Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
25 Dia quente
Notas iniciais
De repente foi como se o Sol arregaçasse as pernas do planeta terra e enfiasse a cabeça por elas, nos dando um belo e quente sorriso. Nunca vi uma manhã tão quente assim há anos.
Foi só por os pés na entrada da escola para ver que, assim como eu, todos estavam afetados com o aumento inesperado da temperatura. Pela primeira vez, desde que cheguei para fazer parte do corpo discente, nunca vi esse gramado tão vazio e sem o vozerio perdido de sempre.
Pus a roupa leve mais decente que eu tinha, que no caso era uma blusa branca de cetim sem mangas e uma calça pantacourt preta, com sapatilhas simples da mesma cor. Amarrei o cabelo em um coque bem preso, tudo afim de que o calor olhasse para meu corpo e dissesse: hum, que mulher linda e leve. Não vou cometer a maldade de fazer ela suar na frente de trocentos alunos adolescentes maldosos.
Minha primeira aula já de cara seria com os alunos veterano. DA porta, aquela algazarra característica de início de fim de semana, já trombou contra meus ouvidos e eu me sentia dolorosamente com pena deles pelo decorrer do dia.
Assim que dei passagem para meu corpo calorento, eles foram diminuindo a algazarra se eu precisar erguer um centímetro da voz. Desejei um bom dia educado, pus as coisas sobre a mesa e ali mesmo apoiei o corpo, afim de ter a visão de todos, um por um.
Instintivamente meu olhar para o fundo da sala e lá estava ela, para alegria do universo que havia dentro de mim. Os demais da sala, adaptando-se a temperatura de hoje, estavam o mais leve possível. Sem blazers, ou sobretudos, jaquetas, o que deu ao lugar de blusas e regatas no mais colorido e moderno que poderia se encontrar. Mas ela não. Santana estava como sempre, cada vez mais linda, no seu costumeiro jaquetario de couro escuro, óculos de aviador e uma calça, meus amigos, que me cansaria esconder o olhar para não dar na vista que estava babando pelo conteúdo ali contido.
Respirei fundo e busquei relaxar o coração. Não precisei olhar para saber que ela havia deslizado aquelas lábios cheios e debochados num sorrisinho arteiro. Santana sabia bem o efeito que tinha sobre mim e ela não precisava sequer abrir a boca para isso.
Senti como se minhas costas ardessem. Quase que fisicamente era como se meu corpo relatasse um olhar tão forte que quase podia me tocar. Em voz alta e tentando não vacilar, pedi que todos abrissem seus livros na página com a lição pedida na semana passada, (sim, alguns dias já haviam se passado), e quando todos estavam concentrados em encontrar o que foi requisitado, eu pude mirar o fundo da sala novamente.
Ela tinha o olhar profundamente em mim. Estava sem óculos, a jaqueta aberta, uma mão apertando forte o joelho da perna esquerda. Seus lábios formavam um sentido contido, uma vontade apertada entre aquela carne saborosa e cheia. Devidamente concentrada em me ver por inteiro, até o que os olhos não alcançavam.
Eu sorri em resposta. Um sorriso leve e envergonhado, como quem pede silenciosamente que ela procurasse se conter porque alguém poderia perceber. Santana apontou para o lado esquerdo do peito e sinalizou negativamente com o dedo indicador, fechando a jaqueta novamente. Segurei a vontade de levar o dedo do meio para ela.
Esses dias que se passaram foram inexplicáveis. Nunca me senti tão conectada a alguém como me sinto quando estou perto dela. Deus, até quando estou longe. A quem quero enganar? O nível de consequência era muito alto, no entanto, eu não devia, mas sentia tão confortável com isso.
Embora tantas coisas inexplicáveis estivessem acontecendo, eu ainda tentava entender ao certo. Porém conforme a gente se envolvia, eu podia me sentir mais segura, mas emocionalmente equilibrando-me novamente. Mas como? Aquelas coisas eram bizarras demais para simplesmente aceitar assim, com tanta facilidade.
