Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
7 Sorte no azar
Notas iniciais
Eu já estava a ponto de flutuar com meus enormes olhos arregalados. Eu estava mesmo vendo aquilo? Santana beijou mesmo Marley? Por que cargas d’água ela faria aquilo? Bom, Marley não era nada feia, meio desajeitada a coitada, mas era até bonitinha. Porém creio que não era lá o tipo de Santana. Não, com certeza não me parecia que era. Espera! E eu lá sei o tipo de Santana? O que raios estou pensando? Tenho nada a ver com isso. Eu hein, ta doida?
–Uhh... Amor jovem! Não é excitante, pirulitona?- Sugar se pôs ao meu lado, em um suspiro reflexivo- Só faltou um pôr do Sol atrás e vagalumes formando um coração sobre elas. Bonitinho, mo deuzo!- ela gesticulou tal cenário, me fazendo bufar pelo comentário inoportuno. Puxei o chapéu estravagantemente vermelho e cheio de penas que ela usava na cabeça para cobrir seu rosto- Hey!
–Cala essa boca, Sugar!
–Mulher insensível, nã!- ela retrucou, consertando o acessório em seu devido lugar. Fui brava até as duas “pombinhas" perto dos armários. Marley continuava lá, como uma manteiga derretida, enquanto a latina a segurava pela cintura e lhe tomava o ar em um beijo que já estava me dando dor de estômago por tão sexy. Quinn, mais atrás delas, parecia que havia tomado uma descarga elétrica de cinco mil volts.
–Se afastem, vamos- eu passava sem muita delicadeza pelos alunos bicudos no corredor até chegar nas duas- Hey, vocês! Estão em uma escola e não num bordel de quinta. Parem já com isso- Marley se soltou de repente de Santana e me olhou como se tivesse tomado uma porrada, por tão tonta.
–Se-senhorita Pierce, eu-eu, ai pai do céu... Me desculpe- ela ficava meio em zigue-zague, por causa também de seu sapato um pouco solto. Foi puxada logo então por Santana pela cintura, para que ficasse ao seu lado, encostada assim a um armário pra ganhar equilíbrio. A garota de olhos claros explodiria a qualquer momento de tão vermelha que estava, mas já Santana, aquela miserável, exibia um sorriso sapeca enquanto limpava com o polegar e o dedo indicador a mancha de batom rosa de Marley que havia ficado em seus lábios carnudos e tão beijáveis. Foco, Brittany! Você é a professora aqui, dê exemplo de auto-controle- Pro-Professora, eu não... Meu Deus, o que estou fazendo aqui mesmo?- ela evidentemente estava confusa. Nem a mesma esperava por tal coisa. Respirei fundo, buscando calma. Os murmuros mais atrás já estavam me dando dor de cabeça.
–Todos vocês, pra suas salas agora!- meu tom era forte, mas mesmo assim tive que gritar de novo- AGORA!
–Ah droga... Agora que estava ficando bom- um deles reclamou, saindo frustrado. Os demais foram se dispersando rapidamente.
– Vocês não. Podem ficar- apontei para os jogadores e líderes de torcida que ajudaram no ataque a Marley. Eles me olharam já imaginando o que lhes aguardava- Noah e Quinn também. Marley, vá com eles- a garota me olhou assustada- Hey, relaxe. Sugar vai com você pra que não corra o perigo de que te façam algo. Me aguardem na diretoria, por favor- ouvi muitas bufadas desgostosas, mas agora minha atenção estava voltada àquela latina cachorra.
–Essa nerd me paga!- Quinn esbravejou, passando por Puck como um trem desgovernado, quase derrubando o garoto no processo. Ela estava realmente furiosa.
–Vem, Marley- Sugar chamou, gesticulando pra que a menina a acompanhasse. Marley ainda estava um pouco vacilante, então a professora desmiolada de artes a amparou- Se segura nas tamancas, minha filha. Se está assim por um beijo, quem dirá quando transar pela primeira vez. Eu mesma passei uma semana sem me sentar direito.
