Obsessiva- O que te intriga... É o que te excita!
6 O que o coração não sente, os olhos veem
Notas iniciais
Mais dias haviam se passado. Meu primeiro mês na Memphs fora completado finalmente. Apesar dos pesares, eu estava satisfeita com meu trabalho... Muito. Meus “pupilos” começaram a ganhar o gosto pela leitura, pelo menos grande parte deles, mas eu ainda chegava lá. Agora eles pensavam mais, debatiam mais, se comunicavam melhor e consequentemente se saíam melhor em aula. Agora a maioria das vezes que faziam barulho conversando, eu me agradava, pois estavam debatendo e expondo suas ideias acima de um certo tema, de um certo livro ou acontecimento importante que eu os dava ou que eles mesmo traziam.
Estávamos no início de nossa aula de segunda-feira. Meus alunos já estavam devidamente sentados em seus lugares, prestando atenção em algo que eu falava sobre uma feira de livros que costumava ir com meu pai em Londres. Alguém deu três batidinhas na porta.
–Entre, por favor!- consenti, dando uma pausa em minha história. Senhor Schue projetou o corpo parcialmente pela porta, com seu sorriso abertamente caloroso de sempre. O recebi sorridente à altura- Senhor Schue, a que devo o prazer de sua presença em minha aula?
–Além da saudade gritante de meus alunos quietinhos queridos?- ele pôs a mão no peito, fingindo estar emocionado. Quando enxugou uma lágrima imaginária, os alunos riram de seu jeito brincalhão. Não tem quem não ame William Schuester, com seu cabelinho enrolado, sorriso grande, branco e bonito e o queixinho de bundinha de neném, como a treinadora Silvester o chama até hoje- Brincadeira, crianças. Estava sim com saudades de vocês, mas vim mesmo foi para acompanhar esta senhorita até a sala. Seu voo atrasou, então acabou chegando tarde no colégio- nosso diretor apontou com o polegar para a porta por onde saiu Santana Lopez em sua costumeira jaqueta preta, óculos escuros e marra demais para alguém de sua idade. Ela só havia voltado agora da viagem de Los Angeles onde teve sua competição de muay thai. Era pra ter voltado mais cedo, porém soube por Lalo que por conta de algumas lesões provenientes da luta contra o tanque de guerra de saia, ela teria que passar alguns dias em recuperação com os médicos de sua academia por lá mesmo. Percebi que ela ainda mancava um pouco da perna atingida pelo chute do trator loiro na luta, e em seu rosto, um pouco na bochecha esquerda e próximo do olho também desse lado, notava-se alguns hematomas em um roxo claro. Me deu dó, sinceramente. Tem um rosto jovem tão lindo- Ela pode entrar, professora?
–Claro. Ainda nem tínhamos começado a aula.
–Que bom, então. Pode ir pro seu lugar, Santana- ela apenas acenou com a cabeça e seguiu pela sala. Seu andar ainda estava tão leve, apesar de mancar da perna direita. Parece que gosta tanto de silêncio, que até pra andar é no modo mudo... A não ser quando me tocava, aí ia pro modo vibratório, ui. Para né, Brittany! Passou... Passou. Passou por mim com as mãos no bolso da jaqueta, me olhando leve e rapidamente de soslaio. Não sei o que raios que ela via em mim que não podia deixar nem um milésimo de segundo de olhar, nem que seja rapidamente. O quê... Eu tenho alguma coisa estranha na cara além da cara? Algo como “retardada e puta" escrito na testa? Eu hein!- Ah, mais uma vez, parabéns pela vitória contra a francesa, Santana. Nosso país está bem representado, pessoal- ele parabenizou Santana, puxando uma salva de palmas. As garotas eram as mais ouriçadas por sua presença, algumas até faziam um aceninho maliocioso para ela, que parecia só querer se sentar agora. Ela singelamente acenou para seus colegas em agradecimento- Foi violento? Foi. Mas venceu com garra e muita honra.
–Obrigada, senhor Schue.
–Só falo a verdade, querida- disse carinhosamente, fazendo um gesto de cumprimento típico de lutadores. Santana repetiu o gesto, com um sorriso leve. Rumou para seu lugar, dando um hive five com Lalo, que lhe ofereceu a mão em comemoração. O garoto parecia mesmo gostar da irmã, notava isso pelo olhar de orgulho que lançava a ela, mesmo apesar daquele jeito meio desligada da vida que a mesma possuía- Bom, minha querida pequena B... Não vou tomar mais seu tempo. Boa aula a todos e me desculpe pelo incomodo.
–Que é isso, senhor Schue. Nunca incomoda, foi um prazer recebê-lo- ele veio até mim e apertou minha mão delicadamente.
