Notas iniciais
Olá. Tô chegando, sai da frente...

Estar sozinha é angustiante. É como se você tivesse que lidar com um universo inteiro te observando com àquele olhar de julgamento maldoso e pesado.

Havia uma mesa cinza e gélida disposta a minha frente. Fora ali e sobre uma cadeira dura como uma parede que eu parecia ter adormecido. Engraçado que eu não fazia ideia como eu tinha ido parar ali. Mas também não lembro aonde eu estava antes de ir parar ali. Era a sensação mais esquisita que eu havia sentido em toda minha vida.

—Ora, veja só quem despertou! Fico feliz de se juntar a mim essa tarde, senhorita Pierce.

—Ah, investigador. – o que ele fazia aqui?- Me desculpe, eu não consigo recordar o motivo de eu estar aqui. Eu dormi sentada, é isso?

Ele abriu um sorriso gozado e sentou a minha frente. Seu terno bem passado, escuro como o céu a noite, valendo mais que minha alma, me causou certa vertigem.

—Você não se lembra? Tínhamos mais uma sessão de depoimento, mas você adormeceu no meio dela. Calma- ele me disse quando aparentemente havia me agitado- Eu não a culpo, tampouco. Imagino que deve estar muito cansada. Foram dias enfadonhos.

—Sim, mas eu não me lembro de vir pra cá.

—Ah, não? Bom, imagino que você não tenha tido tempo para um bom descanso esses dias. Se quiser, podemos suspender por hoje.

—Não. Eu já estou aqui, não estou? – de uma forma ou outra, pelo menos.

Meu juízo só podia estar muito desgastado para eu sequer lembrar o que eu andava fazendo por aí. A que ponto cheguei, santo Deus? Estou entrando em estado de demência. Vivendo num borrão, num buraco que está me sugando a cada dia mais perto do núcleo de uma bola de fogo.

—Um café, talvez?

—Por favor.

Ele levantou-se, chamou um guarda para mais perto e sussurrou algo a ele que nem me dei ao trabalho de tentar entender o que. Estava com a sensação de ter bebido por uma semana sem colocar uma azeitona no estômago. Não lembrava de ficar tão desgastada assim antes. Mas, pelo pouco que me lembro, haviam sido dias terríveis. Ainda mais com essa tal investigação que nunca acabava. Eu precisava seguir, esquecer, não sei. Eu precisava dormir!

Um copo fumaçando um líquido preto e de cheiro reconfortante foi pousado diante de mim, me resgatando de pensamentos desgastantes.

—Obrigada.

—Não por isso- ele me sorria com sinceridade- Então. A senhorita estava me contando o quanto Santana havia mudado aquele outono.

—Eu disse?- perguntei, confusa. Ele me confirmou com um aceno mergulhado em interesse particular- Bom, sim. Ela mudou sim. Na verdade, a cada passo de que eu sabia mais sobre ela, eu fui conhecendo outra Santana. Como se fosse meu próprio bunker contra bombas atômicas de desconforto- deixei um sorriso culpado porém cheio de carinho escapar- Estar com ela tinha me deixado tão confortável que eu não saberia dizer se existia lugar mais seguro para mim nesse mundo.

—Mesmo sendo tão inapropriado?- ele me lançou um olhar que ia além de julgamento, algo como uma repreensão didática.

—Mesmo sendo tão inapropriado. Pelo menos no ponto de vista de terceiros- o investigador ergueu uma sobrancelha- acontece que esse ano fora de descobertas. Chocantes, mas grandes descobertas. Eu achava que me conhecia, sabe? É o que se espera de si mesmo. O conhecimento íntimo de sua própria propriedade. Você.

—E você não se conhecia antes?

—Não o suficiente.

O homem a minha frente parecia contrito. Entortou o maxilar algumas vezes até conseguir proferir mais questionamentos. Seus olhos estavam longe.

—Santana contou algo a você?

—Como? Se ela...

—Contou algo a você. Do passado, eu digo. Põe mais que passado nessa equação.

—Desculpe, acho que não entendi bem a questão. A que passado está se referindo mesmo?

—Pense bem, Brittany. Pense com mais profundidade. – senti uma pontada de pressão em seus palavras.

E não foi só isso que senti. A sala parecia ficar cada vez menor, aquecida. Uma sensação familiar assomou todo conjunto de estranheza do dia. A maneira que ele me olhava agora, com um interesse incomum, além do profissional. Eu só podia estar me sentido muito mal antes de vir até aqui. Além de lembrar nada, ainda estava com uma sensação bizarra de desconfiança.

