Obsessão ou amor Livro 3 Entre o dever e o coração
15 O Resgate do Sangue e da Honra
O silêncio no boticário foi quebrado pela pena de Luan arranhando o pergaminho com uma força que quase rasgava o papel. Não havia tempo para diplomacia ou rodeios. Ele selou a carta com o brasão real de Tara — o leão Mackenzie — em cera vermelha, a cor do sangue e da urgência.
"Michael, meu irmão,
Não faça perguntas. Não peça explicações. Se ainda resta alguma lealdade entre nossas casas, coloque Marcos em um navio no momento em que ler estas palavras. A vida de Anastácia e o futuro de nossa linhagem dependem disso. Venha com ele. Preciso de você e de Catarina aqui. O destino de Tara está por um fio."
O Porto de Mônaco
Três semanas depois, o horizonte de Tara foi cortado pelas velas brancas de um navio de Mônaco. No cais, o ar estava gelado, mas a tensão que emanava da comitiva real era ainda mais fria. Luan, Maya e Dominic aguardavam.
Quando a prancha foi baixada, Michael de Mônaco foi o primeiro a descer, com sua presença solar agora obscurecida pela preocupação. Ao seu lado, Catarina, sua esposa, mantinha o olhar atento e protetor. E, logo atrás deles, surgiu a sombra do homem que partira meses atrás.
Marcos estava irreconhecível. Suas roupas de nobreza pareciam grandes demais para seu corpo agora magro; seus olhos estavam encovados e a barba por fazer lhe dava um ar de um prisioneiro de guerra. Ele mal conseguia olhar para Luan.
— Ele não queria vir — disse Michael, aproximando-se de Luan com um abraço rápido e tenso. — Tivemos que praticamente carregá-lo para o navio. Ele acredita que você o chamou para um duelo de morte.
— Talvez eu devesse ter chamado — respondeu Luan, sua voz rouca, os olhos fixos em Marcos, que permanecia imóvel alguns passos atrás.
Catarina aproximou-se de Maya, segurando suas mãos.
— Onde ela está? Michael me contou o pouco que sabia, mas sinto que o buraco é muito mais profundo.
— Ela está no castelo — Maya respondeu, com os olhos marejados. — Ela não sai do quarto. Ela está... carregando um peso que nenhum de nós previu.
Marcos finalmente levantou o olhar. Ao ouvir o tom de voz de Maya, algo nele despertou. A apatia foi substituída por um terror súbito.
— O que aconteceu? — a voz de Marcos saiu falha, seca. — Luan, se você me chamou aqui para me punir, faça-o agora. Mas me diga... o que há com Anastácia?
Luan caminhou até Marcos. Por um momento, todos prenderam a respiração, esperando um golpe. Em vez disso, Luan agarrou o colarinho da túnica de Marcos e o puxou para perto, sussurrando com uma fúria contida:
— Você fugiu para "salvar a honra dela", Marcos. Mas você deixou para trás algo que nem o mar, nem o tempo podem apagar. Anastácia está grávida. Há dois meses.
O impacto daquelas palavras foi físico. Marcos cambaleou para trás, as pernas cedendo. Michael o segurou pelos ombros para evitar que ele caísse no chão do cais. O rosto de Marcos passou do pálido ao cinzento.
— Um filho... — sussurrou Marcos, as mãos tremendo violentamente. — Eu... eu não sabia. Eu nunca...
— Agora você sabe — cortou Luan, soltando-o com desprezo. — Catarina e Michael estão aqui para garantir que este desastre não destrua nossas casas. Você vai subir aquele castelo, vai entrar naquele quarto e vai consertar o que quebrou. Ou, juro pela alma de Dominic, eu mesmo serei o seu carrasco.
Marcos não esperou por mais ordens. Ele não parecia mais o homem doente e exausto de segundos atrás; impulsionado pelo choque e por uma centelha de esperança agonizante, ele começou a correr em direção aos cavalos, deixando os soberanos para trás no porto.
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