Obsesso
48 47. Recomeço
Notas iniciais
O único barulho que podia ser ouvido era o que a máquina fazia. Ela controlava os batimentos cardíacos de Naruto, que pareciam mais fracos a cada segundo para Sasuke. O Uchiha estava sozinho no quarto, esperando o Uzumaki acordar. Os médicos haviam dito que as primeiras setenta e duas horas eram cruciais, e que, se ele não acordasse naquele período de tempo, então provavelmente não acordaria.
Vinte e quatro horas se passaram sem que ele desse um suspiro. Sasuke não disse uma palavra nesse período de tempo. Tudo o que fizera fora tomar um banho no chuveiro do quarto e colocar as roupas que fizera Gaara ir buscar para si.
Estava tudo acabado. A Akatuski fora dizimada – apesar de Nagato ainda estar por aí em algum lugar –, portanto não havia mais ninguém querendo matar seus sobrinhos. Estavam, finalmente, longe daquele pesadelo.
Mas haviam entrado em outro.
Olhou os cabelos loiros jogados sobre a face adormecida. Os lábios que contornavam os tubos que levavam o ar aos pulmões de Naruto já haviam sido muito vermelhos, mas agora estavam secos e opacos. Quis pegar a mão dele, mas não conseguiu. Não tinha coragem, simplesmente por não saber o que era aquele sentimento estranho que apertava seu peito.
— Acorda logo, por favor – sussurrou.
Uchiha Sasuke nunca pedia, ele mandava. Mas não via sentido em mandar Naruto fazer algo que estava completamente fora de seu controle. A porta foi aberta e, com a indiferença que reaprendia a usar, encarou Gaara entrar junto de Ino, Aya e Naoto. Os pequenos logo correram para si. Sasuke os segurou no colo e apertou os dois. Não os via desde que decidira encontrar-se com Orochimaru na madrugada do dia anterior.
Aya foi a primeira a sair de seu abraço. Ela encarou Naruto, tão frágil ali naquela cama, e lembrou-se de quando viu Itachi. Ela pensara que o pai estava apenas dormindo também, mas não era bem assim. Recordava-se com perfeição da pele pegajosa e gelada, dura. Era como encostar em um boneco, não em seu papai. Estendeu o braço, tremendo, com medo de tocar na mão de Naruto e sentir aquela rigidez novamente.
Desistiu no meio do caminho, com medo. E se fosse? E se Naruto estivesse gelado e pegajoso também? E se… estivesse dormindo para não acordar mais?
Sasuke viu o movimento dela e a colocou sentada na cama de Naruto. Ela o encarou com os olhos apavorados, tremendo de tanto medo.
— Está tudo bem. Diz oi, Aya. Eu acho que ele pode te escutar.
A menina quis chorar. Tocou na mão de Naruto, pronta para começar a gritar ao sentir a rigidez dos mortos nele, mas o que encontrou foi bem diferente. A mão de Naruto estava quentinha, macia. Ela suspirou aliviada e sorriu o melhor que pôde.
— Ele não vai dormir pra sempre, Naoto! Tá quentinho.
Ela beijou a mão dele e deitou-se ao lado do tio. Sasuke cuidou para que ela não removesse nenhum tubo, mas Aya era pequena e cabia deitada junto do loiro. Ela beijou a bochecha macia e fechou os olhos ao se acomodar com o rosto na curva do pescoço dele.
— Está tudo bem, tio Naru. Eu to aqui pra te proteger agora.
Sasuke sorriu com a cena e voltou a olhar para Naruto. Ele estava tão fraco… tão… frágil. Naoto juntou-se à irmã e, um de cada lado, os dois se deitaram. Naoto começou a brincar com os fios loiros, que estavam jogados sobre o travesseiro.
— Acho que você precisa cortar esse cabelo, tio. Tá muito grande.
Sasuke sorriu. A máscara caíra há muito tempo.
— É, tá grande mesmo. A gente leva ele pra cortar quando o tio Naru acordar, ok?
Aya sentou-se e agarrou a mão de Naruto. Ela estava quente, então ele acordaria um dia. Sim, aquilo fazia sentido.
— E onde que a gente vai morar, tio Sasuke? No hotel?
Sasuke suspirou. Ainda havia aquele detalhe para resolver.
— Não, não vamos morar no hotel. Vamos comprar uma casa nova, ok? Só pra nós três.
Aya piscou, confusa.
— Mas e o tio Naru?
— Ele não vai morar com a gente, Aya.
— E por que não?
Sasuke observou a sobrancelha franzida, os olhos negros confusos. Ela fazia exatamente a mesma expressão que Itachi quando não entendia algo óbvio. Sorriu para aquilo. Talvez seu irmão estivesse um pouquinho vivo neles dois.
