Obsesso
32 31. Números
Notas iniciais
~~Relembrando, capítulo 20. Nem tão errado ~~
— Eles estão planejando isso há muito tempo, Sasuke. Não consegui recuperar mais nada, apenas alguns horários por mensagens.
Shikamaru abriu uma pasta cheia de números, mas não faziam sentido nem para Sasuke. Pareciam horários. Nove e meia da manhã, sete horas da noite, meia-noite. E então outros números aleatórios seguiam.
~~Foi quando analisaram o celular de Kisame~~
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Ficou combinado que Naruto passaria a noite seguinte com eles, caso algum ataque surpresa acontecesse. O Uzumaki não tinha qualquer objeção à decisão do Uchiha, apenas disse que precisaria ficar algumas horas fora para ir buscar roupas em sua casa. Sasuke concordou, mas ordenou que ele fosse cuidadoso. Com todos os problemas, tudo de que não precisavam era da Akatsuki descobrindo o paradeiro deles antes de Sasuke estar completamente curado.
Depois disso, Sasuke e as crianças trataram de se acomodar no hotel. O dia fora longo, e estavam todos cansados.
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Nagato respirou fundo, querendo manter o controle sobre seu temperamento. Konan acordaria naquela tarde, e ele precisava estar totalmente calmo para servir de apoio a ela. Sasori deixara Sasuke de lado para se dedicar completamente à captura do estuprador sem nome, e mesmo Nagato estava indiferente ao Uchiha. Yahiko morrera há muito tempo, assim como Fugaku. Konan ainda estava viva e precisava mais do que nunca de sua atenção.
Entrou no quarto, vendo-a dormir tranquilamente. Arrastou a poltrona até ficar suficientemente próximo para tocar na mão da garota. Suspirou, sentindo vontade de chorar. Aquilo certamente não acontecia há muito tempo. Estivera tão perdido em sua vingança infundada – como Konan mesmo lhe dissera tantas vezes – que acabara não percebendo o quanto sua amiga mais próxima sofria. Estivera tão perdido em seu próprio sofrimento que não percebera que ela passara por algo ainda pior. Tocou de leve na pele macia, querendo pedir desculpas mil vezes, mas sentindo o orgulho a impedi-lo.
Talvez, se prestasse atenção ao que acontecia na vida dela, tivesse percebido a mudança de comportamento. Agora que se permitia analisar a situação, lembrava-se de que ela estava comendo e saindo menos, de que não saía de seu lado quando reuniões aconteciam, como que com medo de…
Sentiu seus olhos enegrecerem momentaneamente. Ela nunca saía de seu lado durante as reuniões. Anteriormente também costumava ficar próxima, porém era diferente. Quando mudara, quando mudara? Não conseguia lembrar, porém podia apostar que fora há quase cinco semanas.
Apertou de leve a mão que tinha entre a sua e deixou o quarto. Pegou seu telefone.
— Sasori, restrinja sua lista de suspeitos aos integrantes da Akatsuki. É um palpite.
Desligou em seguida, sem quaisquer despedidas ou enrolações. Voltou para o quarto e encontrou Konan abrindo os olhos.
— Nagato?
— Sou eu.
Voltou a se sentar ao lado dela. Konan retorceu a expressão de dor, e ele a ajudou a se sentar de forma confortável.
— O que aconteceu? Eu sinto como se tivesse sido atropelada por um ônibus.
Ele voltou a sentar, deixando-a a encará-lo da cama.
— Pedi para eles fazerem o aborto.
Konan sentiu os olhos marejarem, mas não permitiu que as lágrimas saíssem. Respirou fundo, sentindo o medo, o ódio e o receio que sentira naquele dia, tudo novamente.
— Entendo.
Nagato ficou em silêncio, esperando que ela expressasse o que sentia de alguma forma, o que não aconteceu. Konan manteve-se quieta, perdida em reminiscências que ele desconhecia.
— Quem foi?
Ela o encarou, mas não respondeu. Apenas voltou o olhar perdido para a parede.
— Konan…
— Não quero falar sobre isso.
— Quem fez isso?!
