Notas iniciais
Bora lá pro primeiro capítulo, meus queridos? Espero sinceramente que gostem.

Há certos momentos na vida que se repensa o que já foi feito nela. Suas escolhas, seus conceitos, as convivências, as batalhas... Os grandes e incansáveis problemas. Mas, dentre tudo isso e muito mais que se amontoa em nossos pensamentos, existem aqueles que doem mais, que queimam sem pudor e se alastram como vermes que roem tudo... As terríveis consequências. Tão temidas e dolorosas. Muitas delas inesperadas, pois existem certas coisas que ninguém espera que aconteça consigo. Por que estou refletindo sobre isso agora? Porque, meus caros... Quando se acha que se sabe de algo na vida... Só se descobre o quão ignorante ainda é. Descobri isso da pior forma.

Estando agora eu, me remoendo em pensamentos aterradores enquanto fito meu semblante maltratado pelo espelho desse banheiro de delegacia, vejo que minha amargura agora alcançou a alma. Por que não parei quando pude? Por que me deixei levar assim, tão facilmente? Ela era tão jovem, não que eu seja tão velha, mas eu deveria ter previsto que isso não daria certo... Não deu nada certo.

TOC TOC

O barulho de punho batendo contra a madeira da porta me fez despertar de meus pensamentos.

–Senhorita Pierce? Ainda está aí?

–Sim- respondi rouco. Ainda sentia a garganta queimar pela pressão de mãos em meu pescoço estupidamente branco. Podia-se ver nitidamente as marcas certas de mãos ali. As toquei cuidadosamente, fazendo uma ligeira expressão de incômodo.

–O delegado quer vê-la agora.

–Um minuto- pedi, procurando o celular na bolsa- Oh, droga!- não o encontrei. Deve ter caído quando fui arremessada sem pudor contra uma porta. Lembro-me que minha bolsa voou longe quando isso aconteceu. Precisava avisar minha mãe do que aconteceu. Bufei pesado por isso, olhando-me mais uma vez pelo grande espelho suspenso sobre a pia- Droga, eu estou horrível.

–Senhorita?- impacientemente ela retornou a bater na porta, o que me fez respirar fundo para tomar coragem de sair daqui e encarar o mundo novamente... Céus, eu me sentia miseravelmente perdida.

Consertei o que deu pra consertar em mim e saí sem mais nenhuma demora, dando de cara com uma senhora rechonchuda ruiva que me encarava com uma sobrancelha arqueada-Vamos?

–É- suspirei- Vamos lá.

Cerca de cinco minutos eu adentrava uma sala bem pequena, onde só havia uma mesa cinza e duas cadeiras da mesma cor, uma de frente pra outra. O delegado, um senhor barbudo e narigudo de uns quarenta e cinco ou talvez cinquenta anos, me conduzia até uma das cadeiras, gesticulando para que eu sentasse.

–Achei que eu fosse pra casa agora- ponderei, ajeitando-me no assento gélido.

–Logo logo, senhorita. Mas antes preciso que converse com alguém, ta?

–Tudo bem- assenti sorrindo levemente para ele, já que me foi tão paciente e até cuidadoso até agora. Mas eu ainda queria ir logo para casa, e como queria. Minha cabeça parecia querer explodir a qualquer instante. Apoei um dos cotovelos a mesa para assim também apoiar a cabeça na mão- Será que poderia me arranjar uma aspirina?

–Providenciarei logo. Até já- fiz um gesto positivo com o polegar a ele e voltei as minhas lamentações em silêncio por todo meu corpo dolorido. Deus, precisava tanto de um banho e cama agora! De repente a porta se abriu sem nenhuma delicadeza, projetando-se por ela um homem latino mal encarado, perdido dentro de um terno preto com certeza muito caro. Ele só me olhou quando se sentou a minha frente, em um olhar de avaliação gritante para minha cara de doida varrida de ressaca... Quem dera tudo que aconteceu fosse isso mesmo, um grande porre.

–Brittany Pierce?

–O que sobrou dela- respondi, me colocando agora ereta na cadeira. Quando achei que ele me daria a mão para um cumprimento, apenas elevou uma sobrancelha (bem feita por sinal) e jogou uma enorme pasta sobre a mesa, retirando de lá um amontado de papéis de várias cores.