Engana-se aquele que achar que seria tão fácil. Só não a quero deixar sozinha, vivendo isso. Sabendo o que causou a ela. Não sabia ao certo o que fazer, eu só estava procurando o que ainda. Assustada, sim, mas eu nunca fui covarde. Disso posso me orgulhar. E quando a gente gosta, tem de ir até o fim.
Porém, Deus, tinha tanta coisa em jogo. Tanta.
Alguém bateu na porta. A voz de Sam se pôs pra dentro.
—Olá, olá- ele dizia animado, ao entrar.
Ô, céus Sam! Eu havia me esquecido dele.
Notei Santana sentar em uma postura mais rígida, desconfortável em seu assento. Seu olhar se perdeu além da janela. Eu deveria ter lidado com isso antes. Embora Sam estivesse esse tempo todo fora, viajando a trabalho.
—Hum, Sam. Olá. O que você faz aqui mesmo?
—Como minha namorada não me falou de seu estado de saúde depois do que aconteceu, assim que cheguei de viagem, vim diretamente para cá. E, crianças... – ele se dirigiu a turma, que estava atentamente voltada a ele. Meu rosto estava em brasas a essa altura do campeonato, principalmente quando ele sacou um enorme buquê de flores de trás das costas- Para uma mulher linda dessas, pede um lindo desejo de melhoras e um lindo seja bem vinda de volta.
—São esplendidas. Girassóis são meus preferidos. Eu agradeço muito- as peguei de sua mão, ensaiando um sorriso educado- Mas esse não é momento e nem horário para isso, Sam.
—Sempre há tempo e lugar quando se gosta de alguém. Não é, crianças? A professora linda de vocês merece, certo?
A garotada aplaudiu fervorosamente, sob assobios agudos de outros.
—Amamos você, senhorita Pierce- disseram alguns em coro.
Santana batia palmas lentamente abaixo de uma expressão com um grau de ironia que me trouxe um gosto amargo embaixo da língua.
—Certo. Todos vocês, todos, são uns fofos. Sintam-se abraçados. E obrigada pelo carinho, Sam. Mesmo. Agora já pra fora da minha sala, sim? Esses pestinhas têm de estudar.
Muitos “ahs” reverberaram pela sala enquanto Sam saia rindo aos quatro ventos, divertido. Já na porta, assim que eu estava fechando-a, ele me segurou pelo braço e resolveu me confidenciar como se fosse a coisa mais simples do mundo.
—Passo hoje a noite na sua casa para gente ver um filme e namorar um pouco, o que acha? Por o papo em dia, afinal, sinto sua falta.
—Sam, a gente precisa conversar- eu disse, num tom temeroso.
—Claro. Vamos conversar sim. Hoje a noite. Vendo um filme. Até lá.
Ele então me deu um selinho de surpresa e saiu logo em seguida. Meu dia já se mostrava que seria uma delícia.
Nem ousei olhar na direção que estava a latina. Nem precisei. O clima da sala esquentou signitivamente ainda mais. Me senti dentro de um forno, girando em brasas.
—Professora, acho que o ar condicionado quebrou. Tá um horror de quente aqui dentro- Quinn disse, pegando o livro para se abanar. Não só ela, como grande maioria parecia bem incomodado. Era um calor anormal, abafado... Sobrenatural. Ousei olhar para Santana, porém somente esta estava de pernas cruzadas, batendo ritmicamente os nós dos dedos contra a madeira envernizada da carteira escolar. Lá estava ela de óculos, imersa a pensamentos que a mantinha tão longe de mim agora.
Não demorou para que tivéssemos de liberar o alunos mais cedo para se refrescarem. A escola inteira parecia uma verdadeira panela de pressão, tão quente que ferveu até a disposição para baderna dos alunos. Quinn, como sempre a frente de tudo, reuniu um grande grupo e anunciou uma grande festa na piscina na enorme mansão da família Fabray. Imagino o que dois neurocirurgiões conceituados poderiam proporcionar para uma garota mimada e em grande maioria do tempo fútil o suficiente para não notar que as comprava com festas, favores e regalias dentro do colégio para pessoas que, de verdade, não se importavam 1% com seus sentimentos.
