Obsesso

40 39. Impotência


Notas iniciais
Olááá o// Postando certinho depois dessa semana conturbada ;3 ~~enjoy

Sasuke tentou pensar com clareza, porém tudo eram borrões desconexos. Seu corpo inteiro parecia muito mais pesado do que deveria ser, o que tornava tudo muito lento. Ouvia Naruto com perfeição, porém sentia que, talvez, estivesse respondendo ao loiro numa velocidade muito abaixo do comum.

— Sasuke, eles já saíram do carro. Vamos logo, preciso tirar vocês daí...

Sasuke compreendeu que aquela informação era importante e que algo deveria ser feito a respeito, porém não conseguiu sentir medo ou racionalizar. Estava tudo tão... pesado.

— Sasuke!

— Tira a Aya...

— Vocês estão presos! Naoto, estende o braço e tenta pegar a minha arma.

O menino arregalou os olhos o máximo que pôde, mas estava escuro demais para Naruto perceber.

— Eu não posso mexer nas armas...

— Naoto, agora!

O menino obedeceu, sentindo todo o seu corpo tremer. Tinha cinco anos! Aya não chorava ou falava, simplesmente encarava Sasuke como se nunca o tivesse visto antes. Ela estava mais branca do que papel.

O garotinho conseguiu tocar no cano do armamento e o pegou rapidamente. Seu maior medo era de que fosse explodir em sua mão, assim como acontecia em Pica-pau e Pernalonga. Porém não acreditava, realmente, que fosse acabar apenas com fuligem em seu corpo se a arma atirasse. Sentia que, talvez, fosse acabar dormindo como o papai.

Naruto pegou o revólver que lhe era estendido e rezou para que ele não tivesse estragado de nenhuma forma. Arrastou-se pelo capô e mirou no primeiro dos vultos. Este vinha rápido, esgueirando-se em direção à porta pela qual Naruto saíra. O Uzumaki atirou uma vez. O homem caiu; estava morto antes mesmo de tocar o chão.

Outro tiro foi ouvido, este excessivamente próximo de Sasuke e das crianças. Naruto voltou para junto deles e atirou na perna do homem que fugia. Este caiu, porém conseguiu se arrastar rápido o suficiente para não ser atingido por Naruto uma segunda vez.

O Uzumaki estava em posição vulnerável. Se tentasse remover Sasuke e as crianças do carro, o homem ferido poderia tentar atirar do local em que estava. Se não o fizesse, o carro poderia explodir com os três dentro. Não tinha muita opção.

Atirou contra a lateral, esperando espantar o inimigo, e correu agachado até o chefe.

— Aya, você precisa vir primeiro. Naoto, consegue empurrar as pernas da sua irmã pra cá?

Aya estava aterrorizada demais para fazer qualquer coisa e a cada segundo ficava mais pálida. Naoto também estava assustado, mas acabou obedecendo a Naruto; a adrenalina fazia com que o medo não o paralisasse como fizera com a irmã. A menina apenas voltou a si quando o irmão empurrou sua perna. Ela gritou – e Naruto deixou de observá-los para acertar qualquer um que, por acaso, estivesse ouvindo aquele grito – e chorou. Naruto, ao não perceber ninguém, deixou a arma de lado e tentou ajudar o pequeno.

— Naoto, você consegue mexer suas pernas e braços?

— Minha perna tá presa contra o tio Sasuke, mas acho que sim...

— Ok. Empurre Aya.

Ele empurrou, Aya gritou e Naruto a puxou. A menina caiu nos braços dele chorando muito.

— Tá tudo...

— Minha perna, minha perna, tio Naru!

Naruto viu apenas sangue ao olhar para a perninha dela. Retirou seu casaco e seu pijama.

— Vai doer um pouquinho, mas você precisa ser forte, princesa.

— Não mexe, tio, não mexe.

— Desculpa, little, eu preciso.

Apertou a perna dela com a sua camiseta para estancar o sangramento. Aya gritou mais, sentindo toda a parte inferior de seu corpo queimar. Ela soluçava, em desespero, debatendo-se no colo do loiro.

— Naruto, o que está acontecendo?! — Aparentemente, Sasuke recobrara seus sentidos.

— Aya está sangrando muito. Tô tentando estancar aqui.

Sasuke sentiu vertigens. Aya sangrando muito...? Então haviam sobrevivido até o momento para a garotinha padecer perante algo tão mundano quanto perda de sangue? Não, ele não permitiria.