–O mesmo pra mim, senhorita. Agora moças e rapazes lindos de nossa querida escola, já estão abertas as inscrições para o Glee Club. Aguardo vocês, ok? Vamos botar esses belíssimos rouxinóis para cantar- levantou as mãos para o alto, em euforia. Gente, o Glee club... Eu adorava o da escola. Até tive vontade de participar, mas não achava que eu era boa o bastante pra isso. Sempre achei minha voz horrorosamente esganiçada demais pra castigar as pessoas em ouvirem aquilo, nã. Preferia fazer os meus covers da Britney Spears, da Christina Aguilera e até mesmo da Shakira, no banheiro lá de casa. Os vizinhos que sofriam com meu cacarejo escandaloso. Baby one more time nunca foi tão mal cantada. Era uma semelhança inegável de um pato engasgado com uma batata. Notei que apenas duas ou três pessoas pareciam animadas com a notícia. O restante fez uma careta de desaprovação e Santana, bom, foi a Santana de sempre com aquela expressão de “não sei de nada. Finjam que não estou nem aqui“- Bom, agora boa aula a todos. Qualquer coisa falem comigo, ok?
–Obrigada pelo aviso, senhor nosso diretor. Agora vaza da minha sala, por favor. Está tirando meu brilho literário. Sabe que eles amam você. Daqui a pouco eles sentem sua falta e eu fico desempregada- William riu, levantando as mãos em rendição. Nos despedimos em meio a brincadeiras longe do olhar dos alunos e retornei com a minha aula. Eu sempre deixava alguns minutos antes do sinal bater pro intervalo, um tempo livre para que eles lessem alguma coisa, colocassem alguma atividade em dia, ou seja lá o quisesse fazer menos bagunça, enquanto eu corrigia alguns exercicios e trabalhos do decorrer de nossa aula. Eu me concentrava aos exercícios, ora ou outra devia fazer umas caretas assombrosas por algum erro que eles cometiam, que eu deveria me livrar o mais rápido possível, e quando algo me instigava ali, eu tinha a mania de morder meu lábio inferior ou a tampinha da caneta, entortando um pouco o maxilar. Enquanto uns tinham classe ao pensar, eu fazia umas caretas de assustar crianças. De vez em quando eu voltava o olhar para os alunos, os encontrando tranquilos em seus afazeres. Santana estava lá, quieta em sua cadeira enquanto Lalo lhe dizia algo que, a meu ver, não lhe interessava muito. Deixei aquilo de lado e voltei para as atividades. Minutos depois voltei o olhar pros alunos... Todo mundo quieto, Santana parada como uma estátua olhando pra janela e Lalo lhe contando algo... Trabalhei nas tarefas de novo... Olhar agora pros alunos, Santana no canto, Lalo tagarelando, minhas atividades agora e...
–Senhorita Pierce?
–Jesus Cristo!- praticamente gritei, derrubando algumas coisas da mesa no chão pelo susto miserável que Santana me deu. Os alunos riram de minha reação desastrosa. Diabos, ela não estava há minutos sentada bem ali no fundo da sala? Agora me encarava ali, com uma sobrancelha arqueada, como se não entendesse o que me ocorreu- Céus, Santana... Vou colocar um sino amarrado em seu pescoço.
–Não entendi.
–Deixa pra lá- uma de minhas mãos estava repousada no peito que tinha um coração maratonista agora, e a outra gesticulava para que ela prosseguisse com o que veio fazer- Em que posso ajudá-la?
–As atividades que faltavam entregar- depositou uma pasta preta com todas as atividades que eu mandava para ela através de Lalo. Estava tudo bem arrumadinho, organizado e em ordem alfabética. Dei uma breve foleada nas páginas e parecia bem escrito. Ela tinha que se sobressair até nisso. Toda bem organizadinha enquanto meu quarto poderia a qualquer momento dar a luz a um ser monstruoso que devoraria a humanidade- Tudo certo?
–Sim, sim... Parece que não falta nada. Obrigada- ela gesticulou positivamente com a cabeça, retornando a seu lugar tranquilamente. Terminei os dos demais alunos para começar a olhar os dela. Ainda tinha um tempinho de meu horário, então daria para pelo menos ler algumas redações. Notei um bilhete preso por um clipe a uma das folhas. O retirei dali para lê-lo em pensamento. “Adoraria morder um pouco desse lábio também. Faz tanto isso que parece ser maravilhosamente gostoso. Mas, por hora, me contento em apenas ver você mordendo. Se bem que não diminui o quão sexy isso se torna". No mesmo instante ergui meu olhar para ela, que já tinha o seu sobre mim, adivinhando o que eu lia. Lhe enviei uma expressão de repreensão, porém em meu interno algo palpitava feito doido. Ela me devolveu a encarada sujestivamente provocativa e sensual. Céus, por que não ficou logo em Los Angeles? Demorei tanto pra esfriar o corpo em banhos e mais banhos gelados depois daquela noite no terraço. Balancei negativamente a cabeça, me preparando para rasgar o bilhete, porém logo a suas costas havia mais coisas.