Sei disso porque eu era uma Quinn Fabray da vida, em sua mesma idade, em seu mesmo grupo seleto. Dá para contar nos dedos de uma mão com quantos ainda tenho contato ou apresso nos dias de hoje.
—E aí, pirulitona, o que você vai inventar para passar esse calor infernal hoje?- questionou Sugar ao esbarrar comigo já no corredor dos armários dos alunos, segurando um mini ventilador a pilha.
Nesse mesmo momento eu procurava, tentando não dar tanto na vista, por Santana. Desde que os alunos foram liberados que eu não a via. Ela simplesmente desapareceu da minha vista como fumaça. De alguma forma eu estava preocupada com sua reação por mais cedo. Não sei, achei que fosse me questionar sobre Sam. Mas somente desapareceu sem me dizer porquê, ou ao menos se despedir. Essa era uma habilidade especial dela que me dava nos nervos.
O que é isso, Brittany S. Pierce, vocês não nasceram grudadas. Ela deve ter o que fazer. Acorda.
—Não sei não, Sugar- respondi, discretamente olhando por cima de seu ombro. Nada dela.
—Se quiser dar um pulo na piscina lá de casa, porque é o que eu vou fazer o resto do dia.
—Ah, agradeço muito. Eu adoraria- segundos depois bati com a mão dolorosamente contra a testa- Agora lembrei que o Samuel vai passar lá em casa.
Sugar fez uma careta indecente.
—Humm... E vocês já estão é assim, de casinha. Vai aproveitar o calor pra dar tanto que vai cauterizar hein.
—Sugar- olhei ao redor, receando por algum aluno ouvir tal sandice dessa louca- Não, claro. Só vamos conversar, é claro.
—Sei. Também já andei conversando muito assim- riu-se piscando para mim.
Pus a mão na cintura, inquisitiva.
—E a senhorita ainda me deve explicações a cerca de uma certa professora de música – apontei discretamente para a pessoa miúda na ponta dos dedos tentando pregar um cartaz no mural da escola.
Sugar ficou rosa como a blusa que usava. Rachel pareceu nos notar, porque mandou um aceninho tímido, com um sorriso fofo na direção de minha amiga. Acenei cordialmente de volta.
—Ela é tão fofinha, Sugar. Por que você age como uma idiota assim, todas as vezes que ela é citada? Na verdade, porque você age assim com a Rachel? É a pessoa mais gentil daqui, de longe.
—Loira, não se meta, certo? Não se meta. Não se porque fui te contar aquilo, sério.
—Sugar, volta aqui. Agora!- a segurei pelo cotovelo, usando de minha altura superior a sua para lhe conter contra um armário- Francamente, já deu. Você é uma mulher adulta. Tem que enfrentar esse medo por sentimentos. Você sempre foi assim. Esqueceu que eu sou a pessoa que mais te conhece nesse mundo?
Ela encarou o chão por alguns segundos, pensativa, cheguei a sentir dor emanando do seu corpo.
—Eu sou uma pessoa horrível, Brittany. Entendeu? Eu não presto pra isso, esse negócio de amar. Você tem mais jeito com isso do que eu. Eu não sei olhar pros sentimentos de outra pessoa-soltou o seu braço do meu- Ela tá sempre ali, sorrindo para mim, mesmo depois de tanto tempo. De tudo. Como acha que eu devo agir? Me conte, Porque eu não sei.
—S... Você precisa se permitir. É isso. Querida, você está com medo de se abrir pra isso e ser tudo o que você nunca viu- peguei delicadamente sua mão, tentando lhe transpassar toda força que eu podia. Até porque eu era ótima pra dar conselho, péssima para seguí-los. Isso encaixaria certeiro pra mim, essa imbecil- O que eu posso fazer pra te ajudar?