— Precisamos levar ela pra um hospital, Sasuke. E logo.

— Já tá acabando. Tira Naoto.

Aya desmaiou no meio de um grito. Naruto entrou em desespero e começou a sacudi-la.

— Aya! Aya, little, acorda! Aya, não faz isso... Ela desmaiou, Sasuke.

— ME TIRA DAQUI, PORRA!

Naruto a colocou delicadamente ao seu lado, no asfalto, e puxou Naoto com mais facilidade. Sem os sobrinhos para se preocupar em esmagar, Sasuke se deixou cair no banco e conseguiu sair. Seu braço tinha um talho profundo, provavelmente causado por ter usado seu corpo como cápsula para os pequenos, mas ele não sentia a dor. Arrastou-se até a pequena e a puxou para seu colo.

— Aya, acorda. Não faz isso comigo.

Naruto recolocava seu casaco.

— Sasuke, precisamos sair daqui. O carro pode explodir.

Sasuke percebeu que nem mesmo um carro passava na rua. Estavam afastados da civilização, ou seja, longe de hospitais também. Naruto retirou Aya de seus braços e Sasuke sentiu-se impotente como nunca antes. O que poderia fazer? Não sabia voar, não poderia simplesmente tocar em Aya e fazer com que ela ficasse bem... a impotência quase o paralisou, porém Naruto pegou seu braço e fez com que o Uchiha o abraçasse. Naoto conseguia caminhar e agarrou a mão de Sasuke, que apertou a do pequeno entre seus dedos. Não queria soltá-lo jamais.

Amparado pelo Uzumaki, que carregava Aya também, Sasuke saiu para longe do veículo dois minutos antes de ele explodir. Não tinham mais armas ou formas de defesa, estavam completamente indefesos. E mesmo Naruto sentia-se tonto pela batida. Os quatro arrastaram-se até o acostamento e ficaram deitados no chão, sentindo tontura e rezando para que a Akatsuki não os percebesse.

Ouviram tiros, mas não sentiam as balas por perto. Se alguém os visse, seria sua perdição. Naoto vomitou, e havia sangue em seu vômito. Sasuke o puxou para perto e o escondeu. O menino vomitou novamente, mas o Uchiha não o soltou e o vômito acabou manchando a blusa de Sasuke. Ele não se importava. Só queria que aquilo acabasse.

Mais tiros. Muitas vozes, algumas que eles achavam conhecer. Sirenes. Naruto começou a chorar, agradecido ao ouvi-las, e Sasuke relaxou sua cabeça. Não havia como irem a um hospital, mas o hospital viera até eles — ou algo parecido o suficiente para o momento —.

— SASUKE! — era Gaara.

O Uchiha tentou gritar de volta, mas não tinha mais voz. Estava rouco, com tanta dor de cabeça que mal conseguia se mexer. Naruto tentou levantar, mas caiu.

— AQUI! — mas o grito dele não passou de um sussurro.

Naruto não soltara Aya. Ele pressionava o ferimento dela com a mão também, tentando impedir que o pouco de sangue que a garota ainda tinha também se esvaísse. Sasuke ficou ouvindo as tentativas do Uzumaki de gritar, todas sem sucesso.

Foi Naoto quem os salvou.

O menino soltou-se de Sasuke e correu. Correu e gritou ao mesmo tempo, procurando pelo padrinho de quem tanto gostava. Gaara ouviu o choro desesperado dele, os gritos por socorro, e socorreu todos os três.

–-//--//--//--//--//

Sasuke respirava muito melhor desde que colocaram a máscara de oxigênio em seu rosto. Os paramédicos tentaram colocá-lo na maca, porém, passada a tontura inicial, ele não permitiu que o tocassem. Olhou ao redor, confuso, tentando se localizar. Um carro explodira — o deles —, e agora muitos policiais estavam ao redor. Viu Gaara comandando todos os seus subordinados. Neji estava ao seu lado.

— Sasuke, você precisa...

— Depois. Cadê Aya?

— Ela foi levada às pressas pro hospital. Naoto foi com ela, assim como Tenten e Chouji.

— Eu preciso ir com ela.

— Deita e você vai. Eles vão te levar.