—Nós conversamos muito. Isso. Nós conversamos bastante. Foi uma das boas mudanças. Santana foi se tornando uma pessoa mais comunicativa. Do seu jeito, claro. Mas estava falando mais, participando mais- entrelacei os dedos sobre a mesa, os encarando em modo reflexivo- Céus, eu poderia passar horas só a ouvindo falar de estátuas velhas.

Ele deu um distinto sorriso nostálgico.

—Ela é igual a mãe. Adorava coisas velhas e sem graça.

—Conhece a mãe de Santana?- foi minha vez de erguer uma sobrancelha por sua maneira de falar.

—Hum. Eu estou a par de cada atividade de cada membro de sua família. Sua casa é cheia de velharias, certo?

—Sim. Aquilo aparece um verdadeira museu particular- agora ele parecia aliviado com minha resposta- Você parece ansioso hoje, investigador.

—O caso tem se arrastado, é só isso. Estou cansado, assim como você.

—Eu duvido muito, senhor. Afinal, eu que estou sentada no banco dos réus, praticamente. Mesmo sendo uma vítima. Até porque, cá entre nós, só sobrou a mim para ser culpada nessa história.

—Não tem ninguém culpando-a aqui, Brittany.

Escorreguei os braços pela mesa, sem me preocupar por estar sendo observada/filmada/observada/julgada. Tinha mais sono que qualquer coisa no meu organismo. Precisava de uma ótima noite de sono, como há muito, muito tempo não andava tendo.

—Me explique então a quantidade de tempo que tenho passado aqui. Ao ponto de sequer lembrar como eu vim parar aqui. Estou farta.

—Estamos bem próximos do fim. Acho que até você pode sentir isso, Brittany.

Levantei o rosto somente o suficiente para encará-lo pela fresta entre meus braços apoiados, me servindo de travesseiro.

Sinceramente, as vezes, você soa exatamente como ela. Na entonação do mistério. Como se esperasse que eu tivesse as respostas para tudo.

—E de certa forma tem. E está tudo nessa sua cabecinha. Então, por gentileza, continue.

Tive a impressão de vê-lo piscar tão rapidamente que os olhos foram tomando outros tons. Mas dessa vez atribui ao sono que de pouco em pouco ia pesando minhas pestanas a ponto de, mais um vez, eu não me dar conta que estava apagando novamente.

...

A sensação era de estar flutuando. Em penas. Penas de ganso, grandes o suficiente para me envolver e balançar através do vento. Um cheiro diferente, mas tão gostoso entrou por minhas narinas e a sensação foi gostosa. Como uma brisa num calor absurdo.

Eu abracei o céu e ele era macio, quentinho. Suguei todo aquele aroma gostoso, me esbaldando em todo conforto que meu corpo repousava flutuando no universo. Um barulho estridente me fez acordar sobressalta, parando sentada ao encarar assustada para uma também assustada mulher de cabelos na cor de fogo, juntando alguma peça de decoração que ficava próximo a cama onde eu estava.

Espera... Cama? Aonde eu estava?

—Me perdoe, senhorita. Eu não quis acordá-la dessa maneira.

—Tudo... Tudo bem. Eu só estou um pouco atordoado- levei a mão ao peito e respirei fundo. Ela correu com um copo de água na mão e me entregou. Tomei tudo em um gole só- Obrigada. Nossa, que água gostosa é essa?

—É de uma fonte estrangeira. A senhora Lopez prefere esta, em específico. Sério, me desculpe pelo acidente- suas bochechas estavam mais vermelhas que seu próprio cabelo.

—Como você disse, foi um acidente. Não precisa ficar nervosa com isso- tentei sorrir o mais sincero que eu conseguia, já que meu coração pulada destrambelhado em meu peito.

Eu já sabia que de infarto eu não poderia morrer, visando tanta coisa que me acontecia

—Eu estou na casa da Santana, certo?

—Sim. Na mansão Lopez. A senhorita adormeceu na banheira e a princ... Digo... A senhorita Lopez a trouxe até seus aposentos para que descansasse e nos incumbiu de lhe alimentar devidamente- disse ela apontando para um bandeja que brincando alimentaria umas cinco pessoas.

—Isso tudo é pra mim?

—Com toda certeza. Se precisar de mais, a cozinha está a sua disposição. O que quiser, será.

—Mas gente. Eu não como isso tudo. Você não quer sentar e comer comigo?- a pergunta parece ter sido uma bola de fogo atirada no olho dela.

—Ah, claro que não, senhorita. Eu não devo. É seu dejejum.

—Aqui tem comida para um elefante. Por gentileza, sente-se comigo- ela fitou a comida com certo pesar, pegou a bandeja e pôs ao meu lado e se afastou.