Ela olhou para Rachel mais uma vez e fechou os olhos com força.
—Só me dê um tempo com isso, tá? Obrigada pelo carinho, B. Se quiser passar lá por casa, sério, vai lá. O dia está de cão hoje- sorriu mais tranquila pra mim agora, já se retirando- E, aliás, vai tomar no olho do seu... – e fez um circulo com os dedos.
—Sugar!!
Saiu rindo da minha expressão consternada.
De repente um armário fechou perto e aquela sensação conhecida se fez presente. Lá estava ela, em sua beleza invejável de sempre, presa em um mundo próprio que eu nunca chegaria nem na porta de tão imerso. Nem preciso dizer que ela notara tão rapidamente minha presença, sem eu sequer precisar me anunciar.
—Precisa de alguma coisa, senhorita Pierce? Ou você prefere ficar me encarando assim por mais duas horas?- interpelou em tom de flauteio- Adoro ser encarada do nada.
—Deixe disso, San. O que houve?
—Houve?- suas sobrancelhas se estreitaram, circunspecta. Ela organizou alguns livros no armário, substituiu por outros na mochila e a jogou sobre o ombro, na sua tranquilidade de dar agonia de sempre.
—Você saiu sem se despedir.
—Me desculpe, então- notei que ela foi sincera. Mas por que eu sentia que ela estava perturbada com alguma coisa?- Não estou perturbada com nada, aliás.
—Deus, como você faz isso? É assombroso. Não consigo me acostumar. Na verdade, nunca acho que vou conseguir- divaguei, contrita. Santana somente deu de ombros.
A gente ainda precisava conversar muito sobre isso, mas eu nunca conseguia arrancar mais que algumas explicações vazias dela com a desculpa de: você que precisa entender, Anjo. Eu sei que sempre fui muito espiritual e, embora não muito religiosa, sempre acreditei que existia coisas além de nossa existência. O que é fascinante essa possibilidade tão próxima de mim. Mas ela não precisava complicar tanto as coisas assim pra mim, sabe?
—Santana, você fez de novo.
—Eu não fiz nada.
—Claro que fez. De fato, você pode ouvir o que eu penso?
—Só quando você quer, eu já disse.
—Que inferno, Santana!- me exaltei, no mesmo instante corrigindo minha postura ao notar alguns olhares esquisitos na nossa direção- Me desculpe. Você precisa me fazer entender melhor isso. Sério.
—Quando você estiver com tempo, claro.
—Eu estou bem aqui na sua frente, agora. Mas se quiser, vamos para um lugar mais sossegado, o que acha?- limpei a garganta, tentando deixar um olhar mais leve do que a vontade que me deu agora, olhando-a assim tão de perto, com essa marra tão sexy.
—Creio que não.
—Não? Por que?
—A senhorita tem visita agora. Certo, treinador Evans?- ela disse sem tirar os olhos de mim. Um milésimo de segundo depois Sam saiu detrás dela, espantado.
—Certo. Mas como você sabia?
—Me questiono isso até hoje.
—O que?
—Nada, Sam. Posso ajudar em alguma coisa?
—Não, só vim perguntar para você se, por acaso, vai querer uma carona para casa?- perguntou, em tom de esperança, com um sorriso que não cabia em sua enorme boca rosada. Já Santana tinha um sorriso cômico desenhado no canto dos seus.
Sério que você está se divertindo com isso? Ela meneou positivamente a cabeça. Minha vontade foi de fazer o sinal da cruz ali mesmo.
—Então?
—Então o que?- repeti, atordoada.
—Se você vai precisar da carona. Aproveitemos um passeio no caminho. Tem uma sorveteria ótima alguma quadras daqui. Vocês podem continuar isso aqui amanhã, na escola.
Olhei dele para Santana, ainda mais sem rumo.
—Eu preciso ir. Com licença, professores- ela disse, por fim. Fez menção de se retirar.
—Santana...