Sasuke negou com a cabeça e afastou as mãos que tentavam fazê-los deitar. Alguns médicos começaram a falar sobre como ele podia estar sangrando por dentro e sobre concussões, mas o Uchiha não prestou atenção. Levantou-se, meio zonzo. Neji tocou em seu ombro.

— Sasuke...

— Cadê Naruto?

— Ele não foi muito ferido. Está...

O Uzumaki apareceu em frente a eles. Quatro paramédicos o seguiam, tentando fazê-lo voltar à maca.

— Cadê Aya?! — perguntou a Sasuke.

— No hospital com Naoto. Precisamos ver quem fez isso.

Os paramédicos e Neji reclamaram, mas ninguém conseguiria parar o diabo. Com a promessa de que não demorariam, Sasuke e Naruto caminharam até perto de Gaara, ambos querendo entender o que diabos acontecera ali. Um corpo carbonizado demais para ser reconhecido repousava ao lado do carro. Outro, estirado a vários metros, com um tiro na perna e outro no peito, tinha os cabelos loiros.

Os dois foram até lá. Abaixaram-se e viraram o corpo. Deidara.

Naruto riu.

— Você era bom, meu amigo, mas eu fui melhor.

Sasuke remexeu nos bolsos deles, procurando por alguma coisa. Encontrou uma carteira no casaco. Dentro, os documentos roubados de Naruto. O Uchiha sorriu e estendeu-os para o loiro.

— Bem-vindo de volta, oficial.

Naruto riu como uma criança e pegou o que era seu. Deus, aquilo era tão maravilho! Era novamente dono do seu nome, dono de si. Não precisaria se esconder ou pegar dinheiro com Sasuke, porque era dono de seu dinheirinho novamente. Beijou sua carteira de identidade — manchada com sangue, ele sabia, mas era aquilo que a fazia ser tão especial — e respirou aliviado.

— E aí, a transa valeu a pena? — Sasuke perguntou, referindo-se ao fato de o Uzumaki ter perdido os documentos na noite em que passara com Deidara.

— Definitivamente não. Deidara era bom, mas não tão bom.

Sasuke riu e levantou-se. Naruto fez o mesmo. Gaara aproximou-se.

— Vocês dois deviam estar no hospital.

— Eu tenho meus documentos de volta! — comemorou Naruto, puxando o Sabaku para um abraço rápido e apertado.

Gaara franziu o cenho, sem gostar e nem desgostar do contato. Era simplesmente... diferente do que ele estava acostumado a lidar com.

— Ele está feliz — esclareceu Sasuke.

Gaara assentiu com a cabeça.

— Percebi.

Caminharam mais um pouco. Zetsu, o híbrido criado em laboratório, estava sob a custódia deles, preso no carro de polícia. Em breve, Sasuke o interrogaria como deveria fazer.

— Sabem de quem é aquele corpo ali ao lado do carro? — perguntou Naruto.

— Sasori era o único ruivo do grupo, se me lembro bem. E ele não está em lugar algum.

Naruto assentiu com a cabeça e sentiu uma tontura profunda.

— Sasuke, acho que podemos obedecer aos paramédicos agora.

O Uchiha assentiu com a cabeça.

–-//--//--//--//--//

Aquela madrugada foi confusa para todos eles. Sasuke e Naruto foram sedados a pedido de Gaara, que os conhecia o suficiente para saber que os dois sairiam da cama de hospital assim que se sentissem bem – o que, provavelmente, seria bem antes de estarem verdadeiramente bem –. Os dois haviam se batido várias vezes e estavam com machucados superficiais. Sasuke queimara as costas e abrira os pontos, o que não era surpresa alguma. Também deslocara um braço e quase quebrara uma costela. Nada que alguns dias de remédios fortes e repouso não resolvessem.

Aya rasgara a perna com o vidro do para-brisa, ainda na garagem, e o objeto ficara preso na perna da garota até ela chegar ao hospital. A batida e a tentativa de Naruto de estancar o sangue nada fizeram além de aprofundar ainda mais o rasgo. Ela precisou de cirurgia. Não ficaria com nenhum dano permanente, apenas com uma cicatriz na perna esquerda.

Naoto estava bem; mais traumatizado do que qualquer outra coisa. Ficou incomodando Gaara até o Sabaku obrigar os médicos a colocarem Sasuke, Aya e Naruto no mesmo quarto. O menino ficou cuidando dos três, sem deixar o lado deles nem para comer.