–Me chamo Julio Perez, investigador contratado pra acompanhar seu caso e avaliá-lo- eu diria um "muito prazer'', porém esse não era o caso- Queria lhe fazer algumas perguntas.

–Estou à disposição- fazer o quê?

–Alguma pergunta antes de começarmos?

–Vai demorar muito?- ele sorriu de lado, exibindo belos dentes estupidamente brancos e retos. Acho que debochava de mim.

–Vamos dizer que o suficiente- babaca! Suspirei inconformada. Ele colocou uma espécie de gravador em cima da mesa- Coopere com tudo que quando menos esperar, estará livre.

–Okay, estou pronta.

–Então vamos lá- apertou play no gravador- Aqui quem fala é Julio Perez, investigador do departamento de polícia de Nova York, e agora estarei interrogando umas das vítimas do caso 3509, assassino da máscara de palhaço. Senhorita, diga seu nome completo, onde nasceu, idade e ocupação, por favor.

–Me chamo Brittany Susan Pierce, sou de Londres, Inglaterra, tenho 28 anos e leciono literatura na Memphs High há quase um ano, mais ou menos.

–Muito bem. O que trouxe você até Nova York? Londres é um lugar bem proveitoso para professores de literatura.

–Gosto dos Estados Unidos, minha mãe mora na cidade- sei que ela devia a essa hora estar roendo o canto da mesa de preocupação.

–Conhecia Santana Lopez antes de tudo acontecer?- esse nome fez gelar minha espinha.

–Ela era minha, hum, aluna.

–E antes disso?

–Não. Eu não a conhecia- ele me olhava como se cavasse fundo meu ser. Eu não estava nada confortável em ter que falar sobre isso.

–Me conte tudo.

–Como?- levantei bruscamente a cabeça em sua direção- Contar o quê?

–Tudo, desde o princípio- aquele investigador estava me assustando. Tinha um sorriso psicopata desenhado em seus lábios latinos. Esse gesto me lembrou muito alguém em questão- De Londres, Memphs High, do corpo que temos enfeitando nosso necrotério até a pessoa gravemente ferida no hospital.

–Sério?- indaguei acariciando a nuca em hesitação. Ele assentiu em um sorriso soberbo. Céus, não! Eu não queria voltar a isso nem em pensamento. Mas se queria encerrar logo esse tormento, eu teria que me submeter a isso... Em trazê-la à tona e me conformar a minha vergonha. Com mil demônios!- Tudo bem. Como devo começar?

–Como quiser, senhorita- encarei minhas mãos por alguns instantes para não me sucumbir a vontade de acertar aquele homem com a cadeira por me fazer voltar a isso.

–Pois bem- inflei os pulmões- Tudo começa assim:

~°~

Fevereiro de 2014

Eu chegava em casa mais uma vez ao fim do dia quase a explodir a cabeça. Já era a quarta escola que me mandavam como substituta e isso já estava me enlouquecendo. Me formei há pouco tempo, dois anos, apesar de já estar há apenas três anos dos trinta. Fiquei meio que naquela fase de "sem pressa que eu ainda estou me descobrindo" e acabei quase enlatada no final. Me formei em literatura, matéria que eu menos amava em minha época de colégio. Pior que nunca me vi como professora. Era tudo menos isso, e no final acabei escolhendo tanto, que olha onde fui parar... Como uma professora de literatura. Ê vida que gosta de dar uns tapas em nossa cara de vez em quando.

Em fração de segundos, ao chegar no quarto, tive apenas tempo de tirar os sapatos para me jogar em seguida em minha grande e confortável cama. Precisava tirar aquele dia horrível da cabeça...

Prrrriiiiiiiiiiiiiiiii

O despertador gritou feito um louco na mesinha logo ao lado da minha cama. Estava deitada de qualquer jeito que, ao me virar pelo susto, acabei me espatifando no chão. Estava com tanta raiva que parei aquela algazarra do despertador com um chute que o fez se perder entre meus lençóis.