–Sugar!- chamei sua atenção enquanto Marley a encarava de olhos arregalados- Sem traumatizar as crianças, por favor.
–Ah ta. Sem graça! Esqueci que também é virgem, puritana chata- ela provocou, me dando língua- Todo mundo faz sexo um dia, ta? Posso fazer nada se dói- ficou aérea por uns instantes, como se recordasse de algo- Mas olha que é uma dor danadinha de gostosa. Ui... Marcos. Aquele danadinho é bom de swing- jogou os cabelos pro lado, dando uma remexida na cintura. Balancei a cabeça negativamente vendo-a sair com os alunos agora. Sugar realmente não respeitava ninguém. Virei o pescoço para encarar Santana como alguém possuído de um filme macabro de terror.
–Agora você- apontei ameaçadoramente para ela- O que tem em sua cabeça?
–Cérebro ou cabelo?- golpeei seu braço com um tapa pela brincadeira. Ela sorriu.
–Por que fez aquilo?
–É virgem mesmo?
–O que?- no que isso vem ao caso agora?
–O que Sugar falou. Ainda é virgem?- deu pra ver em seus olhos uma misto de expectativa com surpresa pelo fato inoportuno mencionado pela cabeça de bosta da Sugar. Ruborizei, respirando fundo para me controlar.
–Não foi isso o que lhe perguntei. E mesmo assim, não é da sua conta.
–Então você é? Nossa!- mordeu o canto dos lábios, como se fosse uma criança vendo seu sorvete favorito a sua frente.
–Não, eu não sou. Mas minha vida sexual não lhe interessa.
–Até estando morta, acho que me interessaria sim, minha cara senhorita Pierce- se encostou por completo ao armário de braços cruzados, apoiando a sola do all star no mesmo local, ficando assim apenas com uma perna firmada no chão, toda posuda. Que ódio!- Não seria surpresa se fosse ainda tão pura... Já lhe disse que parece um anjo?- seus lábios se alinharam em um sorriso infernal- O anjo de um demônio perdido- passou a mão lentamente por sua franja lateral para apoiá-la na orelha... Seria um gesto normal se não fosse Santana que o estivesse fazendo. Tudo dela soava como uma provocação avassaladora. Todo aquele jeitão de bad girl infernal só acentuava sua sensualidade até mais abundante que a de uma mulher mais madura, tanto na idade quanto sexualmente. Seu senso de auto segurança no uso de seu corpo atlético feminino bem feito era de matar... Aquela sua maneira de excitar qualquer um apenas com um olhar parecia até irreal, algo desumano... Só isso já me bastava para estar a ponto de ter uma erupção- Isso é perigoso- mordeu o canto do lábio inferior até quase sangrar- Não te excita tal coisa?- apoiou um dos polegares no cós da calça e o soltou- A mim sim... Muito.
–Como pode beijar Marley há pouco tempo e agora já está me dizendo tais absurdos?- 1,2,3... não pula no pescoço dela, Brittany... 4,5,6... Relaxa, não faça uma desgraça, mulher... 7,8,9... Pare de me olhar assim, desgraça de mulher sexy...
–Foi pra ajudá-la que fiz aquilo. Aquele pessoal não tinha direito de maltratá-la. Só mostrei que ela é como qualquer outra pessoa... Que pode ser desejada.
–Não teria tantas outras formas de se fazer isso?
–Não pra mim- disse naturalmente- Esse pessoal vive de choque de realidade.
–Mas pareceu que gostou de tê-la agarrado. Ou será que tal ajuda lhe foi favorável, hum? Enfim achou alguém que se rende facilmente a suas investidas cafajestes?- investi as palavras com veneno a ela, que apenas esboçou um sorriso debochado.
–Ciúmes, meu anjo?
–Ciúmes? Eu?- ela elevou as mãos como se evidenciasse isso. Agora eu estava vermelha de ódio- Ah ta bom... Essa foi boa. Só pode estar ficando maluca.
