como assim?

— A gente começa trocando beijos sem pensar em sexo. É um bom começo.

Sasuke franziu o cenho, incomodado.

— Namorar você significa voto de castidade?!

Naruto tossiu, e Sasuke não conseguiu entender direito o porquê. Não falara nada demais, certo? Estavam discutindo sobre aquilo, desde o início.

— Pera aí, namoro?!

Sasuke ficou em silêncio. Detestava ser o idiota da situação, e era exatamente assim que se sentia.

— …Não?

— Você realmente namoraria comigo?

Sasuke não respondeu, apenas desviou o olhar. Acabou dando de ombros depois de algum tempo, sem querer realmente admitir que sim, namoraria. Poxa, já estavam transando loucamente, um namoro não podia ser muito diferente do que já vinha acontecendo, certo? Não era como se Naruto não conhecesse sua família, ou como se o loiro nunca o tivesse visto instável. Naruto conhecia partes suas que mais ninguém conhecia, e aquilo era estranhamente confortável. Então, pensando racionalmente, ele era a única pessoa que Sasuke poderia namorar.

— Não existe meio termo com você, hein?

Quando olhou para Naruto, Sasuke percebeu que o Uzumaki sorria. Acabou sorrindo de canto também, um pouco mais confortável com a situação.

— O que você tinha em mente?

— Eu pensei que a gente ia sair num encontro ou dois, sabe? Aquele clichê básico, se conhecer melhor e pá.

Sasuke arqueou uma sobrancelha, e Naruto acabou caindo na gargalhada em seguida. Agora que pensava bem, realmente não conseguia imaginar Sasuke em um restaurante chique, curtindo um jantar à luz de velas.

— Brincadeira, teme. Um namoro parece muito bom pra mim.

Sasuke apenas revirou os olhos.

— Idiota.

— Como você é meu namorado agora, eu acho que uma massagem seria um bom começo. Tô com uma dor nas pernas…

Sasuke voltou a arquear a sobrancelha direita. Dessa vez, ainda cruzou os braços.

— Eu concordei com o namoro, não com a escravidão.

— Tudo a mesma coisa, bobinho.

— Ótimo. Quando sair daí, tem a casa inteira pra arrumar. É recíproco, certo? Você me escraviza e eu te escravizo.

O sorriso de Naruto morreu nos lábios dele. O Uzumaki também cruzou os braços, emburrado.

— Sabe nem brincar, Sasuke.

Naruto sorriu. Era tão… diferente. Ainda não caíra a ficha, ainda não conseguia realmente acreditar no que acontecia. Sasuke… Sasuke estava realmente concordando em namorá-lo? Nunca imaginara que aquilo poderia acontecer. Claro que sonhara com a possibilidade, mas ela lhe parecia tão remota, tão distante… e agora o Uchiha estava ali, dizendo-lhe que estava disposto a tentar, mesmo sem entender direito o que sentia.

— Tá, tá, mas sem ficar me olhando com essa cara de idiota.

Sasuke estava levemente avermelhado. Ele não costumava ficar assim, mas Naruto o ficou olhando por vários segundos, como se estivesse vendo a coisa mais incrível do universo. E, apesar de sentir aquele calor gostoso que só Naruto o fazia sentir, também era um pouco desconfortável.

— Acostume-se, Uchiha. Namoro é assim. Eu acabei de ganhar carta branca pra ficar te olhando por quanto tempo eu quiser te olhar.

Sasuke revirou os olhos e acabou sorrindo.

— Eu sei, sou irresistível mesmo.

Naruto observou aquele sorriso de canto – que antes quase nunca aparecia em seus lábios – e sentiu um leve aperto no coração. Sabia que o histórico de romances do Uchiha fora escasso.

— Sasuke… você já namorou antes?

— Não.

Naruto assentiu com a cabeça.

— Você sabe o básico sobre isso, certo?

— Existem regras?!

Naruto riu, mas sem muito humor.

— Algumas.

— E por que eu sinto que não vou gostar de nenhuma delas?

Naruto deu de ombros.

— Você não pode ficar com ninguém que não eu. Sem sexo, sem beijos, e sem flerte. Nada disso, ok?

Sasuke esperou Naruto rir ou qualquer coisa, mas o Uzumaki estava bem sério.

— Não sou eu quem sai no final de semana e transa com um completo estranho.