— Meu bebê, vamos lá pra casa tomar um banho? Os titios acordam ainda hoje de noite. Eu te trago de volta depois.

Naoto negou com a cabeça.

— Eu não saio até o tio Sasuke e o tio Naru acordarem.

Ino suspirou, mas beijou a testa dele. Sabia que seria assim.

— Então eu posso ficar aqui contigo?

Naoto assentiu com a cabeça e a madrinha o confortou. Quando estava confortável nos braços dela, sentindo o cheirinho feminino que sempre associava à loira e à segurança de estar quietinho ali com ela, Naoto chorou. Foi um choro compulsivo, doloroso, e Ino chorou junto dele.

— Está tudo bem agora, meu bem. Já passou.

Mas não passara para ele. Naoto ainda sentia o cheiro de fogo e a fumaça que entrara em seu pulmão. O gosto de sangue estava em seu boca, e o barulho do tiroteio ensurdecia seus ouvidos.

— Você salvou os três, Nao. Foi um herói.

O menino chorou mais. Não gostava de ser herói. Esperava nunca mais precisar sê-lo. A vida de um herói era recheada de pavores e morte. Não havia capas cintilantes ou supervilões inofensivos. Ali, naquela realidade, havia apenas sangue e dor.

–-//--//--//--//--//

Naruto acordou primeiro. Seu corpo inteiro estava pronto para correr, infestado pela adrenalina de horas antes. Sentia uma dor de cabeça terrível, mas, fora aquilo, estava bem. Reconheceu o hospital assim que seus olhos captaram a brancura das paredes e do teto. Olhou para o lado e viu Naoto dormindo numa poltrona, agarrado a um ursinho de pelúcias que o Uzumaki nunca vira antes.

Virou a cabeça e reconheceu Aya ao seu lado. A menina dormia profundamente, com alguns aparelhos ligados a seu rostinho. A perna dela estava para cima. Um pânico irracional o atingiu — se ela não estava na UTI e nem em um quarto particular, não podia estar tão mal, mas Naruto não pensou naquilo — e gemeu ao tentar levantar. O barulho acordou o garotinho, que sorriu assim que viu o tio acordado.

— Tio Naru!

Naoto correu e Naruto estendeu os braços, acolhendo-o, apesar da dor que sentia. O menino escondeu o rosto no peito do loiro, que beijou os cabelos negros dele. O Uzumaki desistiu de tentar levantar.

— Oi, little. O que aconteceu?

— Você e o tio Sasuke precisavam dormir, aí a moça de branco deu uma injeção em vocês. Eles disseram que a Aya acorda amanhã.

Naruto sorriu e acariciou as costas dele, tentando acalmar o coraçãozinho do menino. Ficou encarando Aya com o coração entre seus dedos. Ela era tão pequena, tão frágil... queria afastar todo o mal que a rodeava, porém sabia que era impossível.

Sasuke remexeu-se também. Naruto ajeitou-se, agora sentado na cama, e encarou o Uchiha. Este abria os olhos devagar.

— O que aconteceu com ela? — perguntou a Naruto.

— Naoto não sabe direito. Disseram que acorda amanhã.

— Tio!

Naoto saiu da cama de Naruto e acomodou-se ao lado de Sasuke. O Uchiha o acolheu como pôde, sentindo seus braços doerem. Encarou Aya, que também era observada por Naruto.

Ela estava pálida e recebia sangue e soro constantemente. Quanta dor sua menininha não devia estar sentindo? Quanto pavor ela não suportara naquela madrugada? Naoto não o soltaria tão cedo; Sasuke conseguia sentir o medo dele mesmo que o menino nada dissesse. Aquilo não ficaria daquele jeito.

Sua vingança chegaria. E, quando chegasse, os desgraçados pagariam por todo o sofrimento pelo qual sua família passava.

Notas finais
Sasori e Deidara morreram ='( Eu gostava tanto deles! ='( Bom, o que acharam? Ação? Adrenalina? E a promessa de vingança do Sasuke no final? O Naoto foi um herói! (Amo essa criança!) Lembramos que o lemon é no 42. Como esse aqui é o 39, estamos perto ;3 (A contagem do site é diferente da minha porque eu considerei o prólogo como sendo 00, e o site como send o 01) Obrigada mesmo, pessoal o// Nos vemos nos comentários (viram que consegui responder a todos? s2) Bjs e teh + ^3^//