–Talvez sim... Tanto faz agora- deu de ombros- Serei punida?
–Não... Mas que isso não se repita, ok?- ela assentiu, afastando-se do armário- De alguma forma você a ajudou, então vou relevar dessa vez, mas SÓ dessa vez. Isso é uma escola. Respeite seu ambiente escolar, fui clara?
–Como seus olhos, meu anjo- quanto tempo de cadeia será que eu levaria por jogar uma aluna de um precipício?
–Não me chame assim. Não dei a você tal intimidade- Santana ficou quieta novamente. Antes que ela saísse, lhe parei segurando em seu braço para adverti-la- Fique longe de Marley... Não mexa com ela ou faça seja lá o que passe por sua cabeça que ninguém entende. Ela é uma boa garota- ela desceu o olhar para onde eu segurava, como se aquele gesto a tivesse dado choque, mas lhe agradasse aquilo.
–Boas garotas atraem problemas, senhorita Pierce- aquele seu olhar negro amendrontador agora estava pareado ao meu- É por esse motivo que você não consegue ficar por tanto tempo longe de mim- soltei seu braço, cruzando os meus quase que rapidamente.
–Todo pensar é torto, sabia?
–Muito torto mesmo- senti seus olhos me percorrer- Mas por alguns vale a pena dar uma de idiota- eu deveria ter rebatido, mas meu silêncio já bastava pra finalizar essa conversa mais que desapropriada. Nos olhamos por um bom tempo. Sua testa estava levemente franzida. Algo pareava em seus pensamentos tão silenciosos e misteriosos, e, como sempre, meu mundo parou só pra tentar desvendar o que passava ali, tentando usar como portal até sua mente escondida os olhos sombrios tão ironicamente sedutores. Os lábios ainda estavam naquela mescla de vermelho com o batom rosa de Marley, mas seu volume tão saboreável estava ali, quase gritando para que alguém os mordesse com desejo. Santana era definitivamente uma provocação latina. Mas era errado estar pensando naquilo. Por Deus, Brittany, ela é sua aluna. Sua aluna! Uma criança pra você... A viu bebê e de fraudas de bichinhos fofos, tentando dizer “mama", seja sensata. Eu sou sensata! Respirei profundamente, mordendo o lábio inferior pra conter tais pensamentos, porém o inesperado já me aguardava. Santana urrou, em um gemido sofrido- Céus, não faça isso.
–O quê?- indaguei, franzindo o cenho sem entender.
–Não morda o lábio dessa forma se não quiser que eu te toque- disse entre dentes, apertando uma mão com força, se reprimindo a algo-Sinto que posso fazer uma besteira que não agradará sua tão valorosa ética se fizer isso novamente- respirou profundamente- Sinto até pena de minha mão.
–Você tem aula agora, Santana- vacilei por um instante nas palavras, sentindo o ar rarefeito. Passei a mão inquietamente pelo pescoço, como se algo o arranhasse. Seu olhar pesou em mim... Lá estava ela, a anos luz daqui novamente, querendo me destruir com um de seus meteoros de sensações nesse gesto. O ar escapou de minha garganta como espinhos afiados... Não pude fazer diferente, automaticamente mordi o lábio novamente. Era algo que eu nunca podia evitar em momentos como esse, que eu me sentia em conflito e intriga. Ela tombou a cabeça pra trás, desatando uma risadinha tão perversa que me assustou.
–Eu avisei!
–O que vai...- antes que eu terminasse a pergunta, Santana laçou minha cintura com uma mão e me empurrou para trás até que eu desse com as costas a um porta. Com a mão livre ela abriu passagem e nos colocou para dentro, trancando a porta com o pé mesmo, violentamente. Aquilo era um armário apertado de vassouras. Descobri isso quando, ao me prensar contra a parede, minhas costas encontraram alguns cabos que ficaram me cutucando.
