Obsession
17 Capítulo 16 - Fear...
Notas iniciais
29 de Abril de 2013 – Miami
POV Austin
Ally dormia tranquilamente sob efeito de remédio, quando a noite chegou. Eu a observava com atenção, imaginando como ela estaria quando acordasse. Gavin ainda não havia aparecido e o médico responsável por Ally, notando que ela estava agitada demais e sentindo muitas dores, preferiu dopá-la.
Para a nossa sorte, Prince e Manu conseguiram cuidar do Evan’s com a ajuda de alguns funcionários, então a ausência da morena não afetou tanto assim o funcionamento do restaurante. E no estúdio, Brooke conseguiu remarcar todas as fotografias e Mike me deu um dia de folga.
Eu não havia saído do hospital desde a confusão, mesmo com a insistência de meus amigos. Apesar do cansaço e a das dores que ainda sentia por causa dos acidentes no dia anterior, eu simplesmente não conseguia sair de perto da garota.
Ela parecia tão frágil e indefesa, que eu me sentia na obrigação de protege-la, mesmo sabendo que isso não dependia apenas de mim. Trish havia falado com a mãe de Ally e não demorou muito para que a mulher dissesse que viria o mais rápido possível. Todos estavam bastante abalados e preocupados com a situação de Lester Dawson.
Ally recebeu diversas visitas durante o dia, alegrando-a um pouco, mas ainda era possível ver o brilho de preocupação e angustia em seus olhos e aquilo me matava aos poucos. Eu queria poder tirar a dor que ela sentia. Queria ser capaz de trocar de lugar com ela, somente para não vê-la sofrer ainda mais.
– Austin?
Desvio meu olhar da cama onde Ally estava para a porta branca do quarto. Gavin abriu a porta devagar e observou o lugar, atentamente, até encontrar a ex noiva dormindo. Ele deu um sorriso fraco, entrou e fechou a porta, não demorando a focar seu olhar em mim.
– Como ele está? – questiono, levantando-me da poltrona de acompanhante.
– Tivemos alguns problemas durante a cirurgia, mas no fim, tudo deu certo. – fala, sorrindo, aliviado. – Acredito que se ele seguir a dieta e todos os cuidados que deve tomar, o coração dele não voltará a dar problemas.
Sorrio e suspiro aliviado. Olho para Ally e pondero acordá-la para contar a novidade. Gavin, notando os meus receios, coloca a mão em meu ombro, incentivando-me a ir.
– Por que? – pergunto, curioso.
– Como? – questiona, confuso.
– Por que você voltou? Poderia ter continuado em Nova York, mas por que decidiu voltar para Miami justo agora? – digo, cruzando os braços, andando até estar de frente para o médico.
Gavin me observa com atenção e balança a cabeça, desviando o olhar para Ally. Ele a encara por um tempo, como se pensasse sobre a minha pergunta e suspira, parecendo exausto.
– Não se preocupe, Austin. Em nenhum momento eu voltei para tentar reatar com Ally. – diz, ainda olhando para a ex noiva. Surpreendo-me com a sinceridade que usava. – Os motivos que me levaram a voltar para Miami estão longe de envolverem ela. Claro que encontra-la aqui foi importante para que eu me desculpasse pela dor que eu causei, mas eu não pretendia voltar a vê-la tão cedo.
– E então...? – questiono, tentando entender os motivos que o levaram a voltar.
Gavin olha para o relógio e suspira aliviado, colocando a mão no pescoço e o apertando, como se sentisse uma dor incomoda. Vendo que o homem não estava muito animado para conversar sobre sua vida passada, caminho até Ally e a cubro, de maneira que ficasse mais aquecida.
– Meu passado me fez voltar. – murmura Gavin, surpreendendo-me.
Viro-me para o homem e o vejo retirar o jaleco e dobrá-lo com cuidado. Gavin parecia concentrado no que fazia e eu me perguntei se ele havia mesmo dito alguma coisa.
– O que você disse? – pergunto, com a sobrancelha erguida.
– Antes que diga qualquer coisa, eu quero que saiba que nunca trai Ally. – começa, enquanto se sentava no sofá. Eu continuava a observá-lo em pé. Permaneço calado, analisando-o, esperando com que continuasse a narrar. – Mas tenho vergonha de admitir que me apaixonei por outra pessoa. No começo de meu namoro com Ally, eu realmente pensei que a amava. A personalidade forte e a gentileza evidente dela me fizeram confundir amor com admiração. No entanto, vim perceber isso tarde demais.