—Seja lá o que você tem de falar com um aluno, Brittany. Já acabou seu horário de aula- ele me segurou pelo braço, num tom muito acima do que normalmente se tratava comigo, quase como uma ordem- Amanhã você resolve. Deixe de ser cabeça dura e vem comigo. Não estrague as coisas assim.
Santana atrasou o próximo passo e seu meio volta, com um olhar que eu não pude reconhecer. Ela olhou diretamente para ele, um olhar tão afiado que eu pude sentir ricochetear em Sam e vir contra mim. Não demorou para que ela estivesse próximo a ele, numa seriedade de causar mal estar.
—Santana...
—Sabe... Professor- ela disse cada sílaba, pausadamente- Apenas acho que a sua maneira de se referir a ela deveria ser revista.
—O que você quer dizer com isso?- ele a encarou igual, só que desentendido.
—Ela faz o que quiser. Entendeu?
—O que você tem a ver com a conversa entre dois adultos, seus professores, Lopez?
Você já deveria estar no seu treino, aliás.
—Sam, sério...
Mais uma vez fui interrompida.
—Eu sinceramente odeio sua aula, a sua prepotência. Não fale com ela, assim, novamente. – os dois já se encaravam numa animosidade de se preocupar. Porém eu agora era a ignorada, e o receio de que isso piorasse me fez tremer. Santana não podia causar isso assim, havia muita coisa.
—Certo, já chega. Vamos Sam. Pra fora, agora.
—Não, espera. O que deu em você?- Sam estava consternado, com uma pitada de chateação.
—Eu não vou voltar a treinar com você.
—Sam, vamos. Sério. Santana, já chega- eu o puxava pelo braço, o mais forte que podia. Santana estava numa posição dura, defensiva.
—Quem você pensa que é pra falar assim comigo mesmo? Se metendo aonde não deve. Eu sou namorado dela. Você não tem que se meter como falo com ela.
Foi então que senti. Aquela sensação do chão se abrindo e uma labareda do tamanho de um dragão erguer-se dele e envolver Santana. Toda aquela temperatura, o cheiro dela se tornando forte, a sua postura imponente, até Sam pareceu sentir.
“Santana, não!” disse em pensamento, como se pressentisse o pior.
Santana ergueu a mão e nem precisou tocar em Sam, no mesmo instante, o homem deslizou bem meio metro para trás, como se uma força invisível o tivesse mandado parar ali. Santana sumiu em seguida, assim como a sensação ruim no meu peito. O loiro ergueu o olhar como se tivesse acabado de acordar de um sonho ruim. Totalmente alheio a situação.
—O que aconteceu?- Sam perguntou, atordoado- Tive a sensação de ver o inferno- ele riu, brincalhão.- Aonde a gente estava mesmo?
—Voce não lembra?
—Lembrar do que mesmo?
Santana, o que você fez? Droga, como ela está agora?
Resolvi ceder ao pedido do Sam de me deixar em casa. Cedo ou tarde a gente deveria conversar sobre nossa situação. Não sei ao certo o que dizer, mas, depois de tudo, parece obsoleto agora. Não, não o vejo como um objeto a ser usado, mas os pratos tem de ser postos limpos sobre a mesa. Eu tinha que me reaver, com os dois, aliás, não era justo com eles assim.
Assim que atingimos o estacionamento, um susto quase nos fez tombar pra trás. Sam quase que literalmente.
Seu carro, seu amado Porsche refém comprado, amassado e empalado por postes de todas as formas e tamanhos, como se um terremoto tivesse feito o serviço.
Como aquilo aconteceu?
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Passado o susto, peguei carona Com Sugar até em casa, ainda me questionando em como aquilo pode acontecer. Como explicar com lógica como pesados postes foram parar enfiados em um Porsche novinho num estacionamento escolar. Algo me dizia que eu sabia a resposta.
Passei o dia com isso em minha cabeça, atordoada. Com o acontecido, Sam não deu as caras por aqui. Mas tinha ela, eu tinha que diretamente questioná-la sobre isso. Não tardou para eu estivesse devidamente arrumada para mais um confronto vitalícia, logo parando em sua gigantesca porta, atravessando um mar de esculturas mais antiga que a minha vergonha, sendo guiada por um dos trocentos funcionários de sua mansão sinistra.