— Porque ele é só um amigo. Ele vai ir visitar vocês sempre, mas vai morar na casa dele.
Aya continuava com a mesma expressão.
— Mas eu vi vocês beijando esses dias. Achei que ele ia morar com a gente.
Ino riu, Gaara riu e Sasuke endireitou a postura. Aya… vira?
— Aya… o que você viu?
— Você e o tio Naruto beijando no quarto. Daí eu fui chamar o Nao pra ver também, mas vocês tinham sumido!
Ela os pegara pouco antes de entrarem no banheiro. Sasuke limpou a garganta, levemente constrangido.
— Pensei que você estava dormindo.
— Eu tava, mas aí acordei.
Sasuke assentiu com a cabeça, desejando, mais do que nunca, que Naruto acordasse. Era ele quem sabia lidar com situações como aquela, não Sasuke. Olhou para o loiro, mas ele não moveu um único músculo.
— Independente disso, Naruto é só um amigo.
— Você não gosta dele?
Sasuke não acreditava que estava recebendo conselhos amorosos de uma menina de cinco anos. Naoto apenas observava, rindo. Sussurrou no ouvido de Naruto, só pra ele ouvir:
— Eu acho que o tio Sasuke quer casar com você. Ele te gosta muitão.
— Aya, eu gosto do Naruto, ele é legal. Mas não vamos morar juntos.
— Mas você não quer casar com ele?
Casar, para Aya, significava transar e era algo bem mais romântico do que o sexo entre eles costumava ser. Olhou para Gaara e Ino, que continuavam rindo da situação e não davam qualquer indício de que planejavam ajudá-lo tão cedo.
— Aya, não é assim que funciona.
— E por que não?
— Porque não é.
— Mas por quê?
— Porque tio Naruto tem a casa dele e nós teremos a nossa.
— Mas a gente ama ele, e ele ama a gente. Não devia morar todo mundo junto?
Se ela fosse mais velha, aquela conversa seria muito mais simples. Aya ainda não compreendia a complexidade de um relacionamento, e Sasuke não fazia a menor ideia de como contar a ela o que realmente acontecia entre eles.
Não podia simplesmente dizer que queria transar com o homem que ela admirava e depois jogá-lo fora. Até porque… aquilo não parecia mais ser verdade. A verdade era que não sabia mais o que sentia ou o que queria. Mas sabia que tinha algo a ver com Naruto. Sasuke quase implorava mentalmente para que ele acordasse naquele momento.
— É complicado… vamos esperar o tio Naruto acordar, ok?
Aya suspirou, mas acabou assentindo com a cabeça. Balançou o Uzumaki de leve.
— Acorda logo, tio, porque o tio Sasuke tá me deixando toda confusa. Ele não sabe explicar as coisas!
Ino e Gaara apenas aumentaram as risadas e Sasuke afundou na poltrona. Como lidaria com aquela garota se Naruto não acordasse? Melhor nem pensar nisso.
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Nagato sentiu o peso das armas em suas mãos e respirou fundo. Seu corpo era movido pela raiva e pelo ódio, assim como pela impotência. Não sabia como ajudar Konan – droga, nem mesmo sabia se havia forma de fazê-lo – ou como seguir em frente. Sabia apenas que precisava descontar sua raiva em alguém. Kabuto estava morto, portanto sobrava apenas a possibilidade de destruir o que ele mais amava. Assim como o desgraçado fizera consigo.
Invadiu o esconderijo de Orochimaru com um revólver em cada mão. O endereço não fora difícil de encontrar, principalmente porque Orochimaru não estava vivo para tentar encobrir seus passos. Era bem no centro da cidade, de baixo do nariz de todos aqueles que sequer imaginavam que algo como aquilo poderia acontecer.
Cerca de vinte médicos foram assassinados naquele lugar. As mulheres que estavam lá – aproximadamente vinte também, como se houvesse um médico para cada gestante – não proferiram uma palavra durante o massacre. Elas sequer sabiam o que acontecia ao seu redor, de tão drogadas que estavam. Kabuto fizera aquilo com elas, e planejara incluir Konan em sua coleção de grávidas semimortas.
Levantou o revólver direito e apontou para a mulher mais próxima. Visualizou Konan ali, grávida de um monstro e impotente demais para fazer qualquer coisa para se livrar do outro monstro que agora vinha matá-la. A mulher estendeu um braço, totalmente molenga.
— Me aju…
Um tiro a calou. Não era Konan. Konan não pediria tão debilmente por ajuda, e ele jamais permitiria que ela ficasse drogada daquela forma novamente. A barriga do cadáver era enorme, indicando um estado mais avançado de gestação. Algo se moveu tão abruptamente sobre a pele da barriga dela que Nagato conseguiu ver o ser se mexendo. Atirou duas vezes contra aquilo e esperou, mas nenhum outro movimento foi percebido.