– O que quer dizer com isso? – pergunto, sentando-me na cama de Ally.
– Eu me apaixonei por outra pessoa e percebi que eu nunca amei Ally como ela me amava, quando ela já estava envolvida demais. O pai dela descobriu que estava com problemas de saúde. Ally ficou arrasada. Eu simplesmente não podia terminar com ela quando mais precisava de mim. E eu fui enrolando até chegar ao ponto onde chegamos. – explica, dando um suspiro triste em seguida. – Eu me arrependo amargamente do que fiz. Eu insisti em algo que não valia a pena e que teria evitado tanto sofrimento se eu tivesse parado de negar a mim mesmo o óbvio.
Desvio meu olhar de Gavin para Ally, imaginando o que eles passaram durante todo o tempo em que se envolveram. De alguma forma, eu entendia o que Gavin sentia naquele momento.
– Você não foi o único idiota que insistiu em algo inútil. – digo, acariciando o rosto adormecido de Ally. – Durante cinco anos, eu lutei com todas as minhas forças para preservar a memória de Piper e tudo isso em vão.
– Piper? – questiona Gavin, confuso.
– Minha ex namorada. – digo, virando-me para Gavin. Ele parecia curioso em saber sobre a minha história. – Durante anos, eu disse a mim mesmo que Piper voltaria para mim. Eu me iludi e deixei de viver apenas por acreditar em uma ilusão. E foi então que, de repente, Ally apareceu e...E... – suspiro, tentando encontrar as palavras certas que definiriam o que eu sentia naquele momento.
– E tudo mudou rapidamente e quando você percebeu, já não era mais capaz de mentir para si mesmo. – complementa Gavin, sorrindo discretamente. Olho surpreso para o médico e ele apenas encosta a cabeça no sofá e encara para o teto, pensativo. – Sabe, Austin, chega um momento em que por mais que a gente tente, não se pode fugir da verdade. Uma hora ou outra, as coisas se tornam pesadas demais para se aturar e somos obrigados a encarar a realidade.
Suspiro, concordando com o homem. Levanto da cama e caminho até o sofá e, assim que me sento ao lado do médico, faço o mesmo que ele e encaro o teto branco do quarto. Permanecemos em silêncio, por um tempo, apenas ouvindo a suave e rítmica respiração de Ally.
– O que aconteceu com vocês depois que você voltou para Miami? – questiono, fechando os olhos, cansado.
– O que? – pergunta Gavin, confuso.
– Você disse que voltou por causa de uma pessoa por quem você se apaixonou no passado. – explico, voltando a abrir os olhos e a encarar o homem ao meu lado.
– Ah, isso. – sussurra, rindo levemente. – Quando eu voltei para Miami e fui atrás dele, tive a surpresa dele está casado.
– Casado? Vocês não chegaram a se envolver? – pergunto, curioso.
– O que? Não, nunca. – responde, rindo, enquanto me encarava. – Eu nunca tive coragem de contar para o meu melhor amigo que eu o via além de um irmão.
– Você se apaixonou pelo seu melhor amigo? – repito, surpreso. – Como conseguiu esconder?
– Foram os seis anos mais difíceis da minha vida. – confessa, suspirando cansado. – Mas, quando comecei a me envolver com Ally, de alguma forma, eu consegui esquecer por um momento sobre o que eu sentia por ele, por isso eu me iludi. Imaginei que com o tempo eu fosse amá-la de verdade. – ele apoia os cotovelos nos joelhos e coloca a cabeça entre as mãos. – Eu fui tão idiota. Eu deveria saber que isso era loucura.
– Você não pretende contar para seu amigo a verdade? – pergunto, sentindo-me mal pelo médico.
– Não. – fala, voltando a se encostar no sofá. – Não quero que ele me olhe com nojo ou algo do tipo. Além disso, ele está casado e feliz com a esposa dele. Soube que estão tentando ter um filho. Eu jamais poderia interferir nisso.
– E vai passar o resto da sua vida guardando isso com você? – pergunto, enquanto cruzo os braços.
– Eu vou dar um jeito. Eu vou seguir em frente e quem sabe não encontre alguém, assim como Ally encontrou você? – responde, sorrindo, enquanto encara a morena.