— A senhorita Lopez a aguarda na área reservada, senhorita. Por favor, entre- um senhor devidamente empacotado de terno e bigode charmoso abriu a porta e me concedeu passagem.
—Muito obrigada- enfim disse e entrei.
Nossa, difícil descrever a magnitude que minha visão alcançou. Me senti dentro de um verdadeiro castelo imperial. Havia esculturas de anjos armados por todos os lugares, pinturas religiosas, móveis persas, e sofás com estofado que com certeza eu me afundaria se sentasse. E do outro lado, alguns degraus de vidro levava até uma jacuzzi externa maior que minha cama de casal.
A porta se fechou atrás de mim, me assustando. Dei um pulinho engraçado para trás, acertando um abajur que repimbocou e acertou o chão, estilhaçando-o.
—Minha nossa. Como eu sou desastrada- me abaixei pra pegar, porém uma mão me puxou por trás.
—Deixe isso ai.
—Santana. Eu... Me desculpe. Foi um acidente.
—Minha doce desastrada- ela disse, tão próxima quanto o oxigênio que teimava não entrar nos meus pulmões depois do susto- Relaxe. Esse abajur só tinha mais de 100 anos de existência. Coisa boba.
Droga, Brittany!
—Serio. Me desculpe. Não vou nem perguntar quanto isso custou, porque nem juntando todo dinheiro da minha vida inteira daria pra pagar isso. Sério, me perdoe. Aí meu Deus. Eu sou um desastre.- levei as mãos aos olhos, envergonhada, desesperada ... até ouvir uma risada gostosa, porém caçadora vinda dela- Que foi?
—Bobagem- ela me abraçou forte por trás- É só um objeto. Deve ter uns 50 desses espalhados pela casa.
—Ah sim, esqueci que você era podre de rica e eu podre de podre- abracei seus braços envolta de mim. Senti um beijo carinhoso pousar no meio de minhas costas.
—Você é uma delícia, na verdade.
Me virei e abracei seu pescoço.
—Bobinha- nos beijamos lentamente, de maneira boba- Onde você esteve o dia todo?
—Por aí.
—Como por aí? San, o que houve lá na escola? Por que você falou com o Sam daquela maneira?
—Ah. Então foi por isso que você veio até aqui me ver?- Santana se soltou de mim e foi até uma mesinha, se servir um pouco de uma bebida amadeirada, com aparência de forte.
—Não, San. Senti falta de estar perto de você. Mas , você viu o que aconteceu com o carro do Sam?- ela deu de ombros- Por acaso, aquilo, foi você quem fez?
Santana soltou uma risada maligna.
—Foi engraçado. Mas não. Não fui eu. Não gastaria energia assim com um idiota desses. Mas que bom que fizeram. Espero que da próxima, façam com ele.
—Santana Lopez! Eu te proíbo de fazer qualquer coisa contra o Samuel.
O olhar que ela me lançou foi de doer. Parecia magoada.
—Enfim, você gosta dele. Eu não faria nada pra te magoar.
—Não, Sam. Só não quero que você se meta em encrencas por coisa boba. Ei- tentei tocá-la, porém ela se desfez, indo na direção da jacuzzi.
Santana ia se livrando do roupão a cada passo que dava, deixando seu corpo nu entrar na banheira e ser tomado pela água aquecida borbulhante com sais.
Suspirei, não me dando por vencida. Ela deitou, apoiando a cabeça na borda. Tomou um intenso gole da bebida. Eu olhei pros lados, ali não parecia lugar que entrassem se ser anunciados. Resolvida, retirei o vestido, as roupas íntimas e mesmo sem ser convidada, entrei também, mas precisamente, montando em seu colo. Tomei a bebida de sua mão e a pus em outro lugar.
—Não gosto quando você bebe.