—Agradeço a gentileza. Mas, de verdade, eu não posso.

—Bobagem, eu estou dizendo...

—Tenha um bom dia, senhorita Pierce- desejou educadamente e depois se retirou como um raio do quarto- Os funcionários dela são tão estranhos quanto ela? Só pode ser requisito de contratação.

Ri comigo mesma e abusei do meu limite e resolvi devorar tudo que cabia no meu estômago vindo daquela bandeja esplêndida. Dos mais diversos tipos, a mais linda decoração, eu me vi provando de tudo um pouco entre os pães, geleias, frutas tropicais, tortas, panqueca, ovo recheado. Quem quer que tivesse feito isso, estava inspirado, eu me sentia com um restaurante descansando nas pernas.

Olhei ao redor, o quarto era quase do tamanho da minha casa. E eu podia ver Santana em cada cantinho dele. Não era um quarto muito decorado, ou com muitas cores, mas era charmoso, tinha um cheiro bom de flores novas, um conjunto de cama tão macio quanto uma nuvem de algodão. Era tão bem confortável que parecia intocada. A sensação era de que Santana fazia tudo, menos dormir. Não parecia que alguém repousava ali com frequência. A cara dela viver como um morcego insone.

Duas caixas de vidro estavam solitariamente perto de uma janela lacrada com algumas fitas vermelhas. Eu reconheci ser o viveiro bizonho de escorpiões que ela tinha de estimação. Credo em cruz, ave Maria.

Pelas paredes num tom vermelho escuro, haviam desenhos e rabiscos questionáveis. Já havia visto alguns parecido em sua porta. Acho que eram runas.

Por que haveria desenhos de runas por todo quarto dela dessa forma? Até no teto. Deslizei pelos lençóis. Meu corpo estava nu, liso e vergonhosamente exposto. E ela sequer teve a decência de me esperar acordar. Principalmente depois do que aconteceu ontem.

Ela... Disse... Meu nome!

Meu nome. Soa tão simples para se comemorar, mas Santana havia finalmente dito o meu nome, depois de meses a fio, ouvindo só: Senhorita Pierce. Agora ela disse meu nome. Certo que depois que ela disse, também não falou mais nada, como se tivesse dito a senha do banco para um completo estranho, mas ela disse. Foi como se uma pedra deslizasse diretamente do meu cérebro e uma luz inundasse meu ser. Foi quando eu adormeci, não sei como, mas eu me senti em outro planeta.

Em outra era. Eu senti um formigamento, uma leve enxaqueca, mas foi como se eu tivesse revivendo alguma coisa. E só consigo pensar numa Santana vestida de branco, com um livro em mãos querendo me ensinar a entendê-lo? Isso faz algum sentido? Principalmente que Santana não usa branco, e segundo, eu sei ler desde meus 4 anos. Como isso poderia ter acontecido?

Mas, afinal, é de Santana que estamos falando.

Achei um robe bobando em um gancho próximo a cama. Ligeiramente o vesti, me arriscando a me perder pela casa até achar minha latina. Passando por alguns corredores que pareciam não ter fim, algo maciço atravessou a minha frente e eu dei de cara com a versão masculina de Santana, me encarando com um sorrisinho cheio de especulações.

—Senhorita Pierce. Mas que surpresa, hum?

—Lalo. Minha nossa. Eu posso explicar- me apressei em dizer, não sabendo onde enfiar minha cara- Eu só...

—Finalmente você tem baixando a guarda, não é? Estava demorando mais do que a última vez- ele coçou o queixo pensativo, depois apontou para a minha cabeça- Está cada vez mais difícil entrar aí, hein. Mas se está aqui, é porque de fato, ela já tem entrado.

—Do que você está falando?

Lalo aparentava se dar conta de ter dito algo maior do que deveria.

—Muito bem. Continue. E faça minha irmãzinha feliz. É um saco ver os séculos se passarem e ela ficar cada vez mais ranzinza. Pena você não ter que lidar com isso. Hahaha. Porque eu tenho!- Lalo me deu uma Palmadinha amigável no ombro e saiu dando risada para o alto. Como se tivesse contato a piada mais engraçada do mundo.

—Uma família de loucos. Uma família de verdadeiros loucos. E ele nem disse onde Santana está, afinal. Droga de vida.

Não parei para pensar, desci correndo que nem uma maluca escada abaixo. Um senhor, com cara de múmia me empacou no início, com um leve aceno de nariz na direção do que deveria ser da área da piscina. Agradeci e corri pra lá, não deixando de me arrepiar com aolhada esquisita dele na minha direção. Como se mirasse minha alma.