– Na verdade, não estamos juntos. – digo, sem graça.
– Não? – questiona, olhando para mim de maneira confusa.
– Temos um relacionamento indefinido. – explico, frustrado. – Ao mesmo tempo que ela parece querer se envolver, algo acontece e ela foge ou sou eu que coloco tudo a perder. E para melhorar ainda mais a minha situação, meu melhor amigo está apaixonado por ela e não vai desistir tão fácil.
Gavin me encara surpreso e começa a ri, divertindo-se com a minha história. Irrito-me com sua atitude e isso parece inspirar o homem a ri ainda mais. Reviro os olhos e espero até que a crise de risos do médico terminasse.
– Acabou?
– Desculpa. – pede, recuperando-se, ainda dando algumas risadas. – É que isso é típico da Ally.
– O que quer dizer com isso? – pergunto, curioso.
– Você ainda não percebeu? – fala, sorrindo animado para mim. Balanço a cabeça negando e ele leva a mão até o rosto, parecendo não acreditar. – Ela está completamente apaixonada por você, mas o orgulho dela não permite que ela se envolva com você. E provavelmente, eu também tenho minha parcela de culpa nisso. – complementa, sorrindo sem graça. – Austin, Ally é a mulher mais difícil que eu já conheci na minha vida. Se você quiser mesmo viver com ela, terá que aprender a lidar com o orgulho e teimosia que ela carrega dentro de si. Ally é o tipo de mulher que prefere sofrer a dar o braço a torcer. Ela detesta estar errada e mais ainda quando a situação sai do controle.
– Mas, o que isso tem a ver com a gente? – pergunto, ainda sem entender aonde ele queria chegar.
– Pelo visto eu vou ter que ser ainda mais óbvio. – murmura para si mesmo, como se eu fosse um idiota. – Austin, presta atenção. Eu não faço ideia da sua história com a sua ex namorada, mas pelo que você me falou, com certeza vocês tiveram algo forte. Eu não tenho dúvidas de que ela está com medo de se envolver com você, por temer que você volte para a tal de Piper. Agora, junte isso a situação de ser abandonada no altar ao descobrir que o seu noivo é gay e tudo isso em menos de um mês? – explica, olhando seriamente para mim.
– Isso faz sentido. – sussurro para mim mesmo, começando a analisar a situação.
– Você jura? – ironiza.
– E o que eu faço? – digo, com seriedade.
– Bem, além de ex noivo, eu já fui o melhor amigo da Ally. A única coisa que resta a você é tentar vencer o orgulho dela. – fala, sorrindo discretamente.
– E como eu faço isso?
– Eu não sei. Me diz você. – responde, dando de ombros.
– Nossa, eu nem sei como agradecer por toda essa ajuda. Muito obrigado por nada. – digo, revirando os olhos, frustrado pela falta de respostas.
– Nada? – questiona Gavin, erguendo uma das sobrancelhas. — Será que você não percebe que só depende de você? Ally te ama. Você ama Ally. A única coisa que está impedido vocês de ficarem juntos é o medo dela. Prove para ela que você é o cara pelo qual ela esperou durante toda a vida dela e pronto. É tão simples. – fala, voltando a encara o teto do quarto. — Se eu tivesse uma chance de ser feliz ao lado da pessoa que amo, assim como vocês...
– Obrigado, Gavin. – agradeço, estendendo a mão para o homem. Ele encara minha mão por um tempo e sorri, balançando a cabeça, negativamente.
– Apenas a faça feliz. – responde, apertando a minha mão e sorrindo, enquanto olhava para a garota adormecida. – Isso é tudo o que peço.
[...]
11 de Maio de 2013 – Miami
Doze dias haviam se passado desde o acidente de Ally e a cirurgia de seu pai e muita coisa havia mudado em nosso grupo de amigos. O casamento de Kira com Elliot estava muito próximo de acontecer e os preparativos andavam a todo vapor.
Os pais de Ally estavam em Miami e Lester se recuperava cada vez mais a cada dia. Em pouco tempo, o homem poderia voltar a trabalhar, como era seu desejo, e a mãe de Ally voltaria para Nova York.
Dallas ainda não tinha certeza se iria para a Dinamarca, deixando Cassidy ainda mais aflita, no entanto, o casal aproveitava todo o prazo que ainda restava para namorar e recuperar o tempo perdido desde a perda da memória da loira.