–CALA ESSA BOCA, SER DEMONÍACO!- gritei como uma louca, me levantando e indo até a cama pra pegar o ser das trevas. Ao desligá-lo, tomei o segundo susto da manhã. O despertador acusava nove meia- Puta que pariu! Quem mexeu nessa merda? Estou atrasada uma hora e meia- saí correndo desesperada pelo quarto até o banheiro e me refiz como gente em pouco tempo para correr até a escola, ver se ainda conseguiria uma forma de não ser dispensada pelo atraso. Passei feito um foguete por Nani, governanta de meu pai, procurando as chaves de meu carro por toda a sala.

–Aonde vai com tanta pressa, menina?

–Para a escola, Nani. Viu minhas chaves?

–Deveriam estar penduradas ali onde se diz "chaves''- apontou para um quadro com ganchinhos para chaves- Mas você as joga em qualquer lugar.

–Sem sermão agora, Nani. Estou atrasada.

–Mas...

–Devem estar nos confins do inferno- reclamei, retirando as almofadas do sofá e as jogando para o alto. Fazia uma bela bagunça ali. Nani começou a rir do nada- O que foi?

–Você. Esse trabalho está lhe comendo os miolhos, Brittany- ela continuava rindo, apontando para um calendário ao lado do grande relógio antigo do papai na sala onde se podia ver claramente que era sábado.

–Ai, eu preciso sentar- me joguei no sofá com a mão no peito- Que susto! Quase morro.

–Pra mim foi hilariante.

–Sem graça- fiz cara feia pra ela, mas mesmo assim riu- Foi você quem atrasou meu despertador?

–Foi sim, queria te dar umas horas a mais de sono.

–Fico agradecida, apesar do susto.

–Disponha. Agora venha, vou lhe preparar um pratão de panquecas para você começar bem o dia.

–Obrigada. Estou precisando mesmo.

Já servida e me esbaldando nas panquecas com chocolate da dona Nani, eu cantarolava enquanto comia, quando a mesma apareceu com um telefone entre as mãos.

–Pra você.

–Quem é?

–Marie.

–Mamãe?- ela confirmou e eu rapidamente peguei o telefone de suas mãos- Mãe?

–Oi, meu amor. Tudo bem com você?

–Tudo e você? Senti saudades.

–Estou ótima, filha. Saudades suas também- sorri intensamente como se ela pudesse ver isso pelo telefone.

–Mas e aí, a quem devo a honra de estar recebendo uma ligação sua, dona Marie?

–Você é minha caçula, meu bebê. Preciso te amar nem que seja só por telefone- eu ri, mamãe sempre tão melosa. Fazia tempo que não a via. Tive que vir pra cá com o papai quando ele e minha mãe se divorciaram, por causa da faculdade — Mas também tenho que lhe contar algo. Lembra de Will Shuester?

–Claro, foi meu professor no ensino médio. Adoro ele.

–Eu também, vi aquele menino nascer. Mas eis o acontecimento: Will é o novo diretor da Memphs.

–Puxa, mãe. Que legal, fico muito feliz por ele- O senhor Shue merecia isso. Sempre foi o melhor daquela escola, era legal, comunicativo e sempre nos incentivava a tudo. Sem falar que eu destestava o antigo diretor, homem chato e manipulável por qualquer ser grotesco daquela escola- O que aconteceu com o antigo diretor?

–Foi demitido e processado após ser pego desviando verbas da escola.

–Nossa!

–Pois é, mas isso não é o melhor.

–E o que é?- perguntei curiosa.

–Com a promoção de Will, a vaga de professor de literatura ficou vaga e adivinha quem ele indicou para preenchê-la?

–A senhora?

–Não, filha, parei de dar aula faz tempo. É você que ele quer.

–Oh, céus... Eu não acredito!- arregalei os olhos, saltando da cadeira- Eu vou pra Nova Iorque! Não, eu vou ser professora contratada em Nova Iorque. Não poderia me dar notícia melhor, mamãe.

–Eu sabia que ficaria feliz, filha- feliz? Eu estava para ter uma ataque cardíaco pela novidade- Mas tem uma coisa que ainda não pensou.

–O que?

–Seu pai.

–Oh, Deus!

~°~

–Você não vai.

–Papai... É o meu sonho- eu repetia isso pela décima fez enquanto via meu pai andar para um lado e para o outro inquietamente- É Nova Iorque, pai... Nova Iorque. Frank Sinatra, lembra? ''Start spreading the news... I'm leaving today...I want to be a part of it...New York, New York''. Vamos lá, o senhor conhece a letra.