Assim que entrei, contornei duas grandes estátuas de mulheres nuas, segurando uma cabeça decepada de um homem com cara de dor e segui, já dali sendo recebida pela linda imagem de uma latina deliciosa esticada sobre uma espreguiçadeira só de biquíni.

—Pois bem. Acho que fui encontrada, afinal- ela disse, quando eu já estava do lado da espreguiçadeira.

—Por que? Você não queria ser encontrada?

—Depende? Pra um segundo round, pode ter certeza que sim. Para dr, absolutamente... Não- Santana deslizou a língua entre os dentes e me olhou indelicada, cheia de vontades que não vou nem descrever de tão imorais.

—Então te encontrei — enxotei o comentário anterior, me sentindo desconcertada. Ela estava me comendo com os olhos e nem sequer disfarçava- A senhorita curte pegar um sol.

—Na verdade...- ela rapidamente me apanhou pela cintura, o que me fez soltar um gritinho de susto, e me jogou por cima de si- Eu curto mais pegar você.

—Minha nossa, você não presta. Se pegarem a gente aqui, você sabe. Já trombei com Lalo.

—E o que ele disse?- sentia meu pescoço receber atenção, aqueles lábios como uma almofada desenhos círculos com bitocas.

—Falou doidices. Sobre séculos de sua cara amarrada.

—Eu tenho cara amarrada?

—Você é a cara amarrada em pessoa. Sorte que é uma gata.

—Com certeza eu sou uma gata. Agora me deixe te dar um banho de lingua. Rrrau- Santana imitou um gato de maneira engraçada e começou a me morder e me lamber como uma idiota. Eu ria com intensidade, tentando me desvencilhar- Espera, acho que falta um pedaço.

—San... – me apoiei em seus ombros para me ajeitar em seu colo, numa posição sentada. Ela fez o mesmo, apoiando-se em meu quadril.

—O que foi?

—Você me chamou pelo meu nome.

Santana apertou os lábios.

—Me desculpe?

—Me chame de novo.

—Não mesmo.

—Santana. Que besteira, você o fez ontem. Eu fiquei tão feliz- não acredito que eu estava fazendo beicinho- Soa sexy saindo dessa sua boca maravilhosa. Sem falar nessa sua voz arranhada. Meu Deus, você é o pecado em forma de adolescente.

—Pecado, pode-se dizer que sim. Somos todos filhos dele. Mas adolescente- ela franziu metade do rosto- Brittany, eu preciso te dizer. Eu posso agora, com tudo se ampliando e se abrindo, mas eu não sou bem adolescente. Embora eu me pareça com um.

—Lalo disso o mesmo. Céus, não sei se eu vou querer saber disso, mas porque as coisas estão me parecendo tão tranquilas agora? Tipo, eu quero surtar, quero, mas eu preciso? Não?- elevei as mãos como se pesasse as alternativas- Querida, as coisas foram sempre esquisitas assim?

—Oh.

—Você pode me dizer quantos anos tem? – ela me encarou deturpada.- Vamos lá, Santana, você já deve saber que eu sei que normal você não é.

—Ok, então. Acho que isso sai se eu dizer- Santana deu de ombros. Eu me segurei- Bom, na verdade, eu não faço ideia da minha verdadeira idade. Já faz muito, muito, tempo. Tanto que nem vale a pena contar.

—Tanto assim?

—Tanto assim.

—Uma parcial?

Ela soltou uma risadinha pela expressão confusa que eu fiz.

—Bem, acho que eu tenho por volta de uns 3 a 4... Mil anos.

—Wow... Eu ... Wow... – engasguei, quase que literalmente. Que maluquice era aquela? Eu só podia estar pirando mesmo. Santana me encarava com uma expressão temerosa, um tanto receosa. – Acho que eu estou literalmente namorando uma múmia.

—Bem conservada. Mas ainda uma múmia- deu de ombros.

—Não faz isso.

—Você disse namorando?

—E não estamos? Pelo menos acho que está faltando uma certa pessoa fazer o pedido.

—Eu poderia surtar aqui mesmo, senhorita Pierce- eu a olhei feio- Brittany. Mas e quanto a Sam? Ele disse em alto e bom tom que vocês estavam namorando. E, sério, eu te quero, mas devendo a outra pessoa não. Por mais que eu queria torcer o pescoço dele.

Tomei suas mãos contra meu peito. Ela pareceu estar segurando o ar nos pulmões.

—Acredite em mim, eu estava tão confusa em relação a nós duas, que eu cogitei a possibilidade. Mas não, eu nunca toquei no assunto com ele. Não sobre namoro. Eu estou aonde devo. E você?