“Obs: Você fica uma gracinha com seu pijaminha de patinhos amarelos ;p".
Eu não deveria, mas soltei uma risadinha infantil pela brincadeira. Ela exibia um sorrisinho de canto vitorioso por me ter feito rir. Ai ai. Atraí algumas atenções pela risada e me recompus, rasgando o bilhete em mínimos pedacinhos que não pudessem ser lidos e os joguei na lixeira. O sinal do intervalo deu seu grito escandaloso de sempre. Liberei os alunos, que saíram mais rápido que um raio da sala. Santana como sempre era uma das últimas a sair. Marley a minha frente se atrapalhava com os livros para por na mochila. Puck e mais alguns jogadores e líderes de torcidas passaram pela garota, sendo que o moicano estava mais próximo e topou nela, fazendo todo o seu trabalho de empilhar os livros ir abaixo. Eles caíram no chão, se espalhando por ali.
–Noah Puckerman, recolha já os livros de sua colega. Você é cego por acaso, não a viu ali na frente?- briguei estarrecida. Odiava essas brincadeiras sem graça desses valentões de escola. Marley estava mais ao lado, concertando os óculos tortos no rosto.
–Ué, eu nada fiz professora. Se tem alguém cego aqui é essa nerd sem graça. Diz pra ela, Carrie, a estranha- ele se defendia, fazendo chacota da menina assustada, de joelhos no chão. Ela estava prestes a chorar. Os amigos dele riram daquilo.
–Engraçadinho- enruguei os lábios, irônica- Peça desculpas a ela agora e recolha seu material que você derrubou.
–Mas professora, eu só...
–Agora, Puckerman!- exigi autoritária, apontando para Marley. Ele bufou frustrado.
–Foi mal aí, nerdizinha. Eu...
–Ela tem nome, Noah- o cortei. Ele revirou os olhos pra isso.
–Me desculpa, Marley Rose- disse em tom de desdém.
–T-Tudo bem, Puck- gaguejou perante seu estado choroso. O garoto pegou um livro e entregou a ela, depois saiu quase que correndo antes mesmo que eu dissesse algo. Seus amigos jogadores e as líderes de torcida, incluindo Quinn, passaram pela menina fazendo chacota.
–Uhh, estranha- Quinn disse dentro de uma risadinha.
–Minha tataravó ligou, ela quer seus óculos de volta- outra líder de torcida caçoou. Outros passaram gritando. Eu fui atrás deles para os repreender, porém já estavam longe. Voltei até Marley e me ajoelhei a seu lado no chão. Ela tinha um olhar triste para suas mãos enquanto derramava algumas lágrimas.
–Hey... Eu prometo que farei o senhor Schue puní-los por isso, ta? Vou agora mesmo falar com ele.
–Por favor, não faça nada- ela pediu um tanto agoniada- Só vai piorar as coisas.
–E deixar assim, eles maltratando você? Não- toquei caridosa em sua mão- Não posso deixar que isso continue.
–É só eu ignorar, senhorita Pierce. Sempre ignorei- enxugou a bochecha com as costas da mão- É meu último ano. Isso acaba logo. Eles fazem com os mais fracos, menos populares, porém mal sabem que seremos nós seus patrões lá na frente.
–É verdade. Mas mesmo assim falarei com o diretor- ela deu de ombros.
–Se é o que quer.
–É o que devo fazer- disse firme, ajudando-a a recolher seu material. Nós duas ficamos ali por alguns segundos, até que quando Marley foi pegar um livro que caiu perto de uma carteira,se deparou com botas pretas paradas bem ali na sua frente. Fiquei tão brava com a brincadeira que fizeram com Marley, que havia me esquecido de Santana sentada no fundo da sala, no seu jeito tão nem aí pra nada. Agora ela estava lá, parada acima de Marley, a olhando de um jeito indecifrável. A garota de olhos claros elevou a cabeça, encontrando a latina daquela forma. Acho que ela ficou assustada por isso, eu ficaria. Deveria estar esperando outro ataque ofensivo ou algo parecido. Por incrível que pareça, eu também estava. Já me preparava pra dar uma bronca em Santana por estar amendrontando a já assustada Marley, quando ela se agachou, ficando à altura do olhar da garota, que fechou os olhos, como se aguardasse o ataque eminente, mas em troca, foi lhe dito algo que nem eu mesma esperava.
–Está tudo bem com você?
–Hã?- Marley indagou confusa. Abriu os olhos, um tanto intrigada. Até eu, que não tinha nada com nada, fiquei também.
–Perguntei se está tudo bem com você. Eles te machucaram?
–N-Não... Eu, ehh, eu estou bem- Marley parecia remexida com a aproximação. Santana era de dar medo mesmo, principalmente pra garotas como Marley e eu... Isso não é nome de um filme?