— Não importa. Um estúpido, idiota, fraco. Independente de quem foi, não acontecerá novamente.
Nagato sabia que ela sofria e tentava manter a calma para que ela não se estressasse ainda mais, entretanto nunca fora bom em manter seu gênio forte controlado. Queria que ela dissesse a ele quem fora o ignóbil que tivera tal audácia. Queria torturá-lo até que ele implorasse pela morte.
— Konan, me escuta. Não foi sua culpa, não…
— Eu sei que não foi. Eu não estou me culpando, Nagato, não sou assim. O que aconteceu foi inteiramente culpa dele, e não há nada que possamos fazer para mudar isso. O aborto foi preciso, porque eu odiaria aquela criança com todas as minhas forças caso a tivesse, se não me matasse durante a gestação. Eu sei tudo isso. Não precisa me dizer nada.
— Então por que não me fala quem fez isso?!
— Porque você vai fazer com ele o mesmo que está fazendo com Sasuke.
Konan voltou o olhar para o ruivo, e agora não parecia mais indiferente.
— Porque você vai simplesmente ignorar que eu ainda estou aqui e vai ir atrás dele, chegando ao ponto de parar de viver a sua vida apenas para destruir a de outra pessoa. Não vale a pena.
— É claro que vale a pena! É você, Konan. Eu vou torturar esse homem até que ele implore pelo seu perdão.
— Acha que isso fará com que eu o perdoe?
— Não. Mas…
— Torturá-lo não vai desfazer o que aconteceu comigo, Nagato. Nem mesmo matá-lo.
— Você pode substituir as memórias da noite em que ele a machucou pelas memórias da noite em que você o machucará.
Ela riu de leve.
— Essas segundas memórias não vão apagar as primeiras, Nagato. Na verdade, serão apenas mais memórias de violência. Eu realmente não quero mais mortes e sangue na minha vida, ok?
— Mas Konan…
— Por favor, eu preciso dormir.
Nagato assentiu com a cabeça, mas não saiu do quarto. Ficou apenas observando a garota dormir de costas para si, tentando ignorar as lágrimas que ele sabia que escorriam pelo rosto dela. As palavras de Konan eram apenas palavras. O desgraçado pagaria muito caro pelo que fizera a ela.
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Sasuke estava analisando os arquivos sobre a Akatsuki pelo que, pelas contas de Gaara, seria a milésima vez. O Sabaku não gostava nada do que via. Sabia que o ataque da Akatsuki provavelmente acendera ainda mais a chama obsessiva de Sasuke, porém realmente tinha esperanças de que o amigo deixasse aquilo um pouco de lado. De momento, não havia muito que pudessem fazer contra a organização. O melhor seria organizar uma investigação formal, com vários detetives envolvidos. Aquilo, é claro, resultaria em Sasuke saindo do controle, pois era pessoal demais para que ele chefiasse.
O que, consequentemente, significava que jamais aconteceria.
— Tio Gaara, quando que o tio Naru volta? – Naoto perguntou, comendo um pedaço do bolo de chocolate que Gaara fora buscar para eles.
Naruto saíra na tarde anterior para pegar o necessário para ficar com os Uchiha por alguns dias. Ficara combinado que passaria ali no turno da tarde e ficaria por alguns dias.
— Não fale enquanto come, Naoto.
O menino engoliu a comida e repetiu a pergunta, fazendo Gaara sorrir de leve.
— Ele chega depois. Foi em casa trocar de roupa e tomar banho.
— Mas ele podia tomar banho aqui. O tio Sasuke emprestava roupa, né tio Sasuke?
Sasuke nem ao menos escutava o que eles diziam. Aya ficou esperando por uma resposta, coisa que não recebeu, e, por fim, desistiu de recebê-la. O Sabaku até pensou em repreender o amigo, porém não achava que Sasuke realmente fosse ouvi-lo.
— Ele não demora, Aya. Vocês gostam dele?
Aya assentiu com a cabeça, assim como Naoto. Gaara sorriu.
— E por quê?
— Porque ele é muuuuito legal, e adora brincar com a gente! Brinca mais do que o tio Sasuke.