–Eu detesto essa música.

–Credo!- fiz careta para sua carranca emburrada- Vai ser bom pra alavancar minha carreira.

–Não mais que você continuar aqui e tentar uma escola de elite como lhe falei.

–Sabe que não me agrada esses tipos de escola. Não realiza um professor pegar tudo mastigada só no ponto de engolir. Preferimos ensinar o colher o alimento para isso. Sabe como sou.

–Sei sim... É sua mãe por inteiro. Isso me deixa completamente desgostoso. Já basta não ter seguido o lado de minha família com a advocacia, optando ser uma reles professora de escola pública- ele desdenhou de braços cruzados, com sua famosa cara de azedo.

–Não fale assim, papai. Me deixa triste que despreze meu trabalho.

–Sou franco com o que falo, minha cara- meu peito apertou por suas palavras. Por que meu pai tinha que ser tão rabugento, tão cheio de carrancas e não me incentivar com meus planos futuros ou o que faço e consigo? Assim fico desmotivada.

–O senhor querendo ou não eu vou. Já sou adulta faz tempo, preciso dar um rumo pra minha vida.

–Mas, filha, já formou uma repultação tão boa por aqui com seus métodos de ensino. Foi chamada pra dar aula até para o filho de um conde, por que quer jogar isso na lama por um empregozinho em uma escola de quinta nos Estados Unidos?

–Ninguém mede sonhos, papai. Não me sinto bem aqui e vejo que é lá que está meu futuro. Por favor, fique do meu lado ao menos essa vez- ele franziu os lábios, balançando a cabeça inconformado- Papai- fiz bico, como quando fazia na infãncia para conseguir algo com ele- Eu te amo, sabe disso. Venho visitá-lo em breve.

–Aquele lugar não serve para damas, minha filha. Há muitas tentações que...

–Que cabe a mim não cair nelas- meu pai me olhou em avalia, sentando-se em sua poltrona enorme de couro.

–Tudo bem, nada que eu fale vai fazer diferença mesmo- deu de ombros.

–Obrigada, papai- corri, sentando em seu colo para aplicar vários beijos por sua careta lustrada- Prometo que não vai se arrepender por esse voto de confiança.

–Espero mesmo que não me arrependa- segurou minhas mãos para que eu o olhasse- Só lhe dou um conselho: Meça seus pensamentos e desejos, pois são eles que podem ser sua ruína- disse de uma forma tão sinistra que me assustou.

–Tuuuudo bem- falei de forma longa, saindo de seu colo- Parto em dois dias.

–Vou com você comprar a passagem. Não confio nessas empresas de aviação- balancei a cabeça negativamente. Esse era meu pai, Robert Pierce.. O homem que desconfiava até de sua própria sombra.

~°~

Acertei todos os detalhes com Will sobre minha ida e logo já havia arrumado tudo que era meu para a grande viagem. Os dois dias passaram rapidamente, graças a Deus. Sem demora eu estava no aeroporto, me despedindo de meu pai rabugento, de Nani que chorou horrores por minha partida e de minha melhor amiga, Tina, que me fez prometer ligar pra ela todos os dias no intuito de mantê-la a par sobre tudo que acontecesse comigo durante minha estadia americana. Estava ansiosa por minha chegada, e, ao respirar aquele ar excitante de Nova Iorque, senti que daqui em diante minha vida seria diferente. Teria que ser, pois apostava todas minhas fichas nisso. Minha mãe me esperava no aeroporto e quase me esmaga em um abraço assim que me alcançou. Pegamos um táxi para enfim chegar a minha antiga casa... A que eu fui criada.

–Espero que o quarto seja de seu agrado. Apenas troquei os lençóis e algumas outras coisas, já que preferi deixar da mesma forma quando você se foi para Londres.

–Obrigada, mamãe. Está do jeitinho que eu gosto- a abracei, adentrando agora por completo no quarto. Senti muita falta disso tudo, do meu quarto, desse ar ameno que percorria por toda casa... Esse sim era meu lar. Pequeno, mas aconchegante.

–Preparada para amanhã?

–Sempre estou preparada, dona Marie- ela sorriu, acariciando meu ombro como incentivo- Só espero que eles estejam preparados para mim.

–Ah, meu bem... Isso só o tempo dirá. Boa sorte.