–Oh céus... O que faço com você, meu anjo?- murmurou, passando levemente os dedos indicador e médio por meus lábios, em adoração- Sua delicadeza me atiça tanto. Queimo por dentro toda vez que meus olhos te atingem- seus dedos agoram deslizavam por meu queixo e pararam no maxilar. Prendi a respiração, temendo até as vassouras cutucando meu traseiro-Diga-me, por favor... Será que posso morrer se provar desses lábios agora?- aproximou seu nariz de meus lábios e os cheirou demoramente, gemendo com prazer- Pois sinto que o aroma vindo deles é tão surreal, que só pode ser provado uma vez... Da próxima pode ser fatal. Mas morrerei feliz porque provarei da fruta de meu pecado... Senhorita Pierce... Você é o meu pecado perfeito.
–Santana, não. Por favor- eu praticamente implorava, lhe enviando um olhar de pudor. Delicadamente acariciei seu maxilar com o polegar, deslizando pela pele morena macia até as bochechas. Ela fechou os olhos em apreciação, escorregando levemente, porém em uma sensação única de tranquilidade, a mão por meu cotovelo do braço que a tocava, deslizando por toda sua extensão até chegar em minha mão em seu rosto, acariciando-me os dedos com o polegar. Deus, estava realmente ferrada! Não devíamos, mas toda vez que ficávamos dessa forma, tão perto dos olhos, porém tentando se esconder do coração, eu sentia que tínhamos essa conexão intensa, sexual, sei lá, algo confuso. Pelo menos pra mim- Você sabe que não podemos.
–Mas eu quero- virou o rosto para beijar meus dedos delicadamente- E sinto que você também.
–Me desculpe, mas não devo. Minha carreira depende disso.
–Foda-se seus pudores agora, loirinha- deu um impulso contra mim na parede, me prendendo a si- Eu quero você- os lábios carnudos agora avançaram sobre os meus com desejo. Tentei me soltar, porém ela prendeu minhas mãos contra a parede, mais ou menos ao lado de minha cabeça. Posiciou uma das coxas entre minhas pernas no intuito de me manter parada, porém aquilo só piorava meu estado agora. Gemi quando ela fez isso, e mais ainda quando abusou das sugadas a meu lábio superior, como se provasse uma fruta excitantemente saborosa. Senti que ela ficava cada vez mais quente a meu corpo, e este já lhe estava, infelizmente, tão entregue agora que automaticamente já começava a me roçar lentamente contra sua coxa entre minhas pernas. Meu estômago se revirou... Era como se eu tivesse engolido uma pedra inteira de gelo. Pior dia pra ter vindo de vestido pra escola... Daqui a pouco eu encharcaria seu jeans de tão molhada. Eu gemia sobre seus lábios, ela suspirava pesado... Enquanto descia até meu pescoço, meu universo girava e girava, e antes que eu sentisse seus lábios gostosos em meus seios e tivesse uma birola na hora, a voz suave de Sam soava pelos corredores.
–Brittany?- seus passos estavam cada vez mais próximos- Vish! Sugar disse que ela estaria aqui.
–Sam está aqui- descolei nossos lábios, já inchados pelo beijo desnorteador, para alertá-la- Santana...
–Deixe-o pra lá e fique comigo- encostou sua testa a minha, sussurrando tal pedido tão excitado, porém que também se notava uma certa agonia- Fique comigo, meu anjo... Por favor.
–Eu-Eu... Céus, Santana. Não me peça isso, por favor. Sabe o que nos aguarda se tal coisa vier a acontecer.
–Você quer também.
–Não pode falar por mim- se aprofundou a meus lábios mais uma vez, em um beijo que quase zera meus pulmões.
–Falo por nós. Não fique com ele... Não a merece.
–Sam é o certo pra mim, Santana. Não conseguirei achar alguém melhor- com isso ela se afastou de mim, de olhos fechados e língua quase perfurando o interno de suas bochechas.
–Legal, então- deu de ombros, indiferente.