Ele sabia o que aconteceria a Naruto assim que transasse com Sasuke. Era o mesmo que acontecia com todos os outros e com todas as outras. O Uchiha faria tudo o que fosse possível naquela uma noite – o Uzumaki era emocional demais para durar mais do que isso –, ambos teriam uma das melhores fodas de suas vidas, e então Naruto seria levado até a porta da frente e Sasuke diria que ele não precisava mais voltar.
Era sempre assim, com absolutamente todos os amantes do Uchiha.
Se Sasuke amasse Naruto talvez fosse diferente. Se sentisse qualquer coisa além da atração evidente, então talvez o Uzumaki tivesse uma mínima chance de ser a exceção. Mas Gaara conhecia Sasuke e sabia que não havia nada além da atração. Se Sasuke se permitisse ficar na companhia de Naruto por mais tempo, talvez aquilo mudasse. Com a convivência forçada que teriam, quem sabe algo a mais pudesse se desenvolver.
Mas, para isso, Sasuke teria que se abrir.
Gaara não sabia se o Uchiha conseguiria fazê-lo, porém esperava que sim. Com todo o seu coração, esperava que Sasuke descobrisse um amor profundo por Naruto.
Entretanto, não tinha muitas esperanças.
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— Por que a reunião de emergência? – Nagato perguntou.
Na sala, apenas Deidara e Sasori sabiam sobre a real situação de Konan. Para todos os outros, nada acontecera.
— Onde está Konan? – Orochimaru perguntou.
— Eu realmente não acho que seja da sua conta – Nagato disse. – Mas ela teve um leve mal estar ontem e está em observação. Não deve ser nada.
Observou com cuidado a reação de cada um. Kakuzu contava um dinheiro que conseguira sabe-se-lá fazendo o quê, Hidan importunava-o sobre aquilo, Deidara e Sasori apenas observavam ao redor, provavelmente em busca do mesmo que ele. Kisame e Itachi estavam mortos, então eram dois suspeitos a menos. Kabuto mexia em seu celular, olhando vidrado para a tela, e Orochimaru simplesmente parecia interessado neles.
Zetsu, aquela mistura estranha de duas pessoas, parecia rir de uma piada particular.
— Espero que ela esteja bem.
— Por que essa reunião surpresa? Eu estava ocupado.
Orochimaru esticou os braços.
— Mandei alguns homens atrás de Sasuke ontem. Apenas um teste, queria ver o quanto ele aguentava. Pegamos um helicóptero, explodimos uma parte do prédio e entramos por ali. Nada sofisticado, é claro.
— Já sabíamos disso. Hidan e eu precisamos vigiar aquela casa da qual Itachi falou.
— Sim… infelizmente não conseguimos seguir Sasuke depois que ele fugiu. Para ser sincero, eu esperava ao menos uma morte. Talvez uma daquelas crianças insuportáveis, preferencialmente Sasuke, mas não sonhemos tão alto…
— Ele parece ser mais inteligente do que você esperava.
Deidara adorava provocar a discórdia. Itachi era realmente um homem e tanto, um pedaço de arte, como gostava de dizer, e o irmão não ficava muito para trás. Apesar dos pesares, gostava de Sasuke. Gostava mais de Naruto, por já ter provado daquele homem uma vez, mas mesmo Sasuke tinha seus atrativos. Sasori não era ciumento, apesar de não costumar se “distrair” com outras pessoas tanto quanto Deidara fazia.
— Não, acho que apenas é mais sortudo. Se o loiro não estivesse com ele, talvez pudéssemos ter conseguido alguma coisa. Falando nisso, por que eu não fiquei sabendo que já descartamos Naruto da lista de possíveis suspeitos para jogar contra Sasuke?
— Eu estava analisando isso quando Konan passou mal. Como não chegamos a realmente acreditar que Sasuke desconfiava de Naruto, não pensei que fosse de vital importância.
Kabuto ajeitou seus óculos daquela maneira irritante e, por algum motivo, Nagato quis pular no pescoço dele. Nunca gostara do homem, mas algo estava particularmente irritante nele naquele dia. Provavelmente era apenas o estresse que Nagato sentia. Verdade fosse dita, estava com vontade de simplesmente matar todas as pessoas daquela sala e dar a operação por encerrada.