–Que bom- esboçou um sorriso leve e meio amigável. Ela estendeu as mãos para que Marley pegasse, e quando essa o fez, ainda meio hesitante, elevou-se com ela até que ambas estivessem em pé e de olhares pareados. Porém era como se Santana a olhasse a anos luz daqui. Ela sempre exibia esse olhar de “sou uma deusa do sexo, e daí? Me deseje!''- Precisa de algo, Marley?
–Não, obrigada- Santana assentiu levemente, soltando suas mãos das de Marley- V-você sa-sabe meu nome?
–Claro. Estudamos juntas, não?- levou a mão até os óculos tortos de Marley e os corrigiu. A garota prendeu os pulmões, como se estivesse esquecido de respirar- Tem um nome bem bonito... Se associou bem a pessoa.
–Uhmm... Ob... Obrigada. Eu vou... estou indo pra... Ah...Tchau, San-Santana- então recolheu o restante de suas coisas rapidamente, e saiu como um raio pela porta quase pra explodir de tão vermelha. Bem, acho que não era todo dia que Santana socializava, mesmo que brevemente, com alguém naquela escola, quem dirá elogiava.
–Assustou a menina- era pro tom ser repreensível, porém ela sorriu-Tem que parar com essa mania de assustar as pessoas, Santana.
–Eu não assusto ninguém- enfiou as mãos nos bolsos de sua jaqueta e entortou o corpo pro lado para me olhar- São as pessoas que se assustam comigo. O que irei fazer?
–Seja mais amigável. Parece alguém que se deve temer- ela consertou sua postura e eu me levantei- Deveria sorrir mais e de verdade. Encontre alguém que leve você a isso.
–Está se candidatando? Gostei.
–Uma simples dica. Siga se quiser- revirei os olhos, vendo-a balançar a perna machucada distraidamente, de nariz enrugado em um sorrisinho besta- Assisti sua luta.
–Gostou?
–Não é minha programação preferida de tv, mas achei, vamos dizer, instrutivo.
–Por que?- indagou de cenho franzido.
–Me ensinou que devo evitar certas partes da França. Aquilo era uma mulher mesmo? Tenho lá minhas dúvidas.
–Era sim- parecia ter achado graça do que eu disse.
–Céus... Ela tem uma beleza que assustaria até um poste- fiz uma careta de repulsa engraçada. Não deveria, mas resolvi perguntar-Como achou minha pulseira?
–Vamos dizer que caiu do céu. Espero que tenha gostado do que mandei fazer nela.
–Ficou lindo, de verdade. Mas não precisava.
–Eu penso que sim.
–E o que mais pensa? Parece que faz muito isso- ela abaixou o olhar para suas botas.
–Creio que certos pensamentos devem ser guardados em sua própria caixa. Não abra os meus... Talvez não goste do que irá encontrar-ou seja “você não tem nada a ver com isso, sua trouxa bicuda", bom, depois Sugar me pergunta por que Santana me deixa tão intrigada. Era tão nova para tanto mistério em seu interno.
–Me desculpe então pela pergunta- eu disse desconcertada. Ela balançou a cabeça negativamente.
–Não me ofendeu. Mas tudo bem.
–Ok, nos vemos na próxima aula.
–Até lá, senhorita Pierce- Santana pegou sua mochila na carteira e antes que saísse, Sam entrou na sala um tanto sorridente.
–Fuerte? O que faz aqui? Achei que estivesse treinando com o Phael.
–Gosto de literatura- corrigiu a mochila nas costas.
–Entendo. Com uma professora dessas, quem não gosta?- disse brincalhão, porém Santana nada esboçou.
–Vou treinar agora. Com licença- deu as costas pra nós e saiu em silêncio.
–Adoro essa garota, apesar dela ter o senso de humor de uma pedra- sorriu abertamente. Quem não adora? Santana é tão simpática! Ri baixinho ao pensar nisso- Como vai, gatinha?
–Da forma que você está me vendo- sim, fui rude. Ainda estava zangada com ele e Sugar pela palhaçada lá na boate com sua ex mulher.
–Está com raiva de mim?
–E eu não deveria? Sua mulher quase me bateu.
–Ex mulher.
–O diabo que for- levantei os braços, irritada- Fui humilhada, Samuel.
–Me perdoe, Britt... Por favor, me perdoe- ele gesticulou, me pedindo calma- Não era pra acabar daquela forma. Kayla apareceu do nada, eu nem sabia que ela sequer estava na cidade.
–Mas estava, e me mostrou muito bem isso. Agora me deixe ir, meu horário de almoço já começou faz tempo- ele me impediu de sair- Me solte, Sam.
–Por favor, permita que eu me redima com você. Jante comigo hoje.
–Não- fui seca- Não gosto que me façam de idiota e só o que estou ganhando desde que cheguei aqui.