–Não me odeie, por favor... Sinto carinho por você, de verdade- tentei tocar seu rosto, porém ela segurou minha mão na metade do caminho e me encarou fechada, como se agora houvesse uma parede extremamente espessa entre nós, que não me deixava decifrá-la.
–Seu namorado a espera- soltou minha mão e se afastou de mim, dando espaço para que eu passasse.
–Ok, vejo você amanhã na aula.
–Não retorno para a escola essa semana.
–Não? Não vai sair da escola porque...
–Estarei de licença para o campeonato de natação- suspirei aliviada. Não quero ser a culpada por qualquer queda no rendimento escolar de Santana.
–Que bom. Achei que...
–O mundo não gira ao seu redor, senhorita Pierce- uma educação tão fria que doía- Tenha um bom resto de semana.
–Você também, Santana- resolvi estender a mão educadamente para ela, que ficou a olhando ali por alguns instantes até aceitar. Seus olhos fisgaram o meu como se os estapeassem. Quando fui soltá-la, Santana levou minha mão até os lábios e a beijou demoradamente com cordialidade. Enquanto fazia isso, seu olhar agora estava em mim de uma maneira séria e galante, porém ardente. Respirando como alguém sem pulmões, tomei minha mão de volta e a passei entre os cabelos, desconcertadamente- Isso não pode voltar a acontecer, entende?- ela desviou o olhar- Santana, você precisa entender isso.
–BRITTANY!- Sam gritou novamente e Santana apontou para o alto, demonstrando que eu era requisitada.
–Essa conversa não acabou.
–Não mesmo, senhorita- agora se encostou a parede de braços cruzados. Quase que mordi o lábio novamente vendo-a naquela marra toda, porém foi evitando uma desgraça que saí mais que rapidamente daquele armário. Organizei meu vestido enquanto andava, dando logo de cara com Sam pelo corredor.
–Gatinha... Te procurei feito um louco- encurtou nossa distância e me abraçou apertado. Ao me soltar, depositou um selinho carinhoso em meus lábios já tão bem (bem, bem, bemmmm) beijados hoje- Humm... Adoro o gosto de seus lábios.
–É?- gostou? Sabor Santana Lopez, não sabe? Com ele você ganha de brinde uma passagem direto pro inferno, aceita?
–Uhum... São doces- quer diferentes? Experimente os de Santana, então... Pimenta com lava vulcânica, tipo ferro de passar: aperta em cima e esquenta embaixo... Pensando bem, não experimente, não. Até minha alma se assustou pedindo clemência pensando nessa possibilidade. Ai, meu estômago!
–O que queria comigo?
–Ah... Queria te chamar para um passeio no parque, o que acha?
–Tenho muitas provas pra corrigir, Sam.
–São apenas uns minutinho, gatinha. Um sorvetinho só, pra relaxar a cabeça- juntou as mãos, fazendo aquele seu biquinho infantil exageradamente adorável. Pensando bem aqui, estava precisando mesmo espairecer.
–Ok. Você me pega em casa?
–Contarei os segundos pra isso- beijou minha bochecha, entrelaçando nossos dedos. Sam parecia ser bem romântico. Era bom, não era?- Pra onde vai agora?
–Resolver a confusão que deu ainda pouco nesse corredor.
–Fiquei sabendo. Na verdade, um de meus lutadores filmou o beijo de Santana e Marley. Não sabia que elas estavam juntas- coçou a cabeça, confuso- Bom, eu sequer sabia que Santana se relacionava assim. Ela me parecia mais uma esponja misteriosa assexuada. Mas que bom que encontrou alguém.
–Elas não estão juntas- disse com uma firmeza tão seca que me assustou- Digo, Santana fez aquilo para ajudar Marley com os valentões que lhe perturbavam.
–Hum, entendo... Que se torne real, então. Santana precisa de alguém que a tire daquelas sombras. Precisa encontrar a sua pessoa- sorriu abertamente- Assim como eu- meu estômago revirou. Agora por quais dos dois motivos, vou ficar devendo- Posso te acompanhar?