—Isso não faz diferença.
—Santana, não é legal.
—Traz algum conforto. Ao menos eu finjo- ela disse, de olhar baixo, na direção das bolhas.
—Conforto tem que ser saudável.
—Na minha vida, nessa parte, não tem como ser muito saudável.
—Sinto muito. Por tudo.
Ela passou a mão por minha cintura, dedilhando nas laterais pacientemente.
—Ele também te tocou assim? Como eu toquei?
—O que? Do que você está falando?
—Evans. Estou falando daquele idiota.
—San... Não pense nisso. Estou aqui com você.
—Não gosto da maneira que ela fala com você. “Namorado”, ele disse. Que vontade de sugar a alma dele.
—Você pode fazer isso?
—Talvez?- ela fez uma careta culpada tão fofa que eu a beijei com força, assim como todo seu rosto, enchendo de bitocas que a fizeram ter um acesso de riso. Nossa, como eu amava ouví-la rir.
—Idiota. Esqueça essas coisas, tudo bem?
—Não consigo, anjo. Eu detesto quando tentam modificá-la. Você sempre foi espirito livre. Uma corsa indomável- suas mãos ladearam agora meu rosto, e me fitou com encanto- Você é tão incrível, meu doce anjo. Tão incrível.
—Você que é um encanto. E eu estou com você. Com você – peguei uma de suas mãos em meu rosto e fui descendo pelo meu corpo, sem tirar os olhos dos seus- Está na hora de você me tomar pra si devidamente agora, não acha?
—É o que você quer?
—Com certeza, meu bem.
Dizer que o sorriso de Santana foi terno, era eufemismo, ela encantadoramente me fitou e me tomou em um beijo apaixonado. Sua língua me explorando de cima abaixo, só tirou a atenção do que viria a seguir. Seu dedos ágeis logo dedilhavam minha intimidade, fazendo pressão logo acima no nervinho abençoado. Ela testou minha umidade e logo desceu com dois dedos dentro de minha amiguinha, ditando um ritmo gostoso de vai e vem, dando atenção a minha boca num beijo tão excitante, que era como se ela estivesse lá embaixo, me presenteando com seu belo trabalho oral.
Ela ia e voltava dentro de mim, com a outra mão apalpando e apertando meu bumbum com maestria. Eu gemia contra seu ouvido, em tamanha excitação, deixando um beijo chupado em seu pescoço ali, naquela região gostosa e acessível do pescoço. Senti sua respiração pesar e levei a mão na mesma direção que ela me tocava. Santana não me negou passagem. A gente gemia juntas , num conjunto de prazer, ela aumentava as estocadas e consequentemente as minhas, se deixando gemer conforme mandava o script numa cena de amor ardente.
Eu abandonei sua intimidade e ela a minha, como se soubesse o que eu realmente queria agora. Eu agarrei Santana pelo pescoço e ela a minha cintura. Sentei o mais encaixado por cima do seu colo e ela forçou mais meu corpo contra o dela. Nos esfregando assim, sem pudor, dentro d’água, num tempo quente, numa água quente, fez com que eu me sentisse transando no próprio inferno. Mas foi sensacional.
Ela agarrou um dos meus seios e chupou com veemência. A língua dançava pelo mamilo, ela o abocanhava por completo e tomava pra si com paixão. Logo eu vim pra aquela latina, gozando com tanta força que ela veio junto, me abraçando com tudo que tinha.
— San... Aí...minha nossa.
—Meu anjo.
—Ceus, Santana... Eu acho que te amo.
—O que você disse? – ela arregalou os olhos- Eu não sei, eu não consigo entender, mas eu me lembro desse sentimento. Eu me lembro de coisas que eu não entendo. Mas como pode? Eu te amo, Santana.
Ela estava com o olhar espantado, incrédulo. Como se aquilo lhe fizesse ganhar o mundo.
—Eu também. Há tanto tempo- tocou meu rosto, com tanto cuidado como se eu fosse um bibelô- Eu também te amo tanto... Brittany.
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