Trish havia tomando a decisão de ficar, definitivamente em Miami, para alegria de Ally e Cassidy. As três junto com Kira não se desgrudavam e estavam animadas para o casamento que seria realizado em menos de um mês.
Gavin, surpreendentemente, havia se tornado um amigo próximo e todos pareciam gostar muito do rapaz. Apesar de tudo, ele era realmente uma boa pessoa e parecia disposto a seguir em frente, mesmo sofrendo por não ser correspondido, e ajudar no que fosse necessário para que Ally e eu ficássemos juntos.
Mas as coisas não iam tão bem assim entre Ally, Dez e eu. Nós não conseguíamos ficar no mesmo ambiente sem que a tensão baixasse sobre nós. No entanto, o que mais me incomodava era o fato de Ally estar me evitando. Por mais que eu tentasse me aproximar, ela sempre dava um jeito de se afastar, frustrando-me cada vez mais.
O festival na praia aconteceria essa noite, mas diferente de todos, eu não conseguia ficar feliz. Ally iria com Dez e eu tinha certeza que o ruivo aproveitaria a oportunidade para conquistar a morena. Suspiro, frustrado, observando a minha imagem no espelho do quarto, perguntando-me como eu havia deixado Trish e Gavin me convencerem a ir.
– Austin, você está pronto? – pergunta Gavin, batendo na porta. – Todos já foram para a praia. Só falta você, Trish e eu.
– Eu já estou indo. – digo, suspirando.
Termino de arrumar meu cabelo, coloco meu relógio e pego minha carteira, ponderando se deveria mesmo ir. Tudo poderia acontecer durante a festa e eu não sei se estou preparado para ver o meu melhor amigo investindo na mulher que eu amo.
– Austin! Vamos! – grita Trish, batendo na porta, insistentemente.
– Tudo bem! Tudo bem! – digo, abrindo a porta, irritado.
– Até que fim. – fala a latina, me puxando pelo braço. – Eu não quero perder nada daquele festival.
– Você é pior que uma criança. – resmungo para Trish, enquanto era arrastado para o lado de fora da casa. Gavin nos olha surpreso e logo começa a ri ao ver a minha careta.
– Calado! – repreende Trish, empurrando-me para o quarto. – Apenas dirija o mais rápido possível.
– Alguém parece ansiosa para o festival. – comenta Gavin, entrando no banco de trás do carro, enquanto ria da atitude da garota. – Isso tudo é para encontrar Dez.
– Mais uma palavra sobre esse assunto e eu juro que corto a sua garganta, Gavin! – ameaça Trish, irritada.
Desde que Gavin havia conhecido Trish e Dez, ele não parava de insistir que os dois se gostavam e que todo aquele ódio era puro amor. Isso irritava os dois de maneira inexplicável, o que reforçava ainda mais a teoria do médico.
– Não está mais aqui quem falou. – responde Gavin, levantando as mãos em sinal de rendição enquanto ria da ira da latina. – Mas, confessa, Trish. Toda essa produção é apenas para impressioná-lo.
Trish se vira para trás e começa a acertar tapas em Gavin, xingando-o, enquanto o loiro apenas ria, divertindo-se. Eu acompanhava o médico nas risadas, ao mesmo tempo em que tentava não me virar para eles e continuar concentrado na estrada.
Não demoramos muito a chegar ao festival. A praia estava lotada de pessoas se divertindo nos brinquedos do parque e nas barracas de comida que estavam distribuídas pelo lugar. O céu estrelado mostrava que não choveria aquela noite, para o alivio de todos que esperavam aproveitar ao máximo o festival.
– Uau, está ainda mais bonito do que da última vez que eu vim ao festival. – comenta Trish, encantada. Um grupo de pessoas passam por ela, esbarrando na latina, fazendo com que ela se encolhe-se. – E mais movimentado também.
– Onde será que está o pessoal? – pergunto, mais preocupado em encontrar Ally do que com festival em si.
– Eu acabei de mandar mensagem para Ally e ela disse que está perto da roda gigante. Pediu para que a gente fosse para lá. – avisa Gavin, olhando para o celular.
– Então vamos para lá. – digo, apressando os passos.