–Claro- sorri levemente para ele, que abraçou meu ombro pela lateral e nos colocamos a andar. Olhei para trás e vi Santana encostada a porta do armário, de braços cruzados e olhar fixo em Sam e eu. Elevou uma sobrancelha e sorriu debochado. Era como se desacreditasse no que estava sendo construído entre mim e Sam e evidenciasse isso, mexendo daquela forma comigo. De alguma forma ela sentia que entre eles dois, minhas reações eram extremamente divergentes, porém, minha consciência apontava para o loiro sorridente. Entretanto, meu corpo... Agora esses gritavam por uma sequência de sete letras tão enigmáticas como quem as pertencia.
~°~
Três meses depois:
–Olá, Brittany!
–Hey, Artie! Como vai você?
–Na medida do possível. Daqui a pouco aplicarei uma prova surpresa no terceiro ano e já aguardo por meu linchamento por parte dos alunos- eu ri, tocando seu ombro, compadecida. Ele sentou-se a mesa comigo, depositando uma bandeja com seu almoço ali.
–Se fosse você, levaria pelo menos um spray de pimenta- foi sua vez de rir. Artie tinha um jeito tão meigo de rir. Ele todo era uma fofura só. Logo ficou sério, ruborizando aos poucos.
–Brittany, eu estava pensando se... Be-Bem, se você quer... Quer... Hum... se você a-aceita sa-sa... sa-sa...
–Se eu aceito... — o incetivei naquela gagueira engraçada. Artie estava quase roxo, um tanto agoniado, suando mais do que o normal e com uma cara de quem estava tendo um ataque fuminante (ou uma sofrida dor de barriga).
–V-você a-aceita sa-sa... sa-sa- dei batidinhas leves em suas costas e ele meio que deu um saltinho da cadeira, pegando um potinho com salada- Sa-salada. Você aceita salada?
–Salada?- indaguei confusa. Aquele nervoso todo só pra me oferecer uma salada?- Ooook... Aceito sim, muito obrigada.
–Di-Dis-disponha!- peguei o pote de suas mãos e Artie saiu correndo como um fugitivo do FBI pela sala.
–Eu hein!- franzi o cenho em uma careta estranha, provando da salada que me foi oferecida tão estranhamente. Será que ninguém nessa escola é normal? Gente estranha!
–Hey, pirulitona!- falando em gente estranha...
–Oi, Sugar. Está servida?- apontei para meu almoço e ela recusou, fazendo careta enojada.
–Não como carboidratos e muito menos carne, docinho- sentou-se ao meu lado enquanto eu revirava os olhos- Sou vegetariana.
–Desde quando?
–Desde que eu não entrei em meu jeans favorito hoje. #to um baiacú. Help me- fez um bico frustrado, apoiando os cotovelos na mesa. Sugar só pode ter algum problema mental mesmo- Vamos fazer academia juntas?
–Está pedindo pra pessoa errada. Exercícios não são comigo. Estou bem assim.
–Que é isso, loira sedentária, vamos ganhar uma massinha muscular... Ficar sarada, mais gostosa... Loira, os caras piram numa barriguinha chapada.
–Piram mesmo- Sam apareceu do nado, sentando-se na cadeira ao meu lado- Eu adoro mulheres que cuidam do corpo. Super recomendo a você.
–Gente, estou tão mal assim?- questionei assombrada, tocando em minha barriga. Sam riu, me dando um beijo na bochecha.
–Claro que não, gatinha. Mas ficaria legal se ganhasse mais massa. Sou profissional na área, sei do que estou falando- Sugar concordou em um balançar de cabeça- Ficaria bem mais gostosa.
–Uhmm... Se acham... Eu te acompanho nos exercícios, Sugar- os dois bateram palmas, dando um high five. Acho que eles tinham razão. Precisava estar mais agradável, pra Sam mais ainda. Estávamos, vamos dizer, em uma espécie de relacionamento meio complexo. Isso seria um ponto a meu favor. Sem falar que eu iria perder o título de lagartixa albina e pirulitona que Sugar havia me dado. Mas não sabia que seria tão difícil.