— Deixar estranhos de lado é fácil. Eu só… eu sei que você tinha algo com o Suigetsu e…

Sasuke riu. Não conseguiu controlar, porque era simplesmente engraçado demais ver Naruto comparar as duas relações. Com Suigetsu era sexo, sem o sentimento estranho. Com Suigetsu era físico, mas com Naruto não. O loiro realmente não conseguia perceber isso?

— Naruto, por favor. Suigetsu deve estar com Karin agora. Ele não retornou minhas ligações.

Sasuke não pareceu abalado ao falar aquilo, porém ele era o Diabo. Alguém como ele certamente saberia disfarçar tal sentimento. Além disso, visando as palavras dele, Naruto não conseguiu perceber o tom de voz ou a pose desleixada. Sua mente loira já criava mil e uma possibilidades, criava teorias e hipóteses.

— Ah… eu entendo.

E a teoria que mais ganhava espaço naquela cabeça loira era a de que Sasuke nutria um amor secreto por Suigetsu e o estava usando como substituto. O Uchiha realmente não entendeu a mudança no humor do loiro, que encarava a janela, totalmente cabisbaixo. O que diabos acontecera agora?

— Ok, regra nova: sem segredos. Fala logo o que tá pensando.

Naruto revirou os olhos.

— Não é pra ficar criando regras assim, do nada! As regras já existem.

— Não vi documento nenhum sobre elas.

— São passadas oralmente, baka.

— E eu digo que a minha regra está entre essas. Prove que estou errado.

Naruto odiava, do fundo do coração, quando alguém mais inteligente do que ele vencia uma discussão.

— Nada, Sasuke. É só que… se a gente quiser que isso funcione, eu preciso saber que sou só eu, entende? Que você não vai…

— Te largar se uma ex-namorada aparecer?

Naruto não respondeu. Já passara por aquilo, e fora horrível. Mas não amava Emi como amava Sasuke. E eles se conheciam há dois meses! Só conseguia supor o trapo que ficaria se Sasuke o largasse para ficar com Suigetsu. Bem, pensando positivo, pelo menos poderia sofrer junto de Karin.

— Mais ou menos.

— Suigetsu e Juugo eram só sexo. Eu precisava de vez em quando, eles também. Unimos o…

— Juugo? Quem é Juugo?

— Só um colega de outra delegacia.

Sasuke revirou os olhos.

— Não gosto de ciúmes, Naruto.

— Não me culpa! Eu que to descobrindo que você tem vários parceiros sexuais.

Sasuke riu um pouco.

— Se formos comparar quem já transou com mais pessoas, acho que você leva o prêmio de vadio pra casa.

Naruto tentou não rir, e acabou conseguindo depois de algum esforço. Precisava apenas forcar-se no que era importante.

— Eu transei com pessoas desconhecidas! Não deu pra criar um laço afetivo com elas, mas você…

Sasuke ficou em silêncio, sentindo o peso daquelas palavras. Ele realmente queria acreditar que Naruto estava só brincando.

— Naruto… quando Suigetsu não atendia meus telefonemas, eu ligava pro Juugo. Esse é o quanto eu me importo com os sentimentos dele.

Naruto ficou em silêncio também, e depois acabou rindo.

— Desculpa.

Sasuke apenas negou com a cabeça.

— A gente ainda precisa se acostumar com isso.

–-//--//--//--//--//

Karin chegou à casa de Sasuke na sexta-feira. O Uchiha tirara alguns dias para cuidar de Naruto, e Aya e Naoto passavam a tarde inteira na escolinha. A ruiva invadiu o quarto do loiro – depois de dar um abraço apertado em Sasuke – e foi pulando até a cama dele.

Naruto ria desde o instante em que colocara os olhos nela.

— Alguém finalmente perdeu a virgindade.

Ela assentiu com a cabeça.

— Ele achou nossas compras e ficou furioso, achando que eu tava transando com alguém. Aí a gente brigou, eu acabei dizendo que era pra ele e…

Ela deu de ombros. Naruto riu mais ainda.

— E o quê, mulher?! Fala de uma vez!

— Você meio que tem razão. A gente já usou tudo.

Naruto explodiu numa gargalhada, e Sasuke ria baixinho, escorado no batente da porta. Suas suspeitas estavam certas, afinal. Suigetsu o ignorava por estar com Karin.