–Fala do quê? Vamos, Brittany, aquilo lá não significa tanto- não falo daquilo, seu idiota. Me refiro sobre minha aluna querendo enfiar a mão debaixo do meu vestido e eu quase querendo e deixando que isso acontecesse, já que estou numa seca do satanás de asas. Calma, Brittany, respira fundo. Conte pedrinhas coloridas do oceano, uhhhh...- Brittany?
–Quem?
–Você.
–Eu o quê?
–Ficou aérea de repente- me encarou estranho.
–É fome... Me deixe ir, ok?
–Vai jantar comigo?
–Você não merece- ele fez uma carinha fofa de cachorro pidão.
–Por favor... Preciso ficar bem com você. Estou triste pelo o que aconteceu- respirei fundo, analisando seu caso.
–Alguma chance de sua ex aparecer?
–Nenhuma- balançou a cabeça freneticamente.
–Tudo bem. Mas qualquer coisa anormal, qualquer mesmo, processo os dois. Na verdade os três, Sugar também.
–Excelente! Prometo que será perfeito- ele me abraçou eufórico. Dei de ombros, sorrindo levemente por sua animação- Posso te acompanhar até a sala dos professores?
–Claro. Vamos- caminhamos lado a lado, em meio a conversas sobre os alunos. É, isso me parecia o certo agora... Eu precisava urgentemente de um homem, pra já.
~°~
–O quê? É isso mesmo que ouvi? Você vai sair com o Sam?- Sugar indagou surpresa- A loca... É hoje que você fica paraplégica de tanto dar pro loirão gostoso. Porque convenhamos, queridinha, está tanto tempo sem sexo que já deve estar com teia de aranha em sua entrada USB da frente.
–Sugar! Estamos em uma escola, sua ordinária- a repreendi ficando extremamente vermelha. Ela deu de ombros.
–Minha filha, esses capetinhas sabem de coisas que até o satanás ficaria horrorizado e tamparia os olhos- concordei, tomando mais um gole de meu café- Então?
–Então o que?
–Acha que vocês vão... — gesticulou algo estranho com as mãos.
–O que?
–Você sabe... aquilo- gesticulou novamente e agora entendi o que fazia. Céus, aquilo era uma punheta?- Diacho! Sexo, foda, transa, comer um ao outro, mamãe e papai, um bom oral, minhoca caolha, entendeu?
–Minhoca caolha?- indaguei estranhando. Balancei a cabeça pra afastar minha imaginação disso- Você é tão desbocada, Sugar. Ninguém diria que é uma professora. Por isso muitos te repreendem.
–Ninguém paga minhas contas mesmo, então foda-se- cruzou os braços, indiferente- Me responde logo, o que acha que vai dar desse jantar?
–Oras, apenas dois adultos jantando enquanto conversam amigavelmente. De onde você tira essas coisas?
–Do cu que não é... Odeio esses puritanos. — pegou uma batatinha de sua bandeja e mastigou um tanto emburrada. Eu ri, balançando a cabeça negativamente. Essa é Sugar... Tem a cabeça mais suja que todos os bordéis de Nova York.
~°~
Fim de meu dia de trabalho. Hora da saída. Momento que os alunos viravam animais e se espremiam uns nos outros para ver quem saía primeiro e ganhava liberdade da tão fatídica escola. Eu estava parada na porta esperando Sugar para minha carona de sempre, quando avistei Santana alcançar o gramado e andar a seus passos leves, precisos e de quebra sexys e elegantes por ele. Do nada algumas garotas pularam nela e um tumulto se instaurou, onde se ouvia gritos a um quilômetro daqui. Fiquei assombrada com aquilo e antes que eu fosse até ela para, sei lá, lhe ajudar, senti alguém tocar meu ombro.
–Pretendia ir andando hoje, branquela?
–Não, eu só ia ver o que está acontecendo ali- apontei para a orda de garotas quase sufocando Santana. Sugar deixou um suspiro penoso escapar de seus lábios avermelhados.
–Relaxa, ela sobrevive. É só mais um fã clube maluco da Santana.
–Ela tem um fã clube?
–Nem juntando seus dedos e os meus daria pra contá-los- ela deu de ombros, pegando minha mão. Passamos a andar lado a lado- Parece que muay thai é o novo futebol. Essas escandalosas se amarram na minha priminha, que não está nem tchum pra elas.
–Não vamos ajudá-la?
–Santana se vira, loira. Olha só- olhei para onde Sugar apontava, vendo agora Santana sorrir galante para as meninas, acenando e saindo em seguida rapidamente até sua moto.
–Meu Deus, ela é linda- uma das meninas gritou.
–San, eu te amo...
–Não, eu que amo- uma a cortava.
–Gostooooosa! Faz amor comigo!- agora era uma desesperada, se descabelando.
–Autografa meus peitos!