Dias depois:
–Corre, pirulitona. Tem as pernas desse tamanho, mas corre como um chiuaua com asma- Sugar gritava distante enquanto corríamos pelo parque- ANDA, MULHER! PRECISA ENDURECER ESSA BUNDA MOLE.
–Vá para o inferno, Sugar- ela soltou uma risadinha debochada, dando uns pulinhos feito uma gazela amaldiçoada enquanto corria só pra me humilhar- Vamos lá, Brittany, você consegue... Você consegue... Você consegue- fui correndo quase arrastada, que até uma lesma ultrapassaria.
–Minha avó de bengala corre mais que você, pirulitona.
– Ah, você me paga, Sugar Motta. Guria do satanás!- disparei com ódio atrás de Sugar, querendo matá-la mais que tudo na vida. Ela arregalou os olhos- Espera, estou conseguindo- comemorei quando ganhei velocidade. Eu tinha os braços para o alto, correndo agora de costas. Acho que só precisava de um incentivo- Viu, Sugar... Eu posso... Eu consigo... Eu sou maravilhosa... Eu...
–Brittany, cuidado!- a ruiva gritou me alertando, porém era tarde demais. Bati em umas caixas de lixo, ocasionando minha queda horrorosamente dentro de uma delas de cabeça. Depois disso, de um silêncio doloroso, só pude escutar a gargalhada mortal de Sugar- Hahahahahahaha... Égua, a doida se encaçapou!
–Socoooorro!- gemi dolorida- Sugar, me ajude, sua ordinária.
–Espera... Isso pede uma foto para eventuais chantagens- ouvi vários flashs serem disparados.
–Eu juro que te mato, Sugar- balancei irritadamente as pernas, a única parte de meu corpo para fora da lata, para o alto, tentando sair- Oh merda de vida!
~°~
Não sei o que foi pior... Se foi ter mergulhado naquele lixo fedorento ou aguentar as piadinhas de Sugar durante todos os dias que se passaram. Eu estava ainda toda dolorida da corrida, quase não me aguentando em pé aqui, dando aula pra esses alunos com cara de sono. Além disso, ainda tive que aguentar os pais de alguns alunos reclamando de eu ter dado nota baixa pros seus filhos. Meus queridos, se seus filhos estudassem ao invés de matarem aula pra fumar baseado ou fazer sexo debaixo das arquibancadas, com toda certeza eu lhes teria dado uma nota boa, não uma advertência e uma caixa de preservativos. Sem falar de Santana. Ela tinha que me atormentar de alguma forma, mesmo que indiretamente. O que aconteceu: Depois do ocorrido no corredor, os alunos encrequeiros foram suspensos por uma semana e seus pais foram chamados para uma reunião sobre o comportamento preconceituoso dos filhos. Outro barraco, pois muitos deles não acreditaram no que eu disse, dane-se que não sou eu que vou visitar filho na cadeira ou em um necrotério quando algum deles virar marginal por não terem sido freados com seus atos errados enquanto eram mais novos. Marley até que foi mais deixada de lado por eles, mas creio que não foi só por esse fato. Ela e Santana com o passar dos dias foram ficando mais, como posso dizer, “amiguinhas", “íntimas", sei lá, só sei que várias vezes podia se ver as duas andando juntas, conversando sentadas na grama (Marley conversava, já que Santana entrava em um modo de coma acordado que só Deus entende e apenas balançava às vezes a cabeça, ou por milagre falava alguma coisa). Passaram a almoçar algumas vezes juntas, e ao que me parece, Santana quem a deixava em casa agora. Eu falei... Eu exigi que Santana ficasse longe da garota, e mais ainda de mim, mas não... NÃO... Ela não me escutou e, apesar de suas investidas a mim terem cessado, aleluia, (será aleluia mesmo, Brittany?), agora estava lá, parecendo a “namoradinha Ken popular e protetora da Barbie Marley Pocket que vem com casinha, medinho e meias coloridas de brinde, com direito a sorrisinho pomposo e meiguinho" ajjsskskdsjxbskxkss (momento “deu a louca na Brittany"). Pronto, parei! Ps: Lembrar de não morder a língua, pra não morrer envenenada.