— Eu falei pra ele vir junto, mas ele não quis. Não entendi o motivo.

Naruto e Sasuke trocaram um olhar cúmplice. Este passou despercebido por Karin, que encarava o quarto.

— Então, por que não tá no muquifo em que mora?

— Minha casa é bem ajeitadinha, ok?

— Não, não é – responderam Sasuke e Karin ao mesmo tempo.

Levemente ofendido, Naruto olhou para Sasuke. O Uchiha deu de ombros e apontou para Karin, incentivando-o a contar a ela.

— Hm… então… é que… pois é…

Sasuke revirou os olhos.

— Eu e Naruto estamos namorando, por isso eu falei pra Tsunade que ele poderia passar uns dias aqui.

— VOCÊS ESTÃO O QUÊ?!

–-//--//--//--//--//

— SEU VIADO NOJENTO, COMO ASSIM VOCÊ LEVOU UM TIRO E NÃO ME CONTOU, VADIO?!

Kiba, literalmente, invadiu o quarto de Naruto. O Uzumaki, que dormia na hora, acordou num pulo, claramente ofendido. Shino entrou mais atrás, mais quieto. Ele mantinha um olho em Sasuke, que encarava a cena com sua inexpressividade já nem-tão-rotineira.

— Segura essa perereca, cachorro. Eu levei um tiro, tava morrendo no hospital. Queria que eu te contasse como?!

— Que tava morrendo nada, aposto que tava fodendo ontem já. Custa pegar um telefone?

— Bem que eu queria, mas a baa-chan proibiu sexo até eu tirar os pontos.

Kiba caiu na gargalhada, assim como Shino. Os dois acabaram sentando-se na beira da cama de Naruto. Sasuke observou à distância, sem conseguir compreender como podiam ser tão abertos um com o outro. Observou a interação por mais alguns segundos e então retornou à sala. As amizades de Naruto eram muito estranhas para que ele pudesse compreender.

–-//--//--//--//--//

Sexta-feira. Ino entrou na casa de Sasuke – que estava recebendo mais visitas do que o normal – sob o pretexto de ir dar uma olhada nos curativos de Naruto. A cirurgia fora há quase uma semana, portanto o dia de remover os pontos chegava. Ela entrou no quarto dele e trancou a porta.

— Ai, Ino, eu to me coçando todo aqui. Não dá pra tirar essa merda antes não?

Ino negou com a cabeça. A barriga ainda não aparecia muito, mas ela já pegara o costume de acariciá-la ocasionalmente.

— Não, Naruto. Eu vim aqui pra te entregar uma coisa.

O Uzumaki franziu o cenho, confuso.

— Me entregar alguma coisa?

Ela assentiu com a cabeça e entregou a ele um envelope sem qualquer tipo de identificação.

— Não deixe Sasuke ver.

Dito isso, ela saiu. Naruto escutou passos no corredor e escondeu a carta debaixo de seu travesseiro. Sasuke entrou no quarto com o cenho franzido.

— Isso foi rápido, o que ela disse?

— Que eu não posso tirar os pontos ainda – murmurou incomodado. – Será que tem como você me trazer um bolo?

Sasuke aprendia a ler Naruto um pouquinho melhor a cada dia que passava. Ele estava nervoso, e não queria porcaria de bolo nenhum. Pensou em encurralar o loiro e fazê-lo contar o que havia de errado, mas acabou desistindo. Em um relacionamento, como Naruto dissera, era preciso confiar. Confiaria nele e, quando o Uzumaki estivesse pronto, saberia o que precisava saber.

— Não se acostuma.

Sasuke saiu, deixando Naruto sozinho para ler a carta que Ino deixara.

Olá, cunhado!

Bom, eu nem quero saber por que você está precisando ler isso. Se possível, eu vou te falar pessoalmente o que tá aqui. Mas, por algum motivo, não estou aí. Então a carta deve servir.

Você deve estar se perguntando como eu sei que você é um homem. Bem, Sasuke é mais gay do que bissexual, mas só ele não percebe isso (e eu tenho uma carta igual na versão feminina, que está com Ino apenas por precaução).

Esclarecidas as dúvidas sobre minha genialidade, você deve ter percebido que eu sou muito mais legal do que o meu irmãozinho idiota. Pois é, eu sou. Isso não significa que, se você magoá-lo, ele não vá te dar um tiro. Eu podia dar o discurso de irmão superprotetor, mas Sasuke não precisa mais de mim pra protegê-lo há muito tempo.