–Faz um filho em mim!- dessa eu ri, revirando os olhos. Pra delírio das meninas, a latina deu um aceno deveras sexy da moto, colocando seus óculos escuros no rosto. Deu partida, sumindo de nossas vistas. Talvez não fosse proposital, mas aquela garota sabia mexer bem com as estruturas de alguém. Aquelas adolescentes assanhadas quem o diga.
~°~
–Então, como está a comida?- Sam perguntou depois de infinitos segundos em silêncio naquela mesa. Ele me pegou às oito em casa e agora estávamos em um restaurante chinês que eu ainda não sabia pronunciar o nome.
–Está ótima- lhe enviei um sorriso forçado. Tentei parecer animada, porém além do cansaço desse comecinho de semana, meu sub-consciente estava dormente de tanta dor de cabeça com certos assuntos que eu sequer deveria estar pensando agora. Ele levou um bolinho de arroz a boca, porém devolveu pro prato no mesmo instante.
–Poxa, Britt, estou aqui tentando ser legal. Te trouxe pra esse restaurante estranho e caro só pra lhe agradar mesmo detestando peixe. Alivia pra mim, por favor. Pelo menos me olhe direito- suspirei profundamente, sentindo dó dele- Está me odiando tanto assim?
–Eu não odeio você, Sam. Me desculpe por estar assim, mas não é por sua causa. Já até esqueci aquele incidente. Minha cabeça que está cheia demais- Sam pareceu aliviado por isso, porém preocupado também- Fiz mal descontando em você. Me desculpe.
–Tudo bem. Posso ajudar em alguma coisa?- pousou sua mão sobre a minha, compadecido a minha expressão de agonia.
–Acho que não, mas relaxe. São coisas com meu pai, aquele cabeçudo- e provavelmente com uma aluna extremamente sensual com quem ando tendo uns sonhos levemente eróticos, que de leves não tinham nada.
–Se precisar tem um ombro bem amigo aqui- apontou para seu ombro, fazendo uma carinha manhosa. Sam sabia ser fofo quando queria. Eu ri por isso.
–Ok, obrigada- voltei a ficar em silêncio. Eu tentava, palavra, mas não conseguia tirar aquelas coisas da cabeça. Certas pressões levam alguém ao ponto de enlouquecer, sério. Sam notou minha crescente expressão de perturbação, então com um jeito infantil, ele pegou os pauzinhos que usava pra comer e os colocou no nariz.
–Veja, Brittany, quem eu sou?
–Um doido?- respondi fazendo uma careta engraçada de nojo- Pare com isso, seu maluco.
–Não até você adivinhar quem eu sou- impôs, mexendo o nariz para fazer os pauzinhos meio que dançarem.
–Você tem quantos anos, cinco?
–Adivinha- balancei a cabeça negativamente, avaliando a figura ridícula que ele imitava.
–Sei lá. Um dinossauro?
–Uhm... não!
–Uma formiga?
–Nana nina não.
–Hã, uma geladeira?- Sam franziu o cenho.
–Geladeira?
–O quê, estou sem ideias- dei de ombros. Ele riu.
–Você é uma sem imaginação mesmo, e ainda se julga uma literária- tirou os palitinhos do nariz e os jogou sobre a mesa. Espero que não pretenda usá-los para continuar comendo- Era o Leoncio do Pica-pau.
–Meu Deus... Super nada a ver- ele me acertou com um sushi- Ai!
–Sem graça. Não sabe brincar, não brinca- joguei um nele também.
–Não tenho culpa se você é um péssimo imitador- enruguei os lábios e ele gargalhou.
–Chata!
O restante de nossa noite foi maravilhosa. Sam era deveras engraçado, o que deixou tudo mais agradável e descontraído. Ele desatou uma conversa sobre luta que eu nada entendia, mas achava bonito seu amor pelo esporte. Pra meu desprazer Sam não era muito fã de leitura, mas isso não atrapalhou a noite perfeita que tivemos. Ele me deixou em casa antes das doze, como um verdadeiro cavalheiro.
–Agradeço pela noite maravilhosa. Você me foi uma ótima companhia, Sam- eu disse já a minha porta de casa. Sam sorriu galante, amaciando os cabelos meio encabulado.
–Eu que agradeço por aceitar- beijou demorado minha bochecha e saiu. Por um segundo, meu universo me testou. Será isso mesmo que eu queria? Bom, não perderia nada tentando.
–Sam?
–O quê?- parou seus passos, me encarando. Respirei fundo e tomei um impulso doido até ele. Segurei sua nuca e o fitei por alguns segundo naqueles olhos claros que agora estavam um tanto confusos. E é agora, senhor!- Brittany... — calei sua pergunta com um beijo aterrador de forte, onde provava de seus lábios avantajados, querendo tirar a limpo algo que tanto me perturbava agora. Sam até que beijava bem. Segurou em minha cintura com uma mão enquanto a outra caminhou para meu maxilar e o pressionou entre os dedos grossos. Levei minha cabeça para o lado oposto, e agora sua língua investia contra a minha e a acariciava. Logo seus braços fortes me envolveram, me trazendo até certa segurança, porém muitas coisas vinham em minha cabeça agora, menos a que eu realmente queria. Cessei o beijo e ele me deu um selinho demorado- Uau!