–Quero tudo isso aqui pronto até semana que vem, entenderam?
–Ahhh- eles gemeram frustrados. Eu havia escrito uma lista de exercícios baseados nas obras que eles andavam lendo e agora me olhavam como se lhes tivesse arrancado o pâncreas e estava ali, em sua frente, comendo um a um. Estou a Cruela hoje, pronto falei. TPM nível dois mil. O sinal do auto-falante soou, espantando a todos. Esse sinais ainda enfartariam essas crianças. Sinalizei para que fizessem silêncio.
“Bom dia a todos"- era a voz sempre animada do senhor Schue- “Passei para relembrar a todos sobre o acampamento de ciências da turma de formandos, que estaremos fazendo na próxima semana. Tragam suas autorizações assinadas até sexta à tarde. Tenham um bom dia".
–Acampamento! Sem exercício de literatura, ihuuuuuu- um dos alunos gritou, desencadeando uma comemoração infernal dos demais.
–Obrigada, William- murmurei sarcasticamente, amassando a folha com os exercícios e a jogando na lixeira- Pelo menos vou ter uma folguinha, hehe- soltei uma risadinha contando vitória. Sugar entrou repentinamente na sala, com um sorriso largo.
–Pirulitona... Fomos escaladas pra acompanhar os alunos no acampamento. Que mara!
–Oh céus- bati em minha própria testa- Eu mereço!
~°~
–Ah, a natureza!- Sugar disse elevando os braços para o alto assim que saiu do ônibus, respirando profundamente o ar puro- Eu amo a natureza- uma rajada de vento sorprou um punhado de folhas no rosto de minha amiga, que ficou parada lá da mesma forma, com uma cara de bunda. Seus cabelos ficaram cheios de folhas secas e alguns pedacinhos de galhos.
–É, mas parece que ela não gosta de você, Su-Su- zombei, retirando uma folha grudada em seu óculos de Sol.
–Estou me sentindo estuprada pela natureza- cuspiu alguns vestígios de folhas e saiu emburrada, o que desencadeou gargalhas em mim e nos alunos que saíam do ônibus. Era um lugar maravilhosamente aconchegante. Haviam pequenas cabanas de madeira, dando aquele ar rústico de campo. Um ótimo lugar para um fim de semana em família.
–FEEEEESSSTAAA, CAMBADA!
Mas acho que não posso dizer o mesmo quanto a eles.
Cada professor ficaria responsável por uma cabana com três alunos. A que eu ficaria, estava mais ao fundo, depois do refeitório, mais perto do grande lago. A visão do lago ali da varanda era definitivamente perfeita. Bati na porta educadamente.
–PODE ENTRAR!- alguém gritou lá de dentro, então entrei, sorridente.
–Olá, garotas. Fiquei responsável por vocês.
–Que legal, senhorita Pierce- Mercedes Jones, uma garota rechonchuda e bem estilosa por sinal, me recebeu com um aperto de mão. Quinn estava sentada em uma das camas, um tanto desconformada ao me ver. Resolvi nem dar bola pra isso. Faltava uma aluna... Mas cadê? A porta se abriu... Pra mim era como se o Sol se encolhesse até virá uma bolinha de gude agora.
–Hey!- Santana nos cumprimentou, ou algo parecido a isso. Logo passou por mim, jogando suas coisas em cima da cama perto da janela. Mercedes disse um “hey" descontraído... Quinn jogou os cabelos para o lado em um sorriso um tanto malicioso... E eu, bom, eu, fiquei com vontade de ter uma gilete agora para cortar os pulsos.
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