— Bem, obviamente era algo que merecia ser dito, Nagato. Acho que devemos focar mais no que acontece com Sasuke do que no que acontece com Konan, não é mesmo? A enxaqueca dela não é tão relevante quanto a nossa missão.
Nagato contou até três. Foi difícil não pegar uma faca na cozinha e enterrá-la no pescoço de Kabuto, porém conseguiu fazê-lo de alguma maneira.
— Kabuto, cale a boca. Você deveria estar enraizado naquela delegacia por essas horas, mas não faz nada além de testar ratos de laboratório.
— Não são mais apenas ratos. Agora usufruo das mais diversas cobaias, acredite ou não.
Nagato não poderia se importar menos.
— Não muda minha vida saber disso.
— Ok, ok, crianças. Deixem de brigas… precisamos saber onde Sasuke está.
Sasori detestava passar por burro, porém sentia como se fosse a única pessoa a não saber da informação que estava subentendida.
— Já não sabemos? Aquela casa da qual Itachi falou, o esconderijo secreto…
Orochimaru sorriu.
— É, Kakuzu e eu vimos os três entrarem lá!
— Continuaremos com a vigilância por mais alguns dias, entretanto… não sei. Não consigo realmente crer que estejam lá.
— Vamos apenas explodir tudo. Se estiverem, ponto pra nós. Se não estiverem, ao menos vão se mexer.
— E de que adianta eles se mexerem para outro lugar desconhecido? Não, esperemos… algum policial nos levará até eles.
Nagato não podia se importar menos. Queria apenas voltar ao hospital.
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— TIO NARUUUU!
Aya saiu correndo assim que a porta foi aberta. Gaara seguiu-a apenas para ter certeza de que era realmente Naruto – não que outra pessoa possuísse a chave, porém nada parecia impossível –. O loiro a encontrou na sala que antecedia o quarto. Ela correu pelas portas duplas, que estavam abertas, e jogou-se nos braços dele.
— Olá, my little*, como vai? Sentiu saudades?
— Que nada, eu nem senti.
— Não sentiu mesmo?
— Ãh-Ãh – negou, balançando a cabeça junto.
Naruto encheu-a de cócegas e beijos.
— Eu quase morri de saudades de você.
— É porque eu sou especial – ela respondeu.
Naruto sorriu e assentiu com a cabeça.
— Sim, você realmente é.
— Oi tio Naru!
— Ooi, my little, como você tá?
Naoto sorriu.
— Eu tava brincando de lasers!
— E isso não é perigoso?
— Claro que não, tio, eles são de brinquedo!
— Ah, tá. Entendi.
Naruto entrou na suíte principal com as duas crianças e colocou Aya no chão. Sasuke apenas dirigiu um olhar a ele antes de voltar a se entreter com os papéis.
O Uzumaki não deu muita atenção à sua mochila, simplesmente a jogou em um canto qualquer. A seguir, Aya começou a brincar com ele e Naoto de algo que apenas fazia sentido na mente daqueles três. Gaara ficou quieto, observando os afilhados se divertirem, e depois percebeu que Sasuke jamais poderia ficar com Naruto. Não da forma como ele gostaria, ao menos.
Se transasse com Naruto, acabaria com a bela relação que o Uzumaki construía com Aya e Naoto. Gaara realmente não queria que aquilo acontecesse.
— Sasuke, precisamos conversar.
Sasuke suspirou, mas acabou aceitando. Com a confusão que Naruto fazia, realmente não estava conseguindo manter-se focado.
Saíram da suíte e foram para a sala de estar. Sasuke fechou a porta dupla de vidro e abafou o som da brincadeira das crianças – Naruto não poderia ser descrito de outra forma –. Todas as janelas também estavam fechadas, pois o inverno estava sendo violento.
— Precisamos falar sobre Naruto.
Sasuke franziu o cenho.
— O que você tem a ver com isso?
— Aya e Naoto gostam muito dele. Eles precisam dele, porque você está ficando maluco desde a morte de Itachi e eu não posso estar sempre com eles. Então sobra Naruto.