–É... Uau!- dei um meio sorriso a ele, que faltava rasgar em um, o rosto de satisfação.
–Fui a Lua e voltei com esse beijo, gatinha. O que significa?
–Que está na hora de você ir pra casa- ele riu, me dando outro selinho em animação.
–Boa noite, Britt.
–Boa noite, Sam- fiquei ali até que ele entrou no carro e saiu- Será uma longa noite.... Vida puta!
~°~
No outro dia eu estava firme e forte em minha sala de aula, com meus alunos batutas do primeiro ano e meu cérebro fritando de ideias para trabalhar com eles (seria muito bom se ele só fritasse por isso mesmo). Essa seria minha última aula do dia, então teria um bom tempo para que eu conseguisse colocar algumas atividades em dia e me aprofundar em minha leitura na biblioteca da escola. Dona Martha, uma senhorinha simpática que trabalhava nessa biblioteca há muito tempo, às vezes até deixava a chave comigo na minha época como aluna na Memphs, pelo tanto que eu ficava nesse lugar. Ela ainda trabalhava aqui e me recebe com o mesmo sorriso acolhedor de sempre até hoje. Quando me sobrava um tempo, adorava ajudá-la a recolocar os livros que os alunos deixavam espalhados em suas seções corretas. Hoje eu me dispunha desse tempo.
Andava com um punhado de livros nas mãos, os acertando a sua prateleira correta. Adorava aquele cheiro de livros antigos... Sempre me foi revigorante. Sorri lembrando de minha infância, quando papai me levava para a biblioteca pública aqui mesmo da cidade. Ele ficava inerte a seus livros de política e direito, então me dava total liberdade para ficar onde quisesse. Havia uma brechinha entre uma poltrona velha e uma estante, e era lá que eu ficava lendo meus livros gostosos de romances e fantasias. Sonhava que quando mais velha, meu príncipe viria até mim, me pegaria no colo e iria cavalgar comigo em seu lindo e pomposo cavalo branco. Seus olhos seriam meu elixir e, sua boca, a minha eterna sina.
–Essa seção não é muito sua cara.
–O que?- me assustei, batendo o cotovelo na prateleira, o que ocasionou de um livro cair em minha cabeça- Ai!
–É um verdadeiro desastre, minha cara senhorita Pierce- aquelas orbes negras... Sempre irônicas.
–Você e sua mania de me assustar. Não cansa?
–E perder você vermelinha assim? Nunca- ruborizei mais ainda. Pigarreei, desconcertada.
–O que faz aqui?
–É uma biblioteca, adivinhe.
–Engraçadinha. Não lhe vejo com nenhum livro agora- apontei para seus braços livres. Ela sorriu de canto, pecaminosa.
–Prefiro ler você... É bem mais interessante.
–Não disse que me deixaria em paz? Achei que fosse mulher de palavra.
–Não tenho culpa se o destino gosta de cruzar nossos caminhos.
–Destino- ri irônica- Ele deve gostar mesmo é de zombar de mim com isso.
–Já a mim, me sinto presenteada. Não sabe o quanto me agrada aos olhos.
–Estou saindo com seu treinador.
–Quer que eu lhe parabenize por isso? Quem sabe um troféu?- cruzou os braços, debochada.
–Pensei em respeito. O que acha sobre isso?
–Que chove isso dentro de mim por você. Como outras coisas mais- me apoiei na prateleira, afastando uma mecha de cabelo para colocá-la atrás da orelha- O treinador é uma boa pessoa.
–É? Também acho.
–Mas não pra você.
–Por acaso sabe quem é então?- ela deu de ombros, indiferente- Então?
–É o segundo casamento dele que falha. Quer ser o terceiro?- eu ri.
–Quem disse que quero me casar com ele?
–É o que mulheres como você querem com caras como ele, mas não precisam.
–Por que?- perguntei intrigada- Do que “precisamos" então?- ela se aproximou perigosamente, pousando sua mão forte contra a minha na prateleira.
–De sentir algo mais que o coração pulsar- me encarou de cima à baixo, sem piscar e devassamente- Não adianta negar que é assim que está agora, senhorita Pierce- agora foi a vez de alcançar minha orelha e sussurrar roucamente sensual- Eu sinto de longe.
–Eu poderia fazê-la ser expulsa da escola por isso, sabia?- sim, foi uma ameaça. Fraca, mas foi.
–Então faça- disse altamente desafiadora- Se lhe der paz de espírito.
–Acha que sou esse tipo de pessoa?