Em meio a empurrões e algumas confusões, conseguimos encontrar a turma. Suspiro aliviado quando consigo me livrar da multidão. Dallas, Cassidy, Kira, Elliot, Dez e Ally conversavam animadamente e riam de alguma palhaçada que o ruivo fazia. Foco meu olhar na morena e me surpreendo. Ela estava incrivelmente linda. Sorrio encantado e não consigo desviar o olhar dela.
– Para de babar e fecha a boca ou é perigoso uma mosca entrar. – brinca Trish, rindo, empurrando-me de leve e indo em direção aos outros.
– O que está esperando? Vai logo lá falar com ela. – fala Gavin, dando um tapa em meu ombro.
Suspiro e concordo com o homem, tomando coragem para ir de encontro a todos. Desvio meu olhar de Ally para Dez e ele encarava Trish, parecendo encantando com a latina. Sorrio aliviado e agradecendo a arrumação exagerada da mulher. Ao menos, eu não precisaria me preocupar tanto com Dez.
Cumprimento a todos com abraços e rápidos sorrisos, com exceção de Ally. A morena me observava atenta, mas logo desvia o olhar quando Cassidy sussurra algo, que a deixa envergonhada. Apresso-me com os cumprimentos e passo a caminhar na direção de Ally.
– Oi. – digo, sorrindo, assim que fico frente a frente com ela.
– Oi. – responde, sorrindo discretamente.
Nos encaramos por um tempo, apenas analisando um ao outro. Eu sentia que todos os nossos amigos nos observavam e isso começou a me incomodar. Desvio meu olhar de Ally para os outros, sorrindo sem graça.
– Então, pessoal, que tal decidirmos aonde vamos primeiro? – pergunta Dallas, com o olhar malicioso. – A não ser que queriam ficar aqui a noite toda nos encarando.
– Eu estou com fome, então vou ir comer alguma coisa. Quem vem comigo? – pergunta Cassidy, abraçada com o namorado.
– Nós vamos com você. – responde Kira, pegando na mão de Elliot. – Eu também estou morrendo de fome.
– Vamos, então. – fala Elliot, saindo com a noiva, sendo seguido por Dallas e Cassidy, que dá uma piscadela para mim e sorri de maneira significativa para Ally.
– Bem, eu vou ir procurar Trent por aqui. Acho que ele veio com a esposa dele. – fala Gavin, com um sorriso simpático.
– Trent? – pergunto surpreso. – Você está falando de Trent Farley, marido de Brooke?
– Você o conhece? – pergunta Ally, surpresa.
– Claro. A esposa dele trabalha comigo. Eu os conheço a muito tempo. – respondo, sem acreditar na coincidência. – De onde vocês o conhece?
– Estudamos juntos. – responde Gavin, sorrindo.
– Ele era o melhor amigo de Gavin desde sempre, não é? – fala Ally, virando-se para o loiro. O mesmo concorda e me olha, sorrindo sem graça.
– De qualquer forma, eu já vou indo. – fala Gavin, sorrindo. – Até mais Trish, Dez, Ally e Austin.
– Tchau Gavin. – grita Dez, sorrindo divertido para o loiro, enquanto Ally, Trish e eu apenas acenamos. – O que acha de darmos uma volta pela praia, A...
– Claro, Dez. – fala Trish, puxando o ruivo pelo braço. – Eu adoraria passear por aqui com você.
– O que? Eu não estava falando com... – o ruivo é interrompido pela latina, mais uma vez.
– Não precisa dizer mais nada. Será divertido caminhar pela praia e andar naqueles brinquedos igual fazíamos quando éramos crianças, lembra? O dia do festival era o único dia que dávamos uma trégua e aceitávamos agir como amigos. Melhores amigos. – diz Trish, sorrindo de maneira doce para Dez. Ele a encara sem reação por um momento, mas não demora a sorri, dando-se por vencido.
– Tudo bem. Vamos nos divertir como antes. – fala o ruivo, animado, colocando o braço sobre o ombro de Trish, começando a caminha com ela pela praia.
– Parece que ele se esqueceu de mim. – comenta Ally, sorrindo, enquanto observava os amigos.
Observo o olhar carinhoso de Ally e a encaro por alguns instantes, tentando controlar a enorme vontade que eu sentia de beijá-la. Ally, percebendo meu olhar sobre si, desvia o olhar de Dez e Trish e me encara confusa.