— Eles têm cinco anos, Gaara. Esquecem Naruto antes de fazer seis. Além disso, eu já disse que provavelmente nada vai acontecer. Fica longe da minha vida sexual.
— Eu não quero ter nada a ver com a sua vida sexual e nunca me meti nessas coisas antes, mas você precisa entender que eles precisam de carinho!
— Eu dou carinho.
— Sério, você faz aquilo? – enfatizou “aquilo”.
Gaara fez com que Sasuke ficasse de frente para a porta. Como ela era de vidro, ele conseguia ver Naruto pular sobre a poltrona para se esconder de Aya, que carregava uma almofada nas mãos. Ele jogou de leve um travesseiro em Naoto, que não conseguiu desviar.
— Eles não precisam daquilo.
— Você sabe que precisam.
Sasuke suspirou.
— Fique fora da minha vida sexual, ok?
— Ok. Desde que ela não interfira na vida de Aya ou Naoto.
— Eles são meus sobrinhos.
— E meus afilhados.
Ficaram numa guerra muda de olhares até o telefone de Sasuke tocar. O barulho fez que com a pequena tensão se desfizesse.
— Uchiha Sasuke – atendeu.
— Sasuke, sou eu.
— Vou colocá-lo no viva-voz, Shikamaru. Gaara está aqui também.
— Olá, Gaara.
— Oi.
— Shikamaru, ao assunto – apressou Sasuke.
— Vários policiais foram à sua casa hoje de manhã, mas ninguém foi encontrado, nem mesmo um corpo. Estão dizendo que a explosão foi causada por um vazamento de gás.
— No quarto?
Uma risada abafada foi ouvida.
— Fazer o quê? Está no relatório.
Sasuke apenas fechou os olhos por um segundo, e então voltou a abri-los. Gaara ficou igualmente indignado e surpreso, porém, assim como o Uchiha, conseguia manter seus sentimentos escondidos bem lá no fundo.
— Eu imaginei que seria assim. Eles não facilitam nunca.
— Sabe que estão atrás de você agora, não sabe?
— Sim, mas está tudo bem. Estou protegido, ao menos por enquanto.
— Ok.
— Algo novo? – perguntou Sasuke.
Gaara apenas ouvia a tudo em silêncio.
— Que horas você disse que foi atacado ontem? Eu tenho uma teoria.
— Umas sete horas, mais ou menos.
— ISSO! Ok, ok, lembra aqueles horários que achamos no celular de Kisame?
— As mensagens? – perguntou Sasuke.
— Isso.
— Aham, o que tem?
— Nove e meia da manhã: horário em que atacaram Itachi. Sete horas da noite: horário em que atacaram você. Falta meia-noite. Não sabemos o dia, nem o mês, nem nada, mas… é um começo.
Sasuke ficou em um silêncio estupefato, sem conseguir realmente acreditar naquilo. Os números, é claro! Esquecera-se completamente da existência deles.
— Não havia algumas letras junto?
— Não, só números.
— Ok, traga isso para o Four Seasons, você sabe o quarto.
— Ok, estou indo.
Sasuke desligou. O breve desentendimento com Gaara fora esquecido.
— Sasuke, se conseguirmos decodificar esses números…
— Eu sei. Podemos saber quando eles vão atacar. Estaremos na frente ao menos uma vez na vida.
Uma almofada atingiu a porta dupla, fazendo com que os dois homens que discutiam pulassem de susto. Aya encarava-os com uma expressão culpada e um sorriso sacana. Naoto sabia mais do que ela, e o sorriso desapareceu do rosto dele.
O menino abriu as portas de vidro.
— Tio Sasuke… aconteceu alguma coisa?
— Sim, aconteceu. Quero os dois no banho, agora. Shikamaru está vindo e eu preciso deixar esse lugar mais ou menos ajeitado pra visita dele, vamos trabalhar.
— Mas você trabalhou o dia todo…! – reclamou Aya.
— Pro banho, agora. Tio Naruto ajuda vocês.
Naruto sentia que estava servindo de babá, porém resolveu que não reclamaria.
— Vamos lá, little, se tio Sasuke mandou, está na hora.