–É... Boa sorte pra nós.

~°~

Fui dormir pilhada de ansiedade. Logo no dia seguinte eu já havia acordado cedo, me programado com os primeiros assuntos que daria e a abordagem em primeira instância, pois lidaria com adolescentes... Raça boa que todo professor ama. Tomei um café reforçado e antes mesmo que minha mãe me fizesse comer mais até explodir, eu já estava em um táxi a caminho da Memphs High, aproveitando toda essa rota para me deleitar com a visão da cidade passando lentamente pela janela do carro. Logo avistei o prédio escolar da Memphs. Muitos alunos já haviam chegado e estavam amontodos pela frente jogando conversa fora, outros jogados na grama lendo ou ouvindo música e até mesmo os dois juntos, e ainda tinha aqueles que ficavam somente na frente de seus carros ''maneiros'' fazendo pose. Crianças!

Ao pisar na grama, fiquei feito uma boba relembando minha época de estudante nessa escola. Onde eu ficava para passar o tempo com meus antigos colegas, as brincadeiras, como nos divertíamos e por aí ia, até que algo chamou minha atenção. Alguém em uma moto preta, acho que uma Harley (sou péssima em reconhecer marcas e modelos de veículos). Parecia ser antiga, mas estava perfeitamente conservada. Quando estacionou próximo a grama verdinha, pude perceber que era uma garota morena que pilotava. Seu cabelo era preto como carvão, mas a pele era de um moreno charmoso, uma latina pra ser mais específica. Fiquei até com vergonha de meu estado branquelo vendo-a. A minha pele mais parecia a de uma lagartixa albina. Estava de óculos escuros (pareciam caros), trajando uma jaqueta de couro preta e calça jeans da mesma cor justa, dando aquele ar de perigosa, mas sexy. Muitos dos que estavam espalhados pela frente da escola pararam para observá-la descer da moto, como se aquilo fosse muito interessante. Devia ser uma aluna popular, não sei. Ela não saiu dali, apenas encostou-se na moto de braços cruzados e passou a observar tudo ao redor. Não sei por que, mas não consegui desviar o olhar dela, algo ali me instigou. Era bom desviar logo os olhos antes que ela perceba e me ache mais estranha do que eu estava me achando. Assustar as crianças logo no primeiro dia de aula. Só sendo eu mesmo.

–Aí está ela- ouvi uma voz que nunca esqueria e me virei, dando de cara com Will e seu enorme sorriso acolhedor que nunca se apagou apesar dos anos como educador- O bom filho sempre a casa torna.

–Nem que seja arrastada, né?- ele riu se aproximando- Que não é o meu caso, claro.

–Pequena B- Will abriu os braços e me acolheu apertadamente a eles- Está linda como sempre.

–São seus olhos precisando de um óculos- fiz careta, me soltando dele- Havia esquecido o quão grande essa escola é.

–Fácil de se perder, porém melhor ainda para se esconder.

–Ou matar alguém- ambos rimos. Ele gesticulou para que eu seguisse, mas algo parecia que pedia para que eu olhasse para trás. Quando o fiz, a aluna que tanto me instigou tinha o olhar fixo em mim, isso era gritante. As lentes de seus óculos cintilavam quando os raios do Sol começaram a lhe atingir, porém não mais que seus olhos quando ela os livrou do acessório escuro. Eram castanhos escuro, porém com um brilho diferente, como o de uma ave de rapina prestes a atacar, e, agora que olhei de volta, me fitaram de um jeito que não pude decifrar, mas que de alguma forma mexeu comigo. Foi, hãã, conflitante?

–Brittany?

–Oi? Perguntou alguma coisa?- indaguei voltando a esse plano.

–Se você aceitaria um café.

–Hum, claro. Eu adoraria- sorri suavemente para ele, que devolveu esse gesto.

–Vamos?- virei novamente para a morena porém ela não mais estava ali. Só deixou aquele ar estranho de intriga impregnado no ar.

–Vamos sim.

–Por aqui, vou mostrar a você a escola. Mas acho que ainda deve se lembrar de alguma coisa e... — a escola era imensa, minha ansiedade também, mas aquela garota da Harley... Essa me fez desconhecer meus pensamentos.

Notas finais
E aí, o que me dizem. Dá pra ir?