– Quer conhecer um lugar legal? – pergunto, com seriedade, enquanto estendia minha mão para a morena e olhava em seus olhos.
Ela continuou a me encarar, parecendo pensar no que deveria fazer. Por fim, ela suspira e pega em minha mão, ainda hesitante. Sorrio discretamente e a puxo para mais perto, ficando a poucos centímetros de seu rosto.
– Espero que não tenha medo de altura. – sussurro, reversando o olhar entre seus olhos e sua boca.
– Eu não tenho. – sussurra de volta, respirando com dificuldade.
Sorrio com a resposta e me afasto, começando a andar no sentindo onde havia menos pessoas. Ally não disse nada, apenas me seguiu, pensativa.
Andamos por alguns minutos e finalmente chegamos a pequena floresta próxima a praia. Ally me encarou, desconfiada. Sorrio pra ela e pego sua mão, conduzindo-a por entre árvores e arbustos. Não demoramos muito a chegar ao lugar que eu queria.
A imagem da praia repleta de visitantes e do agitado mar de Miami surpreende Ally. Ela observava a cena, sorrindo encantada. Aquele lugar era conhecido por muito poucos, principalmente porque aquela parte da praia só era aberta no verão.
– Esse lugar é muito especial para mim. – comento, aproximando-me da costa do lugar mais alto da praia, ficando ao lado de Ally. – Minha mãe me trazia aqui quando eu era criança. Ficávamos horas em silêncio, apenas encarando a praia. Aqui sempre foi o meu refúgio quando eu estava triste.
– É um ótimo lugar. – fala Ally, sorrindo compreensiva para mim.
– Sim. – digo, sentindo a tristeza de lembrar dos momentos em que passei ao lado de minha mãe naquele lugar. – Mas depois da morte dela, eu não consegui voltar aqui. Ao menos, não até hoje.
Ally olha para mim e sorri, pegando em minha mão. Com o olhar repleto de carinho, ela acaricia meu rosto e deposita um beijo em minha bochecha. Fecho os olhos, aproveitando a sensação de tê-la tão perto de mim.
A garota se afasta e volta a observar a paisagem. Permanecemos em silêncio, apenas apreciando a calmaria e a brisa que o mar trazia.
– Por que você se afastou? – pergunto, inseguro. – Mesmo depois de tudo que ouviu de mim, por que me ignorou durante todos esses dias?
– Porque estou com medo. – afirma, sem desviar os olhos da paisagem.
– Medo do que? – pergunto, puxando seus ombros de leve, fazendo-a ficar de frente para mim. – Ally, olhe para mim. – hesitante, a morena levanta o olhar e passa a me encarar. – Do que você está com medo?
– Eu te amo, Austin. Te amo mais do que deveria amar e isso é loucura. – sussurra, fechando os olhos com força. – Nos conhecemos a pouco tempo e eu sinto como se eu precisasse de você para respirar. Eu não deveria me sentir tão dependente de alguém. Eu não deveria sentir como se meu mundo não funcionasse direito sem você.
– Ally, está tudo bem. – sussurro, pegando em seu rosto e a puxando para perto de mim.
– Não, Austin, não está tudo bem. – fala, tentando se afastar. – Essa é a primeira vez que eu perco o controle da minha vida e isso é assustador.
Sendo tomado pelo impulso, eu a puxo para perto de mim e a beijo com intensidade. A saudade misturada com a sensação de necessidade nos dominava de maneira inexplicável, tornando o beijo ainda mais desesperado.
Ally me puxava para ainda mais perto, enquanto acariciava meu cabelo. Eu a segurava com firmeza pela cintura, embriagando-me com o sabor inconfundível de morango que sua boca parecia sempre ter. O perfume de Ally estava prestes a me levar a loucura.
Era como se a noite em que nos amamos pela primeira vez estivesse voltando. Os mesmos sentimentos, as mesmas sensações. Tudo parecia idêntico e a única que eu conseguia pensar era tomá-la para mim, mais uma vez.
– Austin?
No entanto, antes que eu tomasse qualquer atitude, uma voz muito conhecida por mim se faz presente, obrigando Ally e eu a nos afastar. Encaramos a pessoa, assustados. Eu não sabia o que pensar ou como agir. A única coisa que se passava pela minha mente é que meu passado e meu futuro estavam frente a frente e que a partir daquele momento, minha vida tomaria um rumo sem volta.
✻
Continua...
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