— Mas ele só trabalha, só trabalha, só trabalha! – reclamou Aya.
— Vamos, vamos.
Naruto entrou no banheiro e Gaara ajudou Sasuke a colocar os travesseiros, cobertores e almofadas no lugar.
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Estavam com tudo em frente a eles. Haviam conseguido relacionar os números aos horários, porém não puderam fazer nada além.
9:30 am 44482.22244.444
7:00 pm 777727777885533
Meia-noite 42.27772
Não sabiam o significado de tais números, e estavam a estudá-los há horas. Gaara já fora embora, pois queria ficar com Ino, que fora fazer compras para “aliviar o estresse de ser uma futura mamãe”.
— Pelo amor de Deus, Shikamaru!
Sasuke bateu com raiva na mesa e bagunçou os cabelos. Estava perdendo o controle, estava com raiva. Não aguentava mais aquilo, queria respostas e não mais enigmas.
— Sasuke, eu to tentando! Não são coordenadas, não são telefones…
— É óbvio que não são! Isso nem precisava ser considerado, são palavras! A primeira deveria ser Itachi, mas se cada número corresponde a uma letra, então estamos ferrados! E provavelmente não é isso, porque não existe palavra que tenha quatro vezes a mesma letra uma ao lado da outra.
— Ok, acalme-se! A gente vai descobrir.
— Eu to calmo!
— Eu tentei o Código de César, outras Cifras de Substituição, até tentei colocar no computador para achar uma chave, caso seja uma criptografia simétrica. Pode ser assim…
— Shikamaru, eu não entendi uma palavra do que você disse, mas parece que tá fazendo muitas coisas complexas que não fazem sentido nenhum para mim!
Shikamaru nunca vira o sempre controlado Uchiha Sasuke tão estressado. Levantou-se rapidamente e pegou todos os materiais que estavam sobre a mesa.
— Eu vou trabalhar em casa, ok? Como você disse, eu sei muita coisa que você não sabe.
Sasuke ficou com muita vontade de socar o gênio até que ele desaparecesse, porém acabou apenas respirando fundo.
— Ok, mas deixe uma cópia comigo.
— Como quiser.
Depois que Shikamaru se foi, Sasuke voltou para o quarto. Naruto estava na cama com Aya e Naoto, que assistiam a um desenho animado qualquer.
— Tio Sasuke, a gente vai dormir todo mundo na mesma cama? – perguntou Aya, retirando a cabeça do peito de Naruto.
— Não, Aya. Naruto vai dormir na sala ali do lado. Tem um sofá-cama.
— Aaah… Mas seria mais legal se ficasse todo mundo junto…
— E como caberiam quatro pessoas aqui, hein espertinha? – perguntou Naruto, apertando o nariz dela.
Aya sorriu.
— A cama é gigante! Cabe nós quatro se a gente ficar pertinho.
Era verdade.
— Aí não dá pra dormir direito, Aya.
A menina emburrou, mas Naoto entendia um pouquinho melhor o porquê de não poderem dormir todos juntos. Aquilo era coisa de família e, por mais que adorassem Naruto, ele ainda não era família.
— Eu to com fome! – murmurou o menino.
— Vamos pedir uma pizza? – pediu Aya.
Sasuke assentiu com a cabeça.
— Peçam o que quiserem. Vou tomar um banho.
— Não vai jantar com a gente, tio?
— Não to com fome.
Sasuke olhou para Naruto e o chamou com a mão. Os dois entraram no banheiro e o loiro fechou a porta. O Uchiha retirou sua camiseta sem rodeios.
— Retire o curativo. Depois vou precisar que faça de novo, mas faça rápido.
— Calma, Sasuke. O mundo não tá acabando.
— Pra mim, está.
Naruto ficou quieto e o obedeceu. O moreno nem mesmo alterou sua respiração, apesar de Naruto achar que devia doer bastante. Colocou nele uma capinha de proteção para cobrir o curativo. Aparentemente, ainda não podia molhar o ferimento.
Assim que terminou, saiu. Preferia mil vezes ficar na companhia de Aya e Naoto.
*Minha pequena/meu pequeno.
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