Esse agora é o seu trabalho. Não to falando do físico, porque, como você deve ter percebido, Sasuke não tem lá muitos problemas em se defender. To falando do emocional, e agora pode acrescentar toda a baboseira de irmão mais velho que voltaria do Inferno pra te punir se tu conseguisse piorar o emocional daquele lá.

Eu quero que você entenda o Sasuke é um pouquinho frio às vezes – apesar de já achar que você entende, ou não estariam namorando (o que ainda é estranho pra mim, porque eu não consigo imaginar aquele lá namorando tão cedo).

É tudo muito simples. Sasuke não sabe o que tá sentindo e não é bom expressando os sentimentos, então você vai ter que se contentar com pouco. Não to dizendo pra não forçar ele a ser carinhoso, porque eu acho que até vai ser bom pra ele isso. To dizendo que ele não vai sair te beijando por aí, que ele não vai pedir a sua mão em casamento e, por favor, não sonha com demonstrações de carinho em público. Mas, se ele tá namorando você, é porque ele te ama, sabendo disso ou não.

Aquele lá é teimoso demais pra namorar alguém, então você tem que ser especial pra caramba pra tar namorando ele. E saiba que o meu irmão é um cara incrível, e que eu vou trazer Lúcifer em pessoa pra chutar sua bunda se você não reconhecer isso.

Sendo sincero, eu meio que sei que morri. Por que você estaria lendo isso se eu estivesse vivo? Então, só ajude meu irmão a cuidar dos meus filhos, ok? A opinião deles é essencial. Se Aya te odeia, desista. Eles são mais importantes para Sasuke.

Se vocês têm uma boa relação, vocês quatro… então sejam felizes, ok? Queria estar aí também, mas não deu – sei lá eu por quê –.

Então é isso, cunhadinho. Cuida da minha família por mim. Ou eu juro que volto pra te infernizar.

Amor, Itachi.

Naruto riu da ironia final “Amor, Itachi”. Muito simples dizer aquilo depois de ter ameaçado voltar dos mortos umas vinte vezes. Sorriu ao ler a carta, sem conseguir se conter.

— Pode deixar, cunhado. Eu vou cuidar deles.

O sussurro de Naruto não foi a ninguém em especial, mas ele realmente esperava que Itachi pudesse ouvi-lo, seja lá onde estivesse naquele momento.

–-//--//--//--//--//

Trinta de setembro, seis meses depois, Nagato acariciava a mão de Konan. Não houvera médico que descobrisse como reverter a situação dela, porém eles haviam conhecido as pirâmides, a ilha de Páscoa, e muitos outros lugares que Konan quisera.

Ainda assim fora pouco tempo.

— Sorria, Nagato. Eu vou pra junto de Yahiko.

Ele sorriu, mesmo querendo chorar. A arma pesava em sua calça. Ele também iria, assim que ela partisse. E então, finalmente, os três estariam juntos novamente.

Yahiko, Konan e Nagato. O trio que jamais deveria ter sido separado.

–-//--//--//--//--//

Mia – Coisinha, como fora apelidada por Aya – nasceu dia primeiro de outubro. Ino saiu da sala de parto exausta, mas satisfeita. Sasuke e Naruto – que, milagrosamente, ainda estavam juntos – ficaram no hospital, assim como muitos outros amigos do noivo. Neji e Tenten, que haviam noivado depois deles, já estavam casados, mas Ino não via aquilo como uma forma de Gaara enrolá-la. Eles haviam concordado que queriam Aya como aia deles, e Naoto como par dela. Em breve o casamento aconteceria, queriam apenas Mia nos braços primeiro.

A menina era linda. Cabelos ruivos como os de Gaara e olhos azuis como os de Ino.

Mesmo que Aya jamais fosse admitir, apaixonou-se pela priminha – que não era prima de sangue – no momento em que colocou os olhos nela. Era sua menininha, e a protegeria a qualquer custo.

–-//--//--//--//--//

Mia acabara de aprender a engatinhar. Sasuke deixara Aya cuidando dela enquanto terminava de preparar o bolo de chocolate – Naruto os inscrevera em uma aula de culinária. Depois de muito protestar, Sasuke acabara cedendo –.