–Você é o MEU tipo de pessoa- apontou pro próprio peito. Soltou minha mão e se pôs ereta a minha frente- Você só não percebeu ainda que sou o seu também.
–Sinto muito decepcioná-la, mas não é- saiu mais seguro do que eu imaginava.
–Suponho que seja Sam, então- suspirei, buscando forças.
–Quem sabe?
–Que seja- deu de ombros. Procurei irritação, raiva, ódio em seu olhar, mas nada encontrei ali senão uma pitada de luxúria e mais outros pecados perigosos.
–Santana, entenda, eu...
–Brittany?- a voz de dona Martha cortou a aproximidade. Me virei para trás, recebendo-a com um sorriso forçado.
–Pois não, minha querida.
–O que fazia? Estava te procurando.
–Eu estava aqui conversando com... — me virei para Santana e ela não mais estava ali. Miserável sorrateira!- Com os livros... Faz um bem danado.
–Ok, venha cá comigo. Preciso que me ajude em algumas coisas. Minha vista não está a mesma- rimos juntas e com certeza a senhora estava me achando uma doida varrida.
Mais horas se passaram. Eu parecia perdida andando pelos corredores, esbarrando ora ou outra em algum aluno. É sono, só pode. Dormi muito mal noite passada. Ouvi vozes zombeteiras. Risadas ecoavam pelos corredores, e como não tinha nada pra fazer mesmo, resolvi seguir pra lá. Encontrei Marley acuada a um canto enquanto algumas líderes de torcida faziam chacota de suas roupas. Noah e sua corja, pode-se assim dizer, estavam mais ao lado, rindo de tudo.
–Uhh... Que cabelo lindinho da mamãe... Vou te apresentar um aparelho revolucionário chamado chapinha, querida- Quinn tocava no cabelo de Marley com desdém- Até as pulgas de meu cachorro tem cabelos melhores.
–E essa roupa?- outra complementava- Parece saída daqueles filmes mudos. Por isso ninguém aqui te quer, sua estranha. Nem mesmo os nerds- Marley fungou algumas vezes, ameaçando chorar.
–Ah, vai chorar?- Quinn zombou e os demais riram- Se fosse uma índia, seria da Tribo fu- mais gargalhadas foram ouvidas e eu tentava passar por entre a onda de alunos excitados pela chacota contra a pobre Marley- Quer que eu chame a mamãezinha? A orca entalada lá no refeitório?- aquilo pareceu ser demais para a morena de olhos claros. Quando Quinn deu de costas, Marley correu a sua direção e lhe deu um empurrão forte que a fez parar nos braços de Puck. O rapaz se soltou da líder de torcida, jogando sua mochila no chão para avançar contra Marley, porém quando já estava perto, Santana surgiu do nada e tomou a frente da garota. Noah freou de repente, encarando a latina em sua tranquilidade enquanto comia uma maçã verde.
–Você não ia machucar uma garota indefesa, não é Puckerman?- lambeu o lábio inferior e depois o superior por conta da aguinha da maçã que se juntou ali. Sexy e sombria... Poderia ser diferente?- Seria baixo até pra você.
–Ela empurrou Quinn. Merece um castigo por afrontar pessoas acima dela.
–Imagino que tais pessoas sejam vocês, não é?- apontou desdenhosa para as líderes de torcida e em seguida para os jogadores- Oh.
–Sai da frente, Puck- Quinn empurrou o moicano sem muita delicadeza- O que foi? Vai defender essa estranha agora? Você mal fala com a gente- sinalizou para seu grupinho sem sal.
–Não tem espaço para um “oi" no ego de vocês- a latina terminou a maçã e atirou certeira na lixeira atrás de Quinn- Aquela maçã mastigada parece bem mais interessante- muitos “uhs" foram escutados. A loira não ficou nada contente com aquilo.
–Ah é? E quem seria interessante o suficiente para Santana Lopez? Essa nerd estranha e sem sal? Aposto que não mais que eu- percebi um sorriso de escárnio pela lateral de Santana.
–Talvez ela seja sim- foi então que Santana deu um passo pra trás e delicadamente tocou no rosto de Marley, colocando uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha. A morena parecia assustada, agora mais ainda com Santana a sua frente, fazendo aquilo. Se inclinou para o ouvido de Marley e depois de sussurrar algo não muito demorado, elas se fitaram. Dali em diante meu queixo caiu bem aqui nos meus pés. Santana puxou, com aquela boa pegada que só ela possuía, a cintura de Marley, que pareceu fervilhar por isso, de olhos arregalados, e colocou seu corpo no dela, sem desgrudar seus olhos castanhos nos azuis de Marley. Minha boca se arregaçou, como os dos demais presentes.Todos os olhos desse corredor estavam focados nas duas, muitos murmuros surpresos impregnaram o ar. A latina havia beijado Marley Rose com desejo... De um jeito que até uma árvore ficaria excitada.
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