—Tenho milhares de anos... Grande parte deles eu estou atrás de você. O que mais você quer que eu diga?

—A que horas seus pais vão chegar- Santana rolou os olhos.

—Não se preocupe quanto a isso. Você comeu, aliás?- acariciou meu rosto. Seus dedos delicados foram desenhando meu maxilar, com círculos relaxantes.

—Comi. Muito obrigada. E vai gostar de saber que eu sem querer quebrei um enfeite da sua cômoda. Me desculpe.

—Que graça. Mas eu sei que foi a Ally- ela apertou a ponta do meu nariz, com gracejo.

—Que droga, Santana.

—Que tal um mergulho, meu anjo? Essa sua versão sabe nadar?- levantou-se comigo ainda em seu colo, apertando-me a bunda. Safada como sempre.

—Versão de?

Ela não esperou responder. Santana simplesmente saltou comigo ainda agarrada em si dentro da piscina de água gelada e me beijou ali mesmo, do fundo. Me senti como uma sereia lésbica dando uns pegas no fundo do mar com sua latina de calda bronzeada. Ela segurou minha cintura e se encaixou a mim, fazendo bolhas enfeitar nossas cabeças enquanto nossas línguas brincavam por domínio.

Logo eu precisei de ar e encontrei a superfície. Ela veio logo então e me pegou por trás, deitando seu rosto em meu ombro.

—Que pele macia.

—Estou começando a ficar enrugada aqui. Me diga, é bom ser lindamente eterna? Ou você tem um feitiço, magia, sei lá para isso? Porque, bem, você é perfeita.

—Você é perfeita- ela disse com uma pitada de paixão na voz. Mas eu bem sabia que ela estava mudando de assunto.

De repente uma mulher branca feito cera avançou até a área da piscina e se inclinou numa reverência respeitosa.

—Vossa alteza, temo estar atrapalhando. Mas príncipe Lalo requer sua presencia na ala especial.

Santana saiu no mesmo instante da piscina, me levando com ela sem esforço algum.

—Alteza? Príncipe? – eu repeti que nem um papagaio. Santana parecia estressar-se.

—Eu já pedi para que não me chamasse assim, lembra? Eu já estou indo.

—Com seu perdão, alteza. Digo, senhorita Lopez- ela dizia enquanto ajudava Santana a vestir o roupão. Ela estava genuinamente irritada.

—Você pode me esperar aqui, senhorita Pierce. Pode desfrutar do que quiser daqui, aliás. Essa casa é sua.

—Eu posso ir com você?- perguntei incerta.

Em resposta ela pegou um roupão seco e o estendeu para que eu entrasse nele, beijando-me na lateral do pescoço. Estendeu a mão para que eu pegasse e assim o fiz.

Lalo andava de um lado para outro quando chegamos na tal sala especial.

—wow. Ela pode entrar aqui?

—Ela já entrou. Não viu?- — Santana me abraçou pela lateral- O que tem pra mim?

—Patifes. Próximo a escola. Corn acabou de me informar.

—Patifes, hum. Notável. Faz tempo que não há diversão por essas bandas. Você quer resolver isso só?

—Seria uma honra. Mas eu não estou completamente bem, você sabe. Lembra do pente fino que me fez fazer? – ele parecia chateado ao recordar- Aquilo me esgotou.

—E como se sente?

—Melhor, mas...

—Querida, eu vou precisar me ausentar agora. Tudo bem?

—Aonde você vai, San?- me pus a sua frente, receosa.

—Resolver uns negócios de família. Coisa rápida. Vou chegar a tempo de te levar pra jantar. Você aceita?

—Está me chamando pra sair?- não pude deixar de sorrir, boba. A gente nunca tinha saindo ainda. De maneira oficial.

Santana então se aproximou, pegou minhas mãos e levou até os lábios.

—Brittany, meu anjo, você quer sair comigo hoje a noite, em um encontro? – rodei seu pescoço com meus braços de geleia e a beijei ali mesmo. Sem me importar com Lalo tão perto.

—Claro, meu bem.

—Já reparou como eu sou uma mulher de muita sorte?- ela disse sobre meus lábios. Compartilhamos a mesma respiração.

—A noite, quem sabe ainda possa melhorar a sua sorte.

—Então eu serei uma múmia de muita sorte- nós duas rimos- Eu já volto.

—Por favor, senhorita Lopez.

Ela me deixou um último olhar charmoso e saiu, em seu andar firme e sensual que quase me faz pedir apoio a Lalo. Céus, aonde eu tô entrando?

É real e oficial. A Brittany surtou de vez.

Notas finais
Obrigada aos que ainda estão por aqui❤️
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.