A garotinha mirou seus olhos azuis nos de Aya e abriu aquele sorriso cheio de dentes que ainda nasciam.

— Coisa feia, Coisinha. Para de rir assim– resmungou a menina, emburrada.

Acabara de aprender a ler, e agora tentava decifrar as palavras de um livro infantil. Mia riu ainda mais depois das palavras dela e engatinhou em direção à menina.

— Não, Coisinha, sai daqui. Vai lá pro Naoto, ele que gosta de ti. Sai, sai, sai!

— Aya, você sabe que a Mia te adora – falou Ino, rindo da reação da afilhada, que fugia do bebê.

— Não adora nada. Sai daqui, Coisinha, me deixa.

Mas, no fundo, amava a priminha. Assim como Naoto e assim com seus tios. Podia reclamar o quanto quisesse de Mia, mas ela era a Coisinha deles, e Aya adorava quando a dinda a trazia para brincar. Mas, é claro, jamais admitiria isso.

— Deixa essa chata, Mia. Ela nem sabe brincar.

Naoto caminhou até a priminha e se sentou no chão. Puxou-a para seu colo e a garotinha esqueceu completamente que corria atrás de Aya. Agarrou os cabelos do primo (que não era bem primo) e começou a puxá-los.

— Mia, não faz isso, filha!

Ino levantou-se para ir impedir a menina de machucar Naoto, mas o garotinho já conseguira se livrar das garrinhas. Mia colocou os dedos na boca e começou a rir loucamente. O moreno acariciou os cabelos ruivos e beijou a testa dela. Ino ainda não permitia que ele a segurasse quando estava de pé, porque tinha medo que ele a fosse derrubar, mas sentado podia.

— Tá tudo bem, tia. Ela nem machucou, né, Mia?

Aya aproximou-se devagar e apoiou os braços na cabeça do irmão. Escorou-se nele e observou a garotinha que tentava comer a própria mão.

— Coisinha, como você é burra. Não pode comer a mão – murmurou Aya.

A menina puxou a mão babada da prima para fora da boca dela e a menina agarrou seus dedos.

— Eca, Coisinha, que nojo!

Mas Aya não se soltou. Ficou ali, fingindo que se importava em ter que segurar na mão do bebê que ria de qualquer coisa nos braços de seu irmão. Naruto apareceu com um enorme sorriso.

— Como estão meus amores?

— TIO NARU!

Aya soltou-se delicadamente das mãos da garotinha e correu até Naruto, que a balançou no ar e encheu de beijos.

— Eca, Aya, o que é isso na sua mão?

— Baba da Coisinha.

Ela esfregou a mão no rosto de Naruto, que fez uma careta de nojo engraçada e tentou se afastar. Ino já limpara as mãos e a boca da menina, que parecia extremamente confortável nos braços de Naoto.

Sasuke ouvia a bagunça com um sorriso discreto em seus lábios. Naruto chegava do inferno – o Uchiha passara o dia anterior inteiro lá, pois resolvera tirar o dia de folga e não queria ter trabalho acumulado – e o barulho do Uzumaki era gostoso. Ele trazia felicidade sempre que aparecia.

— Quem é essa coisa linda do tio? Ai, Nao, deixa eu pegar ela um pouquinho. Depois te devolvo.

Naruto pegou Mia no colo e beijou a barriga dela. A pequena ria muito, toda boba, e tentava agarrar o rosto do Uzumaki com suas mãos. Ele fingia que morderia os dedinhos pequenos, mas não chegava a fazê-los. Mia achava aquilo extremamente divertido.

— Deu, tio Naru. Larga ela agora – resmungou Aya.

Naruto riu e ajoelhou-se, ainda com a ruivinha em seus braços. Bagunçou os cabelos de Aya com seu rosto e começou a beijar a bochecha dela.

— Tá com ciúmes, é?

Não estava, não de verdade, mas jamais admitiria que amava a outra garotinha. Ninguém precisava saber que dividir as pessoas que amava com outra pessoa que também amava não era tão ruim assim.

— Nem to nada. Só não gosto da Coisinha.

Naruto e Ino sabiam que ela mentia, mas mesmo assim deixaram a brincadeira continuar. O Uzumaki colocou a menina novamente nos braços de Naoto e deu um beijo na testa do garoto.

— Como tão as coisas, campeão?

— Tá tudo certo, tio Naru. Eu fiz como você disse e to cuidando da mana e da Mia. E da tia Ino também.