As outras mulheres pareciam resignadas demais com seus destinos para tentar pedir por ajuda. Atirou três vezes em cada uma delas. Matou primeiro as mães, depois os monstros que cresciam em seus ventres. Talvez tenha decidido encerrar o sofrimento daquelas mulheres sem fazê-las sofrer ainda mais, ou talvez apenas tenha desejado evitar os gritos de dor. Independente de tudo, o ruivo foi o único sobrevivente.
Não achou antídoto, mas pegou todas as anotações que encontrou. Orochimaru despejara a poção criada por Kabuto, e Nagato não pensou em pegar o vidro vazio que encontrou na mesa dele, naquela sala em que o encontrara para propor um acordo. O ruivo estava ficando sem esperanças, por isso recorria à vingança.
Kabuto matara a mulher que amava, e agora ele matava o projeto pelo qual ele se sacrificara tanto.
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— Essa aqui vai ser a nossa casa?
Sasuke saíra do hospital por insistência de Ino e Gaara. Quarenta e oito horas se passaram, mas Naruto não acordara. Sasuke estava nervoso, mas tentava não deixar transparecer. Era sábado, quase três horas da tarde.
— Se vocês gostarem dela, sim.
Apesar de ser sábado, nenhuma corretora de imóveis negaria a chance de vender uma casa ao diabo. A mulher era animada e falante, mas Sasuke não prestara atenção real nela. Se quisesse a casa, comprá-la-ia independente do que aquela mulher lhe dissesse.
O ambiente era grande. Sasuke sentou-se no sofá e deixou as crianças decidirem por si. Tinha quatro quartos, todos com suíte, e um banheiro comum. Além daquilo, também havia uma cozinha completa e um escritório, além da sala de estar. Talvez fosse um pouco grande, mas Sasuke gostara do lugar. As muitas janelas deixavam o ambiente claro. Apesar de Sasuke sempre ter gostado de lugares escuros, aquela casa parecia apropriada.
— Eu amei, tio Sasuke!
Aya apareceu correndo e pulou nos braços dele. Sasuke a pegou no colo e observou Naoto vir correndo também, mas sem gritar como a irmã fazia.
— Tem até um quarto pro tio Naru, sabia? – conto ela, com os olhos brilhando.
— Aya…
— E o nosso quarto vai ser enorme, tio Sasuke! Dá até pra colocar uma TV bem grande! – contou Naoto, empolgado.
Sasuke acabou sendo vencido.
— É nossa – disse à corretora.
Aquele, provavelmente, era o dia mais feliz da vida daquela mulher. Ter vendido àquela casa a Uchiha Sasuke certamente lhe valeria uma promoção.
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Worcester. Kiba respirava fundo, agarrando os dedos de Shino entre os seus. O outro também parecia preocupado, mas tentava manter-se mais calmo do que o namorado. Esposo? Viviam certamente como se estivessem casados. Independente de tudo, estavam juntos. Sem rótulos ou opiniões. Amavam-se.
A campainha tocou e Kiba levantou-se de supetão. Correu até a porta e respirou fundo antes de abri-la. Uma assistente social com expressão calma estava à espera. Kiba sorriu para ela e limpou a mão suada na calça antes de estendê-la.
— Kiba Inuzuka, eu sou. Bem-vinda seja. Quer dizer, só… ahn… Shino está esperando. Sala, eu mostro o caminho.
A mulher riu um pouco, divertida. Kiba sentiu que podia se afundar em qualquer lugar, de tão constrangido que ficou. Perderia pontos por aquilo? Estaria “fazer papel de idiota” marcado na prancheta que ela carregava?
— Sou Sam Springle, senhor Inuzuka. É um prazer finalmente conhecê-lo.
— Só Kiba já tá bom.
Kiba chegou a Shino e sentou-se ao lado dele, em busca de apoio. O homem, que a tudo ouvira, riu um pouco e beijou a testa de Kiba.
— Relaxa. Não foi tão ruim – murmurou.
A mulher sentou-se no sofá em frente a eles e sorriu. Ela não era o ser abominável que Kiba imaginava, mas, ainda assim, sentia-se receoso. E se ela não gostasse deles e simplesmente decidisse que não mereciam uma criança?
— Acho que vocês estão um pouco nervosos. Não precisam ficar, eu só preciso entender o que levou vocês a tomarem essa decisão.
Kiba assentiu com a cabeça.