— Isso aí, garoto.

Bagunçou os cabelos negros e cumprimentou Ino e Gaara, que assistiam à cena. Depois foi até a cozinha e ficou observando Sasuke colocar o bolo em uma forma.

— Huuuum, isso parece bom…

— Tira os olhos que é só pra de tarde.

Naruto sorriu e se aproximou. Sasuke terminou o que fazia e colocou a massa no forno. Depois de fazer isso, olhou para o namorado que mexia na panela com a cobertura.

— Tira os dedos – avisou Sasuke.

Naruto, pego no flagra, lambeu o dedo coberto de chocolate e sorriu para ele. Aproximou-se e Sasuke desfez a carranca falsa. Naruto beijou-o devagar, compartilhando o gosto de chocolate e sentindo o carinho gostoso que Sasuke fazia em sua cintura.

— Bem-vindo ao lar – murmurou o Uchiha, sem largar Naruto do abraço.

Naruto sorriu, feliz como nunca antes. Sim, aquilo era um lar. E amava voltar a ele sempre que saía do trabalho.

–-//--//--//--//--//

— Sasuke! Ela tá ardendo em febre, o que eu faço?!

— Naruto, se acalma.

— Eu vou levá-la pro hospital.

— Naruto, não exagera…

— Não, a Aya vai ter um treco assim daqui a pouco. Eu to indo. Me encontra lá depois, ok?

Ouviu um suspiro do outro lado da linha.

— Tá, eu vou só terminar a reunião e tô indo.

Naruto desligou o telefone e pegou a menina no colo. Aya remexeu-se, desconfortável, mas não chegou a acordar. Naoto, que não dormira, olhou para o tio. Estavam a dois meses de completarem seis anos.

— Naoto, coloca um casaco e vamos. Vou levar sua irmã pro hospital da bisa Tsunade.

Naoto assentiu com a cabeça e correu até onde estava seu casaquinho. Aya não precisava, porque Naruto a levava enrolada no cobertor. Chegaram ao hospital e foram atendidos sem demora. Aya ficou com Tsunade, que já conhecia a menina. O problema foi na hora de preencher a papelada.

— O senhor é o tutor legal da menina?

— Não, eu sou o tio dela. Qual é o quarto?

— Posso ver um documento?

— Não tio biológico. Sou o namorado do tio biológico, mas…

— Desculpe, senhor. Eu preciso que o representante legal dela assine.

Naruto suspirou.

— Tudo bem, ele tá chegando. Ele assina quando chegar, qual é o quarto dela?

A mulher pareceu um pouco constrangida. Naoto estava agarrado ao tio, querendo saber sobre a irmã também.

— Desculpe, senhor. Até o representante chegar, eu só posso autorizar a família a vê-la.

— Esse aqui é o irmão dela. Por favor, deixa eu ver minha sobrinha.

— Desculpa.

Naruto começou a se desesperar. Ele era tio de Aya também! Ele tinha o direito de vê-la, tinha o direito de ir falar com ela.

— Tio Naru, cadê a mana?

— Calma, Naoto. Moça, olha só…

— Desculpa, mas eu realmente não posso deixar o senhor entrar.

— Naruto?

O Uzumaki voltou-se para trás e respirou de alívio ao encontrar Sasuke.

— Essa mulher não quer deixar eu ver a Aya!

— Tudo bem, calma.

Sasuke caminhou e acariciou a mão do Uzumaki antes de mostrar seus documentos à recepcionista. Era um gesto singelo e simples, quase imperceptível a muitos, mas significava bastante vindo de Sasuke. O Uchiha não costumava demonstrar sentimentos em público.

Depois de toda a parte legal resolvida – Aya estava com um indício de pneumonia, por isso acabara internada – os três seguiram para o quarto da menina. Naoto continuava agarrado a Naruto, sem entender por que precisaram esperar Sasuke para poderem ver sua irmã.

Ela dormia no quarto, mas a febre baixara. Tsunade parecia tranquila, mas não era com aquilo que Naruto se preocupava. Desde que a menina estivesse com sua avó, Naruto não se preocupava muito. Sua mente estava em outro lugar.

Passaram a noite ali. No meio da madrugada, com Naoto dormindo com o rosto escondido em seu peito, Naruto olhou para Sasuke. O Uchiha acariciava seus cabelos, e o carinho era bom. Naruto estava deitado em um divã com a cabeça sobre as pernas do Uchiha, que estava sentado. Nenhum dos dois conseguiria dormir até Aya estar completamente bem, então não fazia muita diferença para Sasuke estar deitado ou sentado.

— Que foi?

Sasuke já conhecia Naruto muito bem. Aquele olhar atravessado, aquela preocupação no rosto. Ele sabia que havia algo de errado.

— Eu quero um papel que diga que eles são meus também.

— Naruto, se é por hoje…

— Sasuke, se algo acontecer com você, eles podem ir pra um orfanato, ou sei lá. Eu não tenho nada. Eu não posso nem ver Aya sem você aqui. Por favor… eles são meus também.

— Eu sei que são.

Sasuke olhou para Naoto, que descansava sobre o peito do loiro. Seus sobrinhos nunca mais seriam apenas seus, Sasuke sabia. E era realmente bom saber daquilo. Naruto era eu companheiro, seu suporte. Estavam naquilo juntos.

— Então, por favor…

— Ok.

— Mesmo?

Sasuke desceu as carícias para o rosto que agora brilhava de felicidade. Sorriu de canto, aquele sorriso que ele sabia que derretia o namorado.

— Se você casar comigo, amanhã mesmo vamos no advogado e combinamos a guarda compartilhada.

— Sé… o quê?!

— Shi! Naoto tá dormindo.

Naruto não conseguia raciocinar. Sasuke acabara de lhe pedir em casamento? Assim, daquele jeito inesperado e totalmente não-romântico?

— Pera… quê?!

— Como você é lento. Eu assino os papéis, mas só se você casar comigo.

Naruto piscou duas, três vezes. Sasuke continuava com o mesmo sorriso de canto, como se estivesse flertando com ele.

— Sasuke, de onde isso surgiu?!

— A gente já tá morando junto mesmo. E a verdade é que eu odeio a palavra “namorado”. É horrível.

— “Marido” é melhor?!

O Uchiha pareceu pensar e acabou por dar de ombros.

— Não é perfeito, mas dá pro gasto.

Naruto ainda não conseguia acreditar direito no que estava acontecendo.

— Você tá me pedindo em casamento porque não gosta de uma palavra?

— E porque eu gosto de você.

Era o mais próximo de uma declaração verbal que Naruto já tivera. É claro que o Uchiha já demonstrara milhares de vezes o quanto se importava consigo, mas ele não era de dizer aquelas palavras. Era como se algo o impedisse.

Naruto nunca forçara a barra. Ele dizia pelos dois.

— Pera… por que casamento?! Eu não to entendendo.

— Porque a gente se gosta, tá morando junto e, se algo acontecer comigo, tudo fica pra você. É uma boa hora pro golpe do baú, inclusive.

Naruto negou com a cabeça antes mesmo de compreender a frase por completo.

— Sem divisão de bens. O que é seu, é seu.

Sasuke sorriu vitorioso.

— Isso é um sim?

— Não! Quer dizer… sim. Mas… pera! Eu não to entendendo.

— Você sempre foi lerdo mesmo.

Sasuke baixou-se e depositou um selinho casto nos lábios de Naruto. O Uzumaki não sabia o que sentir ou o que fazer, só sabia que estava muito, muito, mas muito feliz mesmo.

–-//--//--//--//--//

O casamento foi uma reunião simples em família. Gaara e Ino haviam casado há um mês – com Aya e Naoto como principais atuantes, é claro –, e Naruto e Sasuke precisaram fazer a festinha apenas para os dois. Aya gostara tanto de se vestir de branco que colocara o mesmo vestido que usava quando atuara como aia no casamento de Ino. E eles precisaram fazer uma leve encenação na casa de Sasuke, apenas para a menina entrar na frente com o irmão.

Não havia padre, apenas Gaara rindo de Sasuke, que caminhava com o braço entrelaçado ao de Naruto. Os papéis já haviam sido assinados – tanto os de casamento quanto os que envolviam a guarda dos pequenos –, portanto aquilo era apenas um capricho para satisfazer a garotinha de cabelos e olhos negros.

— Naruto, você aceita esse homem como seu legítimo esposo? E fala as palavras bonitinhas de prometer se amar pra sempre também – começou Gaara.

Aya riu das palavras do dindo, e logo sentiu algo em seus pernas. Mia saíra do colo de Ino e engatinhara até ali. Ela balançou a perna um pouco, querendo que a garota a soltasse.

— Sai daqui, Coisinha. Não te quero.

As palavras pareceram agradar ainda mais a menina, que riu toda boba.

— Não to brincando, solta. Eu não gosto de ti, anda.

Mas Mia agarrou-se mais ainda. Por fim, Aya apenas suspirou e ficou parada, sentindo a priminha brincar com a barra de seu vestido lindo. Não podia culpá-la realmente. Sabia que ficava muito bonita vestida daquele jeito.

— Eu, Naruto, prometo ter toda a paciência do universo com meu novo marido, que ainda não teve a capacidade de dizer que me ama, apesar de eu saber que sou irresistível pra ele. Prometo também nunca abandonar esse homem, porque ele tem uma bunda linda e eu não conseguiria viver longe dela.

Naruto sorriu, carinhoso, e deu um selinho em Sasuke.

— Mas, apesar de você ser um grosso arrogante quando quer… eu te amo muito Sasuke.

O Uchiha sorriu. A mão estava na cintura de Naruto.

— Eu também.

Novamente, ele escapava de dizer todas as palavras. Naruto riu, achando graça, e Gaara fez um movimento com a mão para indicar que prosseguissem.

— Sua vez de ser meloso, Sasuke.

— Eu prometo ter paciência, porque eu vou precisar, já que você é meio insuportável às vezes. E prometo fazer sopa de espinafre sempre que você quiser.

Naruto riu. Os outros não entendiam a referência, mas nenhum dos dois se importava. Aquele era o momento deles, e era apenas importante que eles entendessem.

— Eu sei que não digo muito, mas é só pra ser especial quando eu disser. Eu te amo, Naruto.

— Ok, ok, podem se beijar. Mas só beijo, há crianças aqui!

Os lábios se tocaram numa carícia simples que apenas simbolizava o que eles representavam. Era apenas mais uma das muitas provas de amor que ainda viriam.

Notas finais
Vocês não sabem como é difícil vir aqui e dizer tchau. Obsesso não durou muitos anos, porque eu a escrevi numa velocidade que é nova pra mim, mas o tempo não foi pouco. E foram 50 capítulos. Milhares de palavras... O que eu mais gosto na estória é a inconstância. É os "e se", que tanto existem na nossa vida. E se Danzou realmente houvesse sido liberado, lá no início? E se o Nagato se revelasse pra Akatsuki do jeitinho que eles tinham planejado? E se Itachi houvesse sobrevivido, e se, e se, e se?! Foram muitas possibilidades, muitos planos, muitas promessas. Mas cada personagem seguia o seu rumo e modificava tudo, alterava as minhas peças. E isso foi o que fez com que eu amasse tanto escrever essa estória. Nem mesmo eu sabia o final. E o feedback... eu nunca esperei tanta gente aqui! Só de acompanhamentos, chego perto dos 200! Os comentários lindos fizeram com que eu conhecesse pessoas incríveis que, eu espero, me acompanhem em "O papel de cada um", que é meu próximo trabalho (e que já está postado, o link fica abaixo). Eu vou sentir saudade disso. Da gente, dos nossos papos, da Aya, do Naoto... mesmo do diabo. O Naruto é sempre o mesmo, mas escrever o Sasuke assim foi uma experiência nova e diferente. Eu gostei. Foi desafiador, foi diferente. Obsesso me tirou de todas as minhas zonas de conforto. Foi minha fanfic mais elaborada, a que mais me tirou o sono e, também, a que mais me trouxe alegrias. E é aqui que eu me despeço dela. Sinto que um pedacinho meu fica aqui. Mas a verdade, meu povo, é que eu evoluí muito. Não só na gramática (nisso também), mas como aspirante a escritora. E isso eu devo a vocês também, principalmente àqueles que apontaram os meus erros e corrigiram minhas gafes. A todos, um beijo muito forte no coração. Agora, como presente de Natal, deixem-me o último comentário? Fantasminhas, última chance de vocês aparecerem... eu juro que não mordo, viu? (só umas mordidinhas de amor). Espero não ter decepcionado ninguém. Queria ter falado mais, mas me despeço aqui. Bjs e teh + ^3^// https://fanfiction.com.br/historia/667335/Opapeldecadaum/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!