— Bom, eu e Kiba estamos morando juntos há quase sete anos, mas já tínhamos um rolo antes disso. E… fica meio vazio, entende? A gente já tem quase trinta anos, e seria o momento de começarmos uma família. Quer dizer, eu sempre gostei de crianças e, não sei, minha mãe sempre quis um netinho. Ou netinha, tanto faz mesmo.
A assistente anotou algo.
— Vocês já chegaram a dizer qual é a preferência?
— Independente de sexo e, preferencialmente, até uns cinco anos. Eles já tem muita personalidade depois, ou mesmo antes, e não sei se conseguiríamos lidar com uma criança que já tem tanta bagagem.
A mulher assentiu com a cabeça, anotando coisas do que Shino dissera.
— Etnia, cor…?
— Não importa mesmo.
As perguntas continuaram e, a cada segundo, o casal se acalmava um pouquinho mais. Daria tudo certo, no fim. Sim, conseguiriam dar o amor que sentiam a uma criança. A cada momento se sentiam mais seguros daquilo.
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Era noite novamente. Sasuke deixara Aya e Naoto com Gaara e Ino, que não reclamaram. Eles adoravam passar um tempo com os pequenos.
— Então, tia Ino, quando que ele vai sair da sua barriga?
Aya acariciava a barriga da tia, tentando sentir o bebê se mexendo. Como Ino ainda estava no início da gestação, era impossível sentir qualquer coisa, pois o bebê ainda não fora formado.
— Vai demorar bastante ainda, meu bem.
— E por que ele tá ali dentro?
— Porque o tio Gaara colocou ele. Mas ele é só uma sementinha que tá crescendo agora.
A menina formou um perfeito “ó” com seus lábios.
— Ele é uma flor?
Naoto também arregalou os olhos, surpreso, e Ino riu da constatação feita pelos pequenos.
— Não, meus amores, não é uma flor. Mas é parecido. Ele começa como uma sementinha, depois cresce, e cresce e cresce… até virar um bebê.
— E quanto tempo leva pra ele virar um bebê?
— Mais uns meses e ele vem. Ou ela.
— Ele – Aya disse. – Eu sou a menininha do tio Gaara.
Ino riu alto e beijou a testa dela. Aya era tão bonitinha!
— Você não vai deixar de ser a menininha do tio Gaara só porque ele teve uma menininha também. Vocês vão poder brincar juntas, você vai poder ensinar pra ela as coisas que você sabe…
— Não quero.
Aya aproximou a boca da barriga de Ino.
— É bom você nascer menino, viu? Ou eu não vou gostar de você.
— Aya! – protestou Ino.
A menina negou com a cabeça e escondeu o rosto no peito de Ino.
— Eu sou a sua menininha. Não quero outra.
Ino riu do ciúmes bobo dela e beijou os cabelos negros. Naoto também se juntou ao abraço, mas ele acariciou a barriga da madrinha.
— Se for menino, eu vou gostar dele, tá dinda? A gente vai poder brincar de laser juntos, eu deixo.
Ino sorriu e beijou a testa dele também.
— Tá bom, Naoto. Obrigada.
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Sasuke tentou se concentrar no livro que lia, mas era difícil. O tempo chegava ao fim, mais de sessenta horas se passaram, mas Naruto não acordava!
— Vamos lá, Naruto, não faz isso. Eu ainda não disse que te amo, lembra? Não pode morrer antes disso.
O Uzumaki apenas continuou inerte, perdido num mundo de sonhos e fantasia. Durante a tarde ele conseguira voltar a respirar sozinho e não tinha mais a máquina que o ajudava a respirar ao lado da cama. Tsunade dissera que aquilo era bom, mas Naruto não mostrara nenhuma outra alteração.
Era como se simplesmente dormisse.
— Acorda…
O Uchiha suspirou e saiu do quarto. Precisava de ar, precisava pensar. Cogitou a possibilidade de ir à lanchonete do hospital para comer alguma coisa, mas seu estômago estava embrulhado. Ficou fora pelo que achou ser meia hora. A caminhada foi boa, ajudou-o a relaxar. Se estava gostando tanto de Naruto, seria ele diferente dos outros? E se fosse realmente apenas atração, valia a pena brincar com as emoções do loiro daquele jeito?
Entrou no quarto com os pensamentos a mil, sem saber o que fazer. Independente de qualquer coisa, ele precisava acordar primeiro. Olhou para a frente e encontrou olhos azuis a encararem-no.
Sasuke teria aberto o maior dos sorrisos se pudesse. Mas estava em choque. Olhou Naruto, acordado, sentindo seu peito se aquecer mais do que já se aquecera em qualquer momento. Estava pronto para falar, mas o Uzumaki foi mais rápido.
Com uma expressão confusa, perguntou:
